Carlos Kila deixa o Remo, que já procura outro executivo

O Clube do Remo vai iniciar o projeto 2021 desfalcado de uma das principais peças na campanha do acesso para a Série B do Campeonato Brasileiro: o executivo de futebol, Carlos Kila está de saída do Leão Azul. O dirigente veio para o Leão no fim de 2019 e ajudou a montar o elenco para a temporada 2020.

Com bons trabalhos no futebol nordestino, Kila se encaixou perfeitamente na estrutura do Remo e executou um trabalho muito elogiado por todos no clube.

Kila deixará o Baenão logo após a Série C para se dedicar à família. Problemas de ordem pessoal influíram na decisão, que foi comunicada à diretoria do clube ainda durante a segunda fase da competição. O Remo está à procura de um novo executivo para o futebol.

Leão recupera atletas para a estreia na Copa Verde

Artilheiro azulino Salatiel está à disposição para a estreia na Copa Verde — Foto: Sandro Galtran/Remo

O elenco do Remo realizou, na manhã desta terça-feira, no Baenão, o último treinamento para o jogo contra o Gama, nesta quarta-feira (27), pela estreia na Copa Verde 2020. A grande novidade foi a presença de cinco jogadores recuperados de Covid-19 e que estão à disposição para a partida no torneio regional. O zagueiro Mimica, o volante Gelson, o meia Carlos Alberto e os atacantes Salatiel e Augusto estão liberados pelo departamento médico. Eles já estavam treinando em separado e hoje se juntaram ao restante do elenco.

A movimentação foi comandada pelo auxiliar técnico Netão, mas ele ainda não ficará à beira do gramado durante o jogo. Assim, o preparador físico Renan Capra e o preparador de goleiros Juninho estarão à frente da equipe contra o Gama. Segundo informou o médico Jean Klay, voltam a treinar na quinta-feira e estão garantidos para enfrentar o Vila Nova o zagueiro Rafael Jansen, o lateral-esquerdo Ronald, o volante Charles e o meia Dioguinho.

O técnico Paulo Bonamigo e o lateral-esquerdo Marlon serão reavaliados, mas é provável que sejam liberados para o jogo final da Série C. Já o zagueiro Warley e o auxiliar Edson Gonzaga ainda ficarão mais um período em recuperação.

A provável escalação para o jogo contra o Gama será: Vinícius; Ricardo Luz, Alemão (Mimica), Fredson e Lailson; Lucas Siqueira, Júlio Rusch (Kevem) e Felipe Gedoz (Eduardo Ramos); Augusto, Salatiel e Tcharlles.

Quadro geral dos jogadores que se recuperam da covid-19:

Podem jogar contra o Gama (quarta-feira) – Mimica, Gelson, Carlos Alberto, Salatiel e Augusto.
Podem jogar contra o Vila Nova (sábado) – Mimica, Gelson, Carlos Alberto, Salatiel, Augusto, Rafael Jansen, Ronald, Charles, Dioguinho.
Dúvidas para o jogo diante do Vila: Paulo Bonamigo (técnico) e Marlon.
Fora do jogo do final de semana: Warley e Edson Gonzaga (auxiliar).

Amor sem limites, Estrela que não se apaga

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UM DOS GRANDES AMORES DE MINHA VIDA ESTÁ SOFRENDO.
APANHA DE TODO MUNDO, EMPATA E NÃO CONSEGUE MAIS REAGIR.
ESSE AMOR TEM PASSADO E TALVEZ FUTURO, SÓ NÃO TEM PRESENTE…
SEM PROBLEMAS, EU AMO ESSE GRANDE AMOR MESMO ASSIM.
ESSE AMOR TEM NOME: BOTAFOGO FUTEBOL E REGATAS.
ELE DISPUTA CAMPEONATOS, TORNEIOS, TAÇAS E PERDE.
VIVE ENTRE OS ÚLTIMOS COLOCADOS E TALVEZ CAIA PARA SEGUNDA DIVISÃO.
NÃO TEM PROBLEMA, EU AMO ESSE AMOR MESMO ASSIM.
ESTÁ MAL NA DIREITA, NO CENTRO, NA ESQUERDA. NA DEFESA E NO ATAQUE.
AO BOTAFOGO FALTA TUDO, NÃO TEM PROBLEMA.
PARA MIM, SÓ NÃO PODE FALTAR…O BOTAFOGO.

Stepan Nercessian

Boca Livre celebrou a amizade até sucumbir à onda bolsonarista

Grupo Boca Livre chega ao fim                              - Leonardo Aversa / Divulgação

Por Matheus Pichonelli

Três dos quatro integrantes do Boca Livre anunciaram a saída do grupo por divergências ideológicas com o cantor e instrumentista Maurício Maestro, um dos muitos brasileiros atravessados pelo bolsonarismo. O limite, segundo o músico David Tygel, o último a apagar a luz, foi a postura antivacina do agora ex-companheiro, que se converteu em fã de Allan dos Santos e Olavo de Carvalho, tornando o convívio entre eles inviável. Antes, Lourenço Baeta e Zé Renato já haviam desistido do colega e do projeto de mais de 40 anos. A notícia é um baque para quem acompanha a trajetória de um grupo que cantou a amizade até em nome de disco.

Daqui em diante, vai ser difícil ouvir uma cantiga e sair por essa vida aventureira sem se perguntar como deixamos as instituições apodrecerem por dentro — inclusive as musicais. Interpretações de músicas que resgatam a inquietude e um certo espírito idílico da juventude, como “Toada”, “Canção da América”, “Panis et Circenses”, “Cruzada”, ou mesmo as infantis “O Vento” e “A Casa”, parecem agora tomadas pela ferrugem do ressentimento e da sensação de que não, não estamos nem perto de deixar as desavenças de lado para chegar a um consenso. Nem tem mais criança para segurar a mão do adulto toda vez que ele balança.

Essa sensação virou a marca do Brasil dos anos recentes, um Brasil dividido, silenciado, pouco generoso e órfão das melhores trilhas sonoras. Por ironia, a única interpretação do grupo que parece fazer sentido agora é a de “Rio das Pedras”. “É impossível conciliar a arte e a vida num momento em que você está defendendo uma posição que não é nem uma questão de política, é uma discussão de genocídio”, disse Tygel. A declaração traz embutido um dos muitos nós górdios dos tempos atuais: o que se passa na cabeça de um artista a ponto de se identificar com quem mais despreza a essência do seu trabalho?

O bolsonarismo, afinal, é o atestado de óbito da sensibilidade humana. Só quem já está morto por dentro pode normalizar alguém que lamenta o surgimento de uma vacina e diz “e daí” ou “todos vamos morrer um dia” no meio de uma pandemia. As sentenças são uma pá de cal e cimento a tudo o que a humanidade foi capaz de produzir para não ser destruído pela própria miséria. Das sinfonias ao teto da Capela Sistina.

Como um vírus, o bolsonarismo não produz estragos apenas entre seus apoiadores fanáticos. Faz estragos também entre os que se engajam em rebater a profusão de bobagens produzidas pelo capitão.

Ninguém é capaz de escrever um novo “Guerra e Paz” com o nariz enfiado no celular explicando que, por Deus, soltar o intestino a cada dois dias não vai causar impacto no meio ambiente, que não dá para salvar soldado ferido na guerra com uma transfusão de água de coco, que a solução para o Brasil não é matar 30 mil, que vermífugo não serve para “tratamento precoce”, que uma doença que já matou 210 mil pessoas não diferencia quem enfrentou a pandemia como homem ou como bundão, que vacina não transforma ninguém em jacaré e que o selo de “imbrochável” não será suspenso por tomar cuidado, usar máscara e respeitar o distanciamento social.

Por tudo isso, a debandada dos integrantes do Boca Livre é compreensível. A vida é o que nos acontece enquanto estamos ocupados rebatendo os negacionistas. Se Beethoven estivesse vivo na virada dos anos 2010 para 2020, a Nona Sinfonia seria hoje apenas uma inspiração abortada pela vontade de bater a cabeça na parede toda vez que alguém abre a boca para falar sobre ideologia de gênero e globalismo.

A incompatibilidade entre pensar, sentir e se expressar ou repetir a ladainha da destruição bolsonarista parece tão clara que chega a ser tentador imaginar que a classe artística é a última espécie imunizada ao bolsonarismo e vice-versa. Isso porque um autômato incapaz de sentir chegou à Presidência sem que ninguém saiba o que o emociona ou o faz sentir frio na barriga além dos versos de seu livro de cabeceira em que um torturador confesso explica que matou foi pouco.

Um artista convertido ao bolsonarismo é sempre uma contradição em termos. Maurício Maestro é um deles, mas não está só. Alguns, como Raimundo Fagner, conseguiriam despertar a tempo, mas será sempre um desafio entender como alguém que só queria ter do mato um gosto de framboesa não percebeu que o candidato da arminha com a mão não pensaria duas vezes em metralhar, passar o trator, a boiada e os grileiros sobre os canteiros celebrados em uma de suas mais belas músicas.

Antes de fazer cosplay de ideólogo nazista, o ex-secretário da Cultura Roberto Alvim era um dramaturgo respeitado e sua sucessora, Regina Duarte, ainda era lembrada como a namoradinha do Brasil até demonstrar o quanto (não) sentia pelos mortos pela covid-19 e pela ditadura, que levou ao cárcere tantos colegas.

Nos sacos de esqueletos que ela e tantos outros se negam a assumir e carregar, cabe também nossa falência simbólica. O fim do Boca Livre, após 40 anos de sucessos e amizade, é mais uma baixa a debitar na conta de um projeto político ancorado na destruição.

Com Gerson, Joubert e Carlinhos, Flamengo vencia torneio há 60 anos no Uruguai

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Há exatos 60 anos, o Flamengo vencia o Cerro uruguaio (2×0) no Estádio Centenário de Montevidéu e levava o prestigioso Torneio Octogonal de Verão. Corinthians, São Paulo, Vasco, Boca Juniors, River Plate e Nacional (Uruguai) também disputaram a competição.

O torneio serviu de afirmação para jovens valores rubro-negros como Carlinhos, Gerson e o ponta Germano. Os novatos se incorporavam à experiente base formada por nomes como Joubert Meira, Henrique, Moacir, Dida e os já veteranos Jadir e Jordan.

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Mas entre os obstáculos enfrentados no caminho para a conquista estiveram os muitos desfalques por lesões e suspensões, a péssima arbitragem fora do país e ainda a recusa de argentinos e uruguaios a jogarem no Brasil. O Fla só pegaria Vasco e São Paulo no Maracanã.

Nos sete jogos, o Flamengo venceu cinco e perdeu dois. Na última rodada, a equipe não teria Dida, expulso de maneira absurda no jogo anterior contra o Nacional. Mas Gerson o substituiu com a 10 e foi decisivo, fazendo os dois gols da vitória e do título. (Do Flamengo Alternativo, no Twitter)

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