A mãe de todas as batalhas

POR GERSON NOGUEIRA

Remo e Paysandu voltam a se encontrar no domingo — Foto: Jorge Luiz/Paysandu

As campanhas são expressivas. A dupla Re-Pa chega ao confronto decisivo deste domingo com números muito parecidos, que justificam e amparam as chances de acesso. Ambos tiveram momentos de queda ao longo da disputa, mas conseguiram se reequilibrar a tempo, trocando de comando e reforçando elencos.

O Remo, líder do grupo D da Série C com 7 pontos, chegou até aqui com 38 pontos, 10 vitórias, quatro derrotas e oito empates em 22 partidas. Tem, segundo o site da Universidade Federal de Minas Gerais, tem 82,7% de chances de conquistar o acesso à Série B.

O PSC, vice-líder do grupo, também com 7 pontos, acumula 36 pontos, 10 vitórias, seis empates e seis derrotas em 22 jogos. Segundo as projeções da UFMG, tem 68% de possibilidades de acesso.

Os dois rivais alcançaram a condição privilegiada de chegar ao penúltimo jogo da segunda fase com amplas perspectivas de sucesso, como há muito tempo não se via. O Remo, em particular, cumpre sua melhor trajetória na Série C, onde está desde 2016.

As trocas de técnicos acabaram fazendo bem aos dois times. O Remo começou com Mazola Junior e foi tropeçando na fase de classificação em função do esquema excessivamente cauteloso. Paulo Bonamigo assumiu, tratou de abolir as duas linhas de marcação e ativou as laterais. Conseguiu ajustar a equipe e as vitórias voltaram.

No PSC, o começo com Hélio dos Anjos foi frustrante. O time tropeçava nas próprias pernas, veio a primeira troca. Assumiu Mateus Costa, por quatro jogos, sendo dispensado logo em seguida, sem deixar herança ou saudade. Aí, a diretoria se despiu de vaidades e contratou João Brigatti, que havia saído em litígio. A mudança salvou a campanha.

Com uma série de jogos invictos, incluindo quatro vitórias seguidas, o PSC de Brigatti conquistou a classificação, que chegou a estar ameaçada depois da saída de Hélio. O elenco ganhou dois reforços, Vítor Feijão e Marlon, mas as mudanças foram orgânicas. Ao contrário da fase inicial, o time passou a ter intensidade, capacidade reativa e transpiração.

No Leão, a transformação foi obtida na base da conversa. Bonamigo é um técnico de diálogo, voz mansa e conceitos bem definidos. Acredita na qualidade dos jovens e aposta no talento. Com ele, Hélio e Wallace passaram a ser jogadores prioritários.

Paulo Ricardo foi a grande aposta de Brigatti, embora já tivesse sido utilizado antes de sua chegada. Virou titular absoluto, adquiriu segurança e passou a transmitir segurança a todo o sistema defensivo.

A partida de hoje, como ocorre sempre em dia de choque-rei, vai parar o Estado. Como o torcedor não pode ser testemunha ocular dos fatos, impedido pelas imperiosas cautelas quanto à covid-19, irá se antenar na transmissão da Rádio Clube, como ocorre desde os primórdios.

É pouco provável, porém, que tenhamos um clássico mercurial, disputado com avidez ofensiva. Creio em confronto de estudos, com prevalência da tática sobre a tempestade de esforços em busca do gol.

A questão é simples. O Remo do goleiro-vereador Vinícius sabe que tem um último jogo em casa, contra o Londrina, que pode lhe assegurar o acesso. Não é inteligente se expor demasiadamente se o empate pode ser bom.

Com a possibilidade concreta de obter o acesso com uma vitória, o Papão tem todos os motivos possíveis para se lançar ao ataque. Mas, pelo estilo de Brigatti, é improvável que faça isso sem adotar as cautelas devidas.

Reafirmo aqui a convicção de que os dois velhos adversários, gêmeos em paraensismo, estarão na Série B 2021, independentemente do resultado deste clássico histórico. Mas a magia e o clima em torno do jogo justificam a reutilização de um título de coluna usado há uma década. (Foto: Jorge Luiz/Ascom PSC)

Bola na Torre

O programa tem apresentação de Guilherme Guerreiro e vai começar depois do jogo da NBA, na RBATV, por volta de meia-noite. Participação de Valmir Rodrigues e deste escriba de Baião. Em debate, lances e gols do Re-Pa decisivo. A direção é de Toninho Costa.

Choques de cabeça abrem espaço para a 6ª substituição

A coluna vem abordando há tempos os problemas decorrentes de choques de cabeça em jogos e treinos de futebol. O problema alcança níveis cada vez mais sérios e está levando a Fifa a promover uma experiência, no próximo Mundial de Clubes. Será testada a substituição extra (a sexta) quando constatado um quadro de concussão ou mesmo de risco de uma lesão mais séria na cabeça.

Um comunicado da entidade, divulgado ontem, que será feita uma avaliação médica ainda no gramado após trauma. Se confirmada a possibilidade de concussão ou risco, o time será autorizado a fazer uma substituição extra, além das cinco já permitidas.

Fontes da Fifa revelam que a mudança vinha sendo estudada desde dezembro passado pelo International Football Association Board (Ifab), responsável pela formulação de regras do esporte. Foi o Board que implementou as cinco substituições (em três janelas, com exceção do intervalo), em função da longa paralisação que os times tiveram durante a quarentena da pandemia.

Quase todos os times classificados para o Mundial de Clubes já estão definidos, faltando somente o da América do Sul.

É importante observar que a experiência posta em prática em uma competição da Fifa geralmente leva à efetivação da regra. Por isso, é bem provável que a novidade seja adotada ainda nesta temporada.

(Coluna publicada na edição do Bola deste domingo, 10)