FPF tenta convencer STJD a reconsiderar decisão

Palanques e bravatas à parte, o Campeonato Paraense deve ter hoje um capítulo definidor quanto ao futuro próximo. Dirigentes da FPF estão no Rio de Janeiro apresentando a posição oficial da entidade (inclusive com laudos técnicos de Bombeiros e Polícia Militar) ao STJD. A intenção é fazer com que o tribunal reconsidere a decisão de suspender as semifinais do returno. Caso a FPF não obtenha êxito, prevalece a determinação do STJD para que o TJD paraense julgue o recurso do Santa Cruz pedindo para que o jogo contra o Paissandu, válido pela sétima rodada do returno, seja remarcado. Esse julgamento só acontecerá na sexta-feira (12) ou na segunda, 15. Até lá, o torcedor continuará na expectativa sobre o que virá. Não está afastada também a possibilidade de uma longa batalha jurídica, movida pelo Santa Cruz, que pode levar à paralisia completa do Parazão. Nesse caso, a FPF teria que indicar o Remo (pela pontuação atual da competição) como representante do Estado no Brasileiro da Série D 2013.

Oposição mostra suas armas

Por Gerson Nogueira
bol_seg_080413_23.psA grande novidade do fim de semana foi a entrevista de Ronaldo Fenômeno, reproduzida pelo caderno Bola, manifestando preocupações com a falta de transparência e as irregularidades envolvendo a CBF. Mais ainda: o ex-jogador mostrou-se disposto a concorrer à presidência da entidade, embora ressalvando que ainda precisa se preparar para a gestão do futebol brasileiro.
Antes que os apedrejadores saiam das tocas para alvejar o Fenômeno, seu posicionamento representa algo novo no deserto de ideias que prevalece nas altas esferas do futebol brasileiro. Ao bandear para as fileiras da oposição, o craque pode estar pavimentando caminho para liderar o processo de renovação que há muito tempo se faz necessário na CBF.
Mesmo que isso signifique alinhamento com as conhecidas ambições do ex-presidente corintiano Andrés Sanchez, Ronaldo teve desprendimento e coragem para expor suas opiniões sobre os rumos do futebol no país. Fazia tempo que não parecia tão sincero e destemido.
Nas últimas entrevistas, pontificavam aquelas frases feitas e o discurso empolado de candidato a cartola tradicional. Pode ser que o grito de independência tenha efeito fugaz, mas é inegável que Ronaldo teve peito de abrir uma linha contrária ao atual comando da entidade, nas mãos do ex-arenista José Maria Marin.
Depois de Romário, que ocupou a trincheira oposicionista desde que assumiu mandato na Câmara dos Deputados, Ronaldo é o primeiro nome de peso e relevância que publicamente manifesta descontentamento com os desmandos verificados na CBF.
É, por fim, extremamente saudável que ex-atletas profissionais estejam saindo do mutismo que sempre caracterizou a categoria dos boleiros. Costumeiramente calados pela ignorância ou a conveniência, os homens que fizeram a festa das torcidas parecem finalmente dispostos a romper o silêncio. Pode ser o tal sopro de renovação que tanta falta às estruturas dirigentes do futebol pentacampeão do mundo. A conferir.
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Talento na grande área 
O jogo se arrastava indolente e monótono até mais ou menos a metade do segundo tempo. O Botafogo vencia o Olaria por 1 a 0, gol de Lodeiro, mas parecia  em ritmo de treino, sem a menor preocupação em ampliar. Aí entrou o garoto Vitinho, rápido e a fim de bola.
Não havia muito tempo. Pegou na bola por duas vezes e marcou dois gols. Ambos muito bonitos, embora o último tenha sido um típico gol de centroavante talentoso. Diante do zagueiro, observou o espaço disponível e mandou um chute forte no ângulo direito, sem defesa. Simples e certeiro.
Tomara que não se perca pelos descaminhos da marra e do deslumbramento.
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Torcida tem pressa, tribunal não 
O torcedor está aflito, ainda sem saber ao certo o que vai acontecer com o avacalhado campeonato, mas aí o Tribunal de Justiça Desportiva avisa que não há data definida para julgar o pedido de impugnação do jogo Santa Cruz x Paissandu. Talvez, e olhe lá, a sessão seja marcada para a próxima sexta-feira ou na segunda-feira seguinte.
Claro que existem os prazos legais para que as partes (FPF e Paissandu) se manifestem e a procuradoria e relatoria tenham tempo hábil para cumprirem seu papel. Mas, a essa altura, com a urgência que a situação exige, não seria mais prático marcar logo o julgamento para a sexta-feira? Qual a dificuldade de agir no ritmo adequado?

Todos têm pressa em resolver o imbróglio, mas o tribunal segue em marcha lenta. Ao manifestar a posição do TJD, seu presidente foi preciso nas explicações quanto à agenda interna da corte, que tem normas próprias a cumprir, mas evidencia o grau de distanciamento entre o tribunal e o mundo do futebol. E é preciso entender que o tribunal, por força das circunstâncias, é parte do processo. Sensibilidade é fundamental.
(Coluna publicada na edição do Bola/DIÁRIO desta segunda-feira, 08)