Tribunal absolve e multa o Remo

O Remo escapou de punição mais pesada no Superior Tribunal de Justiça Desportiva, em julgamento realizado na tarde desta quinta-feira. O clube foi absolvido da acusação de que uma laranja teria sido atirada das arquibancadas em direção ao árbitro Rafael Claus, ao final do jogo Remo x Flamengo, pela Copa do Brasil, no estádio Jornalista Edgar Proença. O Remo terminou multado (em R$ 2 mil) por deficiência no serviço de som do estádio, segundo relato do árbitro na súmula da partida. Com a decisão do STJD, o Remo se livrou de uma pena de perda de 1 a 10 mandos de jogo. (Com informações da Rádio Clube)

Crônica da morte anunciada

Por Gerson Nogueira

bol_qui_180413_15.psPara quem precisava vencer, o Remo mostrou-se apenas o Remo de sempre, cauteloso em excesso. Sem força ofensiva, pois os atacantes posicionam-se sem conexão com o resto do time, dependia de arrancadas de Val Barreto e chutes de Zé Antonio em cobranças de falta. Quase marcou logo no começo, mas o Flamengo botava a bola no chão e valorizava a troca de passes.

Nas circunstâncias, a missão era espinhosa, mas a determinação inicial deu a impressão de que o Remo podia sonhar com um bom resultado. Ao longo de meia hora, o time até se portou bem, com marcação adiantada e vigilância sobre as triangulações do Flamengo. Antes do término do primeiro tempo, um erro de passe no meio-campo pôs tudo a perder.

Tiago Galhardo tentou dar um passe recuado, mas a bola saiu curta e o Flamengo rapidamente se organizou. Rafinha foi para cima dos zagueiros e passou para Hernane marcar, sem maior esforço. Val Barreto, minutos depois, quase empatou em boa jogada sobre os zagueiros adversários. O chute saiu fraco, mas quase traiu Felipe.

Quando se esperava um Remo mais combativo e agressivo no segundo tempo, eis que aconteceu o que já se tornou rotina em reinício de jogo. Logo nos primeiros minutos, novo descuido individual comprometeu o projeto de reação. Desta vez, quem entregou a rapadura foi o ala Válber, um dos preferidos do técnico Flávio Araújo.

O segundo gol logo de cara teve um efeito paralisante sobre a equipe, que voltou do intervalo já no 4-4-2. A marcação forte foi deixada de lado e o time passou a tentar se organizar no meio, através de Clébson, que substituiu o zagueiro Carlinho Rech. Acontece que a ampliação da desvantagem trouxe desânimo e aprofundou a distância entre meio e ataque.

Não há solução mágica para o problema que o técnico insiste em não ver no Remo. O time parece treinado para não fazer articulação de jogadas e nem aproximação entre setores. Toda a movimentação se concentra em chutes para o ataque, na esperança de que a bola encontre um atacante livre, o que raramente ocorre.

Isolado, Val Barreto buscava o lado direito, tentando arrancadas e cruzamentos para ninguém. Principal atacante do time, seu lugar é no centro do ataque, incomodando os zagueiros. Quando sai da área, torna-se inoperante. Leandro Cearense, que desperdiçou grandes chances no primeiro jogo, pouco apareceu ontem.

Um dos poucos destaques em campo, além do goleiro Fabiano – que impediu um vexame maior –, foi o garoto Alex Ruan, rápido e atento à marcação. Na etapa final, chegou a se soltar mais e arriscou chutes a gol. Não foi brilhante, mas rendeu bem mais que o titular Berg.

A 20ª participação do Remo na Copa do Brasil se encerrou então da mesma maneira descuidada com que começou. O atrapalhado projeto para o Parazão acabou comprometendo as chances do time no torneio nacional. A lamentar o fato de que pouquíssimas vezes se viu um Flamengo tão caótico e limitado quando o desta temporada. Com um mínimo de organização e comprometimento, o Remo podia ter tido sorte melhor.

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Além da queda, o coice

A insistência do técnico Flávio Araújo em priorizar jogadores de sua confiança chegou ao ponto máximo no jogo de ontem. Valber e Nata, de desempenho pífio ao longo das últimas partidas, ganharam a titularidade. Endy e Gerônimo foram barrados, sem maiores explicações – como Jonathan já havia sido descartado na primeira partida. Custo a crer que a preocupação do treinador em prestigiar seus indicados tenha algo a ver com a visibilidade da partida, exibida para todo o país.

Mais grave ainda foi a insistência com o 3-5-2, que já se mostrou um equívoco em várias ocasiões na temporada. Caso optasse pelo sistema de quatro zagueiros, Araújo eliminaria a carência por alas ofensivos e poderia concentrar esforços na montagem de um quadrado de meio-campo com dois volantes (Jonathan e Gerônimo), um armador (Capela ou Clébson) e um meia-atacante (Galhardo).

Na disposição atual, o Remo entra com três zagueiros, dois alas e dois volantes, isolando o Galhardo e abandonando os atacantes. Não tem como dar certo. Para o jogo com o Paissandu, sábado, abrindo as semifinais do returno, as perspectivas são desalentadoras.

Sem vida inteligente no meio, o Remo está condenado a sempre sofrer sufoco, com riscos ampliados contra adversários mais organizados, como o Paissandu. A queda na Copa do Brasil não elimina as chances de sucesso no Parazão, mas o abatimento emocional do time pode comprometer seriamente a caminhada.

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Ganso, enfim, volta a jogar

Os comentaristas das grandes redes voltaram a enxergar uma réstia de talento no paraense Paulo Henrique Ganso. Fez, de fato, grande partida diante do Atlético-MG, a melhor equipe do país hoje. A bem da verdade, foi a atuação mais convincente do camisa 10 nesta temporada. Com sua contribuição, o São Paulo atropelou o adversário e avançou na Libertadores. Insisto, porém, que Ganso está em débito e precisa se apressar. Não há mais muito tempo para mostrar serviço para Felipão. A Libertadores é uma de suas últimas chances para 2014.

(Coluna publicada na edição do Bola/DIÁRIO desta quinta-feira, 18)