Roberto Carlos deve desculpas a seu biógrafo

Por Álvaro Costa e Silva (*), na Folha de SP

Você sabe quando e onde Roberto Carlos teve a ideia de mandar tudo mais para o inferno? Foi numa noite gelada em junho de 1965 na cidade de Osasco. Ele aguardava sua vez nos bastidores do Cine Glamour, onde participaria de um show com outros artistas da Jovem Guarda, e, com saudade da namorada que o pai mandara a Nova York para ficar longe dele, começou a marcar o ritmo com a mão na parede e a cantarolar: “Quero que você me aqueça neste inverno…”.

Uma das inspirações de “Namoradinha de um Amigo Meu” foi a manequim Maria Stella Splendore, casada com o estilista Dener, precursor da alta costura brasileira nos anos 60. Os dois se encontravam às escondidas no amplo apartamento do cantor no bairro de Santa Cecília, em São Paulo. Na época, ele desfilava dentro de um Cadillac Fleetwood 1962 comprado à embaixada de Gana e fumava cachimbo (“Isso aqui é só um charme, bicho”).

E “As Curvas da Estrada de Santos” nasceram —surpresa!—​ nas curvas da estrada de Santos. Roberto costumava ficar até as quatro da manhã na boate Cave e, muito bem acompanhado, descia a serra para esticar a farra no Guarujá. Essas histórias e mais um chorrilho interminável de informações estão no livro “Roberto Carlos Outra Vez: (1941-1970)”. Um segundo volume está previsto para sair no fim deste ano.

São 928 páginas que não cansam e, tirante a dor no braço, dão vontade de saber mais. Paulo Cesar de Araújo fez um relato de vida desmontável, com cada capítulo referindo-se a uma canção, que podem ser lidos separadamente. Um trabalho ainda mais abrangente que “Roberto Carlos em Detalhes”, de 2006, que lhe valeu um processo e a retirada dos exemplares das livrarias. Mas também a histórica decisão do STF, em 2015, sobre a liberação das chamadas biografias não autorizadas.

Num gesto de realeza, Roberto Carlos deveria se desculpar e publicamente agradecer a Paulo Cesar de Araújo pela devoção de súdito.

(*) Jornalista, atuou como repórter e editor. É autor de “Dicionário Amoroso do Rio de Janeiro”.

O “mala” do ano

O jornalista Mario Sergio Conti elegeu, em sua primeira coluna de 2022, os “malas do ano de 2021”, e dedicou o prêmio máximo ao ex-juiz Sergio Moro, declarado parcial e suspeito pelo Supremo Tribunal Federal, e responsável pela destruição de 4,4 milhões de empregos, segundo o Dieese.

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“Sergio Moro. Como Bolsonaro é hors-concours, o título de Mala do Ano vai para o maior jurista de Maringá. Nunca ninguém se lançou candidato com tal estrépito e fiasco —e olha que Silvio Santos já saiu em louca cavalgada para o Planalto. Moro mostrou que não tem ideias, propostas, imaginação, carisma. Como um papagaio, repete que só ele pode matar o dragão da roubalheira e salvar o Brasil. Mas, responsável pela falência da Lava Jato e pelo triunfo da lama bolsonarista, ele próprio é prova viva que o udenismo é pura enganação”, escreveu Conti.

Cuba festeja 63º aniversário da revolução socialista

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Neste sábado (1) os cubanos comemoram 63 anos do triunfo da Revolução Cubana. No dia 1º de Janeiro de 1959, o ditador Fulgêncio Batista abandonou o país (fugindo com uma fortuna de 43 milhões de dólares) e o Exército Rebelde adentrou Havana no Triunfo da Revolução socialista.

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Lições para não esquecer

POR GERSON NOGUEIRA

Remo 0 x 0 Vila Nova - Copa Verde Final - Tempo Real - Globo Esporte

O ano terminou sem motivos para grandes festas por parte de Remo e PSC, locomotivas do futebol regional, que amargaram resultados frustrantes quanto a seus principais objetivos. As imensas torcidas tiveram que se conformar com conquistas importantes, mas modestas diante do que havia sido projetado no início da temporada.

De forma surpreendente, depois de uma campanha inconsistente, o PSC levantou o título estadual sobre a favoritíssima Tuna. Até hoje os lusos não entendem o que ocorreu na partida final, quando, apesar da boa vantagem estabelecida na primeira partida, a Lusa sofreu três gols no 2º tempo e viu a taça do Parazão escapar de suas mãos.

Ao longo da disputa, treinado por Itamar Schulle, o PSC decepcionou sua torcida ao mostrar um time trôpego e sem inspiração. Reagiu, porém, no momento certo, a tempo de levantar o caneco em um jogo de superação, já sob o comando do interino Wilton Bezerra.

Paysandu 4 x 1 Tuna Luso - Campeonato Paraense Final - Tempo Real - Globo  Esporte

Na Série C, o time repetiu os maus passos do certame estadual. Com jogadores de rendimento pífio, nem a troca de técnicos ao longo da competição melhorou a produção. Vinícius Eutrópio, que iniciou o torneio, foi substituído por Roberto Fonseca. O time avançou à fase de grupos, mas sucumbiu diante de Criciúma, Ituano e Botafogo-PB.

O desapontamento parece ter surtido efeito. As primeiras movimentações para a montagem do novo elenco já demonstram que há um apuro maior na busca por reforços. O comando técnico foi entregue a Márcio Fernandes, de bom currículo na Série C. A entrada de um coordenador regional, Lecheva, reflete a preocupação em evitar erros primários.

Do outro lado da avenida, como a história costuma mostrar, o Remo imitou o rival e acabou acumulando decepções desde a campanha no Estadual. Cotado para conquistar o Parazão após obter o acesso à Série B, a equipe não engrenou. Algumas peças fracassaram, o sistema adotado por Paulo Bonamigo não surtiu efeito e a equipe parou na Tuna.

Foi um cartão de visitas do que iria ocorrer na Série B. Cercado de expectativas, o Remo acumulou tropeços nas primeiras rodadas, caiu para a lanterna e Bonamigo acabou saindo após constatar que não conseguia extrair qualidade e rendimento da equipe. Na Copa do Brasil, a caminhada foi positiva, mas terminou no confronto com o Atlético-MG.

Para substituir Bonamigo, o Remo foi buscar Felipe Conceição. O time subiu como foguete, chegando a ocupar o oitavo lugar na classificação. Na parte final, porém, falhas em série e ausência de comprometimento afundaram o time, a ponto de deixar escapar a classificação nas 10 rodadas finais.

Teve chance até a última rodada, já sob direção de Eduardo Baptista, mas faltou força e qualidade para superar o modesto (e rebaixado) Confiança dentro de casa. Como consolo, o Remo lutou e alcançou uma conquista inédita: o título da Copa Verde. A campanha bonita e invicta encantou a torcida, mas não apagou a tristeza pela queda à Série C.

A nova temporada abre a perspectiva de recuperação para os dois rivais. Os equívocos precisam ser cuidadosamente estudados para que não se repitam. Os gastos devem ser bem equacionados para enfrentar uma competição tão difícil quanto economicamente deficitária. O desafio está lançado.

Bola na Torre

O presidente do Remo, Fábio Bentes, é o convidado especial do programa deste domingo, às 20h, na RBATV. Guilherme Guerreiro comanda, com participação deste escriba de Baião. Em pauta, um balanço do ano azulino e as projeções para a nova temporada. A edição é de Lourdes Cézar.

Basquete paraense espera por soluções inovadoras

Craque do basquete paraense de todos os tempos, Nelson Maués resolveu dar sua contribuição ao debate em torno do excesso de jogadores importados por Remo e PSC para a disputa do campeonato estadual. “Essa discussão sobre importação de jogadores para disputar o campeonato paraense de basquete merece uma reflexão. A começar pelo histórico desses campeonatos. Nos anos 60, o Remo foi heptacampeão com jogadores todos formados em sua escolinha. Para enfrentar o então imbatível time remista, o Paysandu passou a importar jogadores e técnicos, sem obter êxito”, recorda.

Segundo ele, o PSC precisou abandonar a importação de jogadores e contratar um atleta feito na base do Remo (o próprio Nelson) para, finalmente, em 1966, conquistar o título sonhado. “Aí passou o Paysandu a ser o campeão com atletas locais. Não sabemos a partir de que ano os dois rivais passaram a importar jogadores visando o campeonato de basquete. O fato é que essa importação tornou-se tradição no nosso basquete e acontece até hoje”.

Nelson observa que contratar jogadores de outros Estados acontece nos principais centros do basquete brasileiro: “O que não é saudável é a permanência desses jogadores em nossos clubes por menos de um mês. Quando acaba o campeonato eles vão embora sem transmitir aos locais as suas técnicas e experiências. O esporte é, cada vez mais, dinheiro, investimento. O time do Unifacisa, do interior da Paraíba e sem tradição, está disputando a Liga Nacional de Basquete e enfrentando as principais equipes do basquete nacional, com jogadores quase todos importados”.

Arremata com uma sugestão: “Precisamos juntar forças para encontrar soluções que possam levar o basquete paraense a ser, novamente, um dos melhores do Brasil”. Nelson tem história e sua opinião merece respeito.

(Coluna publicada na edição do Bola deste sábado/domingo, 01)