Os compromissos de Cabeça

Por Gerson Nogueira

Os conselheiros do Remo reelegeram Sérgio Cabeça para mais dois anos de mandato. Na eleição de ontem, Cabeça recebeu 88 votos contra 24 dados ao candidato de oposição, Roberto Macedo. Muito mais do que aclamação ao presidente, cuja primeira gestão termina sem maiores triunfos (principalmente no futebol), o acachapante resultado traduz a ausência de novas lideranças no clube.

A limitação de eleitores não contribui para que surjam alternativas aos nomes de sempre. Durante todo o processo, enquanto conselheiros e beneméritos votavam, um grupo de jovens torcedores protestava do lado de fora da sede remista, em tom pacífico, mas determinado. As faixas eram eloquentes na cobrança por eleições diretas no clube.

Remo Eleicoes 2013 a 2014-Candodato Sergio Cabeca-MQuadrosEntre as promessas assumidas por Cabeça na campanha está justamente a de instituir o pleito direto, como já ocorre no Paissandu. Mas, antes de efetivar a mudança nos estatutos, proteladas há quatro anos, o presidente terá que convencer a elite que manda no Remo há décadas.

Nem todos os aliados de Cabeça são simpáticos à ideia de dividir espaço com os sócios. Tanto tempo influindo nos destinos do clube alimentou uma mentalidade retrógrada entre os “cardeais”, que não veem com bons olhos a possibilidade de abrir as portas do clube para uma nova geração de eleitores.

O problema é que as mudanças são inevitáveis. A recente eleição no Paissandu confirmou o acerto da adoção do voto direto dos sócios. Além de aumentar a legitimidade da escolha, escancara o clube a novos sócios. Como se sabe, os dois grandes clubes paraenses têm torcidas imensas, mas pouquíssimos sócios.

Essa incoerência tem uma explicação: sempre prevaleceu nessas agremiações a vontade inabalável de uma elite dominante, hostil à menor ameaça de alternância de poder. No fundo, a mentalidade reinante é mais condizente com clubes aristocráticos, que cultivam seletos frequentadores. Óbvio que essa visão não se aplica à força popular que move e mantém viva a história dos dois velhos rivais.

Clubes de massa exigem representatividade à altura da popularidade e da paixão que despertam. O Paissandu já se adaptou aos novos tempos. Resta ao Remo, sob o comando de Sérgio Cabeça, seguir a mesma trilha. Por mais resistências que venha a enfrentar, o presidente reeleito não pode mais recuar. Além das providências urgentes no futebol, este talvez seja o principal marco de sua nova gestão.

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Adesão de cardeais foi decisiva

A vitória tranquila de Sérgio Cabeça foi garantida pela união de esforços dos grupos mais influentes na vida política do Remo. Reticentes quanto à candidatura, só aderiram ao projeto de reeleição nos últimos dias. O apoio público de ex-presidentes, como Ubirajara Salgado, Roberto Porto e Rafael Levy, foi decisivo para a votação obtida pelo presidente. Cabeça conseguiu, ainda, agregar nomes importantes, como Ronaldo Passarinho, Aldemar Barra e Antonio Carlos Teixeira.

Parte da forte rejeição despertada pela chapa de oposição veio da insistência na tese de mudança, sem informar o que exatamente pretendia mudar. Além de desavenças antigas com alguns beneméritos, Roberto Macedo sofreu o desgaste de ter entre seus apoiadores o ex-presidente Amaro Klautau, cuja passagem pelo clube quase levou à perda do estádio Evandro Almeida.

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Atacante bicolor com um pé no Baenão

bol_sex_071212_11.psO dia de ontem foi marcado por uma onda de boatos acerca de contratações no Remo. Até o nome de Tiago Potiguar chegou a ser lembrado como opção de reforço para os azulinos, embora os dirigentes tenham negado interesse no jogador.

Por outro lado, outro bicolor pode atravessar a Almirante Barroso: o atacante Moisés, aparentemente fora dos planos do Paissandu, iniciou entendimentos com os azulinos. Tudo ficou praticamente acertado, dependendo apenas do aval do técnico Flávio Araújo, que só deve se manifestar amanhã. Há, ainda, a possibilidade de que Héliton também se entenda com os remistas, voltando ao clube que o revelou.

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Lista reduzida no Papão  

Vandick Lima, que na prática já trabalha como presidente do Paissandu, segue buscando acordos de renovação com os jogadores que interessam ao clube para a campanha na Série B 2013. A lista não é muito extensa. Com a consultoria do técnico Lecheva, o presidente tenta garantir de imediato a permanência de Alex Gaibu, Fábio Sanches, João Ricardo e Rodrigo Fernandes. Dos demais, talvez fiquem Kiros, Leandrinho, Ricardo Capanema e Marcus Vinícius.

Tiago Potiguar, que tem propostas de outros clubes, dificilmente permanecerá na Curuzu. Pesa também o fato de que, logo depois do jogo final contra o Icasa, tenha criticado publicamente o atraso salarial, irritando dirigentes e conselheiros.

(Coluna publicada na edição do Bola/DIÁRIO desta sexta-feira, 07)

12 comentários em “Os compromissos de Cabeça

  1. Muito acertada a escolha de Alex Gaibu, Fábio Sanches, João Ricardo e Rodrigo Fernandes. Quanto a Moisés não era nem para ter vindo. Kiros precisa ser mais ágil se quiser se firmar na série B, o estilo atacante às antigas, sei não!
    Ricardo Capanema e Marcus Vinícius também mereceriam uma chance na série B. O restante é pagar o que lhes é devido e boa sorte!
    Esta é a minha opinião!

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  2. Não confiamos nessa diretoria. Espero que não atrapalhem muito o técnico. As contratações obscuras já começaram…Me sinto desmotivado até pra escrever quando envolve as “múmias”.

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  3. A relação listrada é razoável, um ou outro que não dá pra série B, mas isso é normal, principalmente porque precisa de técnico. Quanto aos azuis, Mr Head continua, mas o técnico é bom pro Parazão e, caso se classifique, pra série D, está de bom tamanho. Mas se a torcida azul quiser eleições diretas, vai ter que fazer uma campanha tipo Diretas Já.

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  4. Da até vergonha dessa “eleição azulina”. Enquanto na “cabeça” das múmias azuis é perigosa a participação da torcida no processo de escolha, no Inter, por exemplo, é possível ser sócio-torcedor por 15 reais de qualquer lugar do mundo e ainda escolher o presidente. Vai ver que esses 112 espécimes são os únicos azulinos que estão satisfeitos com a realidade do clube agora.

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  5. Fico preocupado com as contratações que são feitas sem a indicação do Flávio Araújo, na turma do bate papo na segunda, tinha um diretor do Remo que ao ser questionado sobre as possíveis contratações feitas pelo técnico, pasmem ele disse: E o treinador apresentou uma lista de nomes, e nos da diretoria mostramos outra, te dizer. Se for pela lista dessa diretoria com o Cabeça de novo no comando, sabemos das qualidades duvidosas dos atletas indicados pelos dirigentes, égua, tragam os jogadores que o treinador indicou pelo amor de Deus, ele e quem conhece os caras nao essas múmias que continuam insistindo em contratar por conta própria. Te contar.

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  6. Certíssima a escolha do Cabça para presidente do gato velho, porque no lá só tem cabeça….
    …cabeça de boi. huahuahuahuakkkkkkrsrsrsrsrs….

    Papão o orgulho do Norte, mais uma vez levando o pará para a vitrine do Brasil e do mundo. Já merece uma condecoração, do governo do estado.

    Vou iniciar uma campanha, para votarem esse projeto de lei lá na ALEPA. Honra ao Mérito ao maior representante do pará: PAPÃO.

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  7. Na minha concepção, manteria no elenco bicolor : João Ricardo,Fábio Sanches,Rodrigo Fernandes,Capanema,Vanderson,Gaibu,Potyguar,Kiros e o Rafael Oliveira. Além ,é claro,de Pablo,Neto e o grande Yago Pikachu,tomara que o mesmo fique,para nossa alegria.kkk Mantendo-se essa base,contratar pontualmente para cada carência nas posições respectivas,pois esta espinha dorsal daria um bom caldo para o Paraense,com certeza…

    Em relação aos outros jogadores,a diretoria poderia emprestar alguns,caso do Thiago Costa,Héliton(Teve miutas chances,e não rendeu o esperado) e liberar outros,como Leandrinho,Moisés,Marcus Vinícius,(que sejam pagos integralmente)que tiveram sua parcela de contribução no acesso,mas ,que ,pensando em uma Série B,ficam a dever tecnicamante,em meu modo de ver…

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