Bem mais que três pontos

Por Gerson Nogueira

Jogar contra o Flamengo hoje, no estádio Edgar Proença, vale muito para o Remo. Muito mais do que uma vitória pura e simples. Vale a permanência na Copa do Brasil. Vale pela arrecadação total do jogo – em torno de R$ 1,6 milhão, se todos os ingressos forem vendidos. Vale, também, pela exposição em rede nacional. Vale, ainda, pelo resgate da auto-estima do time e da torcida.

Bol_qua_030413_23.psCaso consiga superar os rubro-negros, tarefa que não é impossível levando em conta a situação atual das duas equipes, o Remo certamente lavará a alma de seu torcedor, que anda acabrunhado com os recentes insucessos e as incríveis dificuldades enfrentadas no returno do Parazão.
De certa forma, não haveria confronto mais propício do que este, contra um dos grandes do futebol nacional. Não importa se a equipe dirigida por Jorginho ainda tenta encontrar um norte, atrapalhada pela legião de contratações infelizes ainda dos tempos de Dorival Junior e capengando no campeonato estadual do Rio.
Não interessa como o Flamengo esteja agora. Interessa, no fim das contas, que é o Flamengo de vitórias imortais, berço de grandes craques (Zico, Adílio, Junior), campeão mundial e autor de proezas históricas.
Não duvido que na preleção, minutos antes do jogo, o técnico Flávio Araújo use exatamente esses argumentos. Os jogadores do Remo precisam botar na cabeça que terão pela frente o grande Flamengo, mesmo que o time esteja longe das melhores tradições da Gávea. O respeito é fundamental porque grandes clubes podem se reabilitar do nada, e o Fla é mestre nisso.
Um triunfo sobre os cariocas devolverá, de imediato, a autoconfiança perdida pelos azulinos. Do time seguro e altivo do primeiro turno restou uma pálida lembrança. No returno, os comandados de Araújo patinam diante de qualquer adversário, ressuscitam mortos e enchem a torcida de desesperança.
Ganhar do Fla é, portanto, a salvação da lavoura. O jogo do ano. Tão importante pelos benefícios imediatos (renda, continuidade na Copa BR, retorno de imagem etc.) quanto futuros. Um resultado positivo terá efeitos diretos sobre o comportamento do time nas semifinais do returno. E o confronto, que começa sábado, é justamente contra o maior rival.
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Maior baixa remista é no meio
O meia Tiago Galhardo, suspenso, é uma baixa considerável no time remista. Armador titular, não vinha atuando bem no returno – como quase todo o restante da equipe -, mas é peça importante para dar equilíbrio e dinâmica ao Remo. É um meia habilidoso, capaz de desencantar a qualquer momento.
Sem Galhardo, Araújo precisará ter um outro articulador. A lógica diz que deveria ser Diogo Capela. A lógica de Araújo indica que Clébson deve ser o escolhido. Capela seria uma melhor opção pela velocidade que imprime ao jogo. Com grande plateia no Mangueirão, o Remo precisará ser mais do que nunca rápido e vibrante.
As outras ausências – Mauro e Branco – podem ser supridas sem maiores atropelos.
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A velha marra de sempre
O goleiro do Flamengo chegou com a proverbial banca e destempero verbal dos goleiros rubro-negros, reclamando do gramado do estádio Mangueirão. Bruno, ora enjaulado, era do mesmíssimo jeito. Falava pelos cotovelos. Era, porém, mais goleiro que Felipe. Até nas cobranças de pênalti.
O ex-corintiano, revelado no Vitória baiano, não conseguiu ainda cantar de galo no Campeonato Carioca, de gramados tão sofríveis. Talvez por isso esteja tentando reeditar a velha marra justamente aqui nos rincões do Norte. Perdeu ótima chance de ficar calado.
Para ficar do nível dos campos utilizados pelos grandes do Rio, o nosso Mangueirão (que não está em seus melhores dias) teria que piorar muito.
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A seleção das surpresinhas
Para o amistoso de sábado na Bolívia, Felipão resolveu surpreender. Chamou um goleiro junior (o corintiano Mateus), deixou o goleador Fred de fora e reconvocou Jefferson, Pato, Arouca e Ronaldinho Gaúcho. Para completar o rol de surpresas, lembrou de André Santos (Grêmio) e do pernambucano Douglas, do Náutico. É muita surpresa para um time só, mas deve ser suficiente para encarar os bolivianos.
(Coluna publicada na edição do Bola/DIÁRIO desta quarta-feira, 03)