Meu Deus, onde vamos parar?

Por Heraldo Campos, especial para o blog

Quando foi feita essa foto, num evento de recursos hídricos na Argentina, lá pelo ano 2001, ou durante mesmo um pouco depois desse enigmático ano, provavelmente alguém poderia muito bem ter perguntado: meu deus, onde vamos parar? 

Nessa época, parecendo um “cruzado” defendendo o Aquífero Guarani, ainda na época quando se escrevia “aqüífero” com trema, poderia até ser confundido com um dos integrantes perdidos em território argentino do “ZZ Top”, que confesso lembrava pouco desse conjunto de blues texano, muito louco e bom por sinal.]

Mas, lembro muito bem, que chegaram até a perguntar, nesse evento, o porquê da barba daquele tamanho. Seria alguma seita por trás do aquífero? Ou alguma promessa para atravessar sobre suas águas, mesmo que sendo águas subterrâneas? Ou vai lá saber se não foi por pura provocação, como a vinda de um messias aquático?

Expliquei, rapidamente, que um dia a minha superiora na época, no local onde trabalhava, me aconselhou a dar uma aparada na barba porque ao Osama bin Laden tinha sido atribuída, recentemente, a derrubada das Torres Gêmeas em Nova Iorque. Achei aquilo o máximo da intromissão, mesmo porque a barba estava somente meio cheia e o que poderia fazer se me assemelhava, fisicamente, com alguma coisa do famigerado dito cujo. Assim, humildemente, como avaliei que não parecia nada com ele deixei crescer a barba porque quis e passei a ouvir um monte de coisas depois, como consequência, obviamente. 

Um dia, apresentando esse mapa do Aquífero Guarani, em um evento para uma plateia de umas 800 pessoas, num auditório na cidade de Erechim (RS), confesso que precisei me contorcer todo e perguntar para o agitado público se eles estavam ali para malhar e vaiar o cara da barba grande, que nunca tinham visto pela frente, mas que talvez merecesse alguma atenção porque ia falar um pouco sobre um dos maiores aquíferos do mundo, o Aquífero Guarani. 

Olha, não sei até hoje como consegui driblar a situação, não perder a linha e passar a bendita mensagem para a qual tinha feito uma longa viagem de “bondão” atravessando o interior gaúcho. Para completar, antes de começar a falar para esse povo todo, uma das meninas da organização do evento havia me pedido o pen-drive com o Power Point para a tal palestra. Numa fração de segundos, depois de perguntar para ela “mas o que é o pen-drive com o Power Point?”, pedi correndo um retroprojetor para as boas e as velhas transparências, que era o material que tinha em mãos. E foi com o retroprojetor que consegui passar o recado para as “feras” e a façanha acabou num fraterno jantar.

Passados esses quase vinte anos da palestra e dominando “o pen-drive com o Power Point”, mesmo distante já alguns anos de uma sala de aula ou de algo similar, mas numa briga diária na sobrevivência contra um governo genocida, que nega a pandemia do coronavírus, vale de novo a pergunta: meu deus, onde vamos parar?  

Será que vamos parar no cenário do final do filme “Guerra Mundial Z”, de 2013, estrelado pelo Brad Pitt? Sem querer ser um estraga prazer e contar o final do filme, ou dar um “spoiler”, como dizem alguns metidos nos dias de hoje, no seu final, depois de se encontrar uma suposta vacina para combater a raiva do vampirismo instalado pela contaminação de um vírus, o “negócio” é meter uma bomba na cambada de vampiros e se livrar do mal instalado pela doença. E matar todos eles, lógico.

Se isso faz parte de um plano macabro não sei, não tenho bola de cristal, mas que um povo desinformado, doente, desamparado pelo estado, é muito mais fácil de ser dominado, isso é. Ou a política do governo federal contra o coranavírus não faz parte de um plano que caminha nessa direção?

“O otimista é um tolo. O pessimista, um chato. Bom mesmo é ser um realista esperançoso.” (Ariano Suassuna).

*Heraldo Campos é Graduado em geologia (1976) pelo Instituto de Geociências e Ciências Exatas da Universidade Estadual Paulista – UNESP, Mestre em Geologia Geral e de Aplicação (1987) e Doutor em Ciências (1993) pelo Instituto de Geociências da Universidade de São Paulo – USP. Pós-doutor (2000) pelo Departamento de Ingeniería del Terreno y Cartográfica, Universidad Politécnica de Cataluña – UPC e pós-doutorado (2010) pelo Departamento de Hidráulica e Saneamento, Escola de Engenharia de São Carlos, Universidade de São Paulo – USP.

Exibição tática impecável

Londrina x Paysandu

POR GERSON NOGUEIRA

O PSC jogou exatamente como previsto pelo técnico João Brigatti. Atento, intenso e compactado. Arrancou o ponto buscado correndo poucos riscos contra um Londrina mais atrapalhado do que empenhado em atacar. A primeira parte do jogo foi de total controle pelo campeão paraense, que marcou com perfeição e não deu chances ao time da casa. Na segunda etapa, o 0 a 0 permaneceu no placar, mas a sólida proteção defensiva do PSC apresentou falhas não exibidas na parte inicial da partida. Carlos Henrique quase fez o gol londrinense.

De toda sorte, foi uma atuação taticamente quase perfeita. Tinha-se a impressão de que os jogadores reproduziam o que havia sido ensaiado e treinado ao longo da semana. O perigo representado pela bola aérea do Londrina foi neutralizado por forte marcação nos lados do campo.

Tony e Feijão se desdobravam para fechar o lado direito. Diego Matos, impecável, cuidou da esquerda. A utilização dos três zagueiros resolveu dois graves problemas que o PSC tem tido nesta 2ª fase da Série C: a fragilidade à frente da defesa desde que Uchôa se lesionou e a distância entre o meio e os homens de frente.

A primeira questão foi resolvida com louvor. A zaga ficou muito mais protegida, até porque Wesley Matos saía muitas vezes para o primeiro combate aos homens de frente do Londrina. O afrouxamento no meio foi disfarçado pela quantidade de jogadores que Brigatti colocou naquela faixa do campo.

Wellington Reis, que acabou exaurido e com câimbras, foi um atento acompanhante de Adenilson, o meia-armador do Londrina. Dos pés dele saem as principais jogadas da equipe e ontem isso só ocorreu já na segunda etapa, quando teve mais liberdade para jogar. Ainda assim, teve que cair pela esquerda para fugir ao forte bloqueio na zona central.

Na única escapada de Adenilson, saiu o chute mais perigoso do Londrina no primeiro tempo. A bola passou muito perto do poste direito de Paulo Ricardo. O Papão, porém, deu resposta à altura: em disparo longo de PH, o goleiro Daltou espalmou e Vítor Feijão quase mandou para as redes.

Vigiado o tempo todo, Nicolas acabou sacrificado pelo próprio esquema do PSC, permanecendo muito isolado na frente e agindo como o primeiro homem do combate à saída de bola do Londrina. Não teve também nenhum momento livre para tentar o cabeceio.

O segundo tempo mostrou um PSC mais cansado pelo esforço de marcação dos primeiros 45 minutos e, naturalmente, mais relaxado nas linhas de marcação. Apesar disso, o Londrina só criou duas jogadas agudas. Carlos Henrique lançado por Celsinho invadiu e bateu rasteiro para uma grande intervenção de Paulo Ricardo com os pés. No minuto final, Adenilson cobrou falta e botou a bola rente ao travessão. O goleiro voltou a aparecer bem.

Paysandu x Londrina

As substituições não funcionaram positivamente. Marlon, Mateus Anderson e Uilliam Barros não conseguiram manter o ritmo que o time vinha praticando. Willyam foi o mais regular dos que entraram na etapa final, mas foi visível a queda geral de rendimento nos últimos 20 minutos.

Um ponto negativo do bom jogo de ontem foi a atuação tortuosa do árbitro, que distribuiu 8 cartões só no primeiro tempo e interrompeu seguidamente a partida. Ainda deu cartão vermelho para Tony, que já estava no banco.

Com o empate, o PSC manteve intactas as chances de acesso. Juntou-se ao Remo no topo da tabela e segurou o Londrina, que agora terá que fazer um jogo de vida ou morte com o Ypiranga na próxima rodada. (Fotos: Gustavo Oliveira/Londrina)

Dupla Re-Pa mantém amplas possibilidades de acesso

Depois da derrota para o Ypiranga, o Remo terá que cumprir dois jogos sem tropeços, para se classificar sem sobressaltos. O PSC, após empatar em Londrina, também não pode perder nas últimas rodadas. O clássico de domingo volta a ser um divisor de águas, pois o vencedor chega a 10 pontos e garante virtualmente o acesso. Um empate pode ajudar a caminhada de ambos, desde que Londrina e Ypiranga também empatem no outro confronto.

Paulo Bonamigo, cujo time não foi capaz de segurar a vantagem inicial e suportar a pressão imposta pelo desesperado Ypiranga, terá que enfrentar o PSC com a consciência de que a partida pode até garantir o acesso. O mesmo vale para João Brigatti.

O empate do PSC ontem deixa a chave mais embolada, embora a dupla paraense tenha ainda as maiores possibilidades de classificação, visto que assegura o acesso até sem vencer os próximos jogos. Para isso, todos os quatro confrontos das últimas rodadas teriam que terminar empatados.

Estas são apenas algumas das muitas variáveis matemáticas, que irão povoar a cabeça das duas imensas torcidas nos próximos dias. Até a hora do clássico, as contas estarão sendo feitas ao sabor das paixões e aspirações de cada lado.

Pelo que mostrou diante do PSC, o Londrina deixou a impressão de que terá sérios problemas diante do Ypiranga, que venceu o Remo e demonstrou ter mais capacidade de propor o jogo e de chegar ao gol adversário, mesmo fora de casa.

Caso o Ypiranga chegue à segunda vitória, a má notícia é que o embate com o PSC em Erechim será uma partida extremamente difícil. Daí a importância de um grande resultado no clássico, tanto para remistas quanto para bicolores.

Como o jogo entre Londrina e Ypiranga será logo depois do Re-Pa, no domingo à noite, derruba a hipótese de um jogo mais ameno entre os rivais paraenses. O clássico será um dos mais renhidos dos últimos tempos por tudo o que estará em jogo.

Sem torcida presente, a partida vai colocar em xeque a consistência tática das equipes e a qualidade do banco de reservas. Para remistas e bicolores, mesmo que o projeto de subida seja comum, não há mais espaço para colaborações. A partir de agora, mais do que nunca, é cada um por si.

Arcebispo investigado julga denúncias de abuso contra outros padres de Belém

Por Aiuri Rabello, no El País

O arcebispo metropolitano de Belém, dom Alberto Taveira Corrêa, criou no início de 2020 uma comissão subordinada a ele mesmo para investigar denúncias de crimes sexuais contra integrantes da Igreja Católica na região metropolitana da capital paraense. Corrêa atualmente é investigado pelo Ministério Público e pela Polícia Civil após ser alvo de denúncias de assédio e abuso sexual por parte de quatro ex-estudantes do Seminário São Pio X, em Ananindeua, na Grande Belém. Em dezembro o EL PAÍS entrevistou dois denunciantes e revelou detalhes do caso —exposto de maneira velada pelo próprio arcebispo no início daquele mês —, o que motivou 37 entidades civis pedirem o afastamento do arcebispodo cargo até que as investigações sejam concluídas. Neste domingo o programa Fantástico, da Rede Globo, veiculou extensa reportagem onde também traz detalhes sobre o caso. Corrêa nega todas as acusações.

O “Decreto de nomeação do órgão para conhecer e instruir processos eclesiásticos de abuso sexual contra menores e vulneráveis” e o “Regulamento para eventuais denúncias contra abuso sexual de menores e vulneráveis” foram assinados por Corrêa em 19 de março de 2020, quase um ano depois do papa Francisco ter publicado a Carta Apostólica Vos Estis Lux Mundi (Vós sois a luz do mundo, em tradução livre do latim). O documento é uma diretriz que estabelece uma espécie de lei dentro do direito canônico com mecanismos e regras claras para que denúncias ou suspeitas de abuso sexual cometidas por membros da Igreja Católica sejam investigadas internamente, compartilhadas com autoridades civis e punidas. O regramento possui 19 artigos e trata de delitos sexuais praticados por membros do clero, que não têm a opção de não se submeter a ele.

O arcebispo metropolitano de Belém, dom Alberto Taveira Corrêa.

Seguindo as novas regras do direito canônico, o arcebispo metropolitano de Belém criou o mecanismode apuração interna em sua jurisdição. “Pela autoridade que exerço em vista do cargo que ocupo na Igreja como arcebispo, nomeio o Tribunal Arquidiocesano de Belém para conhecer, averiguar, instruir e fazer investigação prévia para Processos Eclesiásticos de eventuais abusos sexuais contra menores e vulneráveis cometidos por clérigos, religiosos, membros de Vida Apostólicas e similares, e por fim, entregar o Relatório à Autoridade competente para o julgamento”, diz o decreto de Corrêa. O tribunal é um órgão da cúria metropolitana, órgão subordinado ao arcebispo.

De acordo com os documentos, mais à frente, a “autoridade competente” para tais assuntos é ele mesmo. “Feita a instrução processual, os autos serão entregues ao arcebispo com o parecer do promotor eclesiástico de Justiça e do instrutor. O arcebispo de Belém julgará e enviará cópia de todo o processo para o Papa em Roma”, diz o documento.

O primeiro artigo do decreto de Corrêa diz que “o abuso sexual contra menores e vulneráveis sempre causa graves danos físicos, psicológicos e espirituais às vítimas, e com maior gravidade ainda se cometidos por Clérigos e Religiosos”. “Por menores entendem-se jovens de até 18 anos completos”, afirma o segundo artigo. No terceiro, o arcebispo faz a definição do que é abuso: “Abuso sexual não é apenas conjunção carnal, mas também outros atos previstos do Código Penal e no Estatuto da Criança e do Adolescente, como toques, carícias nas partes íntimas e semelhantes”.

Nas denúncias de que é alvo, Corrêa é acusado de assediar e abusar sexualmente de jovens de 15 a 20 anos de idade em diversas ocasiões de 2010 a 2014, inclusive em sua residência oficial. Os ataques aconteceriam em espécies de sessões de “cura gay”, onde os jovens eram recebidos reservadamente pelo arcebispo para que este pudesse ajudá-los a livrar-se da homossexualidade. Durante os encontros, segundo os relatos dos denunciantes, Corrêa ficou nu junto com os jovens, tocado seus corpos e promovido sessões de masturbação, entre outros abusos. Em entrevista ao EL PAÍS, um deles afirma que chegou a ser chantageado para aceitar as investidas da autoridade religiosa.

Em nota da assessoria de imprensa, a Arquidiocese de Belém afirma que “que está acompanhando as investigações em curso, com a certeza e a confiança de que, ao final, prevalecerá a verdade”. “Informa ainda que, devido ao sigilo imposto e em respeito às leis, não pode divulgar mais informações (…).” “Por fim, pede à comunidade dos fiéis que continue a rezar pela Igreja, por intercessão da Santíssima Mãe de Deus, a Virgem Maria, para que não desanimemos diante das provações pelas quais estamos passando”, diz o comunicado em outro trecho.

Caminho alternativo

No caso da própria autoridade dentro da Igreja responsável por apurar os casos ser denunciada, como de fato aconteceu em Belém, a ordem papal prevê um caminho alternativo, seguido pelos quatro ex-seminaristas no início do segundo semestre de 2019. O bispo mais antigo da jurisdição eclesiástica deve receber a denúncia e encaminhá-la dentro da Igreja. “Neste momento, Dom Pedro é o bispo mais ancião de nomeação episcopal na Província Eclesiástica de Belém que corresponde ao Regional Norte 2 (Pará e Amapá).

Pelas atuais normas da Igreja Católica (”Vos estis lux mundi” – Art. 8 par. 2) possíveis denúncias que envolvam o arcebispo metropolitano devem ser encaminhadas à Congregação dos Bispos, no Vaticano, pelo bispo mais ancião de nomeação episcopal”, diz nota divulgada nesta segunda-feira (4) pelo bispo de Macapá, dom Pedro José Conti, que recebeu a denúncia dos quatro ex-seminaristas.

“Foi o que Dom Pedro fez, por obrigação canônica e para não ser acusado, posteriormente, de omissão. No entanto, sempre se declarou absolutamente estranho aos fatos, não conhecendo nenhuma das pessoas eventualmente envolvidas nas denúncias, excluso o senhor arcebispo. Coube ao próprio Vaticano enviar um bispo com a missão específica de recolher depoimentos e inquirir os fatos”, explicou.

De acordo com a Rede Globo, no entanto, a missão apostólica do Vaticano para investigar o caso só esteve em Belém mais de um ano depois da Igreja receber a denúncia, em dezembro de 2020, após a reportagem entrar em contato com a Conferência dos Bispos do Brasil (CNBB) e pedir um posicionamento sobre o caso —desde agosto de 2020, as denúncias já eram investigadas pela polícia e pelo MP. À CNN Brasil, a CNBB afirmou em nota que espera que os fatos sejam esclarecidos.

Antes de o EL PAÍS revelar detalhes do caso, diversos integrantes da Igreja Católica manifestaram apoio ao arcebispo de Belém nas redes sociais, após ele mesmo revelar que era investigado (sem no entanto contar o motivo). Figuras como o padre Marcelo Rossi e o padre Fábio de Melo publicaram mensagens de apoio nas redes sociais.

Psicopata de lá pode sofrer processo de impeachment

Dois democratas pediram hoje a abertura de uma investigação criminal contra o presidente Donald Trump após pressão do republicano para que o secretário Estadual da Geórgia, Brad Raffensperger, “encontrasse” votos suficientes para reverter sua derrota nas eleições do estado. As informações são da NBC News.

Em uma carta enviada ao diretor do FBI, Christoper Wray, os democratas Kathleen Rice e Ted Lieu dizem que Trump se envolveu numa conspiração para cometer uma série de crimes eleitorais. “Pedimos que você abra imediatamente uma investigação criminal contra o presidente.”

No domingo, o jornal “Washington Post” revelou que Trump telefonou para o secretário Raffensperger no sábado. Na ligação, o presidente alternadamente implorava e ameaçava Raffensperger com vagas consequências criminais na tentativa de desfazer sua perda para o democrata eleito.

A Geórgia é um dos vários estados decisivos onde Trump perdeu a eleição para o democrata Joe Biden e, desde então, faz alegações infundadas de fraude eleitoral além de tentar anular os resultados. (Do UOL)

Leão vacila e sofre virada

POR GERSON NOGUEIRA

Remo saiu na frente, mas Ypiranga conseguiu e virada

Em ritmo morno e de pouca ousadia, o Remo perdeu de virada para o Ypiranga, ontem à noite, em Erechim (RS). O começo foi inteiramente favorável aos azulinos, que abriram o placar logo aos 4 minutos, com finalização caprichada do volante Lucas Siqueira, que recebeu dentro da área, girou e bateu forte para as redes, quase um voleio. O empate veio ainda no primeiro tempo e a vitória dos gaúchos se consolidou na etapa final aproveitando a queda de rendimento do Leão.

O resultado mantém o Remo na liderança do grupo D, até o jogo desta noite, entre Londrina e PSC. Foi a primeira derrota azulina na fase de grupos. O triunfo faz com que o Ypiranga conserve chances matemáticas de classificar e deixa o grupo mais equilibrado.

A movimentação inicial dos times confirmou a tendência de equilíbrio, mas o gol de Lucas logo na primeira chegada ao ataque deixou o Remo mais à vontade na partida. Aos poucos, porém, o Ypiranga iniciou a tentativa de recuperação usando e abusando do jogo aéreo.

A ausência de Rafael Jansen obrigava o volante Charles a se manter atrás, junto com os zagueiros Mimica e Alemão, enquanto no meio-campo Felipe Gedoz coordenava a transição. Dos pés dele saíram bons lançamentos para Hélio e Tcharlles, mas os atacantes não aproveitaram as seguidas falhas de cobertura da defesa do Ypiranga.

Com a movimentação de Gedoz e as investidas de Hélio, o Remo teve seguidas chances de gol, entre os 10 e os 18 minutos. O Ypiranga mantinha a estratégia de explorar a bola parada. Foi assim que chegou ao empate, aos 33’, em cabeceio de Luís Eduardo após cobrança de escanteio. Charles e Salatiel não conseguiram impedir a finalização.

No segundo tempo, o Ypiranga iniciou melhor, mas o Remo teve nas mãos a chance do segundo gol, aos 13’, quando a zaga bateu cabeça e a bola foi entregue de graça a Salatiel. Sozinho diante de um marcador, ele bateu colocado no canto esquerdo para grande defesa do goleiro Deivity.

Paulo Bonamigo mexeu no meio-campo e no lado esquerdo do ataque, substituindo Gedoz por Eduardo Ramos e Tcharlles por Dioguinho. A modificação tornou o Remo menos agressivo e contribuiu para o crescimento do Ypiranga, que criou uma sequência de jogadas perigosas, com Jean Silva e Caprini.

Aos 29’, em lance rápido dentro da área do Remo, a bola foi passada a Cristiano, que bateu forte pelo alto para virar o placar. Na marcação, estavam Mimica e Alemão, mas o atacante manobrou à vontade.

Depois do gol, Bonamigo fez novas mudanças. Botou Wallace e Augusto, tirando Charles e Hélio. As mudanças não funcionaram porque o time estava engessado no meio e os laterais muito preocupados em marcar o rápido ataque gaúcho.

Marlon subiu poucas vezes, Luz praticamente não foi à frente no segundo período. Ainda assim, em cobrança de escanteio por Eduardo Ramos, a bola passou pela linha defensiva e chegou a Lucas, que finalizou diante do goleiro, quase empatando o jogo.

A malandragem do médico e de jogadores do Ypiranga fizeram o jogo praticamente parar a partir dos 40’. De todo modo, o Remo parecia sem força e inspiração para tentar uma pressão final.

Bonamigo não acertou a mão. O posicionamento da equipe desde o fim do primeiro tempo foi de recuo e espera. Quando ficou em desvantagem resolveu sair um pouco mais, embora sem qualidade.

As substituições não ajudaram. Bem na partida, Gedoz não deveria sair. Assim como Tcharlles, que levava vantagem sobre a marcação. Ramos e Dioguinho não conseguiram render o suficiente para levar o time à frente. O tropeço obriga o time a ganhar 4 pontos nos jogos que restam. (Foto: Samara Miranda/Ascom Remo)

Papão tem que beliscar pelo menos o empate

Com problemas para confirmar o time, dependendo ainda da liberação de Bruno Collaço (lesionado), o técnico João Brigatti mostrou destemor e preocupação com a vitória na última entrevista antes do confronto com o Londrina, hoje à noite, no estádio do Café.

Fiel ao estilo que garantiu ao PSC a arrancada heroica para a classificação, ele garante que o time jogará da mesma maneira como atuou em Belém nos três primeiros compromissos. É uma visão correta, adequada à realidade da competição. A definição de vaga no grupo D dependerá de ousadia e superação.

Para superar o Londrina, o PSC terá que fazer um jogo quase perfeito nos contra-ataques. Na vitória de sábado passado, no Mangueirão, a objetividade dos atacantes permitiu que o time fizesse três gols, mesmo sem realizar uma grande apresentação.

Se Marlon continua em baixa, pouco aparecendo nesta etapa da competição, Vítor Feijão subiu de produção e tem sido um grande articulador de jogadas pelo lado direito, ajudando Nicolas a abrir as linhas de marcação.

Para o meio-campo, onde o titular Uchôa segue fora de combate, Wellington Reis e PH serão os responsáveis pela marcação. Juninho, o meia mais utilizado por Brigatti, será encarregado da transição. E, caso Collaço não possa entrar, Diego Matos será o lateral esquerdo.

O jogo é crucial para os planos bicolores, pois representa um duelo contra concorrente direto pela vaga. Com 4 pontos, o Londrina planeja vencer hoje e passar pelo Ypiranga para somar 10 pontos, o que o deixaria virtualmente classificado.

Portanto, caso arranque um empate, o PSC atrapalha os planos do adversário e se iguala ao Remo na liderança do grupo. Uma vitória deixa os bicolores a um passo do acesso.

A imprensa paranaense destaca a invencibilidade do Londrina jogando no estádio do Café. É o melhor mandante da Série C, com oito vitórias e dois empates. A questão é que, contra o Papão, há a necessidade imperiosa de um triunfo, detalhe que costuma ser fonte de nervosismo e instabilidade. 

(Coluna publicada na edição do Bola desta segunda-feira, 4)

Edmilson tem 50% de mulheres na equipe administrativa

Dentre os 37 titulares de secretarias, coordenações e fundações empossados pelo novo prefeito de Belém, Edmilson Rodrigues (PSOL), neste sábado, 2, 18 são mulheres, o que equivale a quase 50% dos cargos de titularidade das pastas da administração direta e indireta. Tamanha representatividade feminina nas posições de tomada de decisão configura um ineditismo na administração da capital paraense. Elas são reconhecidas pela competência em suas áreas de conhecimento. Esse time de alto nível terá o desafio de pensar e implementar políticas em favor dos belenenses, em especial, dos que mais precisam.

“A minha emoção é ver o maior corpo de funcionários com presença de mulheres, atuando em áreas estratégicas como saneamento, transporte e educação, e em quase todas as áreas, inclusive, mulheres indígenas ou negras”, declarou Edmilson no ato de posse dos novos secretários, secretárias, coordenadores e presidentes de órgãos municipais. “É uma honra para mim estar iniciando o terceiro mandato comandando essa revolução em termos de respeito aos direitos de participação de mulheres”.

QUEM SÃO ELAS

Ana Valéria Borges
A engenheira civil Ana Valéria Borges assume a Superintendência Executiva de Mobilidade Urbana de Belém (Semob). Ela tem mestrado em Engenharia pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). É técnica em Regulação de Serviços Públicos na Agência de Regulação e Controle de Serviços Públicos do Estado do Pará (Arcon-PA), onde também gerenciou grupos técnicos de Transportes e Saneamento.

Bruna Cavalcante
A Fundação Municipal de Assistência ao Estudante (Fmae) tem como nova titular Bruna Cavalcante, que é graduada em Tecnologia de Alimentos pela UEPA, especialista em agricultura familiar e desenvolvimento agroambiental da Amazônia pela UFPA.

Carolina Quemel
Carolina Quemel, graduada em Administração e Gestão Pública, assume como secretária municipal de Esporte, Juventude e Lazer (Sejel). Ela é vice-presidente do Diretório Municipal do PDT, tesoureira do Diretório Estadual do partido e presidente estadual da Ação da Mulher Trabalhista, o movimento de mulheres da legenda.

Christiane Ferreira da Silva
A delegada da Polícia Civil do Pará, Christiane Ferreira da Silva, assume a direção da Defesa Civil. Ela é graduada em Direito pela UFPA e tem especializações em Gestão Estratégica em Defesa Social e em Processual Penal e Direito Penal. Foi delegada geral adjunta, diretora do Atendimento a Grupos Vulneráveis e da Divisão de Atendimento ao Adolescente (Data) e vice-presidente do Programa de Proteção à Criança e Adolescente Ameaçada de Morte.

Edna Maria Sodré D’Araújo
A consultora jurídica do Município de Belém, advogada e historiadora Edna Maria Sodré D’Araújo, assumiu a presidência do Instituto de Previdência dos Servidores do Município (IPMB). Ela é servidora de carreira há 16 anos, com especializações em Direito Previdenciário, Direito Administrativo e Administração Pública.

Ellana Silva
Ellana Silva, cientista social formada pela UFPA e pós-graduada em Sociologia pela UEPA, é a nova administradora regional de Icoaraci (ADIC). Ela é conselheira estadual de Educação, ex-conselheira do Fundeb, foi gestora do projeto de leitura e bibliotecas comunitárias da Imprensa Oficial do Estado (IOEPA) e pesquisadora.

Georgina Tolosa Galvão
A economista Georgina Tolosa Galvão é a coordenadora-geral do Fundo Ver-O-Sol. Pós-graduada em Desenvolvimento de Áreas Amazônicas e em Planejamento do Desenvolvimento, pela UFPA. Ela é servidora efetiva da Secretaria Estadual de Emprego e Renda do Estado do Pará e foi secretária municipal de Finanças e presidente da Funpapa.

Inês Silveira
Especialista em Organização de Eventos, Inês Silveira assumiu a Chefia do Cerimonial do Gabinete do Prefeito Edmilson Rodrigues. Ela foi chefe do Cerimonial nas primeiras gestões dele e também presidiu a Belemtur. É formada em Turismo pela UFPA, com especializações em Organização de Evento, Ecoturismo e Turismo para o Mercosul.

Ivanise Gasparim
Ivanise Gasparim, graduada em Direito e Psicanálise, é a secretária municipal de Saneamento (Sesan). Ela foi vereadora, secretária estadual de Trabalho, Emprego e Renda, secretária municipal de Economia e coordenadora do projeto de combate à pobreza rural do Instituto Interamericano de Combate à Pobreza, em Brasília.

Jane Patrícia Gama
Servidora de carreira da Secretaria Municipal de Saneamento (Sesan), Jane Patrícia Gama assumiu a Coordenadoria de Diversidade Sexual (CDS). É graduada em Línguas Portuguesa e Espanhola com especialização em Políticas Públicas de Igualdade Racial pela UFPA. É ativista dos movimentos negro, afro-religioso e LGBTQI+, membro do coletivo Sapato Preto e Yalorixá de Nanã, filha de Mãe Matilde de Oxalá.

Jurandir Santos de Novaes
A economista Jurandir Santos de Novaes é a secretária municipal de Administração (Semad). É professora do Curso de Ciências Econômicas da Universidade Federal do Pará (UFPA) e Doutora em Geografia Humana pela Universidade de São Paulo (USP). Foi secretária municipal de Planejamento nas gestões anteriores de Edmilson.

Káritas Lorena de Souza Rodrigues
A procuradora do município Káritas Lorena de Souza Rodrigues, servidora de carreira desde o ano de 2006, assume como secretária municipal de Finanças (Sefin). É advogada com especialização em Direito Tributário e ex- subprocuradora-chefe da Procuradoria Fiscal do Município de Belém.

Keyla Negrão
Doutora em Ciências da Comunicação pela Unisinos, a jornalista Keyla Negrão assume a Coordenação de Comunicação Social (Comus). Ela tem mestrado em Comunicação e Cultura Contemporâneas pela Universidade Federal da Bahia. É professora, pesquisadora e colaboradora do Coletivo Negritar de Comunicação. Foi diretora do Núcleo de Comunicação Popular e Comunitária da Secretaria de Estado de Comunicação (Secom). 

Lívia Noronha
Lívia Noronha é bacharela e mestra em Filosofia pela UFPA, foi professora substituta do curso de Filosofia da UEPA e professora colaboradora do curso de Educação do Campo da UFPA. Ela assumiu a Coordenadoria da Mulher de Belém (Combel). É educadora popular, pesquisadora e feminista negra.

Márcia Kambeba
Márcia Kambeba assume como ouvidora geral do Município, sendo a primeira indígena a fazer parte do primeiro escalão da Prefeitura de Belém. Ela é mestre em Geografia, professora convidada da Universidade do Estado do Pará (UEPA), ativista, compositora, poeta, fotógrafa, atriz, palestrante e autora de três livros.

Márcia Mariana Bittencourt Brito
A professora Márcia Mariana Bittencourt Brito é a nova secretária municipal de Educação (Semec). Graduada em Pedagogia, é professora da Faculdade de Artes Visuais da UFPA, mestre em Educação pela UFPA, especialista em Educação Superior e Doutora em Educação pela Universidade de Brasília (UnB).

Merilene Silva Costa
A Doutora em Ciências Agrárias em Agrobiodiversidade, Merilene Silva Costa, é a assumiu a Coordenação das Políticas de Segurança Alimentar e Nutricional (Copsan). Tem graduação em Engenharia Florestal e mestrado em Ciências Florestais e é professora da Universidade Federal Rural da Amazônia (UFRA).

Vanessa Egla do Nascimento
A advogada Vanessa Egla Rocha do Nascimento assume a administração distrital de Mosqueiro (Admo). Ela é mestranda em Segurança Pública pela UFPA e servidora pública concursada da Companhia de Saneamento do Pará (Cosanpa).

(Com informações de Enize Vidigal; foto: Mácio Ferreira)