Coluna: Outra ideia de jerico

Da atual diretoria do Remo é permitido esperar tudo – ou nada –, mas a última novidade deixou de cabelos em pé desportistas mais sensatos: a informação de que o clube trabalha, seriamente, com a hipótese de formar um time caseiro para brigar pela quarta colocação no campeonato estadual, valendo-se do fato de que Paissandu, Águia e São Raimundo já estão garantidos em divisões nacionais. A situação, teoricamente, garantiria aos azulinos a vantagem de não precisar do título paraense da temporada para chegar à Série D.
Além de evidenciar um complexo de vira-lata, o plano dos dirigentes colide com o pensamento da torcida remista – aliás, de qualquer torcida –, que é o de buscar sempre conquistar campeonatos. Caso a insanidade seja levada a cabo, depois de mais de 100 anos, o Remo estaria relegado à condição de mero coadjuvante do torneio estadual, regredindo aos tempos de amadorismo em que o clube ainda engatinhava nas competições.
Ao mesmo tempo, fontes do clube revelam que o orçamento mensal do futebol profissional seria de R$ 220 mil, a partir da receita proveniente do repasse do governo do Estado, patrocínios privados e renda dos jogos.
Como a folha salarial do elenco atual (mesclado com jogadores da categoria sub-20) é de R$ 44 mil, observa-se que há uma diferença superior a R$ 175 mil, suficiente para a contratação de um técnico de bom nível e jogadores mais experientes, capazes de garantir boas campanhas no Parazão, na Copa do Brasil e na Série D, caso o acesso seja alcançado.
Com tais valores, é inadmissível que a diretoria esteja ainda refém da famosa economia de palitinho, ainda mais para um clube que passou a temporada 2009 em brancas nuvens, a pão e água, sem títulos ou acesso.
A dívida contraída junto à torcida é quase impagável e precisa ser resgatada urgentemente, com atitudes firmes e decisões de impacto. Montar um time confiável para o primeiro semestre deveria ser prioridade máxima da atual gestão. Alguém precisa lembrar aos neo-cartolas do Remo que clubes de massa não podem contabilizar duas temporadas seguidas de fracasso e imobilismo, sob pena de extinção por abandono de torcida.
 
 
Ao mesmo tempo, é necessário que o clube dê sinal de vida, para que seja possível pôr em execução o ambicioso projeto do sócio-torcedor, que depende diretamente de êxitos dentro de campo. Além das dificuldades relacionadas ao esdrúxulo regulamento do campeonato paraense, que prevê divisão de renda entre mandantes e visitantes, a direção do Remo terá que convencer a torcida quanto à seriedade da iniciativa.
O certo é que, depois da presepada em torno da suposta venda do estádio Evandro Almeida, com sérios prejuízos à credibilidade da instituição, será preciso empreender um esforço hercúleo para emplacar o projeto sócio-torcedor, com destino diferente do que foi reservado à parceria com a Celpa, à Timemania e à campanha de perdão das dívidas de sócios do clube, todos fracassos retumbantes nos últimos três anos.

(Coluna publicada na edição do Bola/DIÁRIO desta quarta-feira, 14)

16 comentários em “Coluna: Outra ideia de jerico

  1. Há muito tempo venho dizendo que esse projeto socio-torcedor do Remo vai dar problema, uma vez que as rendas são divididas. Recordo que o Paysandu tentou colocar um projeto semelhante em prática outras vezes e desistiu em vista da mesma situação…

    Sendo dividida a renda, uma vez que o sócio-torcedor entra sem pagar, o Remo terá de recolher à bilheteria o valor correspondente, caso contrário, estará lesando o clube adversário. E não só este, mas a Federação, o INSS e todos os que tem participação na renda do jogo.

    A diretoria remista não vem a público explicar como vai resolver o problema, o que me leva a pensar que a real intenção do projeto é esse mesmo: burlar as rendas dos jogos, lesando a todos os demais interessados.

    Do jeito que está, a coisa vai acabar em bate-boca e brigas judiciais. Não só os adversários são prejudicados, mas a FPF, o INSS e outros…

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  2. Na era RR pensei que aquele fosse ser o mais drásticos dos mandatários enlutados e relembrando suas peripécias, comparando com as do AK, chego a conclusão que a igualdade é clara, até nas atitudes, só um ponto diverge do antecessor, AK não faz muito alarido acusando seus pares pelo fracasso do time, pelo menos até o momento tem assim se postado. Do outro lado Tourinho empreendeu a ousadia que falta para os atuais, pena que seja daqueles que tiram proveito da situação, mas em termos de resultado parece que tão cedo não será superado. Castanhal, Ananindeua e demais clubes interioranos terão a maior oportunidade de conquistarem o paraense do ano vindouro e parece que o simplório AK ignora que estes clubes estão com possibilidades iguais ou até superiores ao Remo para conquistar a vaga da D para 2010.

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  3. Gerson, é bom dizer, que esse pensamento, partiu única e exclusivamente de seu ” Diretor de Futebol” Abelardo Sampaio e, que não foi aceita pelo seu Vice Presidente, Orlando Frade, que, segundo o Jhones Tavares, já teria concordado em entregar o Futebol ao Tonhão e sua trupe, temendo pelo fracasso do seu projeto de Sócio Torcedor, o que penso, ser a coisa mais certa a ser feita por essa diretoria. Parabéns por sua participação, ontem, no clube na bola, com seus comentários em relação a esse amadorismo. Agora, fico a pensar, que precisou o Abelardo falar uma bobagem dessas, para que essa Diretoria e parte da Imprensa percebessem que o mesmo não entende de Futebol e, que Tonhão seja o melhor para o Remo, coisa que eu venho falando aqui nesse Blog, desde o inicio do Ano. Gerson, concordo com o Jhones, penso que o Projeto de Sócio Torcedor, para ser colocado em prática, não precisa que a renda seja do Mandante do Jogo, penso que as pessoas estão equivocadas quanto a isso, pois em vários estados em que temos times com esse projeto, as rendas não pertencem ao clube mandante. Passei um e-mail ao Dr. Hamilton Gualberto, para que ele me diga se, juridicamente, isso tem fundamento, estou no aguardo de sua resposta, até para se ter uma posição mais abalizada.
    Só fiquei triste em ler sua coluna de hoje, porque não vi a citação da pessoa que falou isso: ABELARDO SAMPAIO, tinha que ser citado, temos que acabar com esses maus profissionais no Futebol, para o bem de Remo e Paysandu.

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    1. Não é “meu” diretor, Cláudio. Não escolho dirigentes, técnicos ou jogadores de clube nenhum, nem do Botafogo. Já repeti isso aqui exaustivamente, mas você não aprende. Paciência…

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      1. Gerson,
        O que entendi é que o Cláudio quiz dizer com seu “Diretor de Futebol”, referindo-se ao Clube do Remo e não a sua pessoa.

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    2. Cláudio,
      Não determino quem manja ou não de futebol. Critiquei no programa uma questão pontual, do mesmo jeito que acho um achincalhe à inteligência humana aquela ideia de venda do Baenão.

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  4. Gerson, essa foi a pergunta que fiz ao Dr. Hamilton:

    Dr. Hamilton, o Jhones Tavares, conselheiro do Remo, disse ontem, que o Projeto Sócio Torcedor do Remo, independe que a renda de um jogo, realizado no Baenão, seja do Mandante ou não. Deu um Exemplo: de um estádio com capacidade para um Público de 30 mil pessoas, o Remo só seria obrigado a colocar a venda, 10% desses ingressos, ou seja: 3 mil ingressos, o Remo colocaria a venda e prestaria conta com esses 3 mil. Seria mais ou menos, o que acontece agora, onde o público pagante, por exemplo é de 40 mil, mas o público total foi de 45.000, onde, no exemplo acima, o público pagante seria de 3 mil e, o presente seria de 30.000, sendo 27 mil entrando de graça, pois seriam sócio torcedores. o que eu gostaria de saber, é: Se a renda é 60% para o Vencedor e 40% para o perdedor, existe saída jurídica para os sócio torcedores entrarem no estádio ou melhor, a opção, acima, tem cabimento? me responda, por favor.
    Cláudio Santos – Técnico do Columbia de Val de Cans.

    RESPOSTA:

    Subject: Re: SÓCIO TORCEDOR
    From: gualbert@amazon.com.br
    To: claudio251915@hotmail.com

    – Desconheço o projeto do sócio torcedor. Mas o que sei é que se o Conselho
    Técnico decidir que 60% da renda é para o vencedor, a presença do público total
    é secundária pois o que vai prevalecer mesmo é o público pagante para efeito de
    distribuição da renda. Entendeu? Sendo assim, pouco importa que estejam no
    Baenão 10 mil pessoas. O que vale é o número de pagantes.Isso é lógico. Quanto
    aos demais detalhes, estou sem conhecimento.
    Forte abraço
    > HAMILTON GUALBERTO

    Baseado nesse Depoimento, penso que o Jhones tem razão e, o Projeto Sócio Torcedor do Remo, vai sair sim, independente de o mandante ficar ou não com a renda. ok Cleiton?

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  5. Existe um DITO POPULAR e até BASTANTE FILOSÓFICO que diz: “DEUS ESCREVE CERTO POR LINHAS TORTAS”.

    O paradoxo dessa REFLEXÃO, nos ALERTA que “A HUMANIDADE TENTA ESCREVER CERTO POR LINHAS RETAS”.

    Talvez seja esse o motivo das “TROMBADAS”.

    Por ESCREVER por supostas LINHAS RETAS, inevitavelmente DEPARAMOS-NOS com os MUROS.

    Isso quase sempre acaba no INOCENTE do JERICO, aquele mesmo que dava CARONAS pro Menino JESUS.

    Como dizia o saudoso REI do BAIÃO (LUIZ GONZAGA):

    “O JUMENTO É NOSSO IRMÃO”.

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  6. GERSON,

    PARABENIZO-LHE PELO BLOG, ASSIM COMO PELA OPORTUNA COLOCAÇÃO NO EDITORIAL DE ESPORTES DE ONTEM (14/10/09). TEM COISAS QUE SÓ VENDO PARA ACREDITAR. NO FINAL DO ANO PASSADO, LANCEI-ME COMO CANDIDATO A PRESIDENCIA DO CLUBE DO REMO. A MINHA CANDIDATURA RETRATAVA, ACREDITO, UMA NOVA FORMA DE ADMINISTRAR UM CLUBE DE FUTEBOL, SEM OS COMPROMISSOS E PROJETOS EXCLUSIVAMENTE PESSOAIS, TANTO QUE IRIAMOS PROCEDER UMA DESCENTRALIZAÇÃO RESPONSÁVEL E AMPLA NOS DIVERSOS SETORES REMISTAS (O ÚNICO QUE VEM DANDO CERTO É A NATAÇÃO QUE É DESCENTRALIZADA), DENTRE VÁRIAS OUTRAS MEDIDAS. NAQUELA OCASIÃO, O PROJETO DO SENHOR AMARO CITADO EM DIVERSAS REUNIÕES – QUE NÃO POSSUIA -, JUNTAMENTE COM O ORLANDO FRADE ERA QUE DE CLUBE DO REMO SÓ IRIA GANHAR TITULO A PARTIR DE 10 ANOS, OU SEJA, 2019 (PASME). É ÓBVIO QUE ISSO NÃO CHEGOU AO CONHECIMENTO DA GALERA REMISTA. QUANDO LEIO SEU EDITORIAL DIZENDO QUE O REMO SE CONTENTA COM O 4O. LUGAR DO CAMPEONATO ESTADUAL, NÃO ACHO ESTRANHO: CONTINUAM (AMARO E FRADE) TRILHANDO AQUILO QUE PLANEJARAM PARA O FUTEBOL DO CLUBE DO REMO. É UMA VISÃO CAOLHA E DESFOCADA DO PRINCIPAL OBJETIVO DO CLUBE DO REMO QUE É A CONQUISTA DE TÍTULOS NO FUTEBOL. É UMA PENA QUE AINDA TENHAMOS QUE “ENGOLIR INTELIGÊNCIAS” DESSA NATUREZA.

    O CLUBE DO REMO CONTINUA UMA INSTITUIÇÃO EXTREMAMENTE AMADORA, INFELIZMENTE.

    UM FRATERNAL ABRAÇO

    BENEDITO WILSON SA

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    1. Caro Benedito, agradeço sua visita ao nosso humilde espaço de discussões e livre difusão de ideias. E concordo inteiramente com seus pontos de vista. O Remo caminha, a passos largos, para mais uma temporada desastrosa, a partir dos planos anunciados pela atual gestão.

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