Elite brasileira também é da bagaça

Por Moisés Mendes

As entidades de sempre se repetem nas manifestações de repúdio à agressão de Bolsonaro à repórter Patrícia Campos Mello, da Folha. Saíram notas das entidades dos jornalistas, de jornais e da OAB e foram publicadas manifestações de líderes de partidos, inclusive da direita.

Mas não há uma nota, uma só, de entidades que representam o que o Brasil tem de pior hoje depois dos Bolsonaros. Não há uma nota, uma fala, um pio de entidades empresariais ou ligadas às atividades de quem ganha dinheiro com o bolsonarismo.

As entidades que congregam o “liberalismo” fajuto à brasileira, o liberalismo que apoia golpes, que se cumplicia com milicianos, que aplaude piadas racistas, essas entidades estão quietas. Porque o reacionarismo empresarial brasileiro respalda Bolsonaro.

Os métodos do bolsonarismo se sustentam pelo lastro dos liberais de araque, incluindo cientistas prestativos, muitos professores e juristas que se dizem conservadores, mas são hoje aliados da extrema direita. A estrutura montada por Bolsonaro só existe porque é patrocinada pelos empresários e seus agregados.

A adesão dos liberais ao projeto de Bolsonaro não é ocasional nem oportunista, só para que Bolsonaro leve adiante as reformas que o mercado pede.

Bolsonaro é o comandante de um projeto estrutural. O liberalismo optou por aderir a qualquer governo que leve adiante suas ideias e sua sanha predatória, a qualquer custo, porque não haveria como obter resultados ‘liberalizantes’ sem controle absoluto do poder.

A briga da Folha e do Globo com os Bolsonaros é um ponto fora da curva desse conluio das elites. Globo e Folha estariam de fora do acerto só porque têm seus interesses contrariados por Bolsonaro.

O resto é tudo do mesmo time. A elite brasileira é politicamente retrógrada e culturalmente bagaceira. Não há nenhuma nota de repúdio dos empresários às ofensas de Bolsonaro à jornalista porque eles são da mesma turma.

Para a Fiesp, para os latifundiários, banqueiros, grileiros, para destruidores de matas e rios e profissionais ditos liberais, Bolsonaro é o operador de um grande plano.

Não existe nenhum constrangimento com o que Bolsonaro, os filhos dele, Paulo Guedes, Weintraub, Salles e Damares dizem. O que todos eles dizem publicamente os empresários dizem entre eles.

A bagaceirada da política chegou ao poder porque os bagaceiros da elite empresarial pertencem à mesma laia. A elite brasileira já era bolsonarista antes da existência de Bolsonaro.

Em editorial, Folha diz que presidente “desrespeita requisitos legais e comete crime de responsabilidade”

Da Folha de SP:

Ao completar 99 anos de fundação, esta Folha está mais uma vez sob ataque de um presidente da República. Jair Bolsonaro atiça as falanges governistas contra o jornal e seus profissionais, mas seu alvo final não é um veículo nem tampouco a imprensa profissional. Ele faz carga contra o edifício constitucional da democracia brasileira.

Frustraram-se, faz tempo, as expectativas de que a elevação do deputado à suprema magistratura pudesse emprestar-lhe os hábitos para o bom exercício do cargo. É a Presidência que vai se contaminando dos modos incivis, da ignorância entranhada, do machismo abjeto e do espírito de facção trazidos pelo seu ocupante temporário.

O chefe de Estado comporta-se como chefe de bando. Seus jagunços avançam contra a reputação de quem se anteponha à aventura autoritária. Presidentes da Câmara e do Senado, ministros do Supremo Tribunal Federal, governadores de estado, repórteres e organizações da mídia tornaram-se vítimas constantes de insultos e ameaças.

Há método na ofensiva. Os atores agredidos integram o aparato que evita a penetração do veneno do despotismo no organismo institucional. Bolsonaro não tem força no Congresso nem sequer dispõe de um partido. Testemunha a redução de prerrogativas da Presidência, arriscada agora até de perder o pouco que lhe resta de comando orçamentário.

Escolhe a tática de tentar minar o sistema de freios e contrapesos. Privilegia militares com verbas, regras e cargos, e o exemplo federal estimula o apetite de policiais nos estados. Governadores são expostos por uma bravata presidencial sobre preços de combustíveis a um embate com caminhoneiros.

Pistoleiros digitais, milicianos e uma parte dos militares compõem o contingente dos sonhos do presidente para compensar a sua pequenez, satisfazer a sua índole cesarista e desafiar o rochedo do Estado democrático de Direito.

Não tem conseguido conspurcar a fortaleza, mas os choques vão ficar mais frequentes e incisivos caso a resposta das instituições esmoreça. A democracia é o regime da responsabilidade, o que implica a necessidade de punir a autoridade que se desvia da lei.

Defender o reemprego de um ato que fechou o Congresso Nacional, como fez o deputado Eduardo Bolsonaro ao invocar o AI-5, não deveria ser considerado deslize menor pelos colegas que vão julgá-lo no Conselho de Ética.

As imunidades para o exercício da política não foram pensadas para que mandatários possam difamar, injuriar e caluniar cidadãos desprovidos de poder, como está ocorrendo. Dignidade, honra e decoro são requisitos legais para a função pública. O presidente que os desrespeita comete crime de responsabilidade.

Ao entrar no seu centésimo ano, a Folha está convicta de que o jogo sujo encontrará a resposta das instituições democráticas. Elas, como o jornalismo, têm vocação de longo prazo. Jair Bolsonaro, não.

Vale tudo: comissão arquiva caso Wajngarten sem investigar

Fábio Wajngarten e Jair Bolsonaro

Por 4 votos a 2, a Comissão de Ética Pública da Presidência de República arquivou nesta terça-feira (18), mesmo sem instaurar uma investigação, denúncia sobre conflito de interesse que envolve o chefe da Secom (Secretaria Especial de Comunicação Social), Fabio Wajngarten. A reportagem é do jornal Folha de S.Paulo

O secretário recebe, por meio de uma empresa da qual é sócio majoritário, a FW Comunicação, dinheiro de TVs e de agências de publicidade contratadas pelo próprio órgão que ele comanda, ministérios e estatais do governo Jair Bolsonaro, acrescenta a reportagem.

Entre os contratantes da FW estão Record e Band, além da agência Artplan. As três passaram a ser contempladas com percentuais maiores da verba da Secom na gestão de Wajngarten, que começou em abril passado, o que configura conflito de interesses.

Em depoimento à Comissão de ética, ele chegou a omitir informações sobre as atividades de sua empresa e os contratos mantidos por ela com TVs e agências de propaganda que têm contratos com a Secretaria. 

História centenária do Leão vira exposição em shopping

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Exposição que conta um pouco dessa história fica até 01 de março no Shopping Bosque Grão-Pará.

O Clube do Remo segue com a campanha Remo 115 anos. Vários eventos já foram realizados, como Festival Gastronômico, Natal Solidário, Projeto Circular, aniversário e lançamento da nova camisa, além da exposição, que conta um pouco da história do Clube. A exposição Remo115 continua apresentando várias fotos marcantes, informações e datas que estão presentes nas memórias dos remistas. Ídolos como “Periçá”, e outros nomes que fazem parte da história do Leão Azul.

Desde hoje, dia 18, a exposição está disponível no Shopping Bosque Grão-Pará, e permanece até o dia 01 de março. O evento contará com a presença do meia Carlos Alberto, na noite desta terça, a partir das 18h.

Quem já marcou presença na exposição conta como foi a experiência. O torcedor Alexandre Rodrigues, contou o que chamou sua atenção para visitar. “O que chamou minha atenção foram os dois troféus, a Pequena Taça do Mundo e a do Brasileirão Série C. Fui em quase todos os jogos da Série C que tiveram aqui em Belém. A exposição está bem interessante, achei bem organizada, como muitas vezes as pessoas passam rápido, não param parar ler textos imensos, essa está bem focada, dá para tirar um tempinho e ler sobre a história do Clube do Remo”, comentou.

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Os torcedores já puderam acompanhar na sede social e náutica do Clube. A intenção é que a exposição percorra a maior parte dos espaços públicos fechados da cidade, incluindo shoppings e pontos turísticos.

Serviço:

Exposição Remo115

Shopping Bosque Grão-Pará

Período: 18/02 a 01/03

Local: Hall de entrada – Térreo

Horário: 10 às 22h

(Com informações da Agencia EKO)

ABI requer à PGR pedido de impeachment contra Bolsonaro por quebra de decoro

“Este comportamento misógino desmerece o cargo de Presidente da República e afronta a Constituição Federal”, afirma a nota da Associação Brasileira de Imprensa, a ABI, que informa que vai requerer junto à Procuradoria-Geral da República (PGR) “que cumpra o seu papel constitucional, denunciando a quebra de decoro pelo ex-capitão Jair Bolsonaro”.

Confira a íntegra da nota assinada pelo presidente da ABI, Paulo Jeronimo de Sousa:

Nota oficial da ABI

Nesta terça-feira, mais uma vez, para vergonha dos brasileiros, que têm o mínimo de educação e civilidade, o presidente da República, Jair Bolsonaro, é ofensivo e agride, de forma covarde, a jornalista Patrícia Campos Mello, da Folha de S. Paulo.

Este comportamento misógino desmerece o cargo de Presidente da República e afronta a Constituição Federal. 

O que temos visto e ouvido, quase cotidianamente, não se trata de uma questão política ou ideológica. Cada dia mais, fica patente que o presidente precisa, urgentemente, de buscar um tratamento terapêutico.

A ABI conclama a sociedade brasileira a reagir às demonstrações do “Cavalão”, como era conhecido Bolsonaro na caserna, e requer à Procuradoria Geral da República que cumpra o seu papel constitucional, denunciando a quebra de decoro pelo ex-capitão Jair Bolsonaro.

Paulo Jeronimo de Sousa

Presidente da Associação Brasileira de Imprensa

Difamador tem de responder pelo seu crime

Por Fernando Brito

Aguarda-se a providência devida para a representação contra o sr. Jair Bolsonaro pelo crime de difamação – artigo 149 do Código Penal: “Difamar alguém, imputando-lhe fato ofensivo à sua reputação: Pena – detenção, de três meses a um ano, e multa – em razão do espetáculo sórdido que protagonizou hoje.

Patricia Campos Mello, a jornalista profissional atingida pelo coice presidencial, deve representar à Procuradoria Geral da República que, nos termos de decisão do Supremo Tribunal Federal (Súmula 714) tem competência concorrente à do ofendido para promover denúncia judicial junto ao Supremo Tribunal Federal.

Entidades nacionais – e qualquer um do povo – podem também representar contra o presidente da República, nos termos do Art. 14, combinado com o Artigo 9°, item 7, da Lei 1.079/50, que cuida do impeachment do chefe de Estado quando este “proceder de modo incompatível com a dignidade, a honra e o decoro do cargo.”

Neste caso, a denúncia é apresentada ao Presidente da Câmara, Rodrigo Maia, que designará comissão para examiná-la em dez dias e submeterá seu parecer ao Plenário, após a eventual contestação.

Este é o caminho – infelizmente, o da bofetada num poltrão que fala assim de uma mulher, anda interditado politicamente, embora eu ache que um tapa dado nestas circunstância deveria ter excludente de ilicitude – do mínimo que se pode esperar diante do que aconteceu.

Não é só a decência, o decoro, as maneiras civilizadas que foram violados. Foi a lei. O cidadão que ocupa a presidência cometeu um crime e, como qualquer um, deve responder por ele.

Foi com a indulgência com este comportamento que ele chegou ao Planalto e, pior, fez parte significativa da população acreditar que é possível atentar – por enquanto com palavras – contra a honra, a liberdade e a democracia.

A não ser que a lei agora seja, mais que morta, letra sepultada, é isso o que terá de ocorrer.

Gelson, destaque na vitória sobre o Águia, pede paciência à torcida

Águia 0x1 Remo (Gelson)

No último final de semana, com bom desempenho na primeira etapa e queda de rendimento no 2º tempo, o Remo passou pelo Águia marcando 1 a 0. A vitória manteve o time entre os líderes do Parazão e foi bastante valorizada pelo técnico Rafael Jaques.

Jaques observou que a atuação da equipe foi prejudicada pela falta de ritmo de alguns jogadores e pelo gramado encharcado do Mangueirão.

Entre os oito jogadores considerados suplentes que iniciaram a partida, um em especial saiu valorizado e aplaudido. Gelson, que havia entrado no Re-Pa com atuação muito contestada, saiu de campo sob protestos da torcida, que criticou sua substituição vaiando o técnico Rafael Jaques.

A elogiada participação de Gelson, comandando as ações do meio-campo com desenvoltura e aparecendo no ataque para finalizações – quase marcou um gol logo aos 3 minutos -, foi um dos pontos altos do time mesclado, que teve também Hélio, Djalma e Neguete em destaque.

Gelson aproveitou para pedir mais paciência à torcida e prometeu evoluir ainda mais. “Creio que fiz o que o Rafael (Jaques) pediu, me movimentar bastante no meio-campo, trocar passes, infiltrar. Poderia ter saído o gol logo no início. No segundo tempo, aconteceram algumas infiltrações, mas a jogada não terminou em mim. Creio que não só eu, mas todo mundo estava sem ritmo, há um tempo sem jogar”, avaliou.

“Acredito que fizemos uma boa partida. O torcedor saiu um pouco aborrecido no final, pois a gente recuou. O time teve uma queda de produção em razão do cansaço. A torcida tem que entender um pouco a gente. Demos o nosso melhor”, acrescentou. (Com informações da Rádio Clube e DOL)

D. Odilo: “Entre um franco-atirador oportunista e o Papa, fique com o Papa e a Igreja”

Dom Odilo Scherer:

“Por esses dias estão sendo publicadas muitas asneiras sobre o Papa. Quem é Católico, use apenas o bom senso e ñ se deixe levar por reflexões inflamadas. As mentiras e calúnias têm vida curta. Entre um franco atirador oportunista e o Papa, fique com o Papa e a Igreja”.

Em nota, Folha diz que Bolsonaro violou decoro ao agredir repórter

Da Folha de S.Paulo

(…)

A Folha divulgou a seguinte nota sobre o insulto de Bolsonaro: “O presidente da República agride a repórter Patrícia Campos Mello e todo o jornalismo profissional com a sua atitude. Vilipendia também a dignidade, a honra e o decoro que a lei exige do exercício da Presidência”.

A frase do dia

“Não se trata mais do risco do autoritarismo, mas da face oculta de todas as ditaduras, a violência acobertada pelo Estado ou por ele promovida. As impressões digitais são a prova que vivemos de novo às portas de uma nova ditadura. Aos poucos, vamos nos dando conta como nos custará caro ter anistiado os crimes da ditadura”.

José Dirceu, ex-ministro