Joelson Cardoso apitará Remo x PFC

Saiu a escala de árbitros para o primeiro jogo da decisão do returno do Parazão. Joelson Nazareno Cardoso será o árbitro central de Remo x PFC, nesta quarta-feira, às 17h, no estádio Jornalista Edgar Proença. Luís Diego Lopes e Diorgenes Serrão serão os assistentes. Clauber José Miranda será o quarto árbitro.

Uma análise do Grêmio de Luxemburgo

Por Paulo Sant’Ana (do Zero Hora)

Partida sobre partida, o Grêmio joga cada vez pior. No camarote com 16 lugares, 15 estavam vagos, só eu presente para ter autoridade de analisar o jogo contra o São Luiz. Acontece o seguinte: Alex Telles, ao cobrar as faltas que terão de ser lançadas na área adversária, joga-as todas nas mãos do goleiro, irritando até à raiva quem entende de futebol.

Além disso, o mesmo Alex Telles, que teve até boa atuação, no entanto parece ser vesgo ou caolho: quase todos os passes que dá batem no adversário, desperdiçando a jogada.

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Analisemos agora o Fábio Aurélio: também, quando cobra as faltas que têm de ser endereçadas pelo alto para a área adversária, chuta nas mãos do goleiro ou chuta para a linha de fundo. Isso faz a gente chorar com tanta ruindade. Temos, então, que os jogadores escalados pelo Luxemburgo para cobrar faltas por elevação para a área adversária não sabem fazê-lo.

A culpa é deles por essa tragédia técnica? Não. A culpa é exclusiva do treinador Luxemburgo.

Cabe ao treinador ensinar os jogadores a cobrar esse tipo de falta. E se os jogadores, nos treinos, incidirem nesse erro, cabe ao treinador escolher outros jogadores que efetuem esse tipo de cobrança.

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Então, eu estou detectando um ócio no Grêmio. Fui perguntar a um setorista do Grêmio e ele me disse que Luxemburgo, nos dias em que não há jogos, nunca treina cobrança de faltas, entre elas esse tipo que tanto tem exasperado quem entende de futebol e a torcida. Portanto, há ócio de Luxemburgo nos treinamentos. Não há trabalho do treinador, ele parece ter-se deitado nos louros da fama e da fortuna, não trabalha mais nos treinos.

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Quem entende de futebol sabe a importância do detalhe nos treinamentos chefiados pelo treinador. Luxemburgo não se dá mais ao hábito salutar e eficaz de treinar detalhes e fundamentos. Ou seja, Luxemburgo está entregue ao ócio.

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O grande treinador, assim como o foi Luxemburgo no passado, é o que teoriza e o que põe em prática a teoria nos treinamentos. Nos dias de hoje, Luxemburgo só teoriza, não trabalha nos treinos. Está meio que aposentado em Porto Alegre. E, neste momento em que o Grêmio decide sua participação na Libertadores e no Gauchão, é urgente que Luxemburgo volte a pôr as mãos à obra e trabalhe intensamente o time nos treinamentos.

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O ócio de Luxemburgo está colaborando para que o time atual do Grêmio esteja afundando jogo sobre jogo. Luxemburgo declarou anteontem que o seu time está alcançando os resultados desejados, certamente ele se refere a que está classificado para as oitavas de final da Libertadores e semifinal do Gauchão.

Mas só cego não vê que Jesus está chamando o time do Grêmio, vai perder logo em seguida se continuar jogando como está.

Ora, se Barcos, Kléber e Vargas não vêm jogando bem e se sabe que são ótimos jogadores, então qualquer criança sabe que o que está mal é o coletivo e não as individualidades. E, para quem diz que o time vai mal porque Elano está lesionado, esquecem-se que o time vinha mal já ao tempo em que Elano jogava.

E se este time tragicamente desorganizado não jogou bem contra o São Luiz, mas tinha em campo o grande Zé Roberto, então é porque são a mecânica e a dinâmica do time que estão mal. E o único responsável pela mecânica e dinâmica do time é o Luxemburgo.

Sinto muito ter de escrever assim. Mas escrevo enquanto há tempo.

Uma decisão empolgante

Por Gerson Nogueira

COLUNA GERSON_29-04Remo e PFC decidirão o returno do Campeonato Paraense, após superarem Paissandu e Tuna, respectivamente, nas semifinais. Pelo que produziram nos jogos decisivos, ambos chegam merecidamente à decisão, que tem os elementos necessários para empolgar o torcedor.

No sábado à noite, o Remo impôs a segunda vitória consecutiva ao Paissandu, repetindo a dose do primeiro confronto, inclusive no placar. Com aplicação, disciplina tática e objetividade, os azulinos neutralizaram o toque de bola característico do adversário, conseguindo sair para o jogo e criar várias boas situações ainda no primeiro tempo.

O gol marcado por Leandro Cearense logo no começo, em jogada do volante Jonathan, deu segurança ao Remo e intranquilizou o Paissandu, que precisava vencer para passar à final desta etapa.

Com cinco homens posicionados na meia cancha – Gerônimo, Nata, Jonathan, Capela e Ramon –, o Remo fazia o jogo girar e tinha sempre um ou dois jogadores aparecendo ao lado do atacante Leandro Cearense.

A zaga do Paissandu mostrava-se insegura, talvez sentindo falta da cobertura que Ricardo Capanema costuma fazer. Esdras falhava muito e não se entendia com Vânderson no combate ao meio-campo remista. Em consequência, a bola não chegava a Eduardo Ramos, principal organizador do time. Quando chegava e era endereçada aos atacantes, as finalizações saíam erradas.

Mesmo confuso, o Paissandu tentava reagir. Pikachu, por duas vezes, e João Neto desperdiçaram boas oportunidades para empatar ainda no primeiro tempo. O Remo aproveitava os espaços para contra-atacar. Capela, o melhor da equipe, quase marcou. Cearense também esteve perto de fazer o segundo gol.

Depois do intervalo, Lecheva optou pela estratégia do tudo-ou-nada. Tirou Vânderson e Iarley, poucos produtivos, lançando Alex Gaibu e Rafael Oliveira. A providência deu certo e, logo aos 4 minutos, veio o empate. Rafael foi à linha de fundo e jogou na área para o arremate de Djalma.

O gol empolgou os bicolores, que tiveram excelentes chances de passar à frente. Rafael bateu de meia-bicicleta para grande defesa de Fabiano, João Neto e Pablo cabecearam errado diante do goleiro azulino.

Acuado com a reação do Paissandu, Flávio Araújo tirou Ramon e Capela, por cansaço, colocando Clébson e Tiago Galhardo. Na primeira bola recebida, Clébson acertou um tiro de longa distância no canto esquerdo do goleiro Paulo Rafael, desempatando a partida.

Com a vantagem, o Remo dedicou-se a explorar os contragolpes, quase conseguindo chegar ao terceiro gol em jogada de Galhardo pelo lado direito do ataque.

Destaque na vitória remista para Diogo Capela, que deu estabilidade ao setor de armação, e para o trio Jonathan-Alex Ruan-Yan, todos oriundos da base do clube. Endy destoou, errando muitos passes. No Paissandu, Djalma foi o mais regular e Rafael Oliveira entrou bem. Pelo acúmulo de falhas e omissões, Iarley, Esdras, Pikachu e Paulo Rafael foram os mais improdutivos.

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Paragominas avança, Tuna cai

Na outra semifinal, o PFC precisou de quase 85 minutos de esforço para conseguir superar o forte bloqueio defensivo da Tuna, na Arena Verde. Ao final, vitória por 2 a 1, com generosa contribuição do goleiro Dida, que falhou nos dois lances capitais.

Com o gramado prejudicado pela chuva, o jogo foi todo disputado à base de chutões no primeiro tempo. A Tuna acabou prevalecendo, com boas tentativas de Fabrício e Daniel Papa-Léguas. Um pênalti sofrido por Daniel deu origem ao gol inicial, anotado por Fabrício, após defesa parcial do goleiro.

Sempre no ataque, o PFC pecava por concentrar suas ações em cruzamentos para a área, quase todos aliviados sem problemas pelos zagueiros tunantes. No segundo tempo, quando botou a bola no chão, o time de Charles cresceu em campo, sufocando a Tuna e deixando poucas brechas para o contra-ataque.

Depois de muita pressão, os gols viriam nos últimos dez minutos. Aleilson empatou, de cabeça, depois de subir entre três zagueiros. O goleiro Dida saltou atrasado, não conseguindo defender. No minuto final, o goleiro falharia clamorosamente, repondo a bola nos pés do atacante Beá, que garantiu o triunfo do PFC – e, de quebra, a vantagem no confronto com o Remo.

(Coluna publicada na edição do Bola/DIÁRIO desta segunda-feira, 29)

No picadeiro

Por Janio de Freitas

A “crise” entre o Supremo Tribunal Federal e o Congresso não está longe de um espetáculo de circo, daqueles movidos pelos tombos patéticos e tapas barulhentos encenados por Piolim e Carequinha. É nesse reino que está a “crise”, na qual quase nada é verdadeiro, embora tudo produza um efeito enorme na grande arquibancada chamada país.

Não é verdade, como está propalado, que o Congresso, e nem mesmo uma qualquer de suas comissões, haja aprovado projeto que submete decisões do Supremo ao Legislativo. A Comissão de Constituição e Justiça da Câmara nem sequer discutiu o teor do projeto que propõe a apreciação de determinadas decisões do STF pelo Congresso. A CCJ apenas examinou, como é de sua função, a chamada admissibilidade do projeto, ou seja, se é admissível que seja discutido em comissões e eventualmente levado a plenário. A CCJ considerou que sim. E nenhum outro passo o projeto deu.

Daí a dizer dos parlamentares que “eles rasgaram a Constituição”, como fez o ministro do STF Gilmar Mendes, vai uma distância só equiparável à sua afirmação de que o Brasil estava sob “estado policial”, quando, no governo Lula, o mesmo ministro denunciou a existência de gravação do seu telefone, jamais exibida ou comprovada pelo próprio ou pela investigação policial.

De autoria do deputado do PT piauiense Nazareno Fonteles, o projeto, de fato polêmico, não propõe que as decisões do STF sejam submetidas ao Congresso, como está propalado. Isso só aconteceria, é o que propõe, se uma emenda constitucional aprovada no Congresso fosse declarada inconstitucional no STF. Se ao menos 60% dos parlamentares rejeitassem a opinião do STF, a discordância seria submetida à consulta popular. A deliberação do STF prevaleceria, mesmo sem consulta, caso o Congresso não a apreciasse em 90 dias.

Um complemento do projeto propõe que as “súmulas vinculantes” –decisões a serem repetidas por todos os juízes, sejam quais forem os fundamentos que tenham ocasionalmente para sentenciar de outro modo- só poderiam ser impostas com votos de nove dos onze ministros do STF (hoje basta a maioria simples). Em seguida a súmula, que equivale a lei embora não o seja, iria à apreciação do Congresso, para ajustar, ou não, sua natureza.

O projeto propalado como obstáculo à criação de novos partidos, aprovado na Câmara, não é obstáculo. Não impede a criação de partido algum. Propõe, isso sim, que a divisão do dinheiro do Fundo Partidário siga a proporção das bancadas constituídas pela vontade do eleitorado, e não pelas mudanças posteriores de parlamentares, dos partidos que os elegeram para os de novas e raramente legítimas conveniências. Assim também para a divisão do horário eleitoral pago com dinheiro público.

A pedido do PSB presidido pelo pré-candidato Eduardo Campos, Gilmar Mendes concedeu medida limitar que sustou a tramitação do projeto no Congresso, até que o plenário do STF dê a sua decisão a respeito. Se as Casas do Congresso votassem, em urgência urgentíssima, medida interrompendo o andamento de um processo no Supremo Tribunal federal, não seria interferência indevida? Violação do preceito constitucional de independência dos Poderes entre si? Transgressão ao Estado de Direito, ao regime democrático? E quando o Supremo faz a interferência, o que é?

Ao STF compete reconhecer ou negar, se solicitado, a adequação de aprovações do Congresso e de sanções da Presidência da República à Constituição. Outra coisa, seu oposto mesmo, é impedir a tramitação regimental e legal de um projeto no Legislativo, tal como seria fazê-lo na tramitação de um projeto entre partes do Executivo.

O ato intervencionista e cogerador da “crise”, atribuído ao STF, é de Gilmar Mendes -e este é o lado lógico e nada surpreendente do ato. Mas o pedido, para intervenção contra competência legítima do Congresso, foi de um partido do próprio Congresso, o PSB, com a aliança do PSDB do pré-candidato Aécio Neves e, ainda, dos recém-amaziados PPS-PMN.

Com o Congresso e o STF, a Constituição está na lona.