A frase do dia

“O jornalismo brasileiro não cobre a greve dos petroleiros. Então pra que existe o jornalismo brasileiro?”.

Xico Sá, jornalista e escritor

Acabar com registro de jornalista é incentivar fake news

Por Rogério Christofoletti

Os ataques do governo Bolsonaro ao jornalismo são tantos e tão frequentes que já deveríamos estar acostumados. Surpresos, já não ficamos mais, é verdade, mas não dá pra se acostumar com homens públicos que desprezam o debate público, que perseguem jornalistas e fazem de tudo para impedir que a sociedade seja bem informada. O presidente já hostilizou repórteres, mandou cancelar assinaturas de jornais, editou atos que interferiram nos negócios de empresas de mídia, distribuiu politicamente verbas publicitárias e vem sufocando o sistema público de comunicação. O que mais pode ser feito para acabar com o jornalismo?, deve ter se perguntado o presidente da república em seu gabinete no terceiro andar do Palácio do Planalto.

A resposta veio na semana passada, na forma de mais uma canetada para atingir em cheio os jornalistas: ao criar modalidades mais flexíveis de contratação – o chamado Programa Verde e Amarelo -, Bolsonaro não perdeu a chance de alterar a legislação trabalhista e de extinguir direitos. Por meio da Medida Provisória 905, o presidente da República simplesmente revogou artigos do Decreto-Lei nº 972/69, que regulamenta a profissão de jornalista. O mais grave ataque foi ao registro profissional, que deixou de ser obrigatório para o exercício da função. Com isso, qualquer pessoa pode atuar no país como jornalista, sem qualquer exigência formativa ou legal.

A medida revoltou setores organizados no jornalismo. A Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj) emitiu nota apontando inconstitucionalidade na decisão presidencial, e entidades acadêmicas como a Intercom, a associação de ensino do jornalismo (Abej) e a de pesquisadores da área (SBPJor) também criticaram publicamente a ação. Escamoteada em meio ao Programa Verde e Amarelo, a extinção da obrigatoriedade dos registros de jornalistas é um golpe direto no exercício desses profissionais, pois desregulamenta o setor, fragiliza a categoria e escancara as portas do mercado a aventureiros, sem qualquer formação específica, responsabilidade social ou preocupação ética.

A edição da MP precipitou reuniões de emergência em sindicatos de todo o país, e a Associação Brasileira de Imprensa (ABI) – que não tem função classista, mas de interface com a sociedade – reproduziu as preocupações da Fenaj e está em articulação com a entidade ações para “enfrentar essa onda de ataques à profissão”. Um das ofensivas é convencer os parlamentares a não aprovar a medida provisória na íntegra, vetando os trechos que colocam em risco as regras de entrada profissional. Pressionado, o presidente da Câmara Federal, Rodrigo Maia (DEM-RJ), prometeu atuar para deter o ataque.

Em termos práticos, acabar com a obrigatoriedade do registro de jornalista não ajuda o jornalismo, nem a sociedade. Só contribui para quem quer aumentar a disseminação de fake news, de boatos, mentiras e informações mal apuradas. Só auxilia quem quer corroer ainda mais a credibilidade do jornalismo profissional e quem quer controlar por completo o fluxo de informações. A medida é um gesto de truculência à organização de uma categoria profissional que, legitimamente, lutou para ser reconhecida pelas leis e pelo Estado, e que tem finalidade pública. A medida visa a desestabilizar ainda mais repórteres e editores nas redações, precarizando o seu cotidiano e voltando parcelas raivosas da sociedade contra o seu trabalho. A decisão de Bolsonaro não ajuda sequer as empresas de mídia, pois dispensar o registro não significa economia nas contratações. Desde a decisão do Supremo Tribunal Federal de junho de 2009, que tirou a obrigatoriedade do diploma para exercer o jornalismo, as empresas do setor perceberam que empregar bons profissionais é investir em jornalistas bem formados. Empregar pessoas que nem tenham registros de jornalistas é apostar na incerteza, na sorte de contar com alguém que possa cumprir uma função tão complexa e delicada.

Imagine, por exemplo, se o governo federal emitisse um decreto dispensando os médicos de obterem seus registros profissionais. Possivelmente, muita gente tentaria se colocar no mercado de trabalho, oferecendo-se para clinicar, mas teríamos uma medicina melhor? A resposta é uma só: não. Assistiríamos a um festival de barbaridades nos consultórios e hospitais. O mesmo vai se dar com o jornalismo. Não é precarizando a profissão, desorganizando a categoria e desregulamentando o setor que melhoramos o jornalismo. Para aumentar a qualidade de nossos produtos e serviços e para reforçar os nossos padrões éticos, precisamos intensificar a qualidade das empresas de mídia e a qualificação dos jornalistas. Com a MP nº 905, podemos esperar um sinistro festival de fake news, de propaganda travestida de informação, e de mentiras.

Acabar com a obrigatoriedade do registro profissional é só mais uma etapa na agenda anti-jornalística de Jair Bolsonaro e de políticos que detestam o debate público, que impedem os cidadãos de ter acesso às notícias críticas ao governo, e que não querem se submeter ao julgamento da sociedade. É um ataque ao jornalismo, mas é uma afronta à democracia e ao direito à informação ética e de qualidade das pessoas.

(*) Professor de jornalismo na UFSC e pesquisador do objETHOS

Como jornalistas podem reagir aos ataques de Bolsonaro?

Por Rogério Christofoletti

Ele já te constrangeu publicamente, disse que você só espalha mentiras. Já te ofendeu, falou da sua mãe e “deu uma banana” para o seu trabalho. Constantemente, não respeita o que você faz, e te xinga porque você é mulher ou porque trabalha para esse jornal ou aquele. Seus subordinados já te impediram de participar de entrevistas coletivas, e tentaram convencer empresas a não anunciar mais nos veículos em que você trabalha. Milícias virtuais te perseguem nas redes sociais, muitas vezes instigadas pelo desprezo que ele tem por você. Não é novidade nenhuma que Jair Bolsonaro – o presidente da república – odeia o jornalismo e os jornalistas, e faz de tudo para atacá-los. A questão é: como reagir a isso?

Vamos admitir, ele não está sozinho nessa. Ministros, deputados e governadores também apontam o dedo acusador para a imprensa, diante de perguntas incômodas (mas necessárias) e questionamentos firmes (e legítimos). Empresários, pseudo-celebridades, bots e valentões de redes sociais também babam de raiva contra repórteres. Bolsonaro não está sozinho e sua postura encoraja outros a atacarem o jornalismo. Se o presidente faz, é porque está liberado fazer! Mas a verdade é que ele não pode alimentar e espalhar esse ódio contra os jornalistas. E não pode usar a posição que ocupa para atacar pessoas ou organizações, apenas porque elas o desagradam. É covarde, antidemocrático e, em algumas situações, ilegal.

Nesta semana, tivemos mais um caso de ataque coordenado para descredibilizar a imprensa: um depoente na CPI das Fake News mentiu ao dizer que uma repórter se insinuou sexualmente para obter informações. O ataque não partiu do terceiro andar do Palácio do Planalto, mas foi endossado por um dos filhos do presidente e ganhou corpo nos esgotos das redes sociais. Como reagir a isso?

Um grupo corajoso e expressivo de mulheres jornalistas mostrou como: coletivamente. Produziu um manifesto contra a agressão misógina, levando organizações e pessoas a se posicionarem publicamente sobre isso. Os céticos poderão dizer que abaixo-assinados não resolvem os problemas do mundo, e eles estão certos. Mas a resposta aos ataques de Bolsonaro e companhia passa necessariamente pela ação coletiva e pela organização dos jornalistas.

Se os super-ricos se reúnem em Davos, se os grandes industriais almoçam juntos na Fiesp, se os patrões incham os cofres das suas associações classistas, por que o jornalista – que é bem mais fraco – deve enfrentar esses ataques sozinho? Repórteres, redatores, editores, produtores de conteúdo precisam buscar seus sindicatos e associações jornalísticas, pois são ambientes que podem protegê-los e que podem organizar reações.

Organização e ação

É suicídio tentar reagir sozinho às provocações dos poderosos de plantão, já que, muitas vezes, o jornalista não encontra amparo ou apoio na empresa em que trabalha. O departamento jurídico não dá respaldo, os superiores não fornecem orientações ou equipamentos de segurança. O profissional se vê solitário, cercado por quem o odeia, sem muita chance para responder.

É preciso reagir coletivamente à agenda anti-jornalística que querem impor ao país. Jornalistas não podem ser ofendidos quando estão fazendo o seu trabalho. Não podem ser perseguidos por autoridades, constrangidos publicamente, e linchados nas redes sociais apenas porque investigam, apuram informações ou fazem as perguntas certas nos momentos incertos.

Os sindicatos, os coletivos profissionais e as associações são os lugares certos para reorganizar a categoria porque são ambientes legítimos, representativos e construídos coletivamente. Você pode até não concordar com os rumos que o seu sindicato está tomando, mas como associado pode criticar, cobrar e disputar posição. Você pode até não acreditar no sindicato como instituição de luta, mas vai se organizar onde e de que forma? Você pode achar que não vale a pena agir coletivamente porque abomina toda forma de corporativismo, mas vai apanhar sozinho enquanto seus algozes agem em bandos? Não precisamos inventar a roda de novo! Se essas entidades já existem, por que não encontrar nelas os meios de reagir às agressões que sofremos? Por que não discutir dentro delas as maneiras de garantir dignidade e respeito profissional?

Nos sindicatos, na Fenaj e na Abraji, podem ser implementados programas de proteção a jornalistas, e podem ser oferecidos cursos de capacitação e segurança. Nesses locais, podem ser debatidos meios jurídicos para se contrapor a ataques, e podem ser formulados projetos de lei que assegurem condições profissionais seguras. Campanhas de valorização da categoria podem ser gestadas, e formas de diálogo com outras entidades e a sociedade podem ser criados.

Enfim, há muitos caminhos a serem trilhados, mas a jornada é coletiva. Em grupo, fazemos mais barulho e somos mais numerosos. Em grupo, somos mais inteligentes, mais fortes e chegamos mais longe. A unidade, o senso coletivo e alguma disposição para cooperar podem nos tirar da imobilidade em que estamos, sendo ofendidos, oprimidos e perseguidos. Isso tem acontecido porque estamos fazendo jornalismo, e tentando garantir o direito à informação de cidadãos e cidadãs. Algumas forças se opõem a essa condição. Oferecer resistência é uma obrigação moral de cada jornalista. Precisamos de imaginação e organização para reagir, porque fortalecer o exercício profissional é fortalecer o jornalismo e a democracia.

(*) Professor da UFSC e pesquisador do objETHOS

Até Caco Antibes repudia declarações de Guedes

Miguel Falabella comentou a comparação de Paulo Guedes com Caco Antibes, um de seus papéis mais marcantes na televisão. Para o ator e diretor, é “lamentável” que uma declaração de um ministro faça lembrar o marido de Magda em “Sai de baixo”, famoso por dizer que “tem horror a pobre”.

Miguel Falabella comenta comparação entre Paulo Guedes e Caco Antibes: 'Vergonha para o ministro'

— Caco Antibes é um personagem psicótico da ficção, que representa o que há de pior na elite brasielira. Ser comparado a ele deveria ser uma vergonha pro ministro. Uma vergonha — afirmou Falabella.

Na última quarta-feira, o ministro da Economia defendeu em um evento em Brasília que o dólar alto era bom para o país. Durante sua argumentação, ele afirmou que antes, com a moeda baixa, era uma “festa danada” e que empregadas domésticas estavam visitando a Disney e que, ao invés disso, deveriam fazer turismo no Brasil.

— Todo mundo indo para a Disneylândia, empregada doméstica indo para Disneylândia, uma festa danada. Pera aí. Vai passear ali em Foz do Iguaçu, vai passear ali no Nordeste, está cheio de praia bonita. Vai para Cachoeiro do Itapemirim, vai conhecer onde o Roberto Carlos nasceu, vai passear no Brasil, vai conhecer o Brasil. Está cheio de coisa bonita para ver — disse.

Na quarta-feira, o dólar bateu o quarto recorde consecutivo em relação ao real. A moeda americana encerrou o dia vendida a R$ 4,3505, em alta de 0,55%. (Do Extra)

Leão arranca bem na Copa BR

POR GERSON NOGUEIRA

Ainda não foi a atuação que a torcida espera ver, mas o Remo que derrotou o Freipaulistano foi valente e aplicado, justamente o que não se viu nos jogos mais recentes pelo Parazão. O time sofreu um gol aos 20 minutos, mas não se abalou. Conseguiu empatar ainda no 1º tempo e teve forças para ir busca a vitória na etapa final.

Conforme o relato de Valmir Rodrigues e Paulo Caxiado, na Rádio Clube, o confronto foi movimentado e disputado em alta intensidade. O forte calor da região foi compensado pela chuva que caiu na hora do jogo em Frei Paulo.

O Remo enfrentou dificuldades para conter a pressão inicial do time da casa, apesar de mais organizado nas saídas de bola. O trabalho de ligação com o ataque foi facilitado pela queda de rendimento do Freipaulistano a partir da metade do primeiro tempo, cedendo espaços e aceitando a movimentação do time paraense.

O gol de abertura surgiu quando o Remo já controlava as ações. Um rebote do goleiro Vinícius permitiu a finalização de Luan. O Remo saiu para igualar o marcador e acabou chegando lá meio ao sabor do acaso. Um escanteio bem cobrado por Gustavo Ermel foi desviado de cabeça por Fredson para as redes.

As dificuldades do Freipaulitano para trocar passes e estabelecer pressão abriam espaços para que o meio-campo remista, com Douglas Packer e Charles mais agressivos, trabalhasse bem a bola e fosse conduzido o jogo da maneia mais conveniente ao Remo. Só de vez em quando o time da casa chegava, mas sem capricho nas finalizações.

Depois de um 1º tempo equilibrado, o segundo período foi morno inicialmente, mas o Remo podia ter obtido a virada aos 10 minutos, quando o lateral Ronaell perdeu um gol cara a cara com o goleiro Andrade.

Minutos depois, Ermel foi derrubado na área, bem na frente do árbitro, mas o lance seguiu. Aos 24 minutos, em cruzamento de Ronael, que atravessou toda a extensão da pequena área, Ermel conseguiu finalizar de primeira e sem ângulo, aproveitando falha de posicionamento da zaga.

Rafael Jaques

O gol tranquilizou os remistas. Rafael Jaques substituiu Packer, exaurido, por Robinho. O Touro do Agreste ainda buscou uma pressão final, mas faltava fôlego e competência. O Remo se defendia bem, embora recuado em excesso. Djalma substituiu Ermel e Neguete ainda entrou no lugar de Chales, mas o jogo já estava definido.

A classificação é importante, principalmente no aspecto financeiro (premiação de R$ 1.190.000,00), e ajuda a atenuar as cobranças do torcedor, mas o resultado não deve criar a ilusão de que o time está ajustado. Longe disso. Continuam os chutões, as bolas rifadas, a baixa produção pelos lados e, principalmente, a falta de um plano tático.

De todo modo, cabe destacar a aplicação e a capacidade de reação da equipe, saindo de um resultado adverso para arrancar a vitória. Sinais de amadurecimento e controle emocional. Para isso, contribuiu muito a velocidade e os dribles de Ermel, atacante que inexplicavelmente não entrou de cara contra o PSC, mas que não pode ser reserva.

Explicações tardias sobre equívoco no Re-Pa

Depois do jogo em Frei Paulo, aliviado da pressão que havia em torno de seu trabalho, Rafael Jaques deu-se ao trabalho de tentar explicar o motivo de ter barrado seu atacante mais habilidoso e rápido no Re-Pa, justamente quando o adversário improvisou um zagueiro na lateral direita. Não convenceu ao dizer que optou por Wesley, pois este vinha fazendo gols.

A questão não era de finalização, mas de exploração das faixas laterais do campo. E quem disse que Wesley não podia ter entrado, jogando pela direita? Nesse caso, tiraria Robinho, que passou o jogo errando passes, sem ajudar nas ações do meio-campo e sem ir à frente.

Continua a impressão de que Jaques nem sabia ao certo quem era Perema. Tanto que, minutos depois de Ermel entrar e levar ampla vantagem sobe o zagueiro, o técnico mandou que ficasse na direita, abrindo mão de explorar o lado mais vulnerável do rival.

Estranho mesmo é não ter sido avisado pelos auxiliares, principalmente os que conhecem bem o futebol paraense e o PSC.

Algo que faz pensar.

Papão tem novo candidato para organizar a meiúca

O PSC se prepara para encarar o líder do Campeonato Estadual e Hélio dos Anjos, acertadamente, se preocupa com a organização do meio-campo. Alex Maranhão, que chegou como opção para a parte criativa, perdeu espaço e foi barrado no Re-Pa, entrando apenas no final.

Com mais qualidade técnica entre os volantes, PH deve ser encarregado da função de articula o time contra o Paragominas, equipe que faz da velocidade na transição seu principal trunfo. Os treinos vêm mostrando que o segundo volante deve exerce essa tarefa.

O técnico bicolor sabe que no Re-Pa era razoável atuar sem um meia de ligação, pois a marcação era prioridade absoluta – e o plano deu certo. Já contra um adversário que presumivelmente vai jogar fechado, o PSC terá que elaborar jogadas e propor o jogo.

Botafogo faz mesmas apostas de 25 anos atrás

Paulo Autuori era o técnico do título brasileiro do Botafogo em 1995. Clube que cultiva misticismo e superstição, com dirigentes extremamente devotos da tradição, o Alvinegro aposta outra vez no mesmo comandante, que já havia até se aposentado da função, atuando mais como diretor de futebol nos últimos anos.

Calo Augusto Montenegro, homem forte do futebol botafoguense, também trabalhava há 25 anos. A aposta no passado pode atrapalhar o presente e compromete o futuro do Botafogo. Com Honda e tudo.

(Coluna publicada na edição do Bola desta quinta-feira, 13)

Glauber Braga sofre ameaças após chamar Moro de “capanga da milícia”

O deputado federal Glauber Braga (PSOL-RJ), depois do embate com o ministro da Justiça, Sérgio Moro, na Câmara, nesta quarta-feira (12), passou a ser alvo de ataques virtuais orquestrados por apoiadores do ex-juiz, muitos deles também parte da milícia digital bolsonarista que atua nas redes.

O termo “desqualificado”, em referência a resposta que Moro deu a Braga depois que o ministro foi chamado de “capanga da milícia”, chegou aos Trending Topics do Twitter com a ajuda de robôs. Além disso, o perfil do deputado foi tomado por comentários de apoiadores de Moro e Bolsonaro, muitos deles com ameaças.

Olá gente. Robôs e milicianos virtuais de Moro, capanga da família bolsonaro, entraram aqui pra nos intimidar. Não conseguirão. Podem vir quentes que eu estou fervendo!!! #MoroCapangaDaMilicia18,1 mil

Capanga da milícia

O deputado federal Glauber Braga (PSOL-RJ) voltou a enfrentar o ministro da Justiça, Sérgio Moro, em audiência na Câmara dos Deputados. O parlamentar questionou o silêncio do ex-juiz federal sobre o elo da família Bolsonaro com as milícias.

“Eu não tenho outra coisa a dizer a não ser chamar o ministro da Justiça, que blinda a família Bolsonaro em relação a esses temas, de capanga da milícia. É isso que ele é”, disparou o parlamentar.

Antes de falar do ministro, Glauber criticou os parlamentares bolsonaristas presentes na sessão. “Vocês ficam inquietos com a minha fala porque querem que a milícia no Brasil não seja devidamente apontada como crime organizado porque ela faz parte da estruturação do projeto de poder dos senhores”, afirmou.

O paraense Éder Mauro, irritado com as manifestações de Glauber, tentou intimidá-lo e chegou a xingar a mãe do deputado do Rio.

Dorothy segue inspirando luta camponesa, 15 anos após ser assassinada

Do Brasil de Fato

Em 12 de fevereiro de 2005, a missionária Dorothy Mae Stang foi assassinada aos 73 anos de idade. Foram seis tiros à queima roupa, um deles na cabeça, ela tombou em Anapu, no oeste do Pará sem a mínima chance de defesa.

Segundo dados do Centro de Documentação da CPT Dom Tomás Balduino, de 2005 a 2019 foram registrados 23 assassinatos em conflitos no campo no município de Anapu (PA).

Para Dinailson Benassuly, representante do Comitê Dorothy, a luta nunca foi fácil, mas depois que o Brasil elegeu um presidente de extrema direita, o dia a dia dos camponeses se tornou ainda mais difícil. Segundo o militante, os latifundiários claramente se sentem fortalecidos pelas ações do governo estadual e federal.

“Tudo o que ganhamos durante esses 15 anos de luta, de persistência está indo embora depois que elegeram um governo de extrema direita para gerir o país. O retorno dos assassinatos, das mortes no campo, principalmente, em Anapu. Vivemos um momento de apreensão tanto com as políticas do governo federal, quanto do governo do Estado”, afirma.

Irmã Dorothy Stang era integrante da CPT, ligada à Igreja Católica. Em Anapu, ela liderou o primeiro projeto de desenvolvimento sustentável da região, o PDS Esperança. Stang lutava pela regularização da terra para famílias de trabalhadores rurais e combatia a violência das invasões ao projeto por grileiros, madeireiros e fazendeiros.

Mesmo com a repercussão do assassinato de Dorothy, os conflitos em Anapu continuam. Além do PDS Esperança, um outro PDS, o Virola-Jatobá sofre com constantes ameaças. Em 2017, o local chegou a ser invadido por cerca de 200 homens, entre grileiros e madeireiros ilegais. Armados, eles demarcaram lotes de terra medindo de 100 a 200 hectares, e os ofereciam a posseiros.

Alcidema Magalhães, também integrante do Comitê Dorothy, explica que a entidade foi criada para seguir o legado da missionária na defesa dos direitos humanos dos camponeses.

“O comitê Dorothy nasceu com esse papel de denunciar, de acompanhar as questões da luta pela terra e essa situação de Anapu vem se agravando em função dessa violência. As pessoas estão sendo muito intimidadas, com mensagens de WhatsApp, vídeos ameaçadores, então, o povo está muito acuado. Mas ao mesmo tempo eles permanecem firmes, lutando. Por isso que tem tombado gente, porque eles não pararam de lutar, de se organizar, de resistir.”

Irmã Dorothy Vive

Na tarde desta quarta-feira (12), movimentos sociais se reuniram em Belém para lembrar a luta da Irmã Dorothy. Além da CPT e do Comitê Dorothy, participaram o Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB), o Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST), entre outros.

Para Robert Rodrigues, da coordenação nacional do MAB, fez um chamado à união dos movimentos sociais como forma de resistência

“A Dorothy é esse grande símbolo, de uma grande defensora de direitos humanos que foi assassinada e que do assassinato dela pra cá só aumentou o número de pessoas mortas na Amazônia, que fazem a luta na defesa dela. Somente com organizações fortalecidas, articuladas em unidade, teremos uma rede de proteção em defesa desses lutadores, que são o nosso maior patrimônio”, disse.

Irmã Rebeca Spires, 77 anos, da Congregação de Notre Dame, amiga da irmã Dorothy / Catarina Barbosa

Amiga pessoal e colega de congregação religiosa — a Notre Dame –, irmã Rebeca Spires, de 77 anos participou do ato em memória de Dorothy.

“Nossa finalidade aqui é celebrar a vida. A vida da Amazônia, a vida da irmã Dorothy. A vida desses muitos e muitos mártires, a maioria anônimo e muitas vezes sem nenhuma ação judicial sob as suas mortes, que morreram pelo povo da Amazônia e pela floresta amazônica”, diz.

Durante o ato, irmã Rebeca entregou aos participantes sementes, para relembrar a luta da amiga que tombou lutando ao lado dos camponeses pelo que era deles por direito: a terra.

Assassinos

São cinco os envolvidos na morte da missionária Dorothy Stang. Todos foram julgados e condenados. Três estão cumprindo pena em regime semiaberto. Exceto Rayfran das Neves, autor do disparo, que está preso por ter cometido outros crimes e Regivaldo Pereira Galvão, o mandante, que cumpre pena no Centro de Recuperação de Altamira, onde 58 pessoas foram assassinadas.

Regivaldo Galvão foi condenado em maio de 2010 a 30 anos de prisão, inicialmente, em regime fechado. Regivaldo ficou preso no início dos julgamentos por 1 ano e 4 meses e recorreu ao Supremo Tribunal Federal (STF) ganhando uma liminar para ficar em liberdade, mas em abril de 2019, uma decisão da Primeira Turma do STF determinou a prisão do fazendeiro, derrubando a liminar no último mês de fevereiro.

Vitalmiro Bastos de Moura, o “Bida” (mandante) foi condenado em setembro de 2003 a 30 anos de prisão em regime fechado. Em fevereiro de 2014, conseguiu encurtar a sua pena por trabalhos realizados na prisão.

Amair Feijoli da Cunha, o “Tato” (intermediário) foi condenado a 17 anos de prisão inicialmente em regime fechado, mas atualmente cumpre a pena em regime semiaberto. “Tato” teve a pena reduzida pela lei da delação premiada. A pena por homicídio duplamente qualificado era de 27 anos. No julgamento, ele confessou que foi contratado por R$ 50 mil pelos fazendeiros Vitalmiro Bastos de Moura e Regivaldo Pereira Galvão.

Rayfran das Neves, o “Fogoió” (autor dos disparos) foi condenado a 27 anos de prisão, que seriam cumpridos inicialmente em regime fechado. Assassino confesso, Rayfran foi beneficiado em 2013 com prisão domiciliar. Em setembro de 2018 foi novamente condenado por quatro homicídios. A pena totaliza 97 anos e oito meses de reclusão em regime inicial fechado. Os crimes foram cometidos em Bujaru e Tomé-Açu, no nordeste do Pará.

Clodoaldo Batista, o “Eduardo” (coautor) foi condenado a 17 anos de prisão em regime semiaberto, porém não se apresentava à justiça desde 2011 – condição obrigatória exigida pelo regime. Dessa forma foi considerado foragido. Em 20 de outubro de 2014, se apresentou à Justiça e agora cumpre a pena em regime semiaberto, tendo que se recolher à noite para dormir em uma casa penal da Região Metropolitana de Belém.