Por 2 vitórias e 2 empates

Por Gerson Nogueira

Depois do empate de sábado à noite, Águia e Paissandu passam definitivamente a fazer contas e a torcer contra os adversários diretos na briga pela classificação à próxima fase. Mais do que nunca, porém, precisam acumular pontos nos quatro jogos que restam. A linha de corte para garantir a vaga é calculada hoje em 26 pontos, mas, caso se repita a sucessão de empates das últimas rodadas, esse número pode cair para 25.

Nessa hipótese, tanto Águia (5º) quanto Paissandu (6º), ambos com 17 pontos ganhos, poderiam passar caso vençam duas e empatem duas. O lado ruim da história é que dificilmente os dois representantes se classificam. Um deve sobrar. Nos quesitos de desempate, reside o drama do Paissandu, que venceu apenas três jogos e só leva vantagem sobre o lanterna Guarani (CE).

O Águia tem uma vitória a mais, mas tem um dos piores saldos de gols do grupo (-7), o que também pode dificultar sua vida no inevitável  afunilamento das últimas rodadas.

A levar em conta o jogo de Marabá, o Paissandu parece mais bem preparado a essa altura da disputa. O elenco mais numeroso e diversificado faz do Papão um candidato mais forte à vaga, desde que pare de tropeçar nos jogos caseiros.

No confronto com o Águia, o time de Lecheva teve o jogo à sua feição durante os primeiros 45 minutos. O meio-de-campo, puxado por Alex Gaibú e Tiago Potiguar, foi superior ao adversário e produziu inúmeras situações de ataque.

Mas, na mesma proporção em que os meias e o lateral Pikachu deixavam os atacantes na cara do gol, o time se esmerou a repetir seu pecado mais sério na competição: a falta de pontaria dos atacantes. Moisés perdeu uma oportunidade preciosa, ao chutar por cima da trave bola que recebeu na pequena área. Era praticamente impossível errar aquele chute, mas o tiro saiu descalibrado.

Kiros, autor do gol em passe sensacional de Pikachu, perdeu outra chance ao chutar mal da entrada da área. Vânderson perdeu três gols. Arrematou à direita do goleiro no primeiro. Depois, avançou até o disparo já na área e o tiro saiu torto. No segundo, chutou praticamente cara a cara com goleiro por duas vezes. E errou. Potiguar também perdeu o seu.

O Águia empatou em cobrança de falta de Léo Rosas, resultante de uma marcação equivocada de Dewson Freitas. As imagens mostram claramente que não houve falta no lance, apenas um esbarrão do atacante no zagueiro do Paissandu. Além desse erro, o árbitro ainda foi questionado pelas duas equipes por supostos penais não marcados.

Depois do intervalo, o Águia equilibrou a situação e esteve perto de virar o placar, mas sem a mesma enxurrada de oportunidades que o Paissandu teve na primeira metade do confronto. Pelo futebol rápido e bem organizado dos 45 minutos iniciais, a vitória por justiça seria alviceleste. A questão é que, no futebol, essa questão de merecimento quase sempre é mero detalhe.

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Em entrevista ao Bola na Torre, o chefe do departamento jurídico do Remo, Ronaldo Passarinho, deixou clara sua discordância em relação aos métodos e práticas da gestão de Sérgio Cabeça. Citou o episódio Mendes como simbólico da bagunça administrativa no clube.

Só ficou sabendo da natureza do acordo entre Remo e jogador quando o incêndio já ganhava proporções públicas. Na verdade, pela conduta exigente e rigorosa, pessoas como Ronaldo tornam-se indesejáveis para os dirigentes que se acostumaram a não prestar contas de seus atos.

Para dar uma satisfação aos sócios, conselheiros e torcedores, Ronaldo decidiu pedir ao Conselho Deliberativo – tão inoperante quanto os executivos do clube – uma sessão especial para prestar contas das atividades de seu departamento, que responde pela redução das dívidas trabalhistas de R$ 13 milhões para R$ 13,8 milhões. Vai mostrar aos conselheiros, mas quer a presença da imprensa à reunião.

E, para o azar do Remo, Ronaldo está entregando os pontos. Com problemas de saúde e desgostoso com os gestores que viu atuar, resolveu sair de cena. Vai fazer falta.

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Direto do blog

“A Imprensa Esportiva do Pará só cresceu e se agigantou em virtude de baluartes e, principalmente, pela da paixão do Paraense pelo futebol, entretanto, hoje, acredito que Paysandú e Remo somente ainda impõe atenção de muitos torcedores pelo trabalho que vocês da Imprensa fazem, pois tendo um time atualmente brigando para não cair para a Série D e o outro sem divisão, só com muita coragem e determinação para continuar dourando uma pílula que já está opaca há muito tempo.

Continuarei seguindo o blog e ratificando que seus textos são de qualidade e que, apesar de alguns poucos pensarem na Imprensa Esportiva como representantes menores da Imprensa em geral, aqui em Belém isso não tem nada de verdadeiro. Pois, em verdade, sua presença nas diversas mídias é reconhecidamente uma das melhores impressões sobre o futebol que temos em nosso Estado”.

De José Maria Eiró Alves, referindo-se ainda às discussões em torno da capa do Bola da última sexta-feira. 

(Coluna publicada na edição do Bola/DIÁRIO desta segunda-feira, 01)

Série C: Classificação atualizada do Grupo A

Clubes P J V E D GP GC SD
1  Luverdense-MT 32 14 10 2 2 28 19 9 76.2
2  Fortaleza 29 14 8 5 1 21 9 12 69.0
3  Santa Cruz 19 14 4 7 3 22 15 7 45.2
4  Salgueiro-PE 18 14 4 6 4 22 20 2 42.9
5  Águia 17 14 4 5 5 18 25 -7 40.5
6  Paissandu 17 14 3 8 3 16 16 0 40.5
7  Treze-PB 16 14 5 1 8 17 26 -9 38.1
8  Icasa-CE 15 14 4 3 7 12 17 -5 35.7
9  Cuiabá 15 14 3 6 5 15 14 1 35.7
10  Guarany-CE 9 14 2 3 9 16 26 -10 21.4