A frase do dia

“Futebol pode ser um drama, até uma tragédia, quando vai para os pênaltis. Futebol não deveria ir para o um contra um. Quando vai para os pênaltis, perde sua essência como esporte coletivo”.

De Joseph Blatter, presidente da Fifa, sem apresentar uma solução para o empate nas decisões.  

Morre atacante do sub-20 do Remo

Jean Gilberto, atacante do time sub-20 do Clube do Remo, de 18 anos, também conhecido pelos amigos como Sarrafo, morreu na noite desta quinta-feira (25), na casa onde morava em Belém. Existem duas possibilidades para a causa da morte: aneurisma cerebral ou ataque cardíaco. O corpo do atleta está no Instituto Médico Legal (IML) para ser necropsiado. O resultado será divulgado em 15 dias. Jean Gilberto nasceu em Igarapé Miri e estava há pouco tempo nas divisões de base do Remo.

A imagem do dia

Visita de santista para corintiano nesta quinta-feira, na sede do Instituto Lula, em São Paulo. O Rei Pelé foi levar a Lula um exemplar autografado do livro do centenário do Santos. (Foto: Ricardo Stuckert)

Um triunfo do bom senso

Por Gerson Nogueira

O fato de um dirigente do Independente ter abandonado a reunião, protestando contra a decisão da maioria no Conselho Técnico da FPF, confirma que o bom senso prevaleceu. Apesar das imperfeições, o modelo atual é o melhor que já tivemos e o campeonato continua como está, com oito equipes disputando dois turnos.
Os vencedores de cada turno disputam o título estadual e os dois últimos colocados são rebaixados. A fim de escapar do sufoco do acesso, Independente e São Raimundo surgiram com a graciosa proposta de aumentar o número de disputantes para 10, mas foram derrotados pela maioria lúcida, ontem à tarde.
Fica evidente a preocupação que a maioria dos clubes tem com a evolução técnica do nosso futebol. Todos os homens de boa vontade sabem que o inchaço do campeonato significaria um retrocesso, capaz de comprometer ainda mais a qualidade do torneio.
Além da importante decisão quanto à fórmula de disputa, os clubes também definiram que semifinais e finais, com a presença de Remo e/ou Paissandu, serão disputadas sempre em estádios para mais de 15 mil torcedores.
A iniciativa põe fim ao debate desnecessário que houve neste ano quando o Remo insistiu em usar o Baenão nas semifinais do returno, argumentando que o Águia mandou o jogo de ida no estádio Zinho Oliveira. 
Outro aspecto que ainda será formalizado é o critério para definição dos representantes do Pará aos campeonatos brasileiros e à Copa do Brasil. É quase consensual a idéia de dar ao campeão o direito à vaga no Brasileiro e ao vice o direito de participar da Copa.
Faltou, ainda, alterar o absurdo critério usado nas finais no atual regulamento. É inconcebível que o time de melhor pontuação em todo o campeonato não tenha qualquer vantagem na decisão do título. Ainda há tempo de corrigir essa injustiça.  
 
 
O técnico Tite, ainda sob a forte emoção da classificação às semifinais da Libertadores, não entendeu e até repeliu a comparação que alguém fez do Corinthians com o Chelsea. Na verdade, há uma semelhança entre os dois times. Não na parte técnica, mas na capacidade de alcançar bons resultados jogando feio. E bote feio nisso.
Contra o Bayern na decisão da Liga dos Campeões, no sábado passado, o Chelsea jogou como sempre. Recuado e fechadíssimo na defesa, marcando bovinamente no meio-de-campo e contra-atacando de vez em quando, minou a resistência germânica e levou o caneco nos penais.
Tite relembrou isso, atribuindo à vitória inglesa um desserviço ao bom futebol. Deveria olhar com mais rigor para seu próprio time, que desfila um modelito arranca-toco desde a conquista do Brasileiro-2011.
 
 
Ninguém vai falar, mas o herói santista da noite foi Paulo Henrique Ganso. Depois de três lesões graves nos últimos quatro anos (a primeira em 2007 e duas outras em 2010, sempre no joelho), prepara-se para fazer uma nova cirurgia, que pode comprometer seu restante de temporada. Antes, porém, o paraense foi utilíssimo para a classificação do Santos às semifinais da Libertadores. Mesmo no sacrifício, deu passes preciosos e comandou com altivez a armação do Peixe diante do Vélez, ontem à noite. Por fim, bateu um dos penais com a categoria habitual.
 
 
Tiago Potiguar é a bola da vez na Curuzu. De novo. É o jogador em torno do qual deve girar todo o sistema ofensivo do Paissandu de Roberval Davino, seja como segundo atacante ou meia-armador. A rigor, isso já acontece há algum tempo. Muito bom com a bola nos pés, Potiguar teve excelente presença na recente Copa do Brasil, mas precisa provar ao novo comandante que está curado das oscilações em campo. Terá que deixar de lado a mania de se desligar do jogo em momentos importantes.
Fora de campo, porém, está o maior desafio. A aplicação nos treinos, ponto não muito forte do meia-atacante, é um item inegociável para Davino.
 
 
As torcidas de Remo e Paissandu vivem dando provas de seu gigantismo, mas na internet essa força ainda não havia se manifestado com tanta clareza. A enquete nacional do portal UOL vem confirmando o que já estamos cansados de saber: poucas rivalidades nacionais são tão fortes quanto a dos grandes clubes paraenses.
Nos últimos dias, remistas e bicolores alavancaram a votação virtual de seus clubes, ultrapassando amplamente os sempre favoritos Corinthians e Flamengo. Ontem, às 22h40, quando esta coluna era redigida, o Remo liderava a pesquisa com 55.809 e o Paissandu vinha logo em seguida, com 54.772, mais de 22 mil votos de diferença em relação ao Corinthians, 3º colocado, com 32.640.
Apesar de toda a pujança, os gestores (?) de Remo e Paissandu insistem em ignorar essa verdadeira mina de ouro. Até quando?

(Coluna publicada na edição do Bola/DIÁRIO desta sexta-feira, 25)

Som na madrugada – Bee Gees, Jive Talkin’

Um humilde tributo aos irmãos Gibb e, em especial, a Robin Gibb, que acaba de deixar este mundo. Família abençoada por Deus no quesito talento.

Cego, rei dos bordões se refugia em Goiás

Por Ricardo Zanei

“Ele é cruel, muito cruel”. A frase nasceu por acaso e é apenas uma das tantas que marcaram a carreira de Januário de Oliveira. Se a narração de futebol na TV, até hoje, é permeada por bordões, ele é um dos “culpados”. “Cruel”, “sinistro”, “Super Ézio” e “tá lá um corpo estendido no chão” são apenas alguns exemplos das tiradas desse gaúcho de Alegrete. Aos 70 anos e afastado das transmissões desde 1998, ele continua acompanhando o futebol, mas, hoje, por causa do diabetes e a visão bem prejudicada, apenas de casa. Cego do olho direito, ele agora tem dificuldades para enxergar do olho esquerdo. Isso não impede que Januário perca o bom humor: com uma memória afiada, ele relembra os grandes momentos da carreira de sucesso. E emociona.

Em entrevista por telefone, Januário, hoje morador de Goiânia, falou sobre o caminho que o levou ao futebol. Fã da modalidade, ele começou sua trajetória fazendo rádio-novela, em 1963. Foram seis meses como ator antes de pintar uma brecha no esporte, na rádio Cultura de Bagé. Tinha início, ali, quase 40 anos ligados ao mundo da bola. O namoro com o rádio foi até meados dos anos 80, quando foi levado por Sérgio Noronha para a TV Educativa, no Rio de Janeiro. Em 1990, foi para a TV Bandeirantes, emissora na qual trabalhou até 1998, quando a doença o obrigou a se aposentar.

Os bordões
“É engraçado, nunca imaginei antecipadamente o que eu ia usar. Nunca pensei ‘essa frase é boa e posso dizer isso em uma transmissão’. Tudo aconteceu no estalo”, disse Januário. Foi assim, de sopetão, que surgiram frases ainda hoje marcantes. “Vi os homens da maca entrando em campo e disse ‘olha aí o primeiro carreto da tarde’. O pessoal achou engraçado. Aí tinha um jogador caído, e falei ‘tá lá um corpo estendido no chão’. Isso também ficou famoso, virou até música, uma do Gabriel, o Pensador, outra do João Bosco.”

Cada bordão surgiu de maneira curiosa. “Eu estava transmitindo um Flamengo e Sport, e o Mozer, zagueiro, recuou uma bola para o Gilmar. A bola passou por entre as pernas dele, devagarinho. Foi um frango fantástico, a bola indo fraquinha para o fundo do gol. E eu falei ‘Gilmar, sinistro, muito sinistro’.”

E o cruel? “Foi em um jogo do Dener no Vasco, em São Januário. Ele fez quatro gols e deu passe para outro. No quarto gol, ele pegou uma bola no campo do Vasco, deve ter driblado uns oito jogadores, teve gente que ele driblou duas vezes. Aí eu comecei a narrar ‘maravilhoso, fantástico, grandioso’, fui usando todos os adjetivos, mas acabaram os adjetivos, a língua portuguesa encolheu pra mim. Aí veio um Dener foi ‘cruel, muito cruel’. E assim nasceu”, lembrou Januário.

O narrador criou ainda “sobrenomes” para alguns jogadores, como Charles “Guerreiro” e Valdeir “The Flash”. “Ele era só Charles. Quando ele foi para o Flamengo, tinha o Charles, atacante, aquele que jogou no Bahia e no Boca Juniors. Aí virou ‘Charles segundo’. Como o espírito dele era de guerreiro, comecei a chamá-lo de Guerreiro. Até quando o Parreira o convocou para a seleção, ele falou ‘Charles Guerreiro’, do Flamengo. Ele até adicionou o “Guerreiro” no nome dele”, disse. “O Valdeir… Passava a série na TV Globo, e ele chegou correndo que nem um louco no Botafogo. Eu o chamei de ‘The Flash’. Hoje, até o filho dele o chama de ‘The Flash’.”

E quais os bordões mais famosos? “A gente ouve até hoje o ‘tá lá um corpo estendido no chão’. Para a torcida do Fluminense, o que mais marcou foi o Super Ézio.

Super Ézio, capítulo à parte
O único bordão “sugerido”para Januário veio em um almoço com um amigo na semana antes de um clássico entre Botafogo e Fluminense. Curiosamente, se tornou um dos mais clássicos da carreira do narrador. “O Fluminense era muito ruim na década de 90, mas ainda assim o Ézio era artilheiro do Carioca. Eu estava almoçando com um amigo flamenguista, e disse para ele que tinha que ser herói, como o Ézio, para fazer gol pelo Flu. Ele falou ‘herói, não, super herói’. Aí, dois minutos depois, abre a porta do restaurante e entra o Ézio. Ficamos ali, brincando com ele, com o lance de super herói.

Chegou o clássico, e o Fluminense fez 1 a 0 com Ézio. Em seguida, o atacante voltou a marcar, e Januário emendou um “Ézio, o herói tricolor, 2 a 0, nasce o super herói tricolor, nasce o Super Ézio”. “A torcida gostou. A repercussão foi enorme e, sempre que falavam com ele, falavam de Super Ézio.”

Começava uma amizade que durou até a morte do artilheiro, em novembro do ano passado. “Depois de um Atlético-MG x Fluminense, ele se despediu do futebol, mas não fez alarde, não falou para ninguém. Eu apresentava um programa de debates na TV Educativa e, no fim do programa, estava lá o Ézio com a mãe, a irmã, o cunhado, a noiva, enfim, ele tinha trazido a família inteira dele do Espírito Santo para assistir ao último jogo dele como profissional. Ele levou todo mundo na TV só para me apresentar e me dar a camisa que ele tinha acabado de usar, que eu guardo até hoje com muito carinho. Nessa noite, ele me deu o celular, o telefone da casa dele, e a partir daí não perdemos mais o contato. Mesmo meses antes de ele falecer, a gente se falava. Nos tornamos grandes amigos.”

A doença
“Eu me aposentei em 1998, por causa do diabetes, que começou a prejudicar a minha visão e não permitiu que eu trabalhasse mais. Fiz duas cirurgias, perdi uma das vistas na primeira. Tive retinopatia diabética, mas, quando operei, já era muito tarde. Fiz a segunda cirurgia e, felizmente, a vista esquerda ainda não estava tão comprometida. Ainda vejo alguma coisa, mas não dá para noticiar. Fiz Copas do Mundo, fiz Olimpíadas, adorava os Campeonatos Brasileiros, sempre os achei apaixonantes. Foi muito bom enquanto durou. Tudo valeu a pena”, disse o narrador.

Januário brinca com os boatos que correm na internet. Fuçando na rede, é possível encontrar notícias sobre a morte do narrador ou ainda que ele teve as pernas amputadas. “Já disseram muita coisa por aí, que eu morri, que amputaram as minhas pernas, que eu estava totalmente cego. Até agora, o máximo que amputei são as unhas, que eu corto todas as semanas”. Mesmo longe dos gramados, é possível dizer que “taí o que você queria” e que “é disso, Januário, é disso que o povo gosta”. E, parafraseando mais uma vez o eterno criador de bordões, “acabou o milho, acabou a pipoca, fim de papo”.

Qual a maior torcida da internet?

Remo e Paissandu, os dois titãs paraenses, estão se alternando na liderança da enquete nacional UOL para saber qual é a maior torcida da internet. Desde que a pesquisa foi lançada, os dois clubes têm se destacado, mas assumiram a ponta desde a manhã desta quinta-feira. Quando este post foi escrito, o Remo liderava com 50.984 votos e o Paissandu vinha em segundo, com 50.879. Em terceiro, o todo-poderoso Corinthians, campeão brasileiro, com 32.185. O Palmeiras está em quarto, com 25.558. O Flamengo, clube mais popular do país, é apenas o sétimo, com 14.747. http://esporte.uol.com.br/infografico/2012/05/18/qual-e-a-maior-torcida-do-brasil.htm

Uma aula de marketing

Como transformar limão em limonada? Tite ensinou como se faz. Expulso aos 11 minutos do segundo tempo, por reclamação, na vitória do Corinthians por 1 a 0 sobre o Vasco, que garantiu a vaga na semifinal da Libertadores, ele resolveu ir parar nos braços do povo. Nada de ir para camarote ou cabine assistir ao restante da partida com rádio de comunicação para falar com os auxiliares. Cercado por seguranças e auxiliares, o técnico foi para o alambrado, acompanhar o resto do jogo ao lado dos torcedores, que podiam ouvir a conversa do treinador com seus comandados. Uma festa, afinal torcedor adora essas coisas.

Grudado no alambrado, Tite virou atração. Câmeras e microfones se voltaram para o canto do gramado, ele estava na linha da bandeira de escanteio do gol que o Corinthians atacou no etapa final. Policiais se aproximaram para aumentar a segurança do treinador e aumentar a aglomeração. Quando Fábio Mahseradjian, o preparador físico, correu para saber quem entraria na sequência, Tite avisou: “coloca o Liedson e tira o Emerson”. “Isso, Tite, é isso mesmo”, gritou o torcedor quase ao seu lado. Para ver o jogo melhor, Tite resolveu subir os degraus e ficar quase no primeiro lance das arquibancadas. Foi dali que ele comemorou o gol de Paulinho. Ao seu lado, o gerente de futebol e ex-jogador Edu o abraçou forte. Uma noite de consagração marqueteira para o técnico que adora falar difícil.