Leão vacila e sofre virada

POR GERSON NOGUEIRA

Remo saiu na frente, mas Ypiranga conseguiu e virada

Em ritmo morno e de pouca ousadia, o Remo perdeu de virada para o Ypiranga, ontem à noite, em Erechim (RS). O começo foi inteiramente favorável aos azulinos, que abriram o placar logo aos 4 minutos, com finalização caprichada do volante Lucas Siqueira, que recebeu dentro da área, girou e bateu forte para as redes, quase um voleio. O empate veio ainda no primeiro tempo e a vitória dos gaúchos se consolidou na etapa final aproveitando a queda de rendimento do Leão.

O resultado mantém o Remo na liderança do grupo D, até o jogo desta noite, entre Londrina e PSC. Foi a primeira derrota azulina na fase de grupos. O triunfo faz com que o Ypiranga conserve chances matemáticas de classificar e deixa o grupo mais equilibrado.

A movimentação inicial dos times confirmou a tendência de equilíbrio, mas o gol de Lucas logo na primeira chegada ao ataque deixou o Remo mais à vontade na partida. Aos poucos, porém, o Ypiranga iniciou a tentativa de recuperação usando e abusando do jogo aéreo.

A ausência de Rafael Jansen obrigava o volante Charles a se manter atrás, junto com os zagueiros Mimica e Alemão, enquanto no meio-campo Felipe Gedoz coordenava a transição. Dos pés dele saíram bons lançamentos para Hélio e Tcharlles, mas os atacantes não aproveitaram as seguidas falhas de cobertura da defesa do Ypiranga.

Com a movimentação de Gedoz e as investidas de Hélio, o Remo teve seguidas chances de gol, entre os 10 e os 18 minutos. O Ypiranga mantinha a estratégia de explorar a bola parada. Foi assim que chegou ao empate, aos 33’, em cabeceio de Luís Eduardo após cobrança de escanteio. Charles e Salatiel não conseguiram impedir a finalização.

No segundo tempo, o Ypiranga iniciou melhor, mas o Remo teve nas mãos a chance do segundo gol, aos 13’, quando a zaga bateu cabeça e a bola foi entregue de graça a Salatiel. Sozinho diante de um marcador, ele bateu colocado no canto esquerdo para grande defesa do goleiro Deivity.

Paulo Bonamigo mexeu no meio-campo e no lado esquerdo do ataque, substituindo Gedoz por Eduardo Ramos e Tcharlles por Dioguinho. A modificação tornou o Remo menos agressivo e contribuiu para o crescimento do Ypiranga, que criou uma sequência de jogadas perigosas, com Jean Silva e Caprini.

Aos 29’, em lance rápido dentro da área do Remo, a bola foi passada a Cristiano, que bateu forte pelo alto para virar o placar. Na marcação, estavam Mimica e Alemão, mas o atacante manobrou à vontade.

Depois do gol, Bonamigo fez novas mudanças. Botou Wallace e Augusto, tirando Charles e Hélio. As mudanças não funcionaram porque o time estava engessado no meio e os laterais muito preocupados em marcar o rápido ataque gaúcho.

Marlon subiu poucas vezes, Luz praticamente não foi à frente no segundo período. Ainda assim, em cobrança de escanteio por Eduardo Ramos, a bola passou pela linha defensiva e chegou a Lucas, que finalizou diante do goleiro, quase empatando o jogo.

A malandragem do médico e de jogadores do Ypiranga fizeram o jogo praticamente parar a partir dos 40’. De todo modo, o Remo parecia sem força e inspiração para tentar uma pressão final.

Bonamigo não acertou a mão. O posicionamento da equipe desde o fim do primeiro tempo foi de recuo e espera. Quando ficou em desvantagem resolveu sair um pouco mais, embora sem qualidade.

As substituições não ajudaram. Bem na partida, Gedoz não deveria sair. Assim como Tcharlles, que levava vantagem sobre a marcação. Ramos e Dioguinho não conseguiram render o suficiente para levar o time à frente. O tropeço obriga o time a ganhar 4 pontos nos jogos que restam. (Foto: Samara Miranda/Ascom Remo)

Papão tem que beliscar pelo menos o empate

Com problemas para confirmar o time, dependendo ainda da liberação de Bruno Collaço (lesionado), o técnico João Brigatti mostrou destemor e preocupação com a vitória na última entrevista antes do confronto com o Londrina, hoje à noite, no estádio do Café.

Fiel ao estilo que garantiu ao PSC a arrancada heroica para a classificação, ele garante que o time jogará da mesma maneira como atuou em Belém nos três primeiros compromissos. É uma visão correta, adequada à realidade da competição. A definição de vaga no grupo D dependerá de ousadia e superação.

Para superar o Londrina, o PSC terá que fazer um jogo quase perfeito nos contra-ataques. Na vitória de sábado passado, no Mangueirão, a objetividade dos atacantes permitiu que o time fizesse três gols, mesmo sem realizar uma grande apresentação.

Se Marlon continua em baixa, pouco aparecendo nesta etapa da competição, Vítor Feijão subiu de produção e tem sido um grande articulador de jogadas pelo lado direito, ajudando Nicolas a abrir as linhas de marcação.

Para o meio-campo, onde o titular Uchôa segue fora de combate, Wellington Reis e PH serão os responsáveis pela marcação. Juninho, o meia mais utilizado por Brigatti, será encarregado da transição. E, caso Collaço não possa entrar, Diego Matos será o lateral esquerdo.

O jogo é crucial para os planos bicolores, pois representa um duelo contra concorrente direto pela vaga. Com 4 pontos, o Londrina planeja vencer hoje e passar pelo Ypiranga para somar 10 pontos, o que o deixaria virtualmente classificado.

Portanto, caso arranque um empate, o PSC atrapalha os planos do adversário e se iguala ao Remo na liderança do grupo. Uma vitória deixa os bicolores a um passo do acesso.

A imprensa paranaense destaca a invencibilidade do Londrina jogando no estádio do Café. É o melhor mandante da Série C, com oito vitórias e dois empates. A questão é que, contra o Papão, há a necessidade imperiosa de um triunfo, detalhe que costuma ser fonte de nervosismo e instabilidade. 

(Coluna publicada na edição do Bola desta segunda-feira, 4)

3 comentários em “Leão vacila e sofre virada

  1. O mundo do futebol precisa descriminalizar a “bola parada” com a vilã, a algoz, dos times perdedores. Sem a “bola parada”, as regras do futebol precisariam ser urgentemente alteradas para excluir; os escanteios, os tiros de metas, as faltas e os pênaltis. Os mesmos treinadores que, rotineiramente, atribuem à “bola parada” a incompetência de suas equipes, nas derrotas, se calam quando ganham com essa regra do jogo.

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  2. De minha parte, não vilanizo bola parada, amigo George. Meu entendimento é que a cobrança de faltas, escanteios e arremessos laterais, por óbvio, permite preparação e cuidados, ao contrário de jogadas com bola em movimento, cujo desfecho é quase sempre imprevisível.

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