Dos chatos

Por Luis Fernando Veríssimo

129_279-LFVerissimoHá chatos e chatos. Há o chato pegajoso, o chato que telefona muito, o chato que cutuca. Há o enochato, que faz questão que você saiba que ele sabe tudo sobre vinhos, e o ecochato, assim chamado porque se preocupa demais com ecologia ou porque vive se repetindo, como um eco.

Há o egochato, cujo único assunto é ele mesmo, e o chato hipocondríaco, uma especialização do egochato, cujo único assunto é sua própria saúde, ou falta dela. Há o chato invasivo, que fala a centímetros do seu nariz, e o chato hiperglota, que não para de falar.

Mas também há — embora seja raro — o chato que se flagra, que tem consciência de que é chato e quer se regenerar, e que diz muito “Eu estou sendo chato? Hein? Hein?” e portanto é o pior chato de todos.

Tem o caso daquele chato com autocrítica que decidiu pedir ajuda, mas não sabia quem procurar. Chatice não se cura com remédios ou com exercícios, muito menos com cirurgia. Não existem clínicas para a recuperação de chatos. O que fazer? Nosso chato resolveu consultar um psicanalista.

— É que eu sou chato, doutor, e sei que sou chato.

— Deve ter alguma coisa a ver com sua mãe.

— Minha mãe? Por que minha mãe?

— É que na psicanálise sempre partimos da hipótese de que, seja o que for, a culpada é a mãe. Facilita o tratamento. Mas me fale da sua infância.

— Bem, na escola meu apelido era “Sarna”. Também me chamavam de “Desmancha Bolinho” porque, assim que eu chegava num grupo, o grupo se desfazia.

— Sua família também o achava chato?

— Não sei. Mas desconfiei quando, nos meus dezoito anos, eles me deram as chaves da casa e em seguida mudaram todas as fechaduras.

— E sua vida amorosa?

— É normal, eu acho. Até me casei, embora minha mulher alegue que meu pedido de casamento a fez dormir e que só saiu do estado comatoso no altar, onde teve que dizer “sim” para não dar vexame. Hoje vivemos bem, em casas separadas, apesar de eu só poder visitá-la nos dia 29 de fevereiro, se ela não mandar dizer que não está. Tivemos um filho que eu ninava quando era bebê, mas ele fingia que dormia para eu parar. É o efeito que eu tenho nas pessoas, doutor. Ser chato é uma fatalidade biológica ou a chatice é um produto do meio? É possível deixar de ser chato com algum programa de reorientação? É o meu tom de voz que chateia ou o que eu digo? Ou as duas coisas juntas? Hein, doutor? Doutor…? Doutor…? Acorde, doutor!

Para sacudir as estruturas

Por Gerson Nogueira

bol_dom_210413_15.psÀs voltas com tremendos aperreios em campo nas semifinais do returno, o Remo começa também a ter desnudados seus graves problemas de gestão. Um grupo de associados do clube, cansado de esperar pela publicação das contas e balanços, decidiu interpelar publicamente o presidente Sérgio Cabeça.

Apesar do tom educado da mensagem endereçada ao dirigente, as perguntas são pontuais e contundentes. A Associação dos Sócios do Remo (Assoremo) quer saber a destinação do dinheiro arrecadado nos clássicos Re-Pa do campeonato e no jogo contra o Flamengo pela Copa do Brasil. Exige explicações sobre a dívida com os funcionários e sobre o débito trabalhista do clube.

A entidade quer saber, ainda, a real situação do programa sócio-torcedor, que envolve a firma Nação Azul. Indaga sobre a real quantidade de sócios (proprietários e remidos), quites ou inadimplentes. E cobra providências quanto ao esporte amador e à reconstrução do ginásio Serra Freire. Caso não seja atendida, a Assoremo pretende recorrer à Justiça para ter acesso às informações desejadas.

São perguntas que todos os azulinos de boa cepa devem fazer à diretoria. É inconcebível que o dinheiro (cerca de R$ 2,4 milhões) obtido com as arrecadações do primeiro trimestre da temporada não tenha sido utilizado para resolver a pendência com os funcionários, conforme promessa dos próprios dirigentes.

Soa estranho, ainda, que a direção se recuse a abrir as contas, revelando os números de receita e despesa. Clube mais antigo do Estado, o Remo vem se notabilizando por ser também o mais arcaico quanto à gestão. Seus cardeais, salvo exceções honrosas, têm se esmerado em travar a implantação de práticas democráticas na agremiação.

A proposta de eleições diretas para presidente, que já foi implantada no Paissandu, vem sendo postergada há cinco gestões. Os conselheiros se revezam na tarefa de engavetar e protelar. Beneméritos de grande influência no clube, como Manoel Ribeiro e Rafael Levy, posicionaram-se claramente contra a iniciativa.

Dono de imensa e apaixonada torcida, o Remo vive com um pé no atraso por força das correntes políticas que o dominam. São caciques que agem como se o clube lhes pertencesse, fechando-se em torno de um Conselho Deliberativo que raramente delibera sobre alguma coisa.

A intervenção da Assoremo, apesar de suas limitações estatutárias, deve ser saudada como um grito em defesa dos interesses do torcedor, que repudia o domínio do clube pelos conselheiros e exige reformas imediatas. É o passo inicial também para uma tentativa de organização dos sócios, capazes de no futuro assumirem posições de comando no clube.

O impasse envolvendo o futebol profissional, que há cinco anos busca se estabilizar na Série D e sofre na disputa do campeonato estadual, é apenas a parte mais visível dos problemas. Por ser mais apaixonante, o futebol concentra as expectativas e atenções, mas a parte administrativa não pode ser esquecida pelos torcedores.

No fim das contas, os desmandos da gestão se refletem na parte mais visível da engrenagem. O futebol, emparedado pela política aloprada de contratações e desatinos como o pagamento de bicho por jogo, serve para expor a parte pública das mazelas azulinas. O lado positivo é que, antes atento apenas ao que rolava em campo, o torcedor começa a se libertar da alienação. Pode ser o começo da redenção.

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Torcedor quer mais conforto

Não há segredo. O que afugenta o torcedor dos estádios no Brasil é, principalmente, a má condição dos estádios. Foi o motivo mais citado para a persistente queda de público no futebol, à frente de outros fatores, como calendário, preço de ingressos e violência.

A constatação vem de pesquisa feita pela consultoria Trevisan Escola de Negócios e pela Pluri Consultoria, durante o seminário “Calendário do Futebol”, realizado no final de março pela Brasil Sport Market. O item recebeu 22% dos votos dos participantes.

O desconforto e a insegurança das instalações esportivas das principais praças esportivas são apontados como maiores causas da fuga do torcedor. O calendário, com a exagerada quantidade de jogos de baixa qualidade, foi mencionado por 19% dos consultados. O alto preço dos ingressos (18%) é o terceiro fator. Em quarto, vem a violência (15%), principalmente por parte das torcidas organizadas.

Com a utilização das 14 novas arenas construídas para a Copa do Mundo, a tendência é de recuperação gradual de público, embora a novidade venha acompanhada de inevitável elitização do futebol no país.

Outro dado interessante da pesquisa foi a aprovação (82%) dos campeonatos estaduais, embora bem próxima da preferência (79%) pelo campeonato nacional durante o ano todo.

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Os 85 anos da Rádio Clube

O amigo Pedro Paulo da Costa Mota, presidente da Associação dos Servidores da Delegacia Federal de Agricultura (Asdefa), se antecipa e homenageia a nossa a Rádio Clube do Pará pelos seus 85 anos, que transcorrem amanhã. Ele parabeniza a emissora pelos “relevantes serviços prestados à sociedade paraense, através da comunicação jornalística, esportiva e social, sempre pautada nos pilares da responsabilidade e do comprometimento, comemorados no próximo dia 22 de abril. A todos que fazem a Rádio Clube do Pará (A Poderosa), nossas congratulações e votos de muitas felicidades”.

(Coluna publicada na edição do Bola/DIÁRIO deste domingo, 21)

Leão vence clássico e reverte vantagem nas semis

20130420_223706destaqueCom determinação e objetividade, o Remo derrotou o Paissandu por 2 a 1 na noite deste sábado na abertura das semifinais do returno do Campeonato Paraense. Com o resultado, os azulinos reverteram a vantagem bicolor e agora jogarão por um empate no próximo confronto, marcado para sábado. O jogo foi disputadíssimo e os atletas tiveram dificuldades em função do estado do gramado, castigado pela forte chuva. O primeiro tempo teve predomínio azulino e o Paissandu reagiu no segundo, mas não conseguiu igualar o marcador.
O Remo iniciou o clássico partindo para o ataque, apesar de ter escalado apenas um atacante de ofício, o centroavante Val Barreto. Logo aos 10 minutos, Barreto recebeu passe de Nata e levou a melhor sobre Rodrigo Alvim antes de disparar para as redes de Paulo Rafael, abrindo o placar. Empurrado pela torcida, o Paissandu tentou reagir e passou a pressionar. Pikachu teve a melhor oportunidade, mas Fabiano estava bem posicionado.
Sempre na ofensiva, o Paissandu deixava espaços na marcação. Foi assim que, aos 36 minutos, Jonathan recebeu livre na área e bateu na saída de Paulo Rafael, ampliando a vantagem remista. Na sequência, os bicolores tentaram se reequilibrar, mas o Remo marcava bem no meio, principalmente com Nata, Jonathan e Endy. Nervosos, os jogadores do Paissandu erravam passes e Paulo Rafael discutiu com Eduardo Ramos.
Para o segundo tempo, Lecheva resolveu partir para o ataque e fez uma mudança radical. Tirou Vânderson e pôs João Neto em campo. Ficou com três homens na frente (Iarley, Héliton e Neto), mas perdeu força na marcação. A mexida surtiu efeito e, aos 8 minutos, João Neto chutou com perigo. Em seguida, Iarley foi lançado e desperdiçou excelente oportunidade.
A defensiva remista, que tinha grande atuação, afrouxou a vigilância e, aos 21 minutos, Pablo (que havia substituído Rodrigo Alvim) descontou para o Papão. Empolgado, o time continuou pressionando e quase chegou ao empate. Para sair do sufoco, o Remo começou a sair em contra-ataques, depois que Ramon entrou na partida. Aos 32, Val Barreto deu grande passe a Ramon, que errou na finalização. Aos 44, Branco recebeu dentro da área, mas deixou a bola escapar, desperdiçando a chance do terceiro gol.

Remo: Fabiano; Carlinho Rech, Henrique e Mauro; Gerônimo (Branco), Nata, Jonathan, Capela (Ramon), Endy (Tony) e Alex Ruan; Val Barreto. Técnico: Flávio Araújo.
Paissandu: Paulo Rafael; Pikachu, Bispo, Raul e Rodrigo (Pablo); Vanderson (João Neto), Ricardo Capanema, Djalma e Eduardo Ramos; Iarley (Rafael Oliveira) e Héliton. Técnico: Lecheva.

Local: Estádio Jornalista Edgar Proença.
Árbitro: Joelson Silva dos Santos. Assistentes: José Ricardo Coimbra e Hélcio Araújo Neves.

Cartões Amarelos: Raul, Héliton, Capanema e Paulo Rafael (Paissandu); Val Barreto, Nata, Ramon e Mauro (Remo).
Renda: R$ 188.125,00. Público pagante: 11.254. Credenciados: 1.759. Público total: 13.013.