FPF terá que explicar atraso na entrega de laudos dos estádios

O Ministério Público do Estado do Pará (MPPA) emitiu, no final da manhã desta sexta-feira (17), um parecer sobre os laudos entregues pelos órgãos competentes a respeito da situação dos estádios onde estão agendados os jogos do Campeonato Paraense de Futebol 2020, o Parazão, que terá início neste sábado (18). Os laudos passaram por uma análise técnica de Grupo de Apoio Técnicos Interdisciplinar (GATI) da instituição. O objetivo é verificar se os documentos atendem as exigências previstas na portaria nº 290/2015 do Ministério dos Esportes.

Apenas cinco dos 11 estádios previstos para sediar os jogos tiveram seus laudos analisados completamente. De acordo com o parecer do MPPA, a Federação Paraense de Futebol (FPF), organizadora da competição, deveria ter enviado os laudos em até 10 dias antes do início das competições esportivas, mas isso não aconteceu. No final da manhã desta sexta-feira (17), o MPPA notificou a FPF para que, no prazo de 24 horas, esclareça as razões do não envio dos documentos, sob pena de sofrer penalidades.

Os estádios que tiveram seus laudos analisados foram o Estádio Olímpico Edgar Proença (Mangueirão, foto), Leônidas de Castro (Curuzu), Estádio Olímpico São Benedito (Bragança), Parque do Bacurau (Cametá) e Arena do Município Verde (Paragominas).

A análise técnica do MPPA verificou que os laudos foram aprovados pelos órgãos competentes (Corpo de Bombeiros, Polícia Militar, Vigilância Sanitária e engenheiro responsável), porém com restrições de segurança. Por conta disso, as  capacidades de público foram estabelecidas em 35.000 (Mangueirão), 16.000 (Curuzu), 7.500 (São Benedito), 5.000 (Bacurau) e 9.800 (Arena Verde).

Não foi apresentada ao MPPA, pela Federação Paraense de Futebol, a documentação dos estádios Zinho Oliveira (Marabá), Mamazão (Carajás), Maximino Porpino (Castanhal) e Colosso do Tapajós (Tapajós) comprovando que esses espaços estão aptos para receber os jogos do campeonato.

No caso do Maximino Porpino, em Castanhal, problemas estruturais já haviam sido detectados pela promotora de Justiça Carmem Burle, que ajuizou ação civil pública contra a prefeitura, em novembro de 2019, solicitando a suspensão das atividades do estádio até a sua regularização e cobrando reformas no local. A ação aguarda decisão da Justiça.

A análise técnica dos laudos do Estádio Evandro Almeida (Baenão), do Clube do Remo, só deve ocorrer na semana que vem, já que os jogos no local estão previstos apenas para março (Nota do blog: o estádio Baenão está apto a recebe jogos, a liberação depende do reenvio de uma cópia de documento, já providenciada pelo clube).

Já a análise do estádio do Itupiranga ainda não ocorreu uma vez que não ficou definido se os jogos acontecerão no próprio município ou no Zinho Oliveira, em Marabá.

Abertura
O primeiro jogo do campeonato ocorrerá neste sábado (18) no Estádio Orfelino Martins (Parque do Bacurau), em Cametá, aprovado com restrições. No que se refere à segurança, o Corpo de Bombeiros aprovou a capacidade para 5.000 pessoas. A orientação do MPPA é que a partida aconteça com as devidas precauções de segurança.

O Ministério Público esclarece que, conforme a prevê o Estatuto do Torcedor, a responsabilidade técnica de aprovação, aprovação com restrições ou reprovação dos estádios não é do MPPA, e sim das corporações e dos profissionais que emitem cada um dos laudos de condições de segurança, que são a Polícia Militar, Corpo de Bombeiros, Vigilância Sanitária Municipal e engenheiro civil contratado pelo proprietário do estádio para elaborar o Laudo de Verificação de Engenharia (LVE).

Nesse sentido, a análise técnica do MPPA visa somente a solicitação de esclarecimentos sobre as condições de segurança nos estádios de futebol em que serão realizados os jogos do campeonato paraense.

(Da Ascom do MPPA)

Trivial variado do país da mamata oficial e do culto ao nazismo

“O caráter nazista é evidente. Plagiar Goebbels já passou do limite. Ou é civilização ou é barbárie. Não tem lugar pra Isentão”. Leopoldo Nunes

“Esse Roberto Alvim tem de ser preso. Se o Ministério Público não fizer nada, é conivente. Quando um nazista se senta a uma mesa com outras nove pessoas e ninguém se levanta, temos dez nazistas. É o fim do mundo o que está acontecendo”. Flávio Gomes

“Cabelo repartido, o terno, a postura, a entonação de voz, e a ópera ao fundo, tudo pensado para inspirar Hitler ou Mussolini. São uns doidos varridos. E materializam suas fantasias malucas e taras às custas do erário”. Hildegard Angel

“Um trecho da fala de Roberto Alvim é copiado de Joseph Goebbels, quando afirma que a arte nacional será ‘heroica’, ‘nacional’, ‘igualmente imperativa posto que profundamente vinculada as aspirações urgentes de nosso povo. Ou não será nada’. Não é um pronunciamento, é um crime”. Guilherme Macalossi

“Ainda acho que a corrupção, como esse caso da Secom, é maior que o fascismo. Talvez o fascismo seja uma cortina de fumaça da grande corrupção do bolsonarismo”. Xico Sá

“A legislação não permite que alguém use o seu cargo público para fazer negócios e favorecer a sua empresa ou a de parentes, mas o presidente Jair Bolsonaro não vê problema nenhum com isso. A mamata segue firme e forte no governo”. Humberto Costa

“Gente parem de ser ingênuos! Bolsonaro não demite o secretário de comunicação do seu governo porque tem rabo preso com ele. Ou ele recebe dinheiro do esquema ou o dono do esquema sabe coisas cabeludas com relação ao Bolsonaro. Bolsonaro é corrupto!”. Glauco Silva

Secretário de Cultura é demitido após citar discurso nazista

A Secretaria Especial da Cultura informou, por meio de sua assessoria de imprensa, que o secretário Roberto Alvim foi demitido do cargo. A exoneração acontece após Alvim citar um discurso de Joseph Goebbels, ministro da Propaganda da Alemanha nazista, informa o jornal Folha de S.Paulo. 

Alvim foi alvo de diversas críticas nesta sexta-feira, acusado de fazer propaganda explícita do nazismo. 

Ao blog de Matheus Leitão, no G1, funcionários da secretaria dizem que acompanharam a produção do pronunciamento e que Alvim sabia das semelhanças com os discursos do ministro nazista. Até por isso a estética do vídeo era parecida com a propaganda nazista, e não apenas as frases de Goebbels.

O secretário nacional de Cultura, Roberto Alvim, copiou a proposta nazista ao propor uma nova arte para o Brasil. Reproduzindo uma fala de Joseph Goebbels, ideólogo da propaganda nazista, ele propôs uma nova arte para o Brasil. “A arte brasileira da próxima década será heroica e será nacional. Será dotada de grande capacidade de envolvimento emocional e será igualmente imperativa, posto que profundamente vinculada às aspirações urgentes de nosso povo, ou então não será nada”, disse ele.

Todos ao ataque

POR GERSON NOGUEIRA

Com o retorno de Douglas Packer, apresentado oficialmente na quarta-feira, o Leão parece ter fechado o leque de opções para o meio-campo. O trabalho de criação ficará inicialmente a cargo de Eduardo Ramos, Robinho, Lukinha e Packer, mas há também a possibilidade de que Carlos Alberto volte a jogar ainda durante o Campeonato Estadual.

Pela movimentação exigida pelo técnico Rafael Jaques para as jogadas de meio e aproximação com o ataque, envolvendo quatro e até cinco jogadores, o papel dos homens mais criativos terá muita relevância no sistema que o Remo irá utilizar no Parazão.

Nos amistosos com o Castanhal e em Salinópolis, o ponto alto foi a afinação nas situações ofensivas, utilizando muito os lados do ataque, com Ermel e Robinho. A troca de passes em velocidade pode ser a principal arma do time.

Com base no que se observou nas últimas partidas, o Remo deve estrear domingo contra o Tapajós com a seguinte formação: Vinícius; Rafael Jansen, Mimica, Fredson e Ronaell; Xaves (Charles), Laílson (Robinho) e Eduardo Ramos; Jackson, Geovane e Gustavo Ermel.

No Papão, as carências do setor mais estratégico do time incomodam o técnico Hélio dos Anjos. A rigor, ele só pode contar com Alex Maranhão, recentemente contratado. Em função disso, a diretoria se movimenta para contratar mais dois armadores.

Sem criatividade na meia-cancha, o time tende a depender exclusivamente das jogadas aéreas, explorando as subidas dos zagueiros Perema e Micael e a presença de Nicolas, definitivamente ocupando o papel de atacante centralizado.

Caso não surjam problemas de última hora, o Papão deve iniciar o campeonato com: Gabriel Leite; Toni, Perema, Micael e Bruno Collaço; Caíque, Serginho e Alex Maranhão; Vinícius Leite, Nicolas e Elielton.

De maneira geral, os dois principais concorrentes ao título entram no campeonato com times de vocação ofensiva e optando por três atacantes. Sem dúvida, um bom sinal.

Falas infelizes podem comprometer carreiras

A torcida do Flamengo não perdoou uma visita social de Léo Moura ao Ninho do Urubu, anteontem. O eterno lateral foi chamado de traíra e hipócrita pelos rubro-negros. Semana passada, quando o Cruzeiro entrou em processo de desmanche, a torcida do Botafogo também reagiu furiosamente a um aceno de Sassá para voltar ao clube que o revelou.

Cada um à sua maneira, Léo e Sassá debocharam dos ex-clubes. No Grêmio campeão continental de 2017, o lateral deu entrevista dizendo que tinha passado 10 anos no Flamengo sem ter tido oportunidade de conquistar títulos importantes.

Sassá falou, quando chegou ao Cruzeiro há dois anos, que estava em busca de novos desafios e tinha escolhido um grande clube para isso. Óbvio que a declaração não agradou aos botafoguenses.

Frases de extrema infelicidade, que se repetem no dia a dia dos clubes e são impulsionadas pela facilidade com que os torcedores registram (e arquivam) as declarações precipitadas. Por aqui, Leandro Cearense andou falando mal do Remo e, com isso, comprou briga eterna com a torcida.

O fato é que a maioria dos atletas não toma cuidado ao dar declarações sobre outros clubes. Isso é recorrente até mesmo no comportamento de atletas que jogam em times de ponta e contam com assessores para tudo.

Neymar, por exemplo, no afã de voltar para o Barcelona, evidenciou em palavras e gestos seu desamor pelo PSG. Naturalmente, Magoou para sempre a torcida do clube francês. Por mais que se esforce não mudará a imagem deixada pela desfeita.  

Negociação de Rony é bom negócio para o Leão

Além do Corinthians, que já fez até proposta (em torno de R$ 34 milhões) para fechar a contratação, o ex-azulino Rony passa a ser cobiçado pelo Palmeiras, que anda discreto quanto a gastanças neste começo de temporada.

O alvinegro paulista parece mais próximo de um acordo com o clube paranaense, visto que Rony tem interesse em refazer a parceria com o técnico Tiago Nunes, hoje no Corinthians.

Aos 24 anos, o atacante paraense de 24 anos colhe os benefícios de uma temporada primorosa pelo Athlético em 2019. Destaque da equipe campeã da Copa do Brasil, Rony nem está participando do giro que o clube faz pela Argentina, cumprindo amistosos de preparação.

O maior problema para fechamento de negócio é o valor da multa contratual, estipulada em 12 milhões de euros (cerca de R$ 55 milhões), mas a imprensa de Curitiba informa que o Athlético está disposto a negociar um percentual menor dos direitos econômicos.

Como os rivais paulistas já travaram (e perderam) um duelo por Michael, revelação do Goiás que acabou negociado com o Flamengo, o esforço de ambos agora é redobrado para ter Rony, um atacante bem mais talentoso, pronto e qualificado que o novo reforço rubro-negro.

Caso Rony se transfira para um dos grandes de São Paulo, por quantia em torno de R$ 50 milhões, será o maior valor já pago por um atleta paraense em todos os tempos. De quebra, garante o repasse de 3% aos cofres do Remo, clube formador.

E, em tese, Rony ficará mais próximo de uma eventual convocação para a Seleção, principalmente se for jogar no Corinthians, que é notoriamente uma espécie de almoxarifado de Tite.

(Coluna publicada na edição do Bola desta sexta-feira, 17)

Para refletir

“A tragédia de Brumadinho completa 1 ano, hoje, sem qualquer indiciamento. Morreram 259 pessoas, com as respectivas famílias traumatizadas, e ninguém da Vale é responsável? Que poder é esse que supera noções elementares de justiça e humilha toda a sociedade?”.

Pedro Ruas, advogado

Batalha contra Bolsonaro no campo moral é perdida, diz pesquisador

Por Thais Reis Oliveira, na CartaCapital

Direita contra esquerda. Lula contra Bolsonaro. Descontadas as falsas simetrias, é fato que a política brasileira hoje orbita entre essas duas figuras. Não se trata, porém, de uma polarização ideológica, mas afetiva, pondera o cientista político Jairo Pimentel, pesquisador do Centro de Política e Economia do Setor Público da FGV.

Pimentel é coautor de um estudo sobre a relação entre o governo do ex-capitão e a polarização política. Chegou à conclusão de que é a simpatia por Bolsonaro que faz o eleitor se identificar com a direita, e não o contrário. E que suas opiniões influenciam como pensam seus eleitores.

Em junho, os pesquisadores fizeram um experimento sobre a privatização da Petrobras. Dividiram os participantes em dois grupos: um soube que o ex-capitão apoia a venda da empresa; o outro não. Entre aqueles que aprovam o governo e não souberam da opinião de Bolsonaro, 45% disseram sim à privatização. Na turma informada sobre o posicionamento do presidente, subiu para 57%.

Em entrevista a CartaCapital, o pesquisador fala dos impactos desse fenômeno na atualidade na política brasileira.

Confira a seguir:

CartaCapital: O que esse estudo revela sobre o atual momento da democracia brasileira?

Jairo Pimentel: Basicamente, um quadro de polarização afetivo-ideológica. Identificar-se como se de esquerda ou de direita varia conforme a opinião do eleitor sobre lideranças políticas, sobretudo Bolsonaro. Mostra também que a posição de esquerda ou direita está mais correlacionado com o voto em candidatos desses espectros do que no passado, indicando que direita/esquerda voltou a ser uma variável importante. Entretanto, essa auto-declaração não é uma afinidade ideológica, mas sim que ele possui uma simpatia a essas figuras. Ou seja: não é porque o eleitor se diz de direita que ele vota em um candidato de direita, mas sim porque, se gosta de um candidato que se diz de direita, ele assume para si essa referência política. Esse fenômeno é coordenado pelas lideranças políticas, o que leva a esse quadro de polarização. E o principal pivô de tudo isso é o fato de Bolsonaro se dizer de direita e, enquanto liderança carismática, conseguir cativar seus eleitores a assumir também essa posição. O Estudo Eleitoral Brasileiro mais recente mostrou que 43% dos eleitores se declaravam de direita em 2018. Em 2014, eram apenas 27%.

CC: O antipetismo vai definir 2020 e 2022 como definiu a eleição passada?

JP: Não foi apenas o antipetismo. Vimos emergir também um movimento anti-establishment, e ambos foram amplificados pela Lava Jato. Os danos Ao PT em face do impeachment de Dilma e os noticiário diuturno da Lava Jato em 2016 foram severos. Mas, depois do impeachment, o PSDB também acabou penalizado pelas investigações, sobretudo aquelas que envolviam a Aécio Neves. Em 2018 os eleitores puniram mais ao PSDB do que ao PT. E isso deslocou o antipetismo para o bolsonarismo. O antipetismo é um movimento de negação. O bolsonarismo é um passo adiante, um movimento de afirmação em torno de valores que se aglutinam em torno da figura do Bolsonaro. Obviamente, existem antipetistas que não são bolsonaristas, mas hoje o núcleo duro do antipetismo é o bolsonarismo. Acredito que, mais do que o antipetismo, é a polarização entre bolsonarismo e o petismo continuará sendo importante para definir as escolhas nas próximas eleições.

CC: A atmosfera de polarização deve arrefecer até lá? Há espaço para uma via moderada?

P: É difícil fazer previsões. Fatores externos, como a economia, denúncias de corrupção e etc. podem afetar essa dinâmica e arrefecer os ânimos. Mas, olhando a dinâmica interna, não creio que haja essa tendência no curto prazo. Ao contrário, os discursos indicam uma tendência de aumento da polarização. Hoje a lógica eleitoral, muito alimentada pelas bolhas nas redes sociais, cria uma lógica centrífuga de disputa, com pouca convergência para o centro.

CC: Há espaço para uma via moderada?

JP: Uma via moderada tem poucas chances em um cenário como esse. Sobretudo se a disputa se fragmentar em várias candidaturas centristas. A fragmentação do centro favorece os extremos, que contam hoje parcelas significativas de adeptos mais fidelizados para levá-los ao segundo turno.

CC: Bolsonaro criou uma referência afetiva para a direita. Que ‘antídoto’ a oposição poderia apresentar?

JP: O antídoto é mudar a agenda que pauta a discussão política. Em comunicação política, não se muda massivamente a forma COMO as pessoas pensam e falam, mas sim SOBRE o que elas pensam e falam. Bolsonaro se tornou referência para a direita porque conseguiu, em meio ao caos da política brasileira, emplacar uma agenda conservadora moral. Essa agenda favorece a direita, pois a maioria dos eleitores brasileiros são conservadores nos costumes. Essa agenda estabeleceu uma narrativa de batalha entre o que a direita chama de marxismo cultural e a religião cristã/evangélica. Uma batalha do mal, representado pela esquerda, contra o bem, representado pela direita. A esquerda caiu na armadilha de Bolsonaro ao tentar enfrentá-lo nesse campo, pois é uma batalha perdida. Exemplo disso, foi a queda dos votos no PT entre os evangélicos na última eleição. Bolsonaro também ganhou relevância por seu discurso anti-establishment e anti-corrupção. Campos em que a oposição tem dificuldades de discurso, por conta dos desdobramentos do mensalão e da Lava Jato.

CC: Como conter então esse avanço da direita?

JP: O campo de maior destaque para a esquerda é o material: a melhora da economia e da vida dos mais pobres. Mesmo nessa agenda haverá dificuldades se, conforme se prevê, houver melhoras nos indicadores econômicos, sobretudo no desemprego. Há ainda a dificuldade de defender o Governo Dilma no campo econômico, por conta da crise emergente em seu segundo mandato.
Se denúncias de corrupção, notadamente as que envolvem Fabrício Queiroz, atingirem Bolsonaro, essa fragilidade para desconstruir a imagem do presidente. É algo a ser posto na agenda da oposição.

CC: Porque, apesar da pouca popularidade para um presidente estreante, não há mobilização contra Bolsonaro nas ruas?

JP: Há equilíbrio entre os grupos contrários e favoráveis ao presidente, e isso já seria suficiente para explicar. Mas há também um outro fator: ele é mais bem quisto na classe média, entre os que ganham mais de 5 salários mínimos, do que entre quem ganha menos. Pesquisas sobre as manifestações desta década mostram que o perfil de quem foi para a rua foi mais predominantemente de classe média. Mesmo o #EleNão era mais elitizado quando comparado com ao perfil do brasileiro médio. Assim, fica evidente que manifestação é algo mais da classe média. Se ela está mais satisfeita com o governo Bolsonaro, não há razão para ir para rua contra o seu governo.

Bolsonaro sabia de contratos de Wajngarten com emissoras que recebem dinheiro público

Jair Bolsonaro já sabia dos contratos do chefe da Secretaria Especial de Comunicação Social (Secom), Fabio Wajngarten, com empresas que recebem dinheiro público, de acordo com informações de Bela Megale, do Globo.

Segundo a colunista, o próprio Fabio Wajngarten comunicou Jair Bolsonaro sobre seus contratos. “O chefe da Secom, Fabio Wajngarten, tem dito a interlocutores que Jair Bolsonaro já sabia que sua empresa, a FW Comunicação e Marketing, mantinha contratos com emissoras que recebiam verbas públicas”.

Em reportagem, a Folha de S. Paulo divulgou que Fabio Wajngarten mantém contratos com emissoras e agências de publicidade que recebem dinheiro do governo, o que pode ser interpretado como recebimento de propina, já que Wajngarten é o responsável por determinar a distribuição de verba pública destinada para publicidade.

Direto do Twitter

“Se fosse contra a corrupção, o brasileiro estaria ocupando as ruas, pois estoura um escândalo atrás do outro nesse governo! Tiraram o PT, que mais investiu em transparência na administração pública, pra voltarmos aos tempos da impunidade!”.

Lauro Antonio

Desmonte da Receita é peça final para a destruição do estado nacional

Por Luis Nassif

Peça 1 – as implicações fiscais dos atrasos do INSS

O Brasil está submetido a um terraplanismo-ideológico fatal. Do lado de Bolsonaro, a volta do fundamentalismo religioso. Do lado de Paulo Guedes, um ideologismo cego, cujo objetivo final será o desmonte total do Estado brasileiro, uma loucura jamais imaginada nem pelo mais tresloucado dos liberais.

Não se imagine que a enorme fila de atrasados do INSS signifique apenas incompetência gerencial do governo Bolsonaro. A ideia de chamar militares aposentados para ajudar a resolver a pinimba é apenas um dos inúmeros factoides da administração BolsonaroPUBLICIDADE

O atraso faz parte de uma estratégia política não apenas de preservar a Lei do Teto, mas de desmonte do Estado, cujo alvo final é a própria Receita Federal.

A proposta de Guedes é reduzir a carga fiscal de 33/34% para 20% ao ano. E se funda em dois princípios: desmonte de toda a estrutura de gastos; e desmonte da estrutura de arrecadação.

A formação dos estados nacionais modernos se deu com a constituição de uma burocracia administrativa, da força militar e do sistema fiscal, construído para sustentar as despesas públicas.

A destruição desse modelo instituiria definitivamente a lei das selvas no país, o vale-tudo sem regras, sem limites para a ação predatória de grupos econômicos e do crime organizado.

Peça 2 – o desmonte da Receita

Todo ajuste fiscal tem o lado das despesas e da receita. O mesmo governo que se esmera em desmontar todas as políticas e gastos sociais também tem atuado fortemente para desmontar o sistema de arrecadação fiscal do país.

Para 2020, o Ministro da Economia Paulo Guedes impôs uma restrição orçamentária de 30% ao órgão. Peças essenciais na fiscalização, Dataprev e Serpro também estão submetidos a restrições e orientação de redução de cargos. O Serpro praticamente cessou a prestação de serviços para a Receita Federal.

Não há manutenção dos sistemas. Em várias delegacias e agências a internet deixou de funcionar e os servidores não podem acessar os sistemas para realizar seus trabalhos.

Em vários locais, os centros de atendimento dos contribuintes da Receita Federal não conseguem sequer emitir as Certidões Negativas de Débitos- CND, causando sérios transtornos principalmente para pessoas físicas e pequenas empresas que dependem desses serviços.

A Receita era uma das instituições que tinham atingido nível de excelência em tecnologia da informação, sendo premiada no Brasil e no exterior. Com os cortes, setores técnicos avaliam, preliminarmente, que a Receita irá regredir uma década.

Com o desmonte promovido, em várias delegacias e agências os servidores do Serpro foram removidos, deixando a Receita sem suporte algum.

Peça 3 – incompetência ou objetivo político?

Há duas forças impulsionando a queda na arrecadação.

Do lado do mercado, Paulo Guedes, com o objetivo de reduzir a carga fiscal para 20%. Segundo ele, a redução será facilmente atingida se conseguir controlar o crescimento nominal das despesas. “Em dois anos, o trabalho está feito”, disse ele. Não conseguindo controlar o crescimento dos gastos, apelará para a Lei do Teto e a PEC do Pacto Federativo. “Basta o governo não fazer nada. Nenhuma crise no orçamento dessa forma dura mais do que um ano em meio. Basta que, na dúvida, repete o orçamento do ano passado. Se não destravar, fica mais um ano congelado”, afirmou.Leia também:  Multimídia do dia

A segunda força é a base de apoio político de Bolsonaro. Hoje em dia, a espinha dorsal do bolsonarismo está nessa base, de milícias e crime organizado às Igrejas neopentecostais, todas território fértil para lavagem de dinheiro. As “rachadinhas” de Flávio Bolsonaro não teriam sido identificadas sem o trabalho da Receita e do COAF. É só relembrar a pressão de Bolsonaro sobre a Receita, para tirar a fiscalização do porto de Itaguaí, no Rio de Janeiro, porta de entrada do contrabando de armas no país.

A Receita é elemento essencial para sustentar o nível de despesas e blindar a economia informal da invasão pelos agentes da zona cinzenta da economia e pelo crime organizado.

O desmonte da Receita se encaixa na lógica Bolsonaro-Guedes, de promover um novo ciclo de acumulação capitalista em cima dos direitos sociais dos mais pobres, além de permitir a expansão da economia das milícias e do crime organizado.

Em agosto passado, Bolsonaro publicou um vídeo em seu Facebook incitando violência contra fiscais do trabalho.

No dia 11 de dezembro passado, para empresários reunidos na Confederação Nacional da Indústria, Bolsonaro sustentou a necessidade de menos poder aos fiscais, para evitar a aplicação de multas no agronegócio, nas indústrias e nas Igrejas.

“Tenho falado com meus ministros quando se fala em multas. Se eu não me engano, há questão de 40 anos, a Inglaterra tirou o poder de seus fiscais. Porque chegou a um ponto que aquele modelo adotado atrapalhava quem queria produzir”, disse ele.Leia também:  Xadrez da busca da modernidade perdida, por Luis Nassif

Peça 4 – o desmonte final do Estado brasileiro

Afirmação como a de Bolsonaro, ou ações como a de Guedes, certamente fazem revirar no túmulo os gurus do liberalismo brasileiro, de Roberto Campos a Octávio Gouvêa de Bulhões – que focaram na reestruturação da Receita, nos anos 60, os fundamentos para o crescimento posterior da economia.

Causa pasmo o esforço de cientistas sociais de tratar todos esses atos como normais, valendo-se de um falso paralelismo.

  1. O PT foi acusado de tentar transformar o Brasil em uma nova Venezuela, e essa acusação era falsa.
  2. Bolsonaro está sendo acusado de levar o Brasil para um golpe de Estado com apoio das milícias.
  3. Como a afirmação 1 era falsa, logo a afirmação 2 também é falsa, pouco importam as atitudes de Bolsonaro, as declarações sucessivas contra a democracia, a imprensa e o próprio conceito de Nação.