A Globo contra o Brasil

Por Antônio Mello

Não é surpresa o comportamento do jornalão das Organizações Globo. Todos sabemos que as Organizações Globo estão sempre contra tudo aquilo que signifique defesa dos interesses do Brasil e dos brasileiros.
Isso é uma tradição de família, como a perseguição aos Brizola, à Petrobras e aos governos populares, desde Getúlio Vargas, passando por Jango, Lula e agora Dilma. Há 50 anos, O Globo já estampava manchete criticando a criação do décimo-terceiro salário.
Portanto, não há surpresa alguma na manchete de hoje de O Globo. Ao esforço da presidenta e seu governo em combater os juros altíssimos e imorais praticados pelos bancos (os mais lucrativos do mundo), as Organizações Globo respondem com uma campanha contra em todos os seus veículos.
Hoje, criam uma manchete capciosa e mentirosa, “Depois da pressão de Dilma, ações de bancos despencam”, querendo linkar o pronunciamento da presidenta na ocasião do Dia do Trabalhador a um suposto “despencar” das ações dos bancos.
Em primeiro lugar, as ações dos bancos vêm caindo há meses, entre outras coisas por dificuldades de pagamentos de seus clientes, vítimas dos juros mais escorchantes do planeta.
Em segundo lugar, usar o verbo “despencar” é forçar demais a mão. Nesse modo, o verbo tem o sentido de cair desastradamente de grande altura (Aurelio), o que está longe de ser o caso. As ações do BB caíram, 2,7%, as do Itaú Unibanco (campeão de reclamações do Procon-SP), 2,48%, Bradesco (quarto colocado atualmente, mas o anterior campeão do Procon-SP), 1,4%, e Santander (sobre esse banco leia Mauro Santayana aqui e aqui), “despencou” 0,19%.
Com intuito de defender alguns de seus principais patrocinadores, as Organizações Globo seguem em campanha contra o Brasil e a melhoria de vida de todos os brasileiros. Afinal, é só perguntar a qualquer um se os juros mais baixos não são uma boa para a imensa maioria da população. E boa também para os bancos, pois, com juros menores, mais gente vai pedir crédito e poder honrá-lo.
É questão apenas de eles pararem de querer ganhar dinheiro sem esforço, com juros indecorosos e tarifas caríssimas sobre os mais variados serviços, o que faz do Brasil o lugar perfeito para o ditado que diz: “O melhor negócio do mundo é um banco bem administrado. O segundo melhor negócio do mundo é um banco mal administrado. E o terceiro, um banco falido”.
Não é a cara do Brasil atual?
E é esse Brasil que o governo da presidenta Dilma está mudando. E contra a mudança e a favor do mercado estão as Organizações Globo.
Mas, quem sabe, depois dos bancos não chega a vez de nossa Ley de Medios?…

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1) A trapalhada da diretoria do Paissandu com a venda de ingressos para o jogo contra o Coritiba. Inventou uma promoção até terça-feira, estendeu à quarta-feira, mas sumiu com os ingressos de R$ 10,00. Truque manjado de taberneiro que só irritou a galera.

2) Corinthians reclama, protesta e magoa com a arbitragem colombiana no empate (0 a 0) contra o Emelec, em Quito. Para o clube que é, estatisticamente, o mais ajudado pelos árbitros, o chororô soou exagerado e até injusto.

3) Os torcedores que insistem em descarregar frustração e fúria atirando objetos (garrafas, copos, sandálias, radinhos de pilha etc.) para dentro de campo. Ontem, no Mangueirão, a prática se repetiu, ameaçando fazer o Paissandu perder mandos na Série C.

O post certeiro

Por Daniel Malcher

Depois do jogo, é mais fácil analisar algumas atuações individuais e o desempenho do treinador, senão vejamos:

1) Lecheva: armou mal a equipe aqui e em Curitiba. Na verdade, nem mesmo ele sabe ao certo a escalação da onzena titular do time. Deve adquirir mais estofo. É inadmissível que não consiga orientar a equipe no apuro de passes, cruzamentos e na colocação em campo, sobretudo na grade área contrária e arredores. Como ex-meio-campista (e dos bons) deveria primar por isso.

2) Ronaldo: falhou clamorosamente no gol de Theco. Armou mal a barreira e se posicionou pior ainda. Rebateu bolas bobas e demonstra certa lentidão em alguns lances. Deve pensar em encerrar a carreira.

3) Thiago Potyguar: hoje não jogou bem. Tem uma péssima mania, na verdade um comportamento típico de peladeiro, que é olhar pra o árbitro, reclamar ao menor escorão de um adversário e não prosseguir com a bola após o choque. Dever ser orientado por quem de direito. Se fosse eu o treinador, já tinha enquadrado o camarada. Jogador joga e juiz apita!

4) Héliton: tem sérios problemas de fundamentos, sobretudo em cruzamentos para a área e em arremates. Ah um treinador estilo Telê Santana na vida dele. Se melhorar nesses quesitos, pode ir longe.

5) Adriano Magrão: jogador profissional, principalmente camisa 9 de ofício, jamais deve errar arremates de primeira. Um ou outro vá lá, mas sempre e em quase todos os jogos é deficiência técnica flagrante. Cada vez mais lento para a prática de um esporte cada vez mais veloz.

6) Rafael Oliveira: se também melhorar os fundamentos necessários ao ofício de atacante vai longe na carreira. Precisa ser mais veloz também.

7) Douglas: muito açodado. Futebol se joga com os pés, braços são acessórios de equilíbrio ao corpo e ao enfrentamento de adversários mais corpulentos. Desarmar com os braços só em MMA.

8) Kariri: sua permanência no elenco deve ser repensada. Parece pesado e sentir enormes dificuldades para passar a bola e acompanhar o ritmo de jogo. Parece ainda estar em eterno recondicionamento físico.

9) Harison: jogou pouco, embora tenha sido esforçado. Precisa recondicionar-se fisicamente ainda. O que acho um absurdo devido o tempo em que está aqui.

Embora as deficiências alvi-azuis sejam grandes, há ainda espaço para otimismo. O time, pelo menos é esforçado. Mas só suor e transpiração não ganham jogos. E há algo que ainda me incomoda: o condicionamento físico dos bicolores. Theco, contemporâneo de Matuzalém, ganhou aqui e lá algumas bolas de jogadores pelo menos 10 anos mais jovens do que ele na meia bicolor. Precisamos de intercâmbio nesse aspecto. Futebol exige hoje alto rendimento físico. Ainda mais na competição que se vizinha (Série C), onde a disposição é exigida até mesmo que a técnica. Pensemos todos.

Sobrou vontade, faltou bola

Por Gerson Nogueira

A missão era indigesta, quase impossível. Por isso, não houve surpresa. No placar agregado, ficou 5 a 1 para o Coritiba, resultado incontestável. O Paissandu tinha que jogar muito mais do que tem jogado na temporada e ter a sorte de pegar o adversário numa noite ruim. Nada disso aconteceu. Nem a equipe paraense fez um grande jogo, nem o visitante atuou mal – longe disso até.
Com a vantagem estabelecida no primeiro confronto, o Coritiba entrou disposto a administrar a situação. Plantou-se na defesa, com quatro zagueiros e três volantes, encurtando os espaços do Paissandu.
Bloqueou a passagem de Pikachu e Potiguar, mantendo-se atrás, rebatendo bolas e cozinhando o galo. Esperava o momento certo de contra-atacar. A multidão (mais de 39 mil torcedores) presente ao Mangueirão cumpria seu papel, empurrando os bicolores.
Harisson aparecia bem pelo lado direito, aproximando-se de Pikachu e criando boas jogadas, mas o que podia ter sido uma estratégia aos poucos se transformou em tentativas isoladas. A dupla ainda conseguiu duas faltas perigosas, e ficou nisso. O fato é que o meio-de-campo não criava e nem saía com a velocidade exigida contra um adversário que marcava forte.


Como o Paissandu não ia, o Coritiba veio. Com perigo, aos 10 minutos, em chute do atacante Roberto que saiu por cima do gol. Aos 12, aconteceu o melhor lance do ataque paraense. Um cruzamento de Djalma atravessou a área, mas Pikachu tropeçou na bola.
Ansioso pela necessidade de fazer um gol logo de cara, o Paissandu errava muitos passes – foram 19 só no primeiro tempo – e perdia o duelo técnico e físico na meia-cancha. Rafael fez um gol, mas o lance foi anulado, pois Potiguar estava impedido quando cruzou.
À frente da zaga do Coxa, os volantes Junior Urso e Sérgio Manoel espanavam todas, mas os meias e atacantes do Paissandu estavam afoitos demais para aproveitar. Até que, aos 43 minutos, o Coritiba contra-atacou e Everton Ribeiro foi empurrado por Tiago Costa na área.
O árbitro marcou falta fora da área. Dali, para Tcheco, é quase pênalti e ele mandou no canto. Abriu o placar e aumentou terrivelmente as dificuldades do Paissandu em campo. Precisava agora de cinco gols para se classificar.


No segundo tempo, já com Héliton, o Paissandu ficou mais rápido e insinuante. Várias situações foram criadas antes dos 15 minutos. Uma bola chutada por Harisson na trave levantou a torcida e reacendeu esperanças, mas aos poucos o ânimo foi arrefecendo. O Coritiba se estabilizou atrás e começou a sair com mais velocidade para os contra-ataques.
Não demorou e os paranaenses também mandaram um chute na trave, com Tcheco, e Anderson Aquino até fez o segundo gol, mas estava impedido.
O Paissandu até chegava à linha de fundo, mas, pressionados, Pikachu e Potiguar cruzavam sempre nos pés dos zagueiros. Conferi oito cruzamentos que terminaram dessa forma. Mais resoluto e fisicamente inteiro, o Coritiba controlou a metade final do segundo tempo, perdendo gols. Ronaldo fez três grandes defesas e os atacantes perderam outros tantos.
Apesar disso, a equipe paraense foi buscar fôlego onde não havia mais e empreendeu um cerco impressionante nos últimos instantes, buscando o empate. Héliton, Pikachu e Magrão tiveram oportunidades, mas o gol não veio. 
No apito final, o torcedor reconheceu e aplaudiu o esforço. Tudo porque viu gana, alma e comprometimento em campo. É assim que grandes times (e grandes torcidas) se comportam. 
 
 
Nem bem o jogo terminou, um diretor do Paissandu anunciou o afastamento de Lecheva do comando técnico. A saída era iminente. Seus críticos ganharam força nos dois jogos contra o Coritiba pela Copa do Brasil. No primeiro, barrou Neto para prestigiar o amigo Vânderson. Ontem, repetiu o erro e ainda escalou Djalma, que não encontrou posição em campo.
Para piorar a situação, peças fundamentais, como Potiguar e Rafael Oliveira, negaram fogo nos momentos decisivos. Como a corda sempre arrebenta do lado mais fraco, Lecheva sai. A diretoria, porém, deve despachar uma barca com 12 nomes de jogadores a partir de hoje. Magrão deve encabeçar a tripulação. (Fotos: MÁRIO QUADROS/Bola)

(Coluna publicada na edição do Bola/DIÁRIO desta sexta-feira, 04)

Paissandu x Coritiba (comentários on-line)

Copa do Brasil – terceira fase, segundo jogo.

Paissandu x Coritiba – estádio Mangueirão, 19h30.

Público no Mangueirão é de 39 mil torcedores

Paissandu x Coritiba teve renda de R$ 398.635,00 com público pagante de 36.515 pessoas. Com os credenciados (2.843), total de público chega a 39.358. (Com informações da Assessoria da FPF, repassadas por Cláudio Santos) 

Lutador de MMA faz palestra para motivar bicolores

O lutador e campeão de vale-tudo Lyoto Machida fez palestra motivacional para os jogadores do Paissandu, na manhã desta quinta-feira, como parte dos preparativos para o jogo contra o Coritiba. No ano passado, antes da definição da vaga na Série C, Machida também visitou a concentração, vestiu a camisa e palestrou para os jogadores. No registro acima, o lutador ao lado do atacante Zé Augusto. (Foto: Ascom/PSC – via Twitter)

Dia Internacional da Liberdade de Imprensa

Por Luis Kawaguti (da BBC Brasil em São Paulo)

Embora não sofram sanções estatais por divulgar informações no mundo virtual da internet – como ocorre em Cuba, no Irã ou na China- , muitos jornalistas e blogueiros brasileiros têm sua atividade limitada por ameaças e agressões praticadas no mundo “real”. A intimidação é mais comum contra blogueiros e jornalistas de veículos de comunicação menores ou que trabalham em locais distantes de grandes centros urbanos. Dos quatro assassinatos de jornalistas ocorridos neste ano no Brasil, apenas um foi praticado contra funcionário de um jornal de grande circulação – o do repórter Décio Sá, do Diário do Maranhão, no dia 23 de abril.

“Fazer jornalismo na Amazônia é caminhar sobre a lâmina do perigo. Cada dia é como se fosse o último”, disse à BBC Brasil Carlos Mendes, do Diário do Pará. Após fazer reportagens sobre extração ilegal de madeira em áreas indígenas e devastação ambiental em 2005, ele teve que mudar de casa três vezes em menos de seis meses devido a ameaças do crime organizado. Segundo Mendes, no Brasil as ameaças são “mais sutis e complexas” do que em Cuba ou na China. “Alguns políticos até recebem bem críticas, mas outros pedem a demissão do jornalista com [ameaças contra a empresa jornalística sobre] corte de verbas publicitárias”, disse.

Um relatório da Anistia Internacional divulgado nesta quinta-feira – Dia Internacional da Liberdade de Imprensa – alerta em particular para a repressão de jornalistas e blogueiros que usam a internet para veicular suas reportagens para milhões de leitores, virtualmente sem fronteiras. O Brasil não é citado no relatório, que cita as proibições em sites de busca, a aprovação de leis restritivas à liberdade de expressão online e até os custos proibitivos de uso da rede como ações que enfraquecem a democracia nos países.
No Brasil, outra forma comum de intimidação é a abertura de processos sem muita fundamentação jurídica. O premiado jornalista e blogueiro Lúcio Flávio Pinto já sofreu 33 processos judiciais, sendo condenado em cinco. Segundo ele, todos foram movidos por grileiros, madeireiros e empresários de veículos de imprensa concorrentes. Pinto diz acreditar que o objetivo de seus acusadores, além da intimidação, é fazê-lo usar seu tempo para se defender ao invés de investigar casos de corrupção ou crime. Pinto é fundador e o único jornalista do Jornal Pessoal, que desde 1987 possui uma tiragem quinzenal de 2.000 exemplares em Belém do Pará, além de e um site na internet. “Já fui proibido pela Justiça de publicar informações sobre um assunto sob pena de pagar multa diária de R$ 200 mil”, disse à BBC Brasil. A decisão foi revogada depois que ele divulgou o caso na internet.
Violência – Pinto já sofreu ao menos três agressões físicas, frutos de denúncias publicadas no veículo. “Uma vez levei um murro nas costas de um empresário. Depois os seguranças dele ficaram me chutando enquanto eu ainda estava no chão”, disse. De acordo com ele, as intimidações contra os profissionais de imprensa provocam uma espécie de autocensura, na qual o jornalista não aborda determinado assunto para não sofrer represálias. “Estamos hoje na fase do medo, da autocensura”, disse.

(A matéria foi encaminhada pelo amigo Carlos Mendes, que informa ainda que o áudio da entrevista dele e do Lúcio, com mais de 15 minutos cada um, será exibido hoje à noite pelo serviço brasileiro da rádio BBC, de Londres, em sua transmissão em Português. Poderemos postar aqui o conteúdo do que falamos. A BBC ficou de mandar o áudio por e-mail)  

Hora do rango

Jogadores do Paissandu participam do almoço, no hotel onde estão concentrados para o confronto decisivo desta noite de quinta-feira, contra o Coritiba. (Foto: Ascom/PSC)