Leão arranca bem na Copa BR

POR GERSON NOGUEIRA

Ainda não foi a atuação que a torcida espera ver, mas o Remo que derrotou o Freipaulistano foi valente e aplicado, justamente o que não se viu nos jogos mais recentes pelo Parazão. O time sofreu um gol aos 20 minutos, mas não se abalou. Conseguiu empatar ainda no 1º tempo e teve forças para ir busca a vitória na etapa final.

Conforme o relato de Valmir Rodrigues e Paulo Caxiado, na Rádio Clube, o confronto foi movimentado e disputado em alta intensidade. O forte calor da região foi compensado pela chuva que caiu na hora do jogo em Frei Paulo.

O Remo enfrentou dificuldades para conter a pressão inicial do time da casa, apesar de mais organizado nas saídas de bola. O trabalho de ligação com o ataque foi facilitado pela queda de rendimento do Freipaulistano a partir da metade do primeiro tempo, cedendo espaços e aceitando a movimentação do time paraense.

O gol de abertura surgiu quando o Remo já controlava as ações. Um rebote do goleiro Vinícius permitiu a finalização de Luan. O Remo saiu para igualar o marcador e acabou chegando lá meio ao sabor do acaso. Um escanteio bem cobrado por Gustavo Ermel foi desviado de cabeça por Fredson para as redes.

As dificuldades do Freipaulitano para trocar passes e estabelecer pressão abriam espaços para que o meio-campo remista, com Douglas Packer e Charles mais agressivos, trabalhasse bem a bola e fosse conduzido o jogo da maneia mais conveniente ao Remo. Só de vez em quando o time da casa chegava, mas sem capricho nas finalizações.

Depois de um 1º tempo equilibrado, o segundo período foi morno inicialmente, mas o Remo podia ter obtido a virada aos 10 minutos, quando o lateral Ronaell perdeu um gol cara a cara com o goleiro Andrade.

Minutos depois, Ermel foi derrubado na área, bem na frente do árbitro, mas o lance seguiu. Aos 24 minutos, em cruzamento de Ronael, que atravessou toda a extensão da pequena área, Ermel conseguiu finalizar de primeira e sem ângulo, aproveitando falha de posicionamento da zaga.

Rafael Jaques

O gol tranquilizou os remistas. Rafael Jaques substituiu Packer, exaurido, por Robinho. O Touro do Agreste ainda buscou uma pressão final, mas faltava fôlego e competência. O Remo se defendia bem, embora recuado em excesso. Djalma substituiu Ermel e Neguete ainda entrou no lugar de Chales, mas o jogo já estava definido.

A classificação é importante, principalmente no aspecto financeiro (premiação de R$ 1.190.000,00), e ajuda a atenuar as cobranças do torcedor, mas o resultado não deve criar a ilusão de que o time está ajustado. Longe disso. Continuam os chutões, as bolas rifadas, a baixa produção pelos lados e, principalmente, a falta de um plano tático.

De todo modo, cabe destacar a aplicação e a capacidade de reação da equipe, saindo de um resultado adverso para arrancar a vitória. Sinais de amadurecimento e controle emocional. Para isso, contribuiu muito a velocidade e os dribles de Ermel, atacante que inexplicavelmente não entrou de cara contra o PSC, mas que não pode ser reserva.

Explicações tardias sobre equívoco no Re-Pa

Depois do jogo em Frei Paulo, aliviado da pressão que havia em torno de seu trabalho, Rafael Jaques deu-se ao trabalho de tentar explicar o motivo de ter barrado seu atacante mais habilidoso e rápido no Re-Pa, justamente quando o adversário improvisou um zagueiro na lateral direita. Não convenceu ao dizer que optou por Wesley, pois este vinha fazendo gols.

A questão não era de finalização, mas de exploração das faixas laterais do campo. E quem disse que Wesley não podia ter entrado, jogando pela direita? Nesse caso, tiraria Robinho, que passou o jogo errando passes, sem ajudar nas ações do meio-campo e sem ir à frente.

Continua a impressão de que Jaques nem sabia ao certo quem era Perema. Tanto que, minutos depois de Ermel entrar e levar ampla vantagem sobe o zagueiro, o técnico mandou que ficasse na direita, abrindo mão de explorar o lado mais vulnerável do rival.

Estranho mesmo é não ter sido avisado pelos auxiliares, principalmente os que conhecem bem o futebol paraense e o PSC.

Algo que faz pensar.

Papão tem novo candidato para organizar a meiúca

O PSC se prepara para encarar o líder do Campeonato Estadual e Hélio dos Anjos, acertadamente, se preocupa com a organização do meio-campo. Alex Maranhão, que chegou como opção para a parte criativa, perdeu espaço e foi barrado no Re-Pa, entrando apenas no final.

Com mais qualidade técnica entre os volantes, PH deve ser encarregado da função de articula o time contra o Paragominas, equipe que faz da velocidade na transição seu principal trunfo. Os treinos vêm mostrando que o segundo volante deve exerce essa tarefa.

O técnico bicolor sabe que no Re-Pa era razoável atuar sem um meia de ligação, pois a marcação era prioridade absoluta – e o plano deu certo. Já contra um adversário que presumivelmente vai jogar fechado, o PSC terá que elaborar jogadas e propor o jogo.

Botafogo faz mesmas apostas de 25 anos atrás

Paulo Autuori era o técnico do título brasileiro do Botafogo em 1995. Clube que cultiva misticismo e superstição, com dirigentes extremamente devotos da tradição, o Alvinegro aposta outra vez no mesmo comandante, que já havia até se aposentado da função, atuando mais como diretor de futebol nos últimos anos.

Calo Augusto Montenegro, homem forte do futebol botafoguense, também trabalhava há 25 anos. A aposta no passado pode atrapalhar o presente e compromete o futuro do Botafogo. Com Honda e tudo.

(Coluna publicada na edição do Bola desta quinta-feira, 13)

5 comentários em “Leão arranca bem na Copa BR

  1. Com a bolinha que o Remo está jogando, não podemos nos iludir.

    Brusque jogou muito. O árbitro até tentou ajudar o Sport, mas não deu.

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  2. Para além do misticismo, parece que pesou Autuori ter concordado em receber um salário bem abaixo daquilo que os ‘catedráticos’ de túnel costumam cobrar.
    Além disso, paira no ar o aroma da disputa que Carlos Augusto Montenegro borrifa como repelente na direção dos irmãos Moreira Salles a fim de afastá-los e manter o controle acionário na empresa que se forma.

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  3. A barração de Alex Maranhão era previsível, principalmente por ser um jogador sub-40, já cadenciando o ritmo de jogo, para não ser substituído ainda no 1º tempo. Fez aquele golzinho no primeiro jogo, ganhou as manchetes da mídia, e logo tratou de pisar no freio, esperando o final do contrato, com a garantia estendida de poder recorrer ao TRT. Essa tem sido a rotina dos diferenciados “reforços” que chegam ao futebol paraense, avalizados pelas expertises dos “executivos” !!!

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  4. Pode ser, amigo Amorim. Mas penso que Montenegro não irá conseguir deter a força política (e financeira) dos irmãos M. Salles.

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