Da pior maneira possível, a temporada do futebol acabou. O Paissandu junta-se ao velho rival e prepara-se para ficar cinco meses em inatividade. Bola, novamente, só no campeonato estadual de 2010. Duro não foi sofrer uma goleada em pleno Romeirão, no sertão do Cariri. Triste foi ser eliminado sem luta, com falhas gritantes de posicionamento e atuações individuais abaixo da crítica. Patético foi ver a superioridade incontestável do Icasa, time da segunda divisão do Ceará.
O Paissandu começou a perder o trem da Série B ainda no primeiro tempo. O Icasa, que jogava pelo empate sem gols, balançou as redes logo aos 11 minutos. Lance de treino: escanteio à meia altura, desvio no primeiro pau e finalização de atacante livre na pequena área, com os zagueiros assistindo passivamente. Depois, aos 33, o anfitrião ampliou para 2 a 0, novamente num cochilo da defesa.
Um gol surpreendente de Aldivan, aos 35 minutos, deu a falsa ilusão de que o Paissandu podia ter melhor sorte e chegar ao empate – que garantiria a classificação. Bastou, porém, a bola rolar no segundo tempo para que a dura realidade se escancarasse. Sempre chegando uns 10 segundos atrasado em relação ao adversário, o time paraense voltou em ritmo quase letárgico para a missão de fazer um gol e garantir a ascensão à Segundona.
A tarefa normalmente já seria difícil. Nas circunstâncias do jogo, tornou-se impossível pela desorganização dos setores, má atuação de quase todo o time e falta de confiança nas próprias forças. Mesmo quando o Icasa bambeou, ao sofrer o gol de Aldivan, o Paissandu não acreditou que podia transformar a situação.
Alguns jogadores pareciam claramente ausentes, desligados, com a cabeça longe. Vélber e Zeziel, os homens da criação, não entraram em campo. O ataque, inicialmente com Zé Carlos e Torrô, foi inoperante. A meia-cancha, cuja importância era óbvia, nada produziu. A bola insistia em bater no ataque e voltar. Em futebol, esse tipo de problema tem nome: dispersão.
Como os setores não se conectavam, a bola praticamente não ficava com o Paissandu. Sem mostrar grande categoria, mas com tranqüilidade, o Icasa foi tomando conta dos espaços e aproveitando as chances que surgiam. Junior Xuxa, Marcos Vinícius, Panda e Marciano avançavam com liberdade, sem marcação.
Mael-Dadá, dupla que era sinônimo de segurança, fez partida sofrível. Pouca combatividade e erros de colocação permitiram pelo menos três gols do Icasa. No terceiro, aos 6 minutos, Mael tinha a bola dominada e tentou sair jogando. Perdeu e, na sequência, Junior Xuxa entrou livre para fuzilar Córdova. Aos 10 minutos, nova distração. A bola foi à linha de fundo e, no cruzamento, a zaga ficou olhando Marciano entrar para marcar, sem combate.
A partir daí, o jogo entrou em ritmo de festa para os cearenses. Michel ainda descontaria aos 33, mas logo na saída de bola o Icasa aumentou para 5 a 2, com Marcus Vinícius, em nova investida pelo lado direito do ataque, explorando o espaço deixado pelos avanços de Aldivan. Serginho fechou a goleada, num chute despretensioso, que enganou Córdova.
O placar vexatório é a sentença final para um time que não conseguiu fazer uma só apresentação convincente ao longo de toda a Série C. Mesmo as vitórias sobre Rio Branco, Sampaio e Águia foram nervosas e obtidas com dificuldade. A campanha inconsistente levou ao afastamento de Edson Gaúcho. Seu substituto, Valter Lima, também não conseguiu estabelecer um padrão confiável, pelas limitações do elenco e pelas suas próprias hesitações.
(Coluna publicada na edição do Bola/DIÁRIO desta segunda-feira, 17)