Brasil é o 2º país em número de mortes de jornalistas pela covid-19

Por Adriana do Amaral

São Paulo – Os dados foram apresentados pelo PEC -Press Emblem Campaign-, nessa terça-feira (5), em Genebra, na Suíça. O jornalismo, uma das atividades consideradas essenciais pelo governo brasileiro desde que a #pandemia foi anunciada, tornou-se uma profissão de risco para aqueles profissionais que têm de se manter em campo, impossibilitados de realizar as suas funções remotamente. No decorrer de dezembro de 2020 a #covid-19 causou a morte de 12 jornalistas no Brasil.

O secretário-geral da PEC, Blaise Lempen, destacou que muitas dentre as vítimas são profissionais autônomos, especialmente os fotógrafos. O que aumenta o drama humanitário. Ou seja, característica de alguns perfis profissionais, mas que soma à precarização do trabalho no jornalismo que, muitas vezes, impactam na economia das famílias que perdem suas fontes de renda.

No mundo, 602 profissionais da imprensa morreram em consequência da #covid-19, sendo mais da metade, 303, na América Latina. Cinquenta e cinco das vítimas são brasileiros. Os números referem-se aos primeiros dez meses de #pandemia, mas a tendência é aumentar já que o estudo pontuou que “desde março de 2020 foram registradas 60 mortes de jornalistas por mês. Ou seja, duas por dia”.

Em sua página, o Press Emblem Campaign, mostra os perfis de alguns jornalistas mortos pela #covid-19 (link abaixo). Inclusive as mais recentes vítimas brasileiras: Guilherme Villalba Zurutuza Filho, em Campo Grande, e Gustavo Roman, nos Estados Unidos. Ambos morreram no penúltimo dia de 2020.

Confira a relação de mortes por país:

Peru: 93
Brasil: 55
India: 53
México: 45
Equador: 42
Bangladesh: 41
Italy: 37
Estados Unidos: 31
Paquistão: 22
Turquia: 17
Rússia: 13

Leia os detalhes da pesquisa em:

https://pressemblem.ch/

Meu Deus, onde vamos parar?

Por Heraldo Campos, especial para o blog

Quando foi feita essa foto, num evento de recursos hídricos na Argentina, lá pelo ano 2001, ou durante mesmo um pouco depois desse enigmático ano, provavelmente alguém poderia muito bem ter perguntado: meu deus, onde vamos parar? 

Nessa época, parecendo um “cruzado” defendendo o Aquífero Guarani, ainda na época quando se escrevia “aqüífero” com trema, poderia até ser confundido com um dos integrantes perdidos em território argentino do “ZZ Top”, que confesso lembrava pouco desse conjunto de blues texano, muito louco e bom por sinal.]

Mas, lembro muito bem, que chegaram até a perguntar, nesse evento, o porquê da barba daquele tamanho. Seria alguma seita por trás do aquífero? Ou alguma promessa para atravessar sobre suas águas, mesmo que sendo águas subterrâneas? Ou vai lá saber se não foi por pura provocação, como a vinda de um messias aquático?

Expliquei, rapidamente, que um dia a minha superiora na época, no local onde trabalhava, me aconselhou a dar uma aparada na barba porque ao Osama bin Laden tinha sido atribuída, recentemente, a derrubada das Torres Gêmeas em Nova Iorque. Achei aquilo o máximo da intromissão, mesmo porque a barba estava somente meio cheia e o que poderia fazer se me assemelhava, fisicamente, com alguma coisa do famigerado dito cujo. Assim, humildemente, como avaliei que não parecia nada com ele deixei crescer a barba porque quis e passei a ouvir um monte de coisas depois, como consequência, obviamente. 

Um dia, apresentando esse mapa do Aquífero Guarani, em um evento para uma plateia de umas 800 pessoas, num auditório na cidade de Erechim (RS), confesso que precisei me contorcer todo e perguntar para o agitado público se eles estavam ali para malhar e vaiar o cara da barba grande, que nunca tinham visto pela frente, mas que talvez merecesse alguma atenção porque ia falar um pouco sobre um dos maiores aquíferos do mundo, o Aquífero Guarani. 

Olha, não sei até hoje como consegui driblar a situação, não perder a linha e passar a bendita mensagem para a qual tinha feito uma longa viagem de “bondão” atravessando o interior gaúcho. Para completar, antes de começar a falar para esse povo todo, uma das meninas da organização do evento havia me pedido o pen-drive com o Power Point para a tal palestra. Numa fração de segundos, depois de perguntar para ela “mas o que é o pen-drive com o Power Point?”, pedi correndo um retroprojetor para as boas e as velhas transparências, que era o material que tinha em mãos. E foi com o retroprojetor que consegui passar o recado para as “feras” e a façanha acabou num fraterno jantar.

Passados esses quase vinte anos da palestra e dominando “o pen-drive com o Power Point”, mesmo distante já alguns anos de uma sala de aula ou de algo similar, mas numa briga diária na sobrevivência contra um governo genocida, que nega a pandemia do coronavírus, vale de novo a pergunta: meu deus, onde vamos parar?  

Será que vamos parar no cenário do final do filme “Guerra Mundial Z”, de 2013, estrelado pelo Brad Pitt? Sem querer ser um estraga prazer e contar o final do filme, ou dar um “spoiler”, como dizem alguns metidos nos dias de hoje, no seu final, depois de se encontrar uma suposta vacina para combater a raiva do vampirismo instalado pela contaminação de um vírus, o “negócio” é meter uma bomba na cambada de vampiros e se livrar do mal instalado pela doença. E matar todos eles, lógico.

Se isso faz parte de um plano macabro não sei, não tenho bola de cristal, mas que um povo desinformado, doente, desamparado pelo estado, é muito mais fácil de ser dominado, isso é. Ou a política do governo federal contra o coranavírus não faz parte de um plano que caminha nessa direção?

“O otimista é um tolo. O pessimista, um chato. Bom mesmo é ser um realista esperançoso.” (Ariano Suassuna).

*Heraldo Campos é Graduado em geologia (1976) pelo Instituto de Geociências e Ciências Exatas da Universidade Estadual Paulista – UNESP, Mestre em Geologia Geral e de Aplicação (1987) e Doutor em Ciências (1993) pelo Instituto de Geociências da Universidade de São Paulo – USP. Pós-doutor (2000) pelo Departamento de Ingeniería del Terreno y Cartográfica, Universidad Politécnica de Cataluña – UPC e pós-doutorado (2010) pelo Departamento de Hidráulica e Saneamento, Escola de Engenharia de São Carlos, Universidade de São Paulo – USP.

Exibição tática impecável

Londrina x Paysandu

POR GERSON NOGUEIRA

O PSC jogou exatamente como previsto pelo técnico João Brigatti. Atento, intenso e compactado. Arrancou o ponto buscado correndo poucos riscos contra um Londrina mais atrapalhado do que empenhado em atacar. A primeira parte do jogo foi de total controle pelo campeão paraense, que marcou com perfeição e não deu chances ao time da casa. Na segunda etapa, o 0 a 0 permaneceu no placar, mas a sólida proteção defensiva do PSC apresentou falhas não exibidas na parte inicial da partida. Carlos Henrique quase fez o gol londrinense.

De toda sorte, foi uma atuação taticamente quase perfeita. Tinha-se a impressão de que os jogadores reproduziam o que havia sido ensaiado e treinado ao longo da semana. O perigo representado pela bola aérea do Londrina foi neutralizado por forte marcação nos lados do campo.

Tony e Feijão se desdobravam para fechar o lado direito. Diego Matos, impecável, cuidou da esquerda. A utilização dos três zagueiros resolveu dois graves problemas que o PSC tem tido nesta 2ª fase da Série C: a fragilidade à frente da defesa desde que Uchôa se lesionou e a distância entre o meio e os homens de frente.

A primeira questão foi resolvida com louvor. A zaga ficou muito mais protegida, até porque Wesley Matos saía muitas vezes para o primeiro combate aos homens de frente do Londrina. O afrouxamento no meio foi disfarçado pela quantidade de jogadores que Brigatti colocou naquela faixa do campo.

Wellington Reis, que acabou exaurido e com câimbras, foi um atento acompanhante de Adenilson, o meia-armador do Londrina. Dos pés dele saem as principais jogadas da equipe e ontem isso só ocorreu já na segunda etapa, quando teve mais liberdade para jogar. Ainda assim, teve que cair pela esquerda para fugir ao forte bloqueio na zona central.

Na única escapada de Adenilson, saiu o chute mais perigoso do Londrina no primeiro tempo. A bola passou muito perto do poste direito de Paulo Ricardo. O Papão, porém, deu resposta à altura: em disparo longo de PH, o goleiro Daltou espalmou e Vítor Feijão quase mandou para as redes.

Vigiado o tempo todo, Nicolas acabou sacrificado pelo próprio esquema do PSC, permanecendo muito isolado na frente e agindo como o primeiro homem do combate à saída de bola do Londrina. Não teve também nenhum momento livre para tentar o cabeceio.

O segundo tempo mostrou um PSC mais cansado pelo esforço de marcação dos primeiros 45 minutos e, naturalmente, mais relaxado nas linhas de marcação. Apesar disso, o Londrina só criou duas jogadas agudas. Carlos Henrique lançado por Celsinho invadiu e bateu rasteiro para uma grande intervenção de Paulo Ricardo com os pés. No minuto final, Adenilson cobrou falta e botou a bola rente ao travessão. O goleiro voltou a aparecer bem.

Paysandu x Londrina

As substituições não funcionaram positivamente. Marlon, Mateus Anderson e Uilliam Barros não conseguiram manter o ritmo que o time vinha praticando. Willyam foi o mais regular dos que entraram na etapa final, mas foi visível a queda geral de rendimento nos últimos 20 minutos.

Um ponto negativo do bom jogo de ontem foi a atuação tortuosa do árbitro, que distribuiu 8 cartões só no primeiro tempo e interrompeu seguidamente a partida. Ainda deu cartão vermelho para Tony, que já estava no banco.

Com o empate, o PSC manteve intactas as chances de acesso. Juntou-se ao Remo no topo da tabela e segurou o Londrina, que agora terá que fazer um jogo de vida ou morte com o Ypiranga na próxima rodada. (Fotos: Gustavo Oliveira/Londrina)

Dupla Re-Pa mantém amplas possibilidades de acesso

Depois da derrota para o Ypiranga, o Remo terá que cumprir dois jogos sem tropeços, para se classificar sem sobressaltos. O PSC, após empatar em Londrina, também não pode perder nas últimas rodadas. O clássico de domingo volta a ser um divisor de águas, pois o vencedor chega a 10 pontos e garante virtualmente o acesso. Um empate pode ajudar a caminhada de ambos, desde que Londrina e Ypiranga também empatem no outro confronto.

Paulo Bonamigo, cujo time não foi capaz de segurar a vantagem inicial e suportar a pressão imposta pelo desesperado Ypiranga, terá que enfrentar o PSC com a consciência de que a partida pode até garantir o acesso. O mesmo vale para João Brigatti.

O empate do PSC ontem deixa a chave mais embolada, embora a dupla paraense tenha ainda as maiores possibilidades de classificação, visto que assegura o acesso até sem vencer os próximos jogos. Para isso, todos os quatro confrontos das últimas rodadas teriam que terminar empatados.

Estas são apenas algumas das muitas variáveis matemáticas, que irão povoar a cabeça das duas imensas torcidas nos próximos dias. Até a hora do clássico, as contas estarão sendo feitas ao sabor das paixões e aspirações de cada lado.

Pelo que mostrou diante do PSC, o Londrina deixou a impressão de que terá sérios problemas diante do Ypiranga, que venceu o Remo e demonstrou ter mais capacidade de propor o jogo e de chegar ao gol adversário, mesmo fora de casa.

Caso o Ypiranga chegue à segunda vitória, a má notícia é que o embate com o PSC em Erechim será uma partida extremamente difícil. Daí a importância de um grande resultado no clássico, tanto para remistas quanto para bicolores.

Como o jogo entre Londrina e Ypiranga será logo depois do Re-Pa, no domingo à noite, derruba a hipótese de um jogo mais ameno entre os rivais paraenses. O clássico será um dos mais renhidos dos últimos tempos por tudo o que estará em jogo.

Sem torcida presente, a partida vai colocar em xeque a consistência tática das equipes e a qualidade do banco de reservas. Para remistas e bicolores, mesmo que o projeto de subida seja comum, não há mais espaço para colaborações. A partir de agora, mais do que nunca, é cada um por si.