Ainda o debate sobre a Série D

Por Gerson Nogueira

A querela em torno do prosseguimento do Campeonato Estadual não se resolve, nas a torcida segue discutindo a palpitante sobre o time a ser indicado para a Série D 2013. Depois do ocorrido no ano passado, com um acordo espúrio envolvendo o Cametá, o Remo se candidata por direito a essa indicação, mas clubes com o PFC já se manifestam dispostos a reclamar na Justiça o direito a participar do torneio nacional.

bol_qua_100413_15.psPubliquei ontem, aqui na coluna, o posicionamento do leitor Ricardo Camarão, segundo o qual a FPF deveria ter incluído no regulamento do campeonato a informação sobre o critério de escolha do time indicado à Série D.

Hoje, abro espaço para o também leitor Antonio Oliveira questionar o ponto de vista de Camarão. “O que vocês me dizem destas duas regras que destaco abaixo, tiradas do Estatuto do Torcedor e do Regulamento do Campeonato Paraense de 2013, respectivamente?”, provoca Oliveira.

Ele reproduz, então, artigos do Estatuto do Torcedor e do Regulamento do Parazão para embasar sua convicção de que o Remo merece ser indicado. “Art. 10. É direito do torcedor que a participação das entidades de prática desportiva em competições organizadas pelas entidades de que trata o art. 5o seja exclusivamente em virtude de critério técnico previamente definido. § 1o Para os fins do disposto neste artigo, considera-se critério técnico a habilitação de entidade de prática desportiva em razão de colocação obtida em competição anterior”.

Em seguida, Oliveira transcreve o artigo 51 do regulamento do Campeonato Paraense de 2013: “Desde que não tenha(m) vaga(s) assegurada(s) em Competição Nacional organizada pela CBF, o (s) representante (s) do Estado do Pará será (ão) o (s) melhor (es) colocado (s) no Paraense 2013, observados os critérios técnicos”.

O leitor argumenta, então, que o critério da melhor colocação no campeonato de 2013 está previamente estabelecido no regulamento, como orienta o Estatuto do Torcedor. “Caso o campeonato não vá adiante, depois do Paissandu, que já tem vaga assegurada em competição nacional, quem é o melhor colocado no campeonato paraense de 2013?”.

Oliveira acrescenta: “O fato de o regulamento do campeonato e do próprio Estatuto do Torcedor não se referirem ao campeão, e nem ao melhor colocado depois do campeão que eventualmente já tenha um vaga assegurada em competição nacional, não revela implicitamente a intenção de que o melhor colocado possa representar o Estado independentemente da competição ainda não ter chegado ao final e por isso ainda não ter um campeão definido?”.

Lança, por fim, o seguinte questionamento: “Na hipótese nada improvável de o campeonato seguir paralisado, quem seria então, dentre os três semifinalistas que não tem vaga garantida, ou mesmo dentre outros, aquele que deveria representar o Pará na Série D?”.

A troca de argumentos entre os dois leitores da coluna sinaliza que esta é uma outra frente em aberto, a partir da possibilidade de paralisia definitiva do Parazão, hipótese cada vez mais provável.

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A estreia bicolor na Copa BR
O Paissandu, melhor time do campeonato estadual, tem grande chance de eliminar o jogo de volta no confronto com o São Raimundo de Roraima pela Copa do Brasil. Sem Capanema e João Neto, substituídos por Esdras e Héliton, o time é superior ao adversário e tem tudo para encaminhar sua classificação já no confronto desta noite, em Boa Vista.
A dúvida é se vale a pena desperdiçar a possibilidade de uma boa arrecadação no jogo de volta em Belém, principalmente neste período de interrupção do Parazão.
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Promessa de cartola não se escreve
A gestão do futebol no Pará continua a ser algo misterioso e até surpreendente. Depois de embolsar quase R$ 700 mil no confronto com o Flamengo, pela Copa do Brasil, a diretoria do Remo não conseguiu cumprir a promessa de pagar cinco meses de salários atrasados aos funcionários.
A presidência do clube deveria explicar, detalhadamente, os motivos do não cumprimento do acordo. Afinal, o débito com os colaboradores é inferior a R$ 500 mil. É lícito perguntar o que ocorreu com a grana toda? Situações como essa, que já se repetem há tempos, empurram para o lixo a credibilidade dos dirigentes.
Notícias sobre a possível quitação de débitos com ex-dirigentes, longe de tranquilizar os funcionários, só fazem aumentar a revolta e a frustração. Colaboradores do clube deveriam ser magnânimos e capazes de esperar que a diretoria quitasse débitos urgentes.
(Coluna publicada na edição do Bola/DIÁRIO desta quarta-feira, 10)