“Matei mesmo, mas eram todos bandidos”

Do Congresso em Foco

Em meio à confusão que se transformou a visita do ministro da Justiça e Segurança Pública, Sergio Moro, o deputado Glauber Braga (Psol-RJ) e Éder Mauro (PSD-PA) discutiram e quase se agrediram fisicamente, mas foram separados por colegas. Após a confusão Glauber falou para a imprensa que o deputado Éder havia confessado assassinatos. Procurado pela reportagem, Éder disse que o diálogo realmente aconteceu.

Em meio à confusão que se transformou a visita do ministro da Justiça e Segurança Pública, Sergio Moro, o deputado Glauber Braga (Psol-RJ) e Éder Mauro (PSD-PA) discutiram e quase se agrediram fisicamente, mas foram separados por colegas. Após a confusão Glauber falou para a imprensa que o deputado Éder havia confessado assassinatos. Procurado pela reportagem, Éder disse que o diálogo realmente aconteceu.

“Ele me chamou de miliciano e eu disse que já matei muita gente sim, mas eram todos bandidos”, afirmou Éder Mauro. O hoje deputado se refere ao tempo em que atuou como delegado de polícia no Pará.

Moro e a visita tumultuada

A sessão que tratava da prisão em segunda instância, que contava com a presença do ministro da Justiça e Segurança Pública, Sergio Moro, acabou com uma grande confusão. “Eu não tenho outra coisa a dizer, a não ser chamar um ministro da Justiça que blinda a família Bolsonaro quanto a estes temas [envolvimento com as milícias] de capanga da milícia”, disse o deputado Glauber Braga (Psol-RJ).

Uma confusão começou e o presidente da comissão, Marcelo Ramos (PL-AM), tentou controlar a situação, mas quando Sergio Moro retrucou Glauber, o chamando de desqualificado, a confusão tornou-se generalizada. Éder Mauro (PSD-PA) foi pra cima de Glauber Braga e colegas parlamentares precisaram intervir para que os dois não se agredissem fisicamente.

A imprensa levantou questionamentos sobre a fala de Glauber e do governo Bolsonaro, mas o ex-juiz saiu em silêncio diante dos questionamentos. Glauber, porém, falou com os jornalistas e afirmou que Éder confessou assassinatos enquanto estava no Plenário.

Papa recebe e abençoa Lula

Na tarde desta quinta-feira (13), o ex-presidente brasileiros Luiz Inácio Lula da Silva se encontrou no Vaticano com o Papa Francisco.

No encontro, o sumo pontífice e terminou o encontro com um aperto entre sorrisos, e chegou a abençoar Lula antes de sua partida. Através do Twitter do Instituto Lula, o ex-presidente qualificou o encontro como “histórico”, e contou que eles ” discutiram e pensaram soluções para as injustiças e desigualdades no mundo”.

A conversa entre Lula e Francisco também foi marcada por assuntos como a questão da Amazônia e o clima político na América do Sul. Em declaração ao chegar à Itália, o líder do PT afirmou que se colocará à disposição do seu anfitrião: “vim para ouvir”.

A preocupação de Francisco com a situação na Amazônia, expressada inclusive nos últimos tuítes do pontífice, tem a ver com devastação pelos recentes incêndios e as ameaças aos povos indígenas, devido às políticas de Jair Bolsonaro que priorizam os interesses do garimpo e do agronegócio, colocando em risco algumas áreas demarcadas.

No caso da política sul-americana, um dos temas foi a questão do lawfare, algo que também já foi criticado por Francisco, e que teve em Lula uma de suas vítimas – o líder máximo da Igreja Católica chegou a abençoar um terço e enviar de presente ao ex-presidente, quando ele estava preso.

O ex-presidente brasileiro desembarcou em Roma nesta quarta-feira (12), acompanhado de seu ex-chanceler, Celso Amorim, e aproveitou a viagem para realizar outros compromissos, como se encontrar com líderes políticos locais, como o atual secretário-geral do Partido Democrático (um dos dois partidos que governa a Itália), Nicola Zingaretti, e o ex-primeiro-ministro italiano Massimo D’Alema, que havia visitado Lula na prisão, em Curitiba. Ele também se reuniu com representantes da CGIL (sigla em italiano da Confederação Geral dos Trabalhadores da Itália), entidade similar à CUT.

De quem é a mão que balança o berço? A quem serve o criminoso?

Hans River dispara suas mentiras na CPI, observado pelo presidente da comissão, senador Angelo Coronel, e pela relatora, deputada Lídice da Mata - Ane de Araújo/Agência Senado

Por Reinaldo Azevedo

Hans River do Rio Nascimento mentiu à CPI das Fake News, o que é crime. E tem de arcar com as consequências de seu ato. A relatora da CPMI, deputada Lídice da Mata (PSB-BA), já decidiu que vai acionar o Ministério Público Federal. Há mais do que o ataque abjeto dirigido contra a jornalista Patrícia Campos Mello (já chego a ele). O tal rapaz afirmou ainda ter participado de uma campanha política de quem ninguém ouviu falar. E há inconsistências sobre a data em que trabalhou na Yacows, a empresa envolvida no impulsionamento de disparos de WhatsApp. Dito isso, vamos adiante.

Nascimento falava à CPI como testemunha, condição que o obriga a falar a verdade ou a responder criminalmente pelas mentiras. E ele mentiu. Patrícia pode recorrer à Justiça em razão dos crimes que ele cometeu contra a sua honra: inquestionavelmente, incorreu em injúria e difamação. E me pergunto se não cabe também a imputação de calúnia: segundo o rapaz que foi depor à CPI com uniforme de gigolô de pornochanchada da década de 70, ela o teria convidado a mentir em troca, ora vejam, de sexo! E tal troca implicaria o que seria um crime contra uma campanha eleitoral.

A partir de agora, Nascimento não terá uma vida fácil. A questão primeira que precisa ser respondida, em algum momento da investigação, é esta: de quem é a mão que balança o berço? Quem resolveu, e com quais meios, instrumentalizar o rapaz para que mentisse? Quem o convidou a levar o esgoto a céu aberto que corre nas redes sociais para uma CPMI que apura justamente a indústria de fake news? Comece-se, pois, pelas quebras do sigilo telefônico e bancário.

Chega a ser ocioso — e é preciso tomar cuidado para não ser ofensivo com a própria Patrícia, com as mulheres jornalistas e com todas as mulheres, indistintamente — lembrar a carreira e os feitos de uma das mais brilhantes e capazes profissionais da imprensa. E por que é preciso esse cuidado? Para que, sem querer, não minimizemos a gravidade do que se viu na CPMI.

Todos os grupos profissionais contam com uma elite, com o conjunto dos melhores e mais destacados em razão da qualidade do seu trabalho, da reputação firmada junto ao público e a seus pares, da excelência dos métodos a que recorre para chegar ao resultado esperado. Felizmente para ela e para nós, seus leitores e colegas, Patrícia integra essa turma.

Experiente que é, a jornalista documentou cada passo de sua aproximação com a fonte, as idas e vindas do sr. Nascimento, suas hesitações etc. E tão logo ele resolveu atacar a sua honra na CPMI, cometendo crimes de dimensão privada e pública, veio à luz a desmoralização do meliante moral. Mas é bom frisar: não é o tamanho que tem Patrícia que evidencia o fundo do poço a que chegamos. O alvo dos criminosos — E É PRECISO FALAR NO PLURAL — poderia ser alguém em início de carreira, emocionalmente mais frágil, sem estrutura para resistir aos ataques da máquina criminosa montada nas redes sociais para atacar, de maneira mais ampla, o jornalismo profissional e independente.

Sim, o alvo é particularmente Patrícia (e já direi por quê). Mas o que está sob ataque, reitere-se, é e o jornalismo que tem compromisso com a verdade, com os fatos, com os fundamentos do estado democrático e de direito. E este, convenha-se, não é agredido apenas por tipos como esse tal Nascimento. Todos os dias, às portas do Palácio da Alvorada, o sr. presidente da República, com a autoridade que lhe confere o cargo, dispara uma saraivada de aleivosias e de boçalidades contra os profissionais de imprensa, o que é imediatamente replicado pela esgotosfera que canta as suas glórias.

Não por acaso, quem deu a senha para a tentativa de massacrar a honra de Patrícia foi o deputado Eduardo Bolsonaro (PSL-SP). Vomitou, por exemplo, o seguinte no Twitter:
“Eita! Sr. Hans diz que Patrícia Campos Mello, correspondente internacional da Folha, se insinuou sexualmente para conseguir extrair informações dele. Agora imagine se fosse um homem se insinuando para cima de uma mulher?”

Observem que, além de admitir como verdadeira a mentira estúpida, Eduardo aproveita para naturalizar o assédio de um homem contra uma mulher. Ou por outra: dada a falsa imunidade de Patrícia para assediar, ele reivindica, então, por linhas tortas, que os homens não tenham de responder por um comportamento inadequado.

Eduardo também não disfarçou a quem interessava atacar a honra de Patrícia. Escreveu:
“Patrícia Campos Mello foi a jornalista da Folha q entre o 1º e 2º turno da eleição 18′ fez matéria acusando JB de contratar empresa q fazia disparos em massa de whatsapp. Com este artigo o PT entrou no TSE p tentar impugnar a candidatura de JB, mas perdeu”.

E teve início, então, o esforço para massacrar a honra e a carreira da jornalista, tendo na vanguarda o tal “Terça Livre”, de Allan dos Santos. Pergunta: quando é que os crimes destes senhor, que também têm dimensão pública, merecerão a devida atenção do Ministério Público Federal. Ao conferir, como fez, ares de verdade a uma armação torpe, Santos participa da mesma arquitetura criminosa que levou a mentira mais sórdida à CPMI das Fake News.

A vigorosa reação dos profissionais de imprensa — das mulheres em particular — é necessária. Não se trata mais, ainda que já fosse detestável, de uma campanha de natureza política contra a imprensa independente. Ultrapassou-se a linha que separa a abjeção moral do crime.

E, também nesse caso, é preciso chegar aos mandantes.

Acabar com registro de jornalista é incentivar fake news

Por Rogério Christofoletti

Os ataques do governo Bolsonaro ao jornalismo são tantos e tão frequentes que já deveríamos estar acostumados. Surpresos, já não ficamos mais, é verdade, mas não dá pra se acostumar com homens públicos que desprezam o debate público, que perseguem jornalistas e fazem de tudo para impedir que a sociedade seja bem informada. O presidente já hostilizou repórteres, mandou cancelar assinaturas de jornais, editou atos que interferiram nos negócios de empresas de mídia, distribuiu politicamente verbas publicitárias e vem sufocando o sistema público de comunicação. O que mais pode ser feito para acabar com o jornalismo?, deve ter se perguntado o presidente da república em seu gabinete no terceiro andar do Palácio do Planalto.

A resposta veio na semana passada, na forma de mais uma canetada para atingir em cheio os jornalistas: ao criar modalidades mais flexíveis de contratação – o chamado Programa Verde e Amarelo -, Bolsonaro não perdeu a chance de alterar a legislação trabalhista e de extinguir direitos. Por meio da Medida Provisória 905, o presidente da República simplesmente revogou artigos do Decreto-Lei nº 972/69, que regulamenta a profissão de jornalista. O mais grave ataque foi ao registro profissional, que deixou de ser obrigatório para o exercício da função. Com isso, qualquer pessoa pode atuar no país como jornalista, sem qualquer exigência formativa ou legal.

A medida revoltou setores organizados no jornalismo. A Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj) emitiu nota apontando inconstitucionalidade na decisão presidencial, e entidades acadêmicas como a Intercom, a associação de ensino do jornalismo (Abej) e a de pesquisadores da área (SBPJor) também criticaram publicamente a ação. Escamoteada em meio ao Programa Verde e Amarelo, a extinção da obrigatoriedade dos registros de jornalistas é um golpe direto no exercício desses profissionais, pois desregulamenta o setor, fragiliza a categoria e escancara as portas do mercado a aventureiros, sem qualquer formação específica, responsabilidade social ou preocupação ética.

A edição da MP precipitou reuniões de emergência em sindicatos de todo o país, e a Associação Brasileira de Imprensa (ABI) – que não tem função classista, mas de interface com a sociedade – reproduziu as preocupações da Fenaj e está em articulação com a entidade ações para “enfrentar essa onda de ataques à profissão”. Um das ofensivas é convencer os parlamentares a não aprovar a medida provisória na íntegra, vetando os trechos que colocam em risco as regras de entrada profissional. Pressionado, o presidente da Câmara Federal, Rodrigo Maia (DEM-RJ), prometeu atuar para deter o ataque.

Em termos práticos, acabar com a obrigatoriedade do registro de jornalista não ajuda o jornalismo, nem a sociedade. Só contribui para quem quer aumentar a disseminação de fake news, de boatos, mentiras e informações mal apuradas. Só auxilia quem quer corroer ainda mais a credibilidade do jornalismo profissional e quem quer controlar por completo o fluxo de informações. A medida é um gesto de truculência à organização de uma categoria profissional que, legitimamente, lutou para ser reconhecida pelas leis e pelo Estado, e que tem finalidade pública. A medida visa a desestabilizar ainda mais repórteres e editores nas redações, precarizando o seu cotidiano e voltando parcelas raivosas da sociedade contra o seu trabalho. A decisão de Bolsonaro não ajuda sequer as empresas de mídia, pois dispensar o registro não significa economia nas contratações. Desde a decisão do Supremo Tribunal Federal de junho de 2009, que tirou a obrigatoriedade do diploma para exercer o jornalismo, as empresas do setor perceberam que empregar bons profissionais é investir em jornalistas bem formados. Empregar pessoas que nem tenham registros de jornalistas é apostar na incerteza, na sorte de contar com alguém que possa cumprir uma função tão complexa e delicada.

Imagine, por exemplo, se o governo federal emitisse um decreto dispensando os médicos de obterem seus registros profissionais. Possivelmente, muita gente tentaria se colocar no mercado de trabalho, oferecendo-se para clinicar, mas teríamos uma medicina melhor? A resposta é uma só: não. Assistiríamos a um festival de barbaridades nos consultórios e hospitais. O mesmo vai se dar com o jornalismo. Não é precarizando a profissão, desorganizando a categoria e desregulamentando o setor que melhoramos o jornalismo. Para aumentar a qualidade de nossos produtos e serviços e para reforçar os nossos padrões éticos, precisamos intensificar a qualidade das empresas de mídia e a qualificação dos jornalistas. Com a MP nº 905, podemos esperar um sinistro festival de fake news, de propaganda travestida de informação, e de mentiras.

Acabar com a obrigatoriedade do registro profissional é só mais uma etapa na agenda anti-jornalística de Jair Bolsonaro e de políticos que detestam o debate público, que impedem os cidadãos de ter acesso às notícias críticas ao governo, e que não querem se submeter ao julgamento da sociedade. É um ataque ao jornalismo, mas é uma afronta à democracia e ao direito à informação ética e de qualidade das pessoas.

(*) Professor de jornalismo na UFSC e pesquisador do objETHOS

Como jornalistas podem reagir aos ataques de Bolsonaro?

Por Rogério Christofoletti

Ele já te constrangeu publicamente, disse que você só espalha mentiras. Já te ofendeu, falou da sua mãe e “deu uma banana” para o seu trabalho. Constantemente, não respeita o que você faz, e te xinga porque você é mulher ou porque trabalha para esse jornal ou aquele. Seus subordinados já te impediram de participar de entrevistas coletivas, e tentaram convencer empresas a não anunciar mais nos veículos em que você trabalha. Milícias virtuais te perseguem nas redes sociais, muitas vezes instigadas pelo desprezo que ele tem por você. Não é novidade nenhuma que Jair Bolsonaro – o presidente da república – odeia o jornalismo e os jornalistas, e faz de tudo para atacá-los. A questão é: como reagir a isso?

Vamos admitir, ele não está sozinho nessa. Ministros, deputados e governadores também apontam o dedo acusador para a imprensa, diante de perguntas incômodas (mas necessárias) e questionamentos firmes (e legítimos). Empresários, pseudo-celebridades, bots e valentões de redes sociais também babam de raiva contra repórteres. Bolsonaro não está sozinho e sua postura encoraja outros a atacarem o jornalismo. Se o presidente faz, é porque está liberado fazer! Mas a verdade é que ele não pode alimentar e espalhar esse ódio contra os jornalistas. E não pode usar a posição que ocupa para atacar pessoas ou organizações, apenas porque elas o desagradam. É covarde, antidemocrático e, em algumas situações, ilegal.

Nesta semana, tivemos mais um caso de ataque coordenado para descredibilizar a imprensa: um depoente na CPI das Fake News mentiu ao dizer que uma repórter se insinuou sexualmente para obter informações. O ataque não partiu do terceiro andar do Palácio do Planalto, mas foi endossado por um dos filhos do presidente e ganhou corpo nos esgotos das redes sociais. Como reagir a isso?

Um grupo corajoso e expressivo de mulheres jornalistas mostrou como: coletivamente. Produziu um manifesto contra a agressão misógina, levando organizações e pessoas a se posicionarem publicamente sobre isso. Os céticos poderão dizer que abaixo-assinados não resolvem os problemas do mundo, e eles estão certos. Mas a resposta aos ataques de Bolsonaro e companhia passa necessariamente pela ação coletiva e pela organização dos jornalistas.

Se os super-ricos se reúnem em Davos, se os grandes industriais almoçam juntos na Fiesp, se os patrões incham os cofres das suas associações classistas, por que o jornalista – que é bem mais fraco – deve enfrentar esses ataques sozinho? Repórteres, redatores, editores, produtores de conteúdo precisam buscar seus sindicatos e associações jornalísticas, pois são ambientes que podem protegê-los e que podem organizar reações.

Organização e ação

É suicídio tentar reagir sozinho às provocações dos poderosos de plantão, já que, muitas vezes, o jornalista não encontra amparo ou apoio na empresa em que trabalha. O departamento jurídico não dá respaldo, os superiores não fornecem orientações ou equipamentos de segurança. O profissional se vê solitário, cercado por quem o odeia, sem muita chance para responder.

É preciso reagir coletivamente à agenda anti-jornalística que querem impor ao país. Jornalistas não podem ser ofendidos quando estão fazendo o seu trabalho. Não podem ser perseguidos por autoridades, constrangidos publicamente, e linchados nas redes sociais apenas porque investigam, apuram informações ou fazem as perguntas certas nos momentos incertos.

Os sindicatos, os coletivos profissionais e as associações são os lugares certos para reorganizar a categoria porque são ambientes legítimos, representativos e construídos coletivamente. Você pode até não concordar com os rumos que o seu sindicato está tomando, mas como associado pode criticar, cobrar e disputar posição. Você pode até não acreditar no sindicato como instituição de luta, mas vai se organizar onde e de que forma? Você pode achar que não vale a pena agir coletivamente porque abomina toda forma de corporativismo, mas vai apanhar sozinho enquanto seus algozes agem em bandos? Não precisamos inventar a roda de novo! Se essas entidades já existem, por que não encontrar nelas os meios de reagir às agressões que sofremos? Por que não discutir dentro delas as maneiras de garantir dignidade e respeito profissional?

Nos sindicatos, na Fenaj e na Abraji, podem ser implementados programas de proteção a jornalistas, e podem ser oferecidos cursos de capacitação e segurança. Nesses locais, podem ser debatidos meios jurídicos para se contrapor a ataques, e podem ser formulados projetos de lei que assegurem condições profissionais seguras. Campanhas de valorização da categoria podem ser gestadas, e formas de diálogo com outras entidades e a sociedade podem ser criados.

Enfim, há muitos caminhos a serem trilhados, mas a jornada é coletiva. Em grupo, fazemos mais barulho e somos mais numerosos. Em grupo, somos mais inteligentes, mais fortes e chegamos mais longe. A unidade, o senso coletivo e alguma disposição para cooperar podem nos tirar da imobilidade em que estamos, sendo ofendidos, oprimidos e perseguidos. Isso tem acontecido porque estamos fazendo jornalismo, e tentando garantir o direito à informação de cidadãos e cidadãs. Algumas forças se opõem a essa condição. Oferecer resistência é uma obrigação moral de cada jornalista. Precisamos de imaginação e organização para reagir, porque fortalecer o exercício profissional é fortalecer o jornalismo e a democracia.

(*) Professor da UFSC e pesquisador do objETHOS

Até Caco Antibes repudia declarações de Guedes

Miguel Falabella comentou a comparação de Paulo Guedes com Caco Antibes, um de seus papéis mais marcantes na televisão. Para o ator e diretor, é “lamentável” que uma declaração de um ministro faça lembrar o marido de Magda em “Sai de baixo”, famoso por dizer que “tem horror a pobre”.

Miguel Falabella comenta comparação entre Paulo Guedes e Caco Antibes: 'Vergonha para o ministro'

— Caco Antibes é um personagem psicótico da ficção, que representa o que há de pior na elite brasielira. Ser comparado a ele deveria ser uma vergonha pro ministro. Uma vergonha — afirmou Falabella.

Na última quarta-feira, o ministro da Economia defendeu em um evento em Brasília que o dólar alto era bom para o país. Durante sua argumentação, ele afirmou que antes, com a moeda baixa, era uma “festa danada” e que empregadas domésticas estavam visitando a Disney e que, ao invés disso, deveriam fazer turismo no Brasil.

— Todo mundo indo para a Disneylândia, empregada doméstica indo para Disneylândia, uma festa danada. Pera aí. Vai passear ali em Foz do Iguaçu, vai passear ali no Nordeste, está cheio de praia bonita. Vai para Cachoeiro do Itapemirim, vai conhecer onde o Roberto Carlos nasceu, vai passear no Brasil, vai conhecer o Brasil. Está cheio de coisa bonita para ver — disse.

Na quarta-feira, o dólar bateu o quarto recorde consecutivo em relação ao real. A moeda americana encerrou o dia vendida a R$ 4,3505, em alta de 0,55%. (Do Extra)

Leão arranca bem na Copa BR

POR GERSON NOGUEIRA

Ainda não foi a atuação que a torcida espera ver, mas o Remo que derrotou o Freipaulistano foi valente e aplicado, justamente o que não se viu nos jogos mais recentes pelo Parazão. O time sofreu um gol aos 20 minutos, mas não se abalou. Conseguiu empatar ainda no 1º tempo e teve forças para ir busca a vitória na etapa final.

Conforme o relato de Valmir Rodrigues e Paulo Caxiado, na Rádio Clube, o confronto foi movimentado e disputado em alta intensidade. O forte calor da região foi compensado pela chuva que caiu na hora do jogo em Frei Paulo.

O Remo enfrentou dificuldades para conter a pressão inicial do time da casa, apesar de mais organizado nas saídas de bola. O trabalho de ligação com o ataque foi facilitado pela queda de rendimento do Freipaulistano a partir da metade do primeiro tempo, cedendo espaços e aceitando a movimentação do time paraense.

O gol de abertura surgiu quando o Remo já controlava as ações. Um rebote do goleiro Vinícius permitiu a finalização de Luan. O Remo saiu para igualar o marcador e acabou chegando lá meio ao sabor do acaso. Um escanteio bem cobrado por Gustavo Ermel foi desviado de cabeça por Fredson para as redes.

As dificuldades do Freipaulitano para trocar passes e estabelecer pressão abriam espaços para que o meio-campo remista, com Douglas Packer e Charles mais agressivos, trabalhasse bem a bola e fosse conduzido o jogo da maneia mais conveniente ao Remo. Só de vez em quando o time da casa chegava, mas sem capricho nas finalizações.

Depois de um 1º tempo equilibrado, o segundo período foi morno inicialmente, mas o Remo podia ter obtido a virada aos 10 minutos, quando o lateral Ronaell perdeu um gol cara a cara com o goleiro Andrade.

Minutos depois, Ermel foi derrubado na área, bem na frente do árbitro, mas o lance seguiu. Aos 24 minutos, em cruzamento de Ronael, que atravessou toda a extensão da pequena área, Ermel conseguiu finalizar de primeira e sem ângulo, aproveitando falha de posicionamento da zaga.

Rafael Jaques

O gol tranquilizou os remistas. Rafael Jaques substituiu Packer, exaurido, por Robinho. O Touro do Agreste ainda buscou uma pressão final, mas faltava fôlego e competência. O Remo se defendia bem, embora recuado em excesso. Djalma substituiu Ermel e Neguete ainda entrou no lugar de Chales, mas o jogo já estava definido.

A classificação é importante, principalmente no aspecto financeiro (premiação de R$ 1.190.000,00), e ajuda a atenuar as cobranças do torcedor, mas o resultado não deve criar a ilusão de que o time está ajustado. Longe disso. Continuam os chutões, as bolas rifadas, a baixa produção pelos lados e, principalmente, a falta de um plano tático.

De todo modo, cabe destacar a aplicação e a capacidade de reação da equipe, saindo de um resultado adverso para arrancar a vitória. Sinais de amadurecimento e controle emocional. Para isso, contribuiu muito a velocidade e os dribles de Ermel, atacante que inexplicavelmente não entrou de cara contra o PSC, mas que não pode ser reserva.

Explicações tardias sobre equívoco no Re-Pa

Depois do jogo em Frei Paulo, aliviado da pressão que havia em torno de seu trabalho, Rafael Jaques deu-se ao trabalho de tentar explicar o motivo de ter barrado seu atacante mais habilidoso e rápido no Re-Pa, justamente quando o adversário improvisou um zagueiro na lateral direita. Não convenceu ao dizer que optou por Wesley, pois este vinha fazendo gols.

A questão não era de finalização, mas de exploração das faixas laterais do campo. E quem disse que Wesley não podia ter entrado, jogando pela direita? Nesse caso, tiraria Robinho, que passou o jogo errando passes, sem ajudar nas ações do meio-campo e sem ir à frente.

Continua a impressão de que Jaques nem sabia ao certo quem era Perema. Tanto que, minutos depois de Ermel entrar e levar ampla vantagem sobe o zagueiro, o técnico mandou que ficasse na direita, abrindo mão de explorar o lado mais vulnerável do rival.

Estranho mesmo é não ter sido avisado pelos auxiliares, principalmente os que conhecem bem o futebol paraense e o PSC.

Algo que faz pensar.

Papão tem novo candidato para organizar a meiúca

O PSC se prepara para encarar o líder do Campeonato Estadual e Hélio dos Anjos, acertadamente, se preocupa com a organização do meio-campo. Alex Maranhão, que chegou como opção para a parte criativa, perdeu espaço e foi barrado no Re-Pa, entrando apenas no final.

Com mais qualidade técnica entre os volantes, PH deve ser encarregado da função de articula o time contra o Paragominas, equipe que faz da velocidade na transição seu principal trunfo. Os treinos vêm mostrando que o segundo volante deve exerce essa tarefa.

O técnico bicolor sabe que no Re-Pa era razoável atuar sem um meia de ligação, pois a marcação era prioridade absoluta – e o plano deu certo. Já contra um adversário que presumivelmente vai jogar fechado, o PSC terá que elaborar jogadas e propor o jogo.

Botafogo faz mesmas apostas de 25 anos atrás

Paulo Autuori era o técnico do título brasileiro do Botafogo em 1995. Clube que cultiva misticismo e superstição, com dirigentes extremamente devotos da tradição, o Alvinegro aposta outra vez no mesmo comandante, que já havia até se aposentado da função, atuando mais como diretor de futebol nos últimos anos.

Calo Augusto Montenegro, homem forte do futebol botafoguense, também trabalhava há 25 anos. A aposta no passado pode atrapalhar o presente e compromete o futuro do Botafogo. Com Honda e tudo.

(Coluna publicada na edição do Bola desta quinta-feira, 13)

Glauber Braga sofre ameaças após chamar Moro de "capanga da milícia"

O deputado federal Glauber Braga (PSOL-RJ), depois do embate com o ministro da Justiça, Sérgio Moro, na Câmara, nesta quarta-feira (12), passou a ser alvo de ataques virtuais orquestrados por apoiadores do ex-juiz, muitos deles também parte da milícia digital bolsonarista que atua nas redes.

O termo “desqualificado”, em referência a resposta que Moro deu a Braga depois que o ministro foi chamado de “capanga da milícia”, chegou aos Trending Topics do Twitter com a ajuda de robôs. Além disso, o perfil do deputado foi tomado por comentários de apoiadores de Moro e Bolsonaro, muitos deles com ameaças.

Olá gente. Robôs e milicianos virtuais de Moro, capanga da família bolsonaro, entraram aqui pra nos intimidar. Não conseguirão. Podem vir quentes que eu estou fervendo!!! #MoroCapangaDaMilicia18,1 mil

Capanga da milícia

O deputado federal Glauber Braga (PSOL-RJ) voltou a enfrentar o ministro da Justiça, Sérgio Moro, em audiência na Câmara dos Deputados. O parlamentar questionou o silêncio do ex-juiz federal sobre o elo da família Bolsonaro com as milícias.

“Eu não tenho outra coisa a dizer a não ser chamar o ministro da Justiça, que blinda a família Bolsonaro em relação a esses temas, de capanga da milícia. É isso que ele é”, disparou o parlamentar.

Antes de falar do ministro, Glauber criticou os parlamentares bolsonaristas presentes na sessão. “Vocês ficam inquietos com a minha fala porque querem que a milícia no Brasil não seja devidamente apontada como crime organizado porque ela faz parte da estruturação do projeto de poder dos senhores”, afirmou.

O paraense Éder Mauro, irritado com as manifestações de Glauber, tentou intimidá-lo e chegou a xingar a mãe do deputado do Rio.