Lula, Jesus, Judas: muito barulho por nada

Por Luís Nassif

O governador José Serra tem seu passado de grande homem público, economista influente, intelectual sólido. E de ampla indecisão, ainda mais em temas que exijam definições políticas. A indecisão deixou o campo aberto para os novos ideólogos da oposição: a mídia, isso, o Kamel, Otavinho, o Civita com toda aquela sofisticação política e analítica já conhecida. E o Estadão correndo atrás.

Aí eles descobrem a grande sacada: a menção de Lula a Judas e ao papel da imprensa. Manipula-se a declaração de Lula, para servir de bandeira oposicionista. Eureka! Genial! Descoberta a pedra filosofal a orientar daqui para frente a oposição. A ordem unida ecoa por todos os cantos. Ouve-se CNBB aqui, deputados ali, Fenaj acolá, repercutamos, repercutamos.

E o Serra – que pode ter muitos defeitos, mas morre de medo do ridículo – é obrigado a ir atrás.

Daí o Estadão – que vive correndo atrás do eixo Veja-Globo-Folha invertendo a frase símbolo de São Paulo (não conduzo, sou conduzido)-, chega resfolegante para a repercussão, cerca Serra daqui, cerca dali e arranca uma declaração bombástica:

‘A entrevista mostra bem o que é o Lula. De ponta a ponta, na forma e no conteúdo’, disse o governador de SP

Bela frase, que não quer dizer absolutamente nada.

Aí o repórter insiste sobre o tema Judas:

Questionado se concordava que uma aliança entre Jesus e Judas seria necessária para 2010, Serra respondeu: “Não sei. Quem fala com Cristo pode perguntar a ele”.

Ou seja, para uma pergunta tola, uma resposta que não quer dizer nada.

Não falou nada, nada disse. Mas o Estadão solta a manchete exultante: “Serra ironiza presidente Lula sobre aliança entre Jesus e Judas”.

Vou te contar…

Natalino se oferece para “salvar” o Flu

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Sem emprego desde que foi demitido do cargo de treinador da África do Sul, Joel Santana desembarcará no Rio de Janeiro na próxima semana e já se candidata a mais um desafio na carreira. Nesta quinta-feira, o técnico afirmou aceitar dirigir o Fluminense durante o restante do Campeonato Brasileiro, objetivando evitar o rebaixamento à Série B. “O ‘Titanic’ já está no mar. Faltam o quê? Seis rodadas? Não sei não, eu gosto desses desafios. Se a torcida comprar o barulho comigo, a gente está para ajudar. A gente já viu tanta coisa”, afirmou o treinador. (Com informações da ESPN)

Grande momento do futebol: Ricardinho

Com um movimento rápido, quase um elástico na bola, o meia Ricardinho (Atlético-MG) livra-se habilmente de dois marcadores tricolores (ao que parece, Hernanes e Hugo), que desabam no gramado. O lance acontece por volta dos 30 segundos do video. Vale a pena prestar atenção, afinal não é todo dia que se vê um craque em ação.

Coluna: O grande negócio do futebol

Levantamento publicado pelo jornal O Globo escancara o abismo que entre o organizado futebol europeu e as competições realizadas no Brasil. A diferença de público nos estádios é tão acentuada que o Atlético-MG, time brasileiro que tem melhor média de torcida (como mandante) na Série A, com cerca de 34 mil espectadores por jogo, ocuparia um modestíssimo 37º lugar no ranking europeu.
Na confirmação do velho ditado de que dinheiro chama dinheiro, o Manchester United, um dos clubes mais ricos do mundo, arrasta 75.304 pessoas sempre que joga em seu estádio. É dono da melhor média de público na Europa – e no mundo. Claro está que essa fidelidade do torcedor está diretamente associada aos investimentos do clube, que mantém elenco de primeiro nível e consequentemente ganha títulos com incrível facilidade.
Vale observar, ainda, que o United é também um exemplo de gestão dos negócios referentes ao futebol. Seus jogos são realizados num estádio confortável, seguro e moderno, com opções de restaurantes, shopping e galerias especiais. Por conta desses atrativos, os carnês de ingressos são vendidos com um ano de antecedência, garantindo renda antecipada de aproximadamente 100 milhões de euros aos cofres do clube.
Mas não se pode dizer que lotar estádios é exclusividade de vencedores como o Manchester. O segundo colocado em bilheteria é o alemão Borussia Dortmund, que há muito tempo não contabiliza grandes conquistas. Em seu multifuncional estádio, o Borussia recebe a cada jogo 74.748 torcedores. 
Em comum com o clube de Sir Alex Ferguson, o BD tem azeitada máquina de marketing e programas voltados exclusivamente para atender sua torcida. O tratamento é tão bom que, mesmo sem grandes estrelas, o time é um inegável sucesso de público.
Terceiros e quarto colocados na lista são nomes mais ou menos óbvios. Afinal, Barcelona (com média de 71.045) e Real Madri (70.816) têm os elencos mais badalados do planeta e praticam uma ousada e vertiginosa política de contratações. Mantêm um portentoso quadro de associados, que não pára de crescer. No caso do clube azul-grená, que não tem patrocinador, a receita decorre exatamente dessa paixão bem administrada.
O quinto mais popular é o Bayern de Munique, com público médio de 69 mil. Em seguida, outro alemão: o Schalke 04, com 60.040. O primeiro italiano, Milan, só vem em oitavo, com 59.757 de média, depois do Arsenal (60.040). No top ten, só há espaço para um penetra: o escocês Celtic, nono da lista com 57.366. O 10º também é germânico, o Hamburgo (54.881).
 
 
Os números não devem simplesmente confrontar a lambança brasileira com a opulência européia, mas evidenciar que o torcedor continua a ser a pedra de toque do processo. A lição óbvia é que, para crescer, os times nacionais não podem continuar tratando o torcedor como um cliente qualquer. Os gestores do futebol precisam entender, em definitivo, que o negócio só será lucrativo na medida em que a clientela estiver satisfeita. 

(Coluna publicada na edição do Bola/DIÁRIO desta sexta-feira, 23)