Imperador volta ao escrete

Lucas, volante do Liverpool, e Adriano, atacante do Flamengo, são as grandes novidades da lista divulgada pelo técnico Dunga nesta quinta-feira para os jogos contra Argentina e Chile pelas eliminatórias sul-americanas para a Copa do Mundo de 2010. A partida ante os hermanos acontece no dia 5 de setembro, às 21h30, no Estádio Gigante de Arroyito, em Rosário; quatro dias, a equipe canarinho recebe os chilenos no Estádio de Pituaçu, em Salvador, às 22h.
Outros jogadores que ganharam espaço com o capitão do tetra foram o goleiro Victor, do Grêmio, e o lateral esquerdo Filipe Luis, do Deportivo La Coruña, que foi convocado para o último amistoso contra a Estônia para o lugar de Marcelo, do Real Madrid, lesionado. Com problemas na coxa antes do jogo em Tallinn, o meia Ramires também retornou ao grupo.
Veja a lista completa:

Goleiros: Júlio César (Inter de Milão) e Victor (Grêmio);
Laterais: Maicon (Inter de Milão), Daniel Alves (Barcelona), André Santos (Fenerbahce) e Filipe Luis (Deportivo La Coruña);
Zagueiros: Lúcio (Inter de Milão), Juan (Roma), Luisão (Benfica) e Miranda (São Paulo);
Volantes: Gilberto Silva (Panathinaikos), Josué (Wolfsburg), Felipe Melo (Juventus) e Lucas (Liverpool);
Meias: Elano (Galatasaray), Ramires (Benfica), Kaká (Real Madrid) e Julio Baptista (Roma);
Atacantes: Robinho (Manchester City), Luís Fabiano (Sevilla), Nilmar (Villarreal) e Adriano (Flamengo).

Outra façanha do jamaicano

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O jamaicano Usain Bolt voltou a dar show no Mundial de Berlim e venceu os 200m livre nesta quinta-feira. O campeão olímpico da prova terminou em primeiro, com tempo de 19s19 – a antiga marca era de 19s30 e foi estabelecida por ele mesmo em Pequim-2008. Antes de vencer os 200m, Bolt já havia impressionado o público alemão (e mundial) ao vencer os 100m livre no último domingo com também novo recorde mundial, 9s58.

Mesmo presepeiro, Bolt vai fazendo história. E, aparentemente, “limpo”, sem doping na parada. 

Direito de arena é igual a gorjeta

Do site do Tribunal Superior do Trabalho

O jogador de futebol que participa de uma competição num estádio deve receber parte do que for arrecadado com o espetáculo pela sua apresentação. O chamado “direito de arena” integra a remuneração do atleta da mesma forma que as gorjetas pagas pelos clientes aos garçons. Assim tem decidido o Tribunal Superior do Trabalho, apesar de interpretações diferentes em outras instâncias da Justiça Trabalhista.

Em recurso de revista do Guarani Futebol Clube, por exemplo, julgado recentemente pela Primeira Turma do TST, houve a reforma da decisão do Tribunal Regional do Trabalho da 15ª Região (Campinas/São Paulo) sobre esse tema. Seguindo o voto do relator e presidente do colegiado, ministro Lelio Bentes, a Turma, por unanimidade, concluiu que o direito de arena devido pelo clube a ex-jogador integra a remuneração, mas não serve de base de cálculo do aviso-prévio, adicional noturno, horas extras e repouso semanal remunerado. O relator aplicou ao caso, por analogia, o entendimento consagrado na Súmula nº 354 do TST, que trata das gorjetas dos garçons.

A diferença dessa decisão é que, para o TRT/Campinas, salário é o conjunto de prestações fornecidas pelo patrão ao trabalhador em função do contrato assinado. E o direito de arena teria caráter salarial, na medida em que decorre do contrato de trabalho, tendo como fato gerador a prestação do serviço (partida de futebol) pelo empregado (jogador). Nessas condições, segundo o Regional, os valores devidos a título de direito de arena deveriam integrar o salário do atleta para todos os efeitos.

Já a jurisprudência do TST é no sentido de que o direito de arena tem reflexos somente nos cálculos do FGTS, 13º salário, férias e contribuições previdenciárias. Por isso, a Primeiraª Turma deu provimento parcial ao recurso do Guarani para excluir o direito de arena da base de cálculo do aviso prévio, adicional noturno, horas extras e repouso semanal remunerado.

De acordo com o relator, ministro Lelio Bentes, durante a tramitação desse processo, houve muita confusão com os termos “direito de arena e de imagem”. O clube alegou que o direito de imagem do atleta tinha natureza civil e, portanto, não deveria estar sendo discutido na Justiça do Trabalho, mas sim na Justiça Comum. E se essa tese fosse recusada, pelo menos que a parcela não fosse considerada de natureza salarial, com os respectivos reflexos.

Ocorre que, para os especialistas, direito de imagem não é a mesma coisa que direito de arena. Direito de imagem haveria no caso de um contrato individual para autorização da utilização da imagem do atleta e, de fato, teria natureza civil. A Constituição Federal protege a reprodução da imagem, inclusive nas atividades desportivas (artigo 5º, inciso XXVIII).

Já o caso analisado se referia a direito de arena, nos termos da Lei nº 9.615/1998 – a Lei Pelé. Por essa norma, no mínimo, 20% do valor total da autorização da transmissão devem ser distribuídos aos atletas profissionais que participarem do evento esportivo. Daí os doutrinadores do país compararem o direito de arena à gorjeta. ( RR 1288/2001-114-15-00.0 )

Um Palmeiras mais italiano

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O presidente do Palmeiras, Luiz Gonzaga Belluzzo, resgatou a tradição do time de Palestra Itália, presente na nova camisa – que tem o azul da ‘Casa Azzurra’ e o símbolo da ‘Casa de Savóia’ –, a fim de pedir coragem. Quer que o time palmeirense não tenha medo do Jason tricolor, que está em seus calcanhares na classificação.

“O lançamento dessa camisa é emblemático. Porque se nossos antepassados italianos tivessem desistido, nada disso teria sido construído. O Palmeiras é um dos poucos times que têm história. Não vamos baixar a cabeça, chorar. É hora de peitar e ir atrás do título”, disse Belluzzo durante a festa de lançamento da nova camisa palmeirense.

Deixem Jesus em paz

Por Juca Kfouri 

Está ficando a cada dia mais insuportável o proselitismo religioso que invadiu o futebol brasileiro.

MEU PAI, na primeira vez em que me ouviu dizer que eu era ateu, me disse para mudar o discurso e dizer que eu era agnóstico: “Você não tem cultura para se dizer ateu”, sentenciou. Confesso que fiquei meio sem entender.

Até que, nem faz muito tempo, pude ler “Em que Creem os que Não Creem”, uma troca de cartas entre Umberto Eco e o cardeal Martini, de Milão, livro editado no Brasil pela editora Record. De fato, o velho tinha razão, motivo pelo qual, ele mesmo, incomparavelmente mais culto, se dissesse agnóstico, embora fosse ateu.

Pois o embate entre Eco e Martini, principalmente pelos argumentos do brilhante cardeal milanês, não é coisa para qualquer um, tamanha a profundidade filosófica e teológica do religioso. Dele entendi, se tanto, uns 10%. E olhe lá. Eco, não menos brilhante, é mais fácil de entender em seu ateísmo.

Até então, me bastava com o pensador marxista, também italiano, Antonio Gramsci, que evoluiu da clássica visão que tratava a religião como ópio do povo para vê-la inclusive com características revolucionárias, razão pela qual pregava a tolerância, a compreensão, principalmente com o catolicismo.

E negar o papel de resistência e de vanguarda de setores religiosos durante a ditadura brasileira equivaleria a um crime de falso testemunho, o que me levou, à época, a andar próximo da Igreja, sem deixar de fazer pequenas provocações, com todo respeito.

Respeito que preservo, apesar de, e com o perdão por tamanha digressão, me pareça pecado usar o nome em vão de quem nada tem a ver com futebol, coisa que, se bem me lembro de minhas aulas de catecismo, está no segundo mandamento das leis de Deus. E como o santo nome anda sendo usado em vão por jogadores da seleção brasileira, de Kaká ao capitão Lúcio, passando por pretendentes a ela, como o goleiro Fábio, do Cruzeiro, e chegando aos apenas chatos, como Roberto Brum.

Ninguém, rigorosamente ninguém, mesmo que seja evangélico, protestante, católico, muçulmano, judeu, budista ou o que for, deveria fazer merchan religioso em jogos de futebol nem usar camisetas de propaganda demagógicas e até em inglês, além de repetir ameaças sobre o fogo eterno e baboseiras semelhantes.

Como as da enlouquecida pastora casada com Kaká, uma mocinha fanática, fundamentalista ou esperta demais para tentar nos convencer que foi Deus quem pôs dinheiro no Real Madrid para contratar seu jovem marido em plena crise mundial.

Ora, há limites para tudo. É um tal de jogador comemorar gol olhando e apontando para o céu como se tivesse alguém lá em cima responsável pela façanha, um despropósito, por exemplo, com os goleiros evangélicos, que deveriam olhar também para o alto e fazer um gesto obsceno a cada gol que levassem de seus irmãos…

Ora bolas!

Que cada um faça o que bem entender de suas crenças nos locais apropriados para tal, mas não queiram impingi-las nossas goelas abaixo, porque fazê-lo é uma invasão inadmissível e irritante.

Não é mesmo à toa que Deus prefere os ateus…

O deus das trincheiras

Publicado nesta quinta, 20 de agosto de 2009 | O Estado de São Paulo – Versão Impressa

Por Luís Fernando Veríssimo
 
Dizem que na Primeira Guerra Mundial, durante as tréguas de Natal, de uma trincheira se podiam ouvir as comemorações na trincheira inimiga. Nos dois lados cantavam hinos cristãos e havia sermões e imprecações a Deus, que era o mesmo para os dois lados, mesmo que as religiões não fossem as mesmas. Os capelães militares sempre tiveram a dura tarefa de convencer as tropas e a si próprios de que o Deus a que rezavam lhes daria a vitória. Já que não podiam dizer que cada lado tinha o seu Deus e o deles era mais forte, inferiam que o Deus invocado era único mas tinha seus gostos, e os preferia. Deus torcia por eles, não importava o que dissessem os capelães do inimigo.

Não existem capelães com o mesmo problema no futebol, mas está implícita em toda mobilização de fé religiosa antes do jogo um pedido para que Deus favoreça um lado e não ouça o outro. E em todo agradecimento para o alto depois de um gol ou de uma vitória, e em toda frase de exaltação a Jesus impressa numa camiseta, está implícito um reconhecimento da parcialidade de Deus. Deus deveria ser banido dos campos de batalha para não se comprometer com a pior das atividades humanas, agravada pela hipocrisia, e proibido de entrar em campo de futebol para não arriscar sua reputação de isenção e fair-play. A única função de Deus num campo de futebol deve ser a de evitar a perna quebrada e o mal súbito. E, está bem, dar uma fiscalizada no juiz.

Nada contra a fé de cada um. Acreditar é bom e é bonito, e é claro que a maioria dos jogadores pede e agradece a Deus não vitórias mas sua integridade física e seu sucesso pessoal, seja jogando no Palmeiras ou no Já Vai Tarde F.C. Mas os jogos da seleção brasileira têm se transformado em verdadeiros bazares de ostentação religiosa. Que algumas das marcas de fé exibidas são de picaretagens notórias nem vem ao caso. As vitórias são publicamente creditadas a Jesus e sua bênção vitoriosa agradecida com fervor. Imagino o constrangimento de jogadores e membros da comissão técnica que não são crentes, ou pelo menos crentes a esse ponto, obrigados a participar daquele círculo de oração de graças, ajoelhados, que tem encerrado as participações triunfais do Brasil em torneios internacionais. Por coerência, o mesmo círculo deveria ser formado nos casos de insucessos brasileiros, para cobrar de Deus a mudança de trincheira.

Zé da Fiel nega aposentadoria

Surgiram hoje informações na imprensa esportiva de que o atacante Zé Augusto estaria pensando em pendurar as chuteiras até o final deste ano. Por telefone, há alguns minutos, o Zé garantiu que nunca deu nenhuma entrevista dizendo isso. Afirma que está muito bem fisicamente, com objetivos na carreira e não pretende parar de jogar. Aos 34 anos, 13 dos quais dedicados ao Paissandu, o atacante lamentou não ter sido ao menos procurado para falar a respeito antes da publicação de matéria num jornal da cidade.

“Sempre fui acessível com a imprensa e sei que mereço respeito. Dedico-me à minha profissão e ao Paissandu e o torcedor seria o primeiro a saber se eu tivesse planos de parar. Pelo contrário, acho que ainda tenho muito a oferecer ao clube e ao futebol do Pará. Sou um atleta, me cuido e sinto-me em plenas condições de continuar jogando”, disse Zé Augusto. Observou ainda que não é contra a renovação de elenco, mas acha que isso tem que ser feito em setores que não funcionam. No caso dele, sempre que foi chamado a contribuir, resolveu a parada.

Alguém anda querendo aposentar o Terçado Voador na marra… Mas o homem está a fim de jogo.

Tribuna do torcedor

Por Danilo Couto

Li sua coluna sobre a comemoração dos gols de Kaká e fiquei um tanto surpreso. Em relação ao uso da camisa com frases de efeito, sejam elas quais forem, até me resguardo e assino embaixo, pois como o próprio Iarley (ex-ídolo do Papão) comentou em um programa de rede nacional, na Argentina (no Boca, precisamente), é extritamente proibida a comemoração de gol tirando a camisa. Caso isso seja desobedecido pelo grupo, geram graves consequências. Da mesma forma em clubes como Real, Flamengo, São Paulo, Íbis etc… A comemoração do gol, retirando seu instrumento de trabalho (a camisa oficial com patrocinadores), realmente não pega bem mesmo. Seria como se você aí nos corredores da RBA saísse pulando e tirando sua camisa de manga comprida, por conta da aceitação e sucesso como sempre da sua coluna quase todos os dias neste jornal).
Agora, em relação ao próprio Kaká comemorar seus gols, olhar para o Céu e proferir palavras que nem mesmo a tecnologia  avançadíssima das câmeras consegue registrar, aí não. Pára porque já é demais!
Isso não tem nada a ver com religião. Ele simplesmente reconhece naquele momento (apontar para o céu) que o seu sucesso é atribuído a Jesus (realmente não vejo nada demais nisso). Lhe garanto que o sucesso dele provém desse reconhecimento, pois é temente a Deus. Quem sabe, inclusive, se tantos e tantos outros que fazem gols, ao invés de saírem estufando e batendo no peito, dizendo: “Eu sou f…”, simplesmente repetissem o gesto de Kaká talvez não fossem bem mais sucedidos em suas carreiras. Não encaro isso como marketing pessoal ou proselitismo, mas sim reconhecimento. Daí a receita do seu sucesso. Acredito que, por conta do estilo de vida que leva, certamente ele (Kaká) jogará em grande nível ainda por muitos e muitos anos e encerrará a carreira no seu auge. Pode apostar!