PFC e Remo decidem o returno do Parazão

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Com dois gols nos últimos dez minutos da partida, o PFC venceu a Tuna por 2 a 1 e se classificou para a decisão do returno do Campeonato Paraense contra o Remo. Depois de começar com atraso de mais de 20 minutos por falta de energia elétrica no estádio Arena Verde, o jogo foi disputado num gramado alagado, fazendo com que as duas equipes preferissem os chutes de fora da área para tentar chegar ao gol. Aleilson e Jaime tentaram várias jogadas, mas a zaga tunante estava bem postada e não permitia chances.

Em busca da vitória, a Tuna foi se soltando mais e teve boas oportunidades, com Daniel e Fabrício. Depois de insistir bastante, chegando a mandar uma bola na trave, a Lusa chegou ao gol depois de cobrança de pênalti. Fabrício bateu, o goleiro Mike Douglas rebateu e o tunante chutou para as redes, aos 18 minutos. A partir daí, o PFC tomou conta da partida, sufocando a Tuna em seu campo. Aleilson cabeceou bola na trave, aos 41 minutos, mas o placar permaneceu favorável à Tuna até o final da primeira etapa.

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No segundo tempo, o PFC partiu com tudo para o ataque, mas a Tuna se defendia bem, com Preto Marabá comandando a zaga. Para fechar ainda mais seu time, Cacaio substituiu o atacante Daniel pelo zagueiro Darlan. Do lado do Paragominas, Charles Guerreiro reforçou o ataque, lançando o velocista Adriano Miranda e substituindo Jaime por Beá nos 15 minutos finais. A mudança deu certo. Depois de muito insistir, o PFC alcançou o empate em cabeceio de Aleilson, aos 38 minutos, escorando falta cobrada por Rondinelli pelo lado direito do ataque.

Estabanado, Darlan – autor da falta que originou o gol do PFC – intranquilizou a defesa tunante e cometeu seguidas faltas. No último minuto, com a bola dominada, o goleiro Dida fez a reposição nos pés do atacante Beá, que entrou na área e tocou para as redes, decretando a vitória do Paragominas. Com o resultado, o PFC entra com a vantagem de dois resultados iguais na decisão do returno contra o Remo, a partir de quarta-feira. A Tuna foi rebaixada para a segunda divisão do Campeonato Paraense. (Foto: THIAGO ARAÚJO/Bola)

Felipão e as velhas ideias

Por Gerson Nogueira

Há alguns meses, logo depois que Felipão foi anunciado como novo técnico da Seleção, escrevi aqui sobre minha convicção de que ganharemos a Copa do Mundo. Não baseei essa premissa em algo tecnicamente sustentável, mas considerei as virtudes de liderança e experiência que o novo treinador tem, se comparado ao antecessor, Mano Menezes.

bol_dom_280413_15.psDesde então, a Seleção só fez despencar no ranking da Fifa e não conseguiu nenhum resultado relevante contra grandes escretes. Venceu a fraca Bolívia, fora da altitude, e só. Contra as escolas de maior respeito, só empates e derrotas.

Pode-se dizer, para limpar a barra de Felipão, que ele apanhou o bonde andando e luta para botar a casa em ordem. Não é exatamente verdade, pois ele só tem reafirmado experimentações que Mano havia iniciado.

Sigo acreditando. Otimismo é meu nome. O problema é que o comandante está muito mais velho (não falo do número de primaveras que ele acumula) do que eu pensava. Depois da experiência europeia, Felipão devia estar mais sintonizado com as mudanças que o Velho Continente vem imprimindo ao futebol.  

A principal evidência do envelhecimento precoce do comandante foi sua firme oposição à ideia de volantes ofensivos, que fez questão de trombetear em entrevista concedida dias antes da tétrica atuação diante do Chile.

Volante moderno e goleador? Esqueçam essa história, avisou Felipão. Segundo ele – citando os exemplos de Dunga e Mauro Silva em 1994 e Kleberson e Gilberto Silva, em 2002 –, os cabeças de área devem existir apenas como protetores de laterais e meias.

Deu a entender que vai centralizar o suporte ofensivo da Seleção nos laterais Daniel Alves e Marcelo, deixando aos volantes o papel de proteger seus avanços. Os laterais serão liberados para ajudar o ataque e os volantes ficam lá atrás vigiando os corredores.

Convicto desta formulação, o técnico brasileiro descartou o favoritismo espanhol para a Copa, esquecendo-se que a atual campeã e a Alemanha jogam o futebol mais agressivo e competitivo do mundo há pelo menos três anos. Não por acaso, a Espanha atua com volantes que se confundem com meias e atacantes. Para nosso infortúnio, os melhores escretes do mundo adoram jogar com pontas abertos, que anulam (ou atrapalham bastante) laterais adversários.

Vejo nessa configuração que o teimoso Felipão vai botar em prática a imensa possibilidade de acontecer a repetição dos problemas que Dunga teve, há três anos, em Porto Elizabeth, quando a Holanda paralisou as laterais do Brasil com Robben e Sneider, principalmente o primeiro, caindo pelas extremas. Sem opção para sair pelos lados, o Brasil limitava-se a trocar passes pelo meio e a obrigação de criar jogadas caía nos pés de volantes como Felipe Melo, com os resultados que se conhecem.

Pirlo, Xabi Alonso e Schweinsteiger são volantes. Mas, graças a eles, Itália, Espanha e Alemanha não encontram dificuldades no meio-campo. Quando seus armadores são bem marcados, esses jogadores se encarregam de conduzir o jogo e frequentemente aparecem junto à área inimiga para executar tarefas de atacante.

É possível compreender os planos de Felipão caso ele entenda que o Brasil está inferiorizado quanto a jogadores. Não há como discutir, mas enfrentar seleções mais qualificadas com volantes defensivos, arriscando tudo nos laterais, é um convite a levar sufoco dentro de casa. Os volantes disponíveis – Paulinho, Ralf, Ramires – têm qualidades, sabem sair com a bola, mas ficarão sem utilidade se forem escalados apenas para marcar.  

A anulação dos volantes representa também a certeza de um time pouco compactado, que leva séculos para trocar quatro passes e não adota triangulações como tática de avanço e conquista de espaço. Felipão, imagino, deve estar apostando na estrela que o acompanha há tempos, embora o tenha abandonado ultimamente. Deve calcular que, num torneio de tiro curto, sob clima favorável e com torcida a favor, pode triunfar na base da empolgação. É possível, mas improvável.

Não é culpa de Felipão, mas o Brasil padece de um mal crônico, há duas gerações. Não existem craques para recompor as lacunas deixas por Ronaldo, Romário, Rivaldo e o antigo Ronaldinho Gaúcho. Neymar, Pato, Lucas e o atual Ronaldinho estão muitos degraus abaixo. Nas circunstâncias, só mesmo a fé pode nos salvar.  

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Papão vai às compras com cautela

A depender do andamento do campeonato, o Paissandu pode ampliar o tempo para arrumação do time que disputará a Série B do Campeonato Brasileiro. Velho sonho, o zagueiro Fábio Sanches já está confirmado, mas a diretoria estabeleceu que são necessários mais cinco reforços, sendo que a aquisição de dois atacantes virou prioridade.

Vários nomes têm sido cogitados, sendo que até Kiros, que andou por aqui na Série C 201, vem sendo lembrado. Val Barreto, ídolo da torcida remista, também é mencionado. Os veteranos Fernando Baiano e Fábio Júnior, também.

O torcedor deve conter a ansiedade e se preparar para nomes menos badalados. Pelo perfil do gerente Yamato, é mais provável que atletas desconhecidos (e mais em conta) sejam apresentados.

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PFC x Tuna, duelo dos verdes

Foi Charles Guerreiro o responsável pela estabilização do Paragominas no Parazão. O time tinha realizado um primeiro turno razoável, chegou às semifinais, mas a diretoria entendeu que precisava de um técnico com mais vivência em campeonatos estaduais. Trouxe Charles e o time evoluiu. Sinal mais claro desse crescimento coletivo é que o artilheiro Aleílson travou, mas a equipe não sofreu com isso.

O mesmo pode ser dito da Tuna sob o comando de Cacaio. Com ele, o time que havia conquistado apenas um ponto no turno, com um gol marcado, virou aspirante ao título do returno. A luta contra o rebaixamento, que parecia perdida, ainda está em marcha.

Ao contrário de Charles, que teve reforços no returno, Cacaio não tem um elenco completo à disposição. Faz improvisações e se vira como pode para escalar a Tuna. Sua chegada às semifinais já é uma façanha. O duelo final de hoje deve evidenciar essas diferenças.

(Coluna publicada na edição do Bola/DIÁRIO deste domingo, 28)