Leão desafia Brusque de olho na premiação da Copa do Brasil

Imagem

Brusque e Remo jogam pela segunda fase da Copa do Brasil, às 21h30 (horário de Brasília), no estádio Augusto Bauer, em Santa Catarina. Em caso de empate no tempo normal, a decisão será nas penalidades. Quem avançar pega o vencedor de Brasil de Pelotas x Manaus e ainda embolsa R$ 1,5 milhão de premiação da CBF.

Líder do Campeonato Catarinense e garantido nas quartas de final de forma antecipada, o Brusque tenta avançar na Copa do Brasil. O time comandado por Jersinho Testoni tem apenas uma derrota em oito partidas na temporada. Na fase anterior, eliminou o Sport-PE ao vencer, por 2 a 1, também no Augusto Bauer.

O Remo encara a partida como prioridade neste começo de temporada, de olho na cota de R$ 1,5 milhão da terceira fase. Esse dinheiro irá ajudar no pagamento de dívidas do clube e possibilitará investimentos para a disputa da Série C do Brasileiro.

A tendência é que o Brusque utilize a mesma base que tem usado nos jogos do estadual. Sem contar com o lateral-direito João Carlos, lesionado, Gustavo Henrique permanece no setor. No ataque, Edilson também continua lesionado. Com isso, a posição de titular segue com Alex Sandro, ex-Remo.

Rafael Jaques poupou atletas na partida do último sábado, contra o Águia, pelo Campeonato Paraense. Com isso, os zagueiros Fredson e Mimica, o lateral Ronaell, os volantes Xaves e Charles, o meia Douglas Packer e os atacantes Jackson e Gustavo Ermel devem retornar à equipe titular.

Sobre cretinice gourmet

Por Paulo Brondi (*)

Bolsonaro é um cafajeste. Não há outro adjetivo que se lhe ajuste melhor.
Cafajestes são também seus filhos, decrépitos e ignorantes. Cafajeste é também a maioria que o rodeia.
Porém, não é só. E algo que se constata é pior. Fossem esses os únicos cafajestes, o problema seria menor.
Mas, quantos outros cafajestes não há neste país que veem em Bolsonaro sua imagem e semelhança?
Aquele tio idiota do churrasco, aquele vizinho pilantra, o amigo moralista e picareta, o companheiro de trabalho sem-vergonha…
Bolsonaro, e não era segredo pra ninguém, reflete à perfeição aquele lado mequetrefe da sociedade.
Sua eleição tirou do armário as criaturas mais escrotas, habitués do esgoto, que comumente rastejam às ocultas, longe dos olhos das gentes.
Bolsonaro não é o criador, é tão apenas a criatura dessa escrotidão, que hoje representa não pela força, não pelo golpe, mas, pasmem, pelo voto direto. Não é, portanto, um sátrapa, no sentido primeiro do termo.
Em 2018 o embate final não foi entre dois lados da mesma moeda. Foi, sim, entre civilização e barbárie. A barbárie venceu. 57 milhões de brasileiros a colocaram na banqueta do poder.
Elementar, pois, a lição de Marx, sempre atual: “não basta dizer que sua nação foi surpreendida. Não se perdoa a uma nação o momento de desatenção em que o primeiro aventureiro conseguiu violentá-la”.
Muitos se arrependeram, é verdade. No entanto, é mais verdadeiro que a grande maioria desse eleitorado ainda vibra a cada frase estúpida, cretina e vagabunda do imbecil-mor.
Bolsonaro não é “avis rara” da canalhice. Como ele, há toneladas Brasil afora.
A claque bolsonarista, à semelhança dos “dezembristas” de Luís Bonaparte, é aquela trupe de “lazzaroni”, muitos socialmente desajustados, aquela “coterie” que aplaude os vitupérios, as estultices do seu “mito”. Gente da elite, da classe média, do lumpemproletariado.
Autodenominam-se “politicamente incorretos”. Nada. É só engenharia gramatical para “gourmetizar” o cretino.
Jair Messias é um “macho” de meia tigela. É frágil, quebradiço, fugidio. Nada tem em si de masculino. É um afetado inseguro de si próprio.
E, como ele, há também outras toneladas por aí.
O bolsonarismo reuniu diante de si um apanhado de fracassados, de marginais, de seres vazios de espírito, uma patuléia cuja existência carecia até então de algum significado útil. Uma gentalha ressentida, apodrecida, sem voz, que encontrou, agora, seu representante perfeito.
O bolsonarismo ousou voar alto, mas o tombo poderá ser infinitamente mais doloroso, cedo ou tarde.
Nem todo bolsonarista é canalha, mas todo canalha é bolsonarista.
Jair Messias Bolsonaro é a parte podre de um país adoecido.

Paulo Brondi é promotor de Justiça em Jataí, Goiás

O calvário das penalidades

Paysandu x CRB

POR GERSON NOGUEIRA

O Papão está fora da Copa do Brasil, eliminado na série de penalidades pelo CRB. Deve ser algo que transcende as linhas do campo. Foi a quarta eliminação do PSC desde o ano passado. Antes do jogo de ontem, o time havia caído frente ao Bragantino no Parazão, derrotado pelo Náutico na Série C e vencido pelo Cuiabá na Copa Verde.

A perda da classificação na Copa BR foi sentida principalmente pelo prejuízo financeiro. O bônus de R$ 1,5 milhão seria um bálsamo para aliviar as combalidas contas do clube.

Ao longo dos 90 minutos, o PSC lutou bravamente, tendo sido prejudicado em dois lances capitais. O primeiro foi o gol de Micael, anulado erradamente pela arbitragem. A segunda marcação equivocada foi o pênalti assinalado em dividida de Tony com Luidy.

Paysandu x CRB, Curuzu, Copa do Brasil

O lateral chegou primeiro e tocou na bola. O atrapalhado mediador marcou a falta fatal e Léo Gamalho converteu. Por sorte, dois minutos depois, o PSC foi ao ataque e conseguiu o empate. A bola foi cruzada na área e, em lance de oportunismo, Caíque deixou tudo igual.

O equilíbrio no placar seria mantido até o fim, apesar de algumas tentativas do Papão. Alex Maranhão acertou um disparo na trave, mas o ataque paraense ficou nisso. Nicolas tentava avançar, mas não tinha parceria para entrar na área. Poucas jogadas foram produzidas, apesar do recuo e visível cansaço do time alagoano após os 20 minutos do 2º tempo.

Nos penais, o time de Hélio dos Anjos parece entrar já em alto grau de abatimento. O grau de acertos parecia indicar que desta vez seria diferente, mas na quarta cobrança Micael bateu no canto e o goleiro agarrou. Fica para a próxima. (Fotos: Marx Vasconcelos e Jorge Luiz/Ascom PSC)

Estatuto pode ganhar rigor contra organizadas

A Câmara dos Deputados discute, em regime de urgência, projeto de lei que pode dar ao Estatuto do Torcedor o instrumento da prisão de torcedores envolvidos em baderna, violência ou depredação de ambientes, dentro ou fora dos estádios. Hoje, a legislação é mais branda: prevê apenas o banimento desses grupos dos estádios até por cinco anos.

O projeto, de autoria do deputado federal Felipe Carreras (PSB/PE), quer instituir uma pena de reclusão de 3 a 6 anos para esse tipo exclusivo de conflito, além de multa a ser estabelecida pela Justiça. 

Há também um adendo importante relacionado aos clubes. Torcidas organizadas patrocinadas pelas agremiações e que sejam envolvidas em tumultos acarretarão responsabilidade solidária em casos de danos ao patrimônio.

Para o parlamentar que propõe as mudanças, o Estatuto do Torcedor acaba aliviando as coisas para os torcedores turbulentos, pois passam por um castigo e ficam proibidos de ir a estádios de futebol. A partir de agora, suas ações serão criminalizadas pela justiça comum de acordo com o estatuto.

A conferir.

Brusque x Remo: uma batalha de alta intensidade

O Remo tem seu jogo mais complicado da temporada, hoje, em Brusque, diante do entusiasmado time da casa, que eliminou o Sport na primeira fase da Copa do Brasil. Último representante paraense na competição, o Leão terá que fazer a melhor apresentação da temporada para seguir adiante.

Justamente aí reside a desconfiança da torcida remista. Rafael Jaques comanda a equipe, mas passa impressão de ainda não conhecer as características de seus jogadores. A escalação é sempre questionada, assim como as substituições durante os jogos.  

Há a especulação de que o time terá um meio-campo com Xaves, Laílson e Douglas Packer. Não é, seguramente, a melhor formação para o setor. Charles, Gelson e Djalma têm mais qualidade que Xaves, volante de pífio desempenho até o momento, lento e de passe ruim.  

Muitos problemas para um meio-campo só. A coisa piora se Jaques apostar fichas em Robinho, jogador que permanece titular apesar de pouco render.

Pelo que foi visto no jogo contra o Águia, sábado, Hélio Borges pede passagem e deveria ter chance no ataque. Rápido e insistente, pode ser o atacante ideal para puxar contra-ataques em confronto que deve ter o Brusque buscando o ataque com mai insistência.

Volpe: adeus à voz mais elegante do esporte na TV

Conheci Luís Alberto Volpe como apresentador de “Grandes Momentos do Futebol”, programa icônico da Cultura de S. Paulo. Fiquei impressionado com o jeito quase bossa-nova de narrar futebol. Timbre elegante, educado ao extremo, num tempo em que narradores precisavam ter vozeirão.

Sem dúvida, Volpe era incomum, diferenciado de tudo o que se via na TV. Continuei a acompanhar o seu trabalho em participações na ESPN, principalmente no “Histórias do Futebol”, série de documentários caprichados que a emissora fazia nos bons tempos de José Trajano.

O estilo sóbrio transmitia sempre a certeza de que era possível haver uma segunda via de comunicação no futebol. Algo como também fazia Januário de Oliveira numa linha mais descontraída e espirituosa, mas sempre com a voz bem colocada, sem gritos desnecessários.

As notícias acerca de sua morte, anteontem, acabaram por revelar para muitos (como eu) que ele estava desempregado desde que foi demitido da ESPN em 2015. Incrível – e triste – como um profissional de tamanho talento e grandeza estava em disponibilidade na fase mais madura da carreira. Vai fazer (muita) falta.

(Coluna publicada na edição do Bola desta quinta-feira, 20)