Menos um para atrapalhar

O paraguaio Nicolás Leoz, 84, renunciou ao cargo de integrante do Comitê-Executivo da Fifa, nesta terça-feira. Apesar de dizer que não deixou também a presidência da Conmebol (Confederação Sul-Americana de Futebol), conforme foi publicado pela Fifa, o que está certo é que seu substituto será o uruguaio Eugenio Figueredo, que indicará um nome para ser o novo membro do Comitê da Fifa. Ele também pode indicar o próprio nome. (Da Folha SP) 

Não chore, Marin!

Por Juca Kfouri

Quem chora somos nós. Chora a nossa pátria, mãe gentil. Choram Marias e Clarices no solo do Brasil. E choramos pela miséria a que está reduzido o nosso futebol, sob esta CBF dirigida tal e qual fosse pela dona de um bordel. Por mais que saibamos que temos talento para virar o jogo, por mais que mantenhamos a esperança equilibrista.

Porque, se o show de todo artista tem de continuar, é constrangedor vislumbrar a cena de terça, quando a tarde caía feito um viaduto na sede da Casa Bêbada do Futebol, trajando luto e sem lembrar de Carlitos, o nosso Mané Garrincha.

Eram 27 cartolas de chapéu-coco, todos com brilho de aluguel. Todos submissos, menos o que não foi, o presidente da federação mineira, talvez por tentar se equilibrar de sombrinha.

Como se fossem os irmãos do Henfil, os repórteres Leandro Colon, Martín Fernandez e Sérgio Rangel tinham publicado no mesmo dia, nesta Folha, a incrível história do prédio que custava R$ 39 milhões e foi comprado por R$ 70 milhões.

Fora os vazamentos com a voz de Marin humilhando o coletivo dos presidentes das federações estaduais, todos dispostos a fazer cena antes da assembleia para, depois de bons uísques, aprovar tudo por unanimidade. Não sem antes receber cheques entre R$ 100 e R$ 400 mil, para compensar a mesada, que é menos da metade do que recebem os atuais donos da CBF.

Evidente que tudo isso reflete diretamente em nossos campeonatos sem torcida e com audiência em queda e numa seleção que não comove mais o torcedor.

Canastrão, Marin não engana nem com suas lágrimas de crocodilo nem com sua simulada irritação. Ao dizer que só sairá morto da CBF não lembra Getúlio Vargas, mas Chaves, o mexicano, do seriado da televisão. Ninguém quer que Marin morra, ou que, aos 80 anos, seja preso.

O que se quer é que ele deixe nosso futebol, volte a desfrutar da vida com tudo o que amealhou nos tempos da ditadura a que serviu – como os documentos do SNI revelam sobre ele, segundo informaram, no UOL, do Grupo Folha, os repórteres Aiuri Rebello e Rodrigo Mattos.

Será demais pedir a cada estrela fria que Marin parta num rabo de foguete, se não para Boca Raton, como o colega que fugiu, mas, tudo bem, para Nova York, onde também tem luxuoso apartamento?

É que o futebol brasileiro anda de luto, chupando manchas torturadas, incapaz daquelas velhas irreverências mil nas noites, e nas tardes, do Brasil. Chega de viver nas nuvens ou no fundo do poço. É hora de passar o mata-borrão do céu e acabar com esta dor pungente que não haverá de doer inutilmente, mestres Aldir Blanc e João Bosco.

E que cada passo desta linha, de Ronaldinho a Neymar, seja para machucar o gol do rival, livre, azar, desta cartolagem equilibrista.

Que sufoco. Louco!

Barbosa marca presença no palanque de Aécio

image_previewO presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Joaquim Barbosa, participou hoje (21) de uma cerimônia oficial pelo feriado de Tiradentes, organizada pelo governo de Minas Gerais, em Ouro Preto. Convidado como orador do evento, Barbosa recebeu o Grande Colar, homenagem máxima oferecida a personalidades que, segundo o governo estadual, ajudaram no desenvolvimento de Minas e do Brasil, além de acompanhar e ser acompanhado o tempo todo pelo senador Aécio Neves, candidato do PSDB às eleições presidenciais do ano que vem.

Mas se oficialmente o presidente da instância máxima do Judiciário do país honrou com sua presença um evento institucional, por outro lado é evidente que aquilo é também um palanque político (todo mundo sabe disso), e o espectro da exploração política do julgamento do mensalão recomendaria que Barbosa mantivesse distância de tal cerimônia.

A delicadeza da situação é constatada pela ausência em Ouro Preto de outro senador mineiro, o aecista Clésio Andrade, réu no processo do mensalão tucano em Minas, ex-sócio do publicitário Marcos Valério, e vice-governador de Aécio Neves entre 2003 e 2006. Também não deu as caras outro ex-governador, o deputado Eduardo Azeredo (PSDB), um dos pivôs do esquema que o STF ainda não se dispôs a julgar.

Ganhou a esperteza política de Aécio, que marca território entre os eleitores que acreditam que Barbosa seja um arauto do combate à corrupção. Mas em se tratando do próprio Barbosa, que frequentemente tem sido protagonista de sucessivos episódios de conflitos entre outras instâncias do Judiciário e com veículos da velha mídia, que apesar de tudo ainda o apóia, o desgaste pode ser grande e uma nova saraivada de críticas pode estar a caminho.

Sabe-se lá se é a famosa picada da mosca azul, que leva pessoas a desejarem mais e mais poder, ou se é a esperteza dos tucanos mineiros que plantam notinhas pela imprensa espalhada pelo país, para depois checar os resultados junto à opinião pública, mas depois desse ato, corre a notícia de que Barbosa seria vice de Aécio. Melhor não duvidar. (Do Blog Rede Brasil Atual)

Será que o Torquemada do STF foi mesmo picado pela mosca azul?? Te contar… Vai ser divertido.

O Re-Pa segundo os torcedores

Por Gerson Nogueira

bol_ter_230413_11.psA terça-feira posterior a um Re-Pa é tradicionalmente dedicada a repercutir a opinião do torcedor-leitor. Espaço aberto para o posicionamento dos que amam discutir futebol e, por direito adquirido, se consideram técnicos informais. Por coincidência, um técnico amador está entre os escolhidos pela coluna para reverberar o que ocorreu sábado à noite, no estádio Jornalista Edgar Proença, quando o Remo derrotou o Paissandu e ressuscitou no campeonato.

“Gerson e amigos, sempre falei que time que jogar contra o Paissandu de igual para igual vai encontrar sérios problemas para vencer. O Remo só respeitou uma vez o Paissandu, e por isso tinha saído vencedor. No sábado, quando saiu a escalação, falava que o Remo vinha respeitando o Paissandu, e voltou a vencer. Claro que, em se tratando do momento que vivia, não era só isso que faltava ao time, mas a vontade de vencer, a garra, a disposição em campo e isso o Remo teve ontem – e o Papão não”, opina Cláudio Santos, leitor da coluna e do blog e técnico do Columbia de Val-de-Cans.

Acrescenta que o Remo “tem jogadores fracos tecnicamente e só usando a inteligência de seu bom técnico, aliado a tudo que falei, poderá sonhar com o título deste 2º turno. Por isso, sempre falei que o Papão tinha mais time, mas o Remo tinha mais técnico. Que o Flávio Araújo não pense que deve usar o 3-6-1 apenas contra o Papão, mas sim, se passar, usar até o fim do Parazão, mudando apenas algumas peças, quando for necessário. Chega de mexer tanto nesse time”.

Já Rildo Medeiros avalia que o triunfo do Remo deveu-se à organização que o time mostrou e, em particular, à grande participação dos jogadores paraenses: “Parabéns pelo centenário, Leão! À torcida, ao Fabiano, Val Barreto (lembrança do Alcino), Jonathan, Endy, Alex Ruan e à estrela do Flávio Araújo, que todos esperam começará a brilhar na reta final”.

Charles Rezende opina que, em dois tempos distintos, Paissandu e Remo fizeram um jogo equilibrado, mas no primeiro tempo o Remo foi mais lúcido e aproveitou as oportunidades. “Jogou com mais vontade que o time bicolor, além de ter uma noite inspirada de Val Barreto, Jonathan e do bom de bola Alex Ruan, que mostrou excelente potencial desde o jogo frente ao Flamengo. Ou seja: vitória justa do Remo, pelo grande primeiro tempo que exerceu, superando suas latentes e visíveis limitações técnicas”.

Quanto ao Papão, avalia que o time teve uma noite bisonha no sábado. “Se tirarmos como parâmetro este jogo para a Série B, onde o nível técnico será incomparavelmente superior, o Paysandu precisará de bons reforços, pois, pelo que se viu anteontem, o plantel bicolor está seriamente fragilizado para o Campeonato Brasileiro”, observa.

Rezende ainda adverte para o risco da soberba. “O Paissandu é o melhor time, mas nem tanto assim. Entretanto, neste restante de Paraense, creio que continue favorito. Precisa demonstrar isso em campo, porém, e não achar que, pelo fato de tecnicamente ser superior aos demais, o campeonato já esteja ganho”.

Luís Antonio Mariano festeja o fato de Flávio Araújo ter “finalmente se convencido de que Jonathan é meia e não volante, e que não demore a entender que o Jerônimo também não é volante, mas lateral. No mais, parece que está indo bem, por enquanto”.

Maurício Carneiro viu merecimento na vitória remista, mas não observou tanta evolução no Remo. “A verdade é que o tempo todo parecia que o empate estava pra acontecer. Fizeram 2 a 0 no 1º tempo e não deram a impressão de que iriam matar fácil no 2º tempo em contra-ataques. Não se sentiu a possibilidade real de uma goleada como no último jogo. Com todo respeito ao rival e ao clássico, uma vitória simples do Papão é algo bem provável no próximo jogo, e olhem que eu não sou desses que falam com fanatismo”, afirma.

Antonio Oliveira comenta o lance da reversão do cartão vermelho aplicado ao zagueiro Mauro, do Remo: “Mesmo reconhecendo que a questão é muito controversa, digo que sim, o árbitro agiu certo ao cancelar o cartão, da forma como cancelou, atendendo ao que foi previamente assinalado pelo seu auxiliar. Afinal, foi um lance faltoso ocorrido na disputa da bola, onde tanto o atacante quanto o zagueiro, que estavam de costas para o bandeira, não viram que este já havia assinalado o impedimento”.

Oliveira complementa, admitindo que a entrada foi violenta (muito favorecida pelo estado pesado do gramado), “mas me parece que se o zagueiro tivesse agredido o atacante fora do lance de disputa da bola, aí sim, o árbitro poderia manter o cartão aplicado, eis que a falta estaria desvinculada do lance como um todo, inclusive da marcação feita pelo bandeira, e seria uma violência gratuita”.

E conclui: “Na verdade, foi apenas a retificação de um equívoco, com o árbitro atendendo uma marcação feita, inequivocamente, pelo auxiliar e em momento anterior ao da aplicação do cartão vermelho, retificação esta que, nestas condições, é atitude que tem amparo nas normas internacionais de arbitragem de futebol”.

———————————————————–

Bayern, Barça e a ética no esporte

Sobre o aguardado embate do ano entre Bayern e Barcelona, hoje, no portentoso Allianz Arena, chama minha atenção a preocupação dos alemães em não recorrer a Pep Guardiola em busca de informações sobre o adversário.  Homem que montou a atual máquina catalã, Guardiola tem contrato assinado com o Bayern para a próxima temporada.

Matthias Sammer, diretor esportivo do Bayern e famoso pelo futebol eficiente dos tempos de Borussia e seleção alemã, fez questão de declarar publicamente que o clube jamais pediria informes a Guardiola, por respeito ao profissional e ética na relação com o clube espanhol.

Como é bom saber que ainda há gente séria lidando com futebol.

(Coluna publicada na edição do Bola/DIÁRIO desta terça-feira, 22)