Pensata: A vanguarda do atraso

Por Alberto Dines

Para exibir sua isenção e objetividade, a grande mídia deu neste último fim de semana bastante destaque ao conflito entre a Casa Branca e o canal de notícias americano Fox News. Algumas análises sobre o caso apareceram ao lado da ofensiva da Casa Rosada contra a mídia argentina como se tratasse de episódios similares. Veja, como sempre, foi mais longe e classificou como “ridícula” a disposição de Barack Obama em enfrentar o magnata Murdoch.

Nossa imprensa mais uma vez exibe o seu potencial de simplificação e generalizações, sempre de olhos em comparações. Em primeiro lugar é preciso ter em conta que a imprensa americana é muito diversificada, há veículos liberais e progressistas, há reacionários agressivos e há conservadores equilibrados. Portanto, se a Casa Branca reage à histeria de um canal de extrema direita está no seu legítimo direito. Ruim seria se o presidente americano investisse contra a mídia em geral como tem acontecido com muita freqüência no Hemisfério Sul.

O que está acontecendo neste momento na mídia brasileira no tocante a Obama é uma reação concatenada contra certas opções políticas adotadas pelo governo americano que o lobby brasileiro considera “esquerdistas”. Exemplo: as “intervenções brancas” na indústria automobilística e bancária e o novo sistema de saúde pública, ambos fortemente estatizantes.

Guerra Fria

Mas qual seria a opção da grande mídia brasileira – deixar que os bancos e as montadoras de Detroit falissem? Quem teria condições de reverter o caos dos serviços médicos americanos – os planos de saúde privados?

É evidente que a Casa Branca não está minimamente interessada na reversão das posições da mídia brasileira que trocou rapidamente o entusiasmo anterior por um ceticismo militante contra Obama. Esta reversão, porém, interessa a nós, leitores, ouvintes, internautas e telespectadores brasileiros, condicionados por critérios originários no mundo de ontem.

O principal aporte do presidente americano é a sua disposição de abandonar os parâmetros da Guerra Fria que vigem há 64 anos, desde 1945. Nossa mídia ainda aposta neles: além de conservadora, está muito atrasada. (Transcrito de Observatório da Imprensa)  

Veja condenada a indenizar repórter

Do Comunique-se (com informações do Consultor Jurídico)

A jornalista Eliana Simonetti, despedida de Veja em 2001 acusada de manter relações impróprias com Alexandre Paes dos Santos, vai receber da publicação da Editora Abril uma indenização 20 vezes maior que o salário que recebia como editora de Economia, a título de danos morais e patrimoniais. A revista terá que publicar a sentença proferida pela 10ª Câmara de Direito Privado do Tribunal de Justiça de São Paulo.

A Veja demitiu Eliana em novembro de 2001 quando seu nome foi encontrado na agenda pessoal de Paes dos Santos. Embora ele tenha sido acusado de atuar como lobista pela revista, a Polícia Federal não conseguiu provas para incriminá-lo. Mesmo assim a jornalista foi demitida. A demissão foi publicada nas páginas de Veja, que justificou conflito de interesses, além de ser anunciada em nota à imprensa (leia a nota no final desta matéria).

O nome de Eliana, seu telefone residencial e o número de sua conta bancária constavam na agenda pessoal de Paes dos Santos. Na época, Eliana contou ter sido namorada dele e ter recebido empréstimos pessoais no valor de R$ 40 mil.

Veja contestou o pedido de indenização de Eliana por danos morais e a acusou de atingir sua credibilidade construída ao longo de mais de 33 anos. O argumento não foi acatado pela Justiça. “Ora, a divulgação do ato de despedida da jornalista, como decorrente de conduta ilícita desta, quando a rescisão se deu sem justa causa, caracteriza os danos materiais e morais pela intensidade do ânimo de causar prejuízo pela repercussão negativa não só no seio social como empresarial, criando dificuldades para a recolocação da ofendida no mercado de trabalho, pela ênfase dada, estando demonstrado o nexo de causalidade entre o dano e o ato ilícito da ofensa”, observou o desembargador e relator Testa Marchi.

Para a Justiça, Veja “exorbitou ao publicar as notícias com desvio injustificado e desautorizado quanto a pretensa falta cometida se não houve qualquer penalidade, tanto que declarou a ruptura do pacto laborai como sendo sem justa causa, o que leva à presunção de que não houve quebra de fidúcia, o que provocou resquícios prejudiciais à imagem da ofendida, abalos psíquico e moral, tendo em vista a humilhação, a angústia e a discriminação por ela sofridas, estando correta a decisão ‘a quo’ que condenou a ex-empregadora no pagamento da indenização por danos patrimoniais e morais”.

Caso atrase a publicação da condenação, a revista terá que pagar multa de R$ 3.500 por edição. Os advogados de Veja vão recorrer da decisão.

Fla quer mudar jogo para o Pacaembu

Da ESPN

A diretoria do Flamengo estaria tentando negociar a mudança de local do jogo de 28 de outubro, contra o Barueri, às 21h50 (de Brasília). A intenção é transferir a partida da Arena Barueri para o Pacaembu, onde a presença de torcedores rubro-negros seria maior e o campo não favoreceria o adversário. Para convencer o Barueri a aderir a ideia, o Flamengo deverá propor um aumento da participação do clube paulista na renda do confronto. Resta saber se a Confederação Brasileira de Futebol (CBF) vai autorizar a mudança, já que o Estatuto do Torcedor pede antecedência de dez dias para a alteração.

Alguém tem dúvida que a CBF vai autorizar a transferência?

Fenômeno agora é corintiano

Ronaldo nunca escondeu a sua paixão pelo Flamengo. Pelo contrário. Enquanto brilhava na Europa sempre falou com carinho do clube da Gávea. Naquela época, porém, o Corinthians ainda não existia na vida do atacante. Perto de completar um ano no Parque São Jorge, o Fenômeno já não sente mais tanta “atração” pelo Rubro-Negro. E mais: planeja encerrar sua carreira com a camisa alvinegra.

– Jogar no Flamengo é um sonho que eu tinha e já acabou. O amor que eu sempre tive pelo Flamengo está completamente de lado. Sou corintiano agora e vou encerrar minha carreira aqui – declarou o camisa 9, nesta terça-feira, no Parque São Jorge.

(Do G1)

Coluna: No terreno da incerteza

Digam o que disserem, mas há algo de muito errado com um campeonato que tem Diego Tardelli como destaque entre os goleadores, Diego Souza como candidato a craque e Petkovic como “revelação”. Sei que muitos perderam suas referências e nem conseguem mais estabelecer comparações realistas.
O fato é que o Brasileiro da Série A reflete a indigência do futebol brasileiro atual, cada vez mais enfraquecido pelo crescente êxodo de jovens craques. Por essas e outras, o nivelamento por baixo afeta a avaliação mais clara do desempenho de alguns jogadores na competição.
Gera o chamado efeito tostines. Um caso típico desse momento é a performance de Adriano, um dos artilheiros e responsável pela grande fase vivido pelo Flamengo na competição. Imagino que o próprio Dunga deve ficar embatucado, convivendo com aquela ponta de dúvida: será que o Imperador readquiriu a antiga forma ou apenas se beneficia das facilidades de uma competição de fraco nível técnico?
Outro sintoma da debilidade geral da disputa é o próprio futebol apresentado pelos primeiros colocados. O Palmeiras, que se segura na liderança há várias rodadas, exibe defeitos e hesitações impróprias a um time cotado para o título.
A rigor, nem mesmo o torcedor palmeirense se mostra convencido de que o líder tem o melhor futebol do torneio. Vence geralmente por um gol de diferença, vai acumulando seus pontinhos, mas não encanta ninguém. Consegue ser até menos convincente que o insosso São Paulo de 2008, por coincidência, também dirigido por Muricy Ramalho.
Abaixo do Palmeiras, a busca pelas demais vagas na Libertadores registra uma autêntica briga de foice no escuro. Atlético-MG, Inter, São Paulo, Flamengo, Cruzeiro, Goiás e até o Vitória travam disputa marcada pela irregularidade das equipes. A cada rodada, tropeços surpreendentes frustram as previsões e reacomodam as posições.
O que mais incomoda é a ausência de um time daqueles que enchem os olhos da torcida, que parecem ungidos com a velha chama. A esta altura, faltando oito rodadas para o final, não dá sequer para cravar um palpite seguro quanto ao vencedor, tal a indefinição reinante.   
 
 
Além de estar jogando direitinho, o São Raimundo não pode se queixar da sorte. Talvez para compensar os atropelos vividos internamente, acabou beneficiado pelos sorteios na Série D. Como nas oitavas-de-final, quando repetiu o confronto com o Cristal e garantiu o acesso à Série C. Agora, na decisão, nova boa notícia: faz o segundo jogo diante de sua torcida, com todas as condições de levantar o título brasileiro.

(Coluna publicada na edição do Bola/DIÁRIO desta terça-feira, 20)

Pensata: Em defesa de Barrichello

Por Flávio Gomes

De todas as pessoas que encontrei hoje, ouvi: “Esse Rubinho é um cagado, mesmo”, “Puta azar deu o Rubinho”, “Esse Rubinho é muito ruim”, “O cara é muito azarado, tinha de furar um pneu?”, “Esse cara é muito ruim, não vai ser campeão nunca”, “Quando a gente mais espera dele, faz isso”. E algumas variáveis sobre o mesmo tema.

Eu já tinha dessa impressão, mas depois deste fim de semana, tenho certeza. O problema de Barrichello não é ele, não são seus carros, não são seus companheiros de equipe. O problema de Barrichello é a TV Globo.

E por que a Globo, e não toda a mídia? Porque não se deve ter nenhuma ilusão. A imensa maioria das pessoas no Brasil só se informa sobre F-1 pela Globo. “Se informa” é um eufemismo, melhor corrigir. Digamos que a cultura de F-1 que a imensa maioria das pessoas tem no Brasil vem daquilo que a Globo diz. E a Globo só diz besteira. A cultura de F-1 do brasileiro médio é zero, talhada pelas cascatas globais.

Barrichello não fez nada de errado ontem, não errou ao tentar a pole com o carro mais leve, não teve azar nenhum, não foi cagado. Mas a histeria global, martelada dia após dia — e quando a corrida é no Brasil, e ele está na pole, chega a ser quase uma lavagem cerebral, uma lobotomia —, faz com que o público aqui acredite que Rubinho do Brasil tem a obrigação de ganhar, e se não ganhar, das duas uma: ou sacanearam com ele, ou é um cagado que não tem mais jeito.

As pessoas veem uma corrida de F-1 aqui com zero de informação honesta. Ontem, depois de dez voltas já era possível afirmar que Rubens não venceria a prova. Simples: não abria de Webber e iria parar cinco voltas antes nos boxes. Cinco voltas, com um carro mais rápido e cada vez mais leve, seriam mais do que suficientes para Webber voltar à sua frente do pit stop. E Kubica, também. Ambos passaram.

Rubens apostou no clima instável de São Paulo, no que fez muito bem. Larga na pole, pula na frente, vai que chove no início, todos têm de parar, a vantagem do carro mais pesado é anulada. Ou, ainda: acontece alguma merda atrás dele, Webber se enrosca, Kubica bate, fica para trás, e a vantagem é igualmente anulada.

Mas há uma desonestidade editorial clara naquilo que a Globo faz, alimentando uma expectativa que não poderá ser cumprida. Porque corrida de carro é muito mais do que essa gritaria de “Vâmo, Rubinho!”, “Não erra agora, Rubinho!”, “Acelera, Rubinho!”. Corrida de carro tem lógica, é matemática, e quem mostra um evento desses a milhões de pessoas tem a obrigação de ser honesto.

Porque se não for, as pessoas não têm elementos para entender a derrota. E se amparam na explicação que está à mão: o cara é cagado, dá azar, não vai ganhar nunca. Ou, ainda: furaram o pneu dele de propósito.

E, aí, vai-se criando a fama, dia após dia, de perdedor, azarado, cagado. Uma farsa, uma mentira. A TV mente o tempo todo. Foi assim nos anos pós-Senna, em que Barrichello, de Jordan ou Stewart, não tinha a menor chance de ganhar uma corrida, embora a TV dissesse o contrário. Porque corria contra Williams, Ferrari, McLaren, Benetton. Depois, na Ferrari, a venda de ilusões baratas era igualmente cruel, porque contra um piloto como Schumacher, Barrichello jamais seria campeão. Não seria porque Schumacher era muito melhor. Se eu for companheiro de Barrichello numa corrida de qualquer coisa, não terei chance alguma de andar na frente dele. Deem um kart para ele e outro para mim, e ele vai chegar na frente todas as vezes. Entreguem um Lada igualzinho ao meu, e não vou ser mais rápido que ele nunca, em nenhuma volta.

Mas a Globo vende a esperança, porque acha que as pessoas só vão se interessar por seu evento se houver a chance de um brasileiro vencer, mesmo se for uma mentira deslavada, como na maioria das vezes. É um engodo, e uma sacanagem com o piloto. A expectativa que se cria por seus resultados é criada na TV. OK, muitas vezes Rubens embarcou na onda, mas é o menor dos culpados.

Se a TV não se dedicasse tanto a iludir seus telespectadores tratados como otários, Barrichello não seria zoado como é há anos, pela Globo inclusive. Poderia conduzir sua carreira com mais tranquilidade e serenidade. Ele não tem a obrigação de vencer por ninguém, pelo povo, pelo país. Tem obrigação de trabalhar direito para quem lhe paga, e por ele mesmo.

Um dia depois de uma corrida normal, na qual fez o que podia fazer dentro dos limites de seu carro e de seu talento, o coitado tem de aguentar um tijolo a mais nessa construção de uma imagem que não corresponde à realidade. Barrichello pode não ser o melhor piloto do mundo, está longe disso, mas é um dos bons dos últimos anos, como outros tantos. Nem muito mais, nem muito menos. Não estaria há tanto tempo correndo se não tivesse qualidades.

Quando parar, muito provavelmente sem ter sido campeão, terá para sempre colado na testa o rótulo de cagado, azarado, lento, o que for. Pode agradecer à TV por isso. Foi ela que, nesses anos todos, disse ao Brasil que Rubens era algo que nunca foi. Talvez ele nunca entenda isso, até porque adora ser bajulado pela Globo, com seu pseudo-jornalismo esportivo meloso, ufanista e cascateiro. Mas é assim.