O atacante Zlatan Ibrahimovic, do Milan, verteu algumas lágrimas de orgulho ao voltar à seleção da Suécia, após uma ausência de quatro anos, para disputar jogos das eliminatórias da Copa do Mundo, e contou que seu filho não queria que ele viajasse para se unir ao elenco do técnico Janne Andersson.
O jogador de 39 anos, que se aposentara da seleção após a Euro 2016, soluçou quando lhe perguntaram o que seus filhos Maximilian, de 14 anos, e Vincent, de 12 anos, acharam de sua decisão de atender o chamado de seu país novamente e voltar a vestir a camisa da Suécia.
“Vincent chorou quando o deixei”, disse Ibrahimovic em uma coletiva de imprensa, ele mesmo chorando ao sentir a emoção de voltar à escalação sueca em seu primeiro encontro com a mídia desde sua convocação ao lado do técnico Andersson.
Maior artilheiro da história da Suécia, com 62 gols em 116 jogos, ele disse em uma entrevista concedida a um jornal no final de 2020 que queria encerrar seu exílio internacional – e Andersson logo voou até Milão para estabelecer os termos do retorno do ex-capitão.
“Jogar na seleção é a maior coisa que você pode fazer como jogador de futebol, e enquanto os acompanhava (a seleção sueca), dentro de mim estava sentindo ‘acho que posso ajudá-los, acho que posso fazer algo'”, disse ele a repórteres.
O atacante mostrou deferência a Andersson, com quem se chocou no passado através da mídia. “Obviamente, não cabe a mim, o que um jogador quer e o que um técnico quer têm que andar juntos”. (Da Agência Brasil)
Neste episódio, Edu canonicamente devassa a sagrada Rua do Matoso, coração do Rio de Janeiro. Em um dia cinzento, a saga dos botecos colore a alma carioca. Aprecie, tomando umas, claro.
O futebol entrou em lockdown, como todas as demais atividades em Belém e Região Metropolitana, e só há a lamentar que a decisão não tenha vindo antes, há pelo menos um mês. Não há argumento possível para defender a insistência com uma atividade não essencial, cuja interrupção não causa prejuízos econômicos de grande monta.
Os campeonatos estaduais deveriam ter sido imediatamente paralisados quando a segunda onda da pandemia se alastrou sobre a Amazônia e impactou a rede hospitalar pública e privada no Pará. A demanda levou à falta de leitos, numa espiral que só tende a aumentar se não houver um esforço conjunto de combate à doença.
Aí entra a necessidade de empatia e contribuição de todos, o que inclui o futebol profissional, com suas viagens entre cidades e o risco permanente de contaminação para o pessoal de apoio, que nem sempre conta com a mesma barreira protetora garantida a atletas, árbitros e comissões técnicas.
Ontem, a tabela determinava a realização do primeiro clássico do Parazão. PSC e Remo jogariam no estádio da Curuzu. Com a interrupção do torneio, o Re-Pa deve ser realizado na segunda quinzena de abril, com a previsível flexibilização do decreto governamental que estabelece restrições de atividades na RMB.
O elenco do PSC está isolado desde a semana passada no hotel-concentração da Curuzu, depois que foi cancelada a minitemporada de treinos em Salinas. Desde ontem, circula uma informação de que a diretoria tende a marcar a fase de preparação para a cidade de Castanhal, que não está sob lockdown.
Por ora, prevalece a estratégia de criar uma “bolha” (como feito na NBA no ano passado) para garantir que os atletas possam pelo menos se exercitar, em grupos reduzidos, dentro da concentração.
O Remo optou por liberar os atletas para que fiquem em casa durante o lockdown, prorrogado até o dia 29 de março. Enquanto a determinação estiver valendo, as atividades esportivas presenciais estão suspensas. Após a vitória sobre o Esportivo em Bento Gonçalves (RS), a delegação desembarcou em Belém na sexta-feira e todos os jogadores foram dispensados para ficar em casa.
A preocupação em preservar o elenco ativo durante o confinamento levou os preparadores físicos a organizarem uma escala de atividades para execução em home office. Tudo monitorado pela comissão técnica.
Como o clube não solicitou liberação especial para treinos, a ordem é cumprir as recomendações do decreto. Interessante é que o nível de consciência dos atletas começa a marchar junto com o bom senso, ao contrário do que se via na primeira onda da pandemia.
O goleiro Tiago Andrade, que entrou contra o Esportivo e pegou até pênalti, defendeu a adoção do lockdown. “Acho que, realmente, tem que parar. Infelizmente pra nós, que estamos em uma sequência, mas entendemos o cenário da pandemia. Vamos tentar fazer o melhor possível cada um, na sua forma física, e esperar o momento certo pra voltar”.
Assim é que se fala. O goleiro Marcão, ex-PSC, hoje no Sergipe, fez um depoimento emocionado durante a semana, reclamando da situação dos atletas de clubes da quarta divisão, mas esqueceu – como, em geral, todos os negacionistas – que a doença não poupa ninguém. A economia é importante, mas a vida vem em primeiro lugar, sempre.
Pandemia faz China deixar de ser eldorado do futebol
O paraíso em que a China se transformou nos últimos quatro anos começa a fazer água, aparentemente encerrando um período de bonança que chegou a ameaçar – em movimentação financeira – os números robustos da Premier League. Em 2017, o futebol chinês bateu a liga inglesa gastando 388 milhões de euros em contratação de atletas ao redor do mundo.
Neste 2021, imerso ainda na pandemia, o volume de investimentos murchou para 53 milhões de euros. Os impactos gerados pelo novo coronavírus foram determinantes para uma freada nos salários nababescos que eram pagos aos reforços vindos do Primeiro Mundo.
A pá de cal foi o fim das atividades do campeão da Superliga, Jiangsu Suning, anunciado depois da divulgação de dívidas estratosféricas contraídas em três anos – 500 milhões de yuans, cerca de R$ 530 milhões. O grupo Suning, que controla o Jiangsu, não tem liquidez para manter a estrutura.
Os outros clubes não têm garantia de permanência no futebol e os jogadores que foram atraídos pelas fortunas pagas no país já começam a arrumar as malas. A rigor, todo eldorado tem seu dia de recuo. O da China apenas durou um pouco menos.
Boleiro brasileiro tem a alienação como conselheira
A pena pela extravagante incursão de Gabigol ao mundo da jogatina de alto padrão pode ficar em 100 salários mínimos. Saiu até barato, mas foi o que o Ministério Público de S. Paulo propôs à Justiça pelo flagra da aglomeração com cerca de 150 pessoas, há duas semanas, num cassino clandestino de luxo na Zona Sul da capital.
O ídolo rubro-negro está sujeito a processo pelo crime previsto no artigo 268 do Código Penal – desrespeitar medida do poder público para evitar a propagação de doença contagiosa.
Como reza a triste tradição do futebol no Brasil, jogadores famosos não mostram qualquer espírito de solidariedade ou preocupação com terceiros. Metem o pé na jaca, ostentam e vivem como se não houvesse amanhã.
Gabigol foi detido quando se escondia debaixo de uma mesa. Um vexame. Marotamente, alegou que não sabia que ali rolava carteado, bingo e roleta. Um ridículo combo de falsa malandragem. Seria mais decente assumir o próprio erro.
(Coluna publicada na edição do Bola desta segunda-feira, 22)