Família de menino morto desmonta farsa de Marin

Do Blog do Paulinho

Em nenhum momento, nos protocolos que antecederam o amistoso entre Brasil e Bolívia, tocou-se no assunto “morte de Kevin”. Até porque, como já havia sido adiantado por esse espaço, o objetivo do jogo era outro, contribuir para a difícil situação financeira de ex-jogadores bolivianos dos anos 60. Cai por terra, oficialmente, a farsa montada por Jose Maria Marin, no intuito de pegar carona na tragédia de Oruro, para aparecer como benemérito. Fez bem o pai e toda a família do garoto, que ao perceber a manipulação do objetivo do jogo, feita pela CBF, recusou-se a comparecer ao estádio. Demonstração de dignidade, qualidade desconhecida por Marin.

FPF acata decisão do STJD e suspende rodada

Uma reunião envolvendo o vice-presidente da FPF, José Ângelo Miranda, e os diretores Antonio Cristino e Paulo Romano definiu na manhã deste sábado a suspensão da rodada prevista para o fim de semana, válida pelas semifinais do returno do Campeonato Paraense. A notificação do STJD, determinando que a rodada seja suspensa até que o mérito da ação movida pelo Santa Cruz seja julgada pelo TJD, chegou ontem à noite, depois do encerramento do expediente na casa. Diante do posicionamento do STJD, o tribunal paraense deve julgar o mérito do recurso do Santa Cruz, que exige a realização do jogo com o Paissandu válido pela sétima rodada do returno.

A bagunça institucionalizada

Por Gerson Nogueira

Na véspera do clássico-rei só não se falou de futebol em Belém. Perdeu-se tempo e energia discutindo as possibilidades de paralisação e, depois, a ameaça concreta de suspensão do campeonato. Depois das marchas e contramarchas da sexta-feira, cujo último ato da noite foi a decisão da Federação Paraense de Futebol de realizar as semifinais, pode-se dizer que não há mais limites para a avacalhação no futebol do Pará. Chegamos ao fundo do poço. Todos os recordes de lambança foram batidos na competição deste ano. Primeiro foi a mudança no local do jogo Santa Cruz x Paissandu, que levou ao W.O. ridículo, fora de época e sem sentido.

bol_sab_060413_11.psA partir daí, o campeonato entrou em terreno espinhoso, ameaçado pelas bravatas do Santa Cruz e a ameaça concreta de paralisação por força de recursos judiciais. Na tarde de ontem, a juíza de Salinópolis arquivou ação movida por um torcedor, reivindicando a interrupção do torneio.

Horas depois, o Ministério Público do Estado, vendo expirarem todos os prazos de tolerância, solicitou à Federação Paraense de Futebol a entrega dos laudos técnicos de verificação dos estádios Jornalista Edgar Proença e Francisco Vasques, palcos dos jogos da rodada do fim de semana. Como vem faz reiteradamente, a FPF silenciou e o MPE recomendou a paralisação do campeonato.

Os laudos cobrados pelo Ministério Público constituem a garantia de que o torcedor terá segurança e conforto ao comparecer às praças esportivas. Quando alguém, inadvertidamente ou por má fé, critica os promotores incorre em total injustiça, além de demonstrar desinformação.O papel do MPE é justamente o de cobrar e fiscalizar as ações de natureza pública, que digam respeito ao interesse direto da população, resguardando itens do Estatuto do Torcedor.

Na prática, o futebol paraense sobrevive como o mato que floresce na rua. Resiste e sobrevive por pura inércia. A desorganização é a norma, as datas não são respeitadas, os estádios são mal cuidados e inseguros. O Campeonato Estadual é uma farsa do ponto de vista financeiro, pois só se mantém vivo pela presença nos estádios dos torcedores de Remo e Paissandu.

Dirigentes da FPF costumam alardear um torneio estadualizado. Potoca. A coisa se resume aos dois gigantes, que arrastam multidões e bancam todos os custos. E, de quebra, ainda enriquecem muita gente que nunca chutou sequer uma bola de meia.

Do ponto de vista prático, o maior prejuízo causado por tanta incompetência está na perda de credibilidade. Depois do episódio do W.O. e das múltiplas escaramuças de ontem, o torcedor não terá como acreditar quando uma rodada for anunciada. Com toda razão, irá pensar duas vezes antes de comprar ingresso. O próprio jogo marcado para hoje, entre Remo e Paissandu, segue sob suspense, pois o STJD teria acatado um pedido de mandado segurança interposto pelo Santa Cruz, recomendando que as semifinais sejam suspensas até que o mérito do caso seja julgado.

Os clubes que fazem a roda girar deveriam, há muito tempo, ter tomado as rédeas do negócio. Dirigentes de Remo e Paissandu, que se curvam aos desmandos da FPF, não podem levantar a voz porque se submetem, cruzando os braços diante do descalabro.

Enquanto não houver uma tomada de posição por parte das diretorias da dupla Re-Pa todos serão penalizados, pois a FPF já deixou claro, com atitudes e equívocos sem conta, não ter o menor compromisso com o futebol do Pará. Todos têm conhecimento da bagunça, mas ninguém age. A apatia e o silêncio dos clubes começam a indicar comprometimento com a incúria. Depois disso, restará a falência absoluta. Não se está muito longe disso.

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Re-Pa com leve favoritismo bicolor

Sobre o esquecido clássico, caso realmente ocorra, a expectativa é de um certo equilíbrio, depois que o Remo reeditou contra o Flamengo o espírito guerreiro do primeiro turno. A dúvida é se o confuso esquema tático será mantido ou reformulado para encarar o tradicional rival.

O Paissandu, que entra em vantagem (podendo empatar as duas partidas), passou os últimos 15 dias treinando e descansando. Terá o time completo, liderado pelo meia Eduardo Ramos. Em situação normal de temperatura e pressão, a balança pesa para o lado bicolor. 

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Atrasos podem inviabilizar campeonato

Pelo ritmo do pagode, o Parazão 2013 pode passar de mico monumental a imbróglio jurídico de proporções tsunâmicas. Além da ausência de laudos dos estádios, o torneio corre o risco ainda de vir a ser interrompido por força de deliberação judicial.

O Santa Cruz, que tentou brecar as semifinais, planeja ir aos tribunais superiores e até mesmo à Justiça Comum. Pelo perfil do clube, surgido há um ano como parte de um projeto político e sem nada a perder, tudo pode ocorrer.

Caso os pleitos do Santa Cruz sejam acatados, a sétima rodada terá que ser refeita, com possibilidade de mudanças na ordem de jogos das semifinais. Há, também, a perspectiva de adiamento dos jogos até que os laudos dos estádios sejam entregues.

A situação tende a ficar ainda mais séria porque os atrasos comprometem o calendário, pois as competições nacionais (Séries B, C e D) começam no próximo mês, exigindo definição de representantes estaduais para que as tabelas sejam confirmadas.

(Coluna publicada na edição do Bola/DIÁRIO deste sábado, 06)

Vote no mico da semana

Escolha seu King Kong e defenda-o, com unhas e dentes.

1) Fifa mete o bedelho na construção do novo estádio de Brasília e proíbe que o nome seja uma homenagem a Mané Garrincha, um dos três maiores craques de todos os tempos. É algo assim como proibir que, na música, se preste algum tributo a Frank Sinatra ou Jimi Hendrix.

2) Santa Cruz usa torcedor para tentar paralisar o campeonato, mas Justiça não acata liminar. Ministério Público recomenda suspensão por falta de laudas dos estádios. STJD determina paralisação até que recurso do Santa Cruz seja julgado. FPF mantém silêncio e confirma rodada. Torcedor não sabe no que acreditar. É o futebol do Pará voltando ao tempo das carroças.

3) Argentinos do Arsenal provocam sururu em Belo Horizonte depois de levarem um baile do Atlético-MG. Na briga, trocam sopapos com a polícia e atingem radialistas que estavam às proximidades. Conmebol, como é praxe, nada faz para coibir os abusos.