Netflix recorre ao STF para manter especial do Porta dos Fundos no ar

A Netflix recorre da decisão do desembargador Benedicto Abicair, do Tribunal de Justiça do Rio (TJ-RJ), de suspender a exibição do “Especial de Natal Porta dos Fundos: A Primeira Tentação de Cristo”. A plataforma de streaming foi ao Supremo Tribunal Federal e ao TJ-RJ. A Netflix está sendo representada em atuação conjunta pelos escritórios Binenbojm e Murta Goyanes. A informação é do colunista Ancelmo Gois

No especial, Jesus Cristo, interpretado por Gregorio Duvivier, aparece como gay, e tem como companheiro Orlando (Fábio Porchat). A sátira com um Jesus gay desagradou setores religiosos, que pedem a censura da produção. O desembargador Benedicto Abicair atendeu a pedido da Associação Centro Dom Bosco de Fé e Cultura.

Cuba responde: médicos chamados de terroristas atenderam 113 milhões de brasileiros

O Ministério das Relações Exteriores de Cuba respondeu em nota, nesta quinta-feira (9), as acusações que o presidente Jair Bolsonaro fez sobre os médicos cubanos que participaram no Brasil do programa Mais Médicos.

A nota lembra que “estes médicos atenderam 113.359 milhões de pacientes em mais de 3.600 municípios e concederam cobertura médica permanente a 60 milhões de brasileiros”. O texto diz também que Bolsonaro manipula a “nobreza dos nossos profissionais em um programa como o Mais Médicos, destinado a famílias de baixa renda que estavam desprotegidas por causa da decisão irresponsável de seu presidente”.

O texto cita frase do presidente cubano Miguel Díaz-Canel Bermúdez, que fez homenagem à brigada médica que participou do Mais Médicos. O presidente destacou que “cerca de 20 mil colaboradores cubanos da Saúde estiveram no Brasil, graças aos quais ‘mais de 700 municípios daquele país tiveram um médico pela primeira vez em sua história’”.

Bolsonaro disse nesta segunda-feira, sobre os médicos cubanos, que havia “um montão de terrorista no meio deles”.

“Se tiver qualquer terrorista no Brasil, a gente entrega. É por aí. Assim como entregamos o Battisti. Entregamos não, o Battisti viu que ia eu ia entregá-lo e fugiu. Assim como os cubanos médicos, entre aspas, saíram antes de eu assumir. Sabiam que eu ia pegar os caras. Um montão de terrorista no meio deles”, completou Bolsonaro.

A censura e os descaminhos de um país que teima em deixar de existir

Por Marcos Nunes

Um juiz de comarca achou por bem proibir a exibição daqui em diante do tal especial de natal do coletivo Porta dos Fundos. Medida, aliás, inócua: todo mundo que queria ver já viu; os que não queriam, também.

Por fim, essa proibição deverá ser cassada, e outros ainda verão, além do que, querendo, é fácil baixar na Internet e ver sem qualquer interdição.

Se trata da volta da censura, da revivescência da estupidez da “moral e bons-costumes” (um antigo poeta carioca há muito protestou contra os guardiões da moral dizendo que eles que lá ficassem com a moral deles, e nós ficaremos com nossos maus costumes), e toda a mediocridade que o atual desgoverno autoritário, ditatorial, assassino, perseguidor, torturador, mentecapto e corrupto, repleto de vigaristas e mitômanos, provê a sua claque de evanjegues e viúvas da ditadura.

Desde Temer, aliás, o projeto da nova ditadura civil-militar-jurídico-midiática vem bem, obrigado, a cada dia testando os limites do despotismo, e a população aceitando, imune a qualquer protesto de oposicionistas (que existem, mas não aparecem em lugar nenhum; não, a revolução não será televisionada, não tomada as redes sociais e colocará a imaginação no poder).

Começam com uma reforminha aqui, outra ali, e depois escancaram. Logo mais, adeus por completo a saúde pública, a educação pública, o direito à aposentadoria e, enquanto isso, Judiciário, Legislativo e Executivo são contemplados com generosos aumentos de salários e benefícios, garantindo o mesmo para seus garantidores militares.

O que me espanta é que, para além das piadinhas sem graça e algumas poucas com alguma graça, o filminho reconhece, inclusive, a divindade do personagem, a “luta do bem contra o mal”, ainda que o bem esteja dentro do mal e vice-versa.

Se eu fizesse um filme sobre o personagem (isso de chamar “a” personagem quando é gênero masculino é um saco):

1) negaria sua divindade;
2) negaria que ele tivesse dito 10% do que foi a ele atribuído;
3) o colocaria como um oportunista;
4) não reconheceria sua crucificação;
5) chamaria todos seus seguidores de imbecis ou igualmente oportunistas;
6) No final, outro personagem diria que tomou conhecimento da história mas não achou concretude histórica nela, vaticinando que os boatos cessariam e “jesus” não seria lembrado dez anos depois, ou o seria eternamente, se houvesse interesse oficial na religião para apascentar e atemorizar a plebe ignara.

Trata-se, a religião, de um subproduto cultural, e seu discurso se insere na guerra de narrativas. Católicos e crentes em geral podem tratar o personagem de uma maneira, eu posso tratar de outra, como lenda e empulhação, e eles tem que respeitar isso a bem das liberdades civis. Isso de impor respeito às religiões não faz qualquer sentido, só para quem cultiva religiões. O que não se pode fazer (e, aliás, os crentes e católicos estão fazendo) é perseguir fiéis, queimar templos, livros, imagens e todas as merdas que cercam todas as religiões.

Nada disso um filme faz, um livro ou uma música.

Aí vem o idiota e diz: não fazem mas estimulam.

Querido idiota: se eu não reconheço seu deus, eu não o persigo nem a seus fiéis; seu deus, porque não posso perder tempo querendo destruir o que não existe; você, porque reconheço seu pleno direito de ser idiota e temente a seu deus imaginário.

E me cite um filme de caráter ateísta, um livro, uma música, uma peça de teatro, que tenha produzida uma massa de “ateus intolerantes”, que queimaram “livros sagrados”, ou fiéis dementes? Todos os que fizeram isso defenderam ideologias e religiões, não o ceticismo, o juízo, a razão.

Só que, jamais, jamais, entenderei: como alguém se dispõe a adorar um deus criado pelo homem, julgando que ele é como um homem, que precisa ser adorado, sob pena de se contrapor àquele que não o adora? Um deus criado à imagem e semelhança de si mesmo não necessitaria de adoração humana. Ou nós, os humanos, teríamos satisfação de ser adorados por vermes?

Como um “deus único”, onisciente, onipresente e onipotente, se daria ao trabalho de ser tão mesquinho, de perseguir quem dele duvida ou execra, como tal deus, do alto de sua imensa sabedoria, teria a estupidez de tratar sua criação como serva de si mesmo, exigindo obediência, submissão, escravidão mesmo, sempre sob a ameaça do fogo e das dores eternas de um inferno posto, por ele, sob administração de seu gêmeo, o demônio?

Vejo as pessoas desse país aplaudindo tanta torpeza e indignidade, tanta ignorância e prepotência, que não vislumbro sentido sequer na minha indignação, face ao menos 30% de completos zumbis que querem se alimentar dos cérebros dos demais, e conseguiram impingir a todos um poder de governo, com o auxílio de pouca mais de metade dos inseguros de possuir razão e talvez pensar que o melhor seria garantir as liberdades civis e deixar que os conflitos fossem julgados em um judiciário tutelado pela ordem jurídica e não pelos falsos justiceiros da moral e dos bons costumes, que, por ora, os juízes agora se põe como tais.

Não esperem de mim tolerância com os intolerantes: há muito desprezo essa gente e não as aceito em minha companhia, sequer proximidade. Quem apoia esses excrementos merda também é. E merda desce pela descarga.

GloboNews tem pior ibope em 3 anos

Por Ricardo Feltrin

Se 2019 foi um ano para a TV aberta esquecer, para a TV paga ele foi tão pior ou mais. Como esta coluna informou dias atrás, mais de 1,5 milhão de assinantes cancelaram seus pacotes. Os canais perderam 10% de ibope. Hoje o Brasil tem 15,9 milhões de assinantes (dados de novembro). E caindo.

Como já publicado aqui, a audiência da TV paga também vem sofrendo com essa queda de assinantes e com a concorrência de outros conteúdos —especialmente a da internet (e do streaming). Lançado 24 anos atrás, primeiro canal de notícias da TV por assinatura brasileira, a GloboNews tem acompanhado inevitavelmente essa tendência de queda. O canal fechou 2019 com a pior audiência desde 2016.

No chamado horário comercial da TV (das 7h à 0h), no país, fechou com média de 0,53 ponto. Em 2018 essa média foi de 0,58; em 2017 foi 0,56. Este ano só ficou acima da de 2016, quando a média foi 0,36 ponto. Em dezembro passado a GloboNews marcou 0,40 (o pior resultado desde 2017, quando marcou 0,38). Nessa medição cada ponto equivale a cerca de 101 mil domicílios.

A medição é feita pela empresa Kantar Ibope Media, mas a coluna apurou os dados por outros meios (a Kantar não pode divulgá-los). Em dezembro, sem campeonatos e com pouco esporte ao vivo, o Discovery Kids retomou o primeiro lugar no ibope do canal SporTV. Já os canais Viva e Gloob (também Globosat) se mostram como dois dos maiores acertos da história da Globosat.

Veja o ranking dos 30 canais pagos em dezembro no Brasil (das 7h à 0h). A medição foi feita nas 15 maiores regiões metropolitanas. Em pontos e share (%); cada ponto = 101 mil domicílios.

1 – Discovery Kids – 0,85 ponto e 1,95%

2 – SporTV – 0,72 e 1,65%

3 – Cartoon – 0,61 e 1,39%

4 – Viva – 0,57 e 1,31%

5 – Gloob – 0,54 e 1,23%

6 – Discovery Channel – 0,51 e 1,18%

7 – Megapix – 0,47 e 1,08%

8 – Fox Sports – 0,43 e 0,98%

9 – AXN – 0,42 e 0,96%

10 – TNT – 0,41 e 0,95%

11 – GloboNews – 0,40 e 0,93%

12 – Nickelodeon – 0,38 e 0,86%

13 – Universal Channel – 0,37 e 0,84%

14 – Home & Health – 0,36 e 0,82%

15 – Multishow – 0,36 e 0,82%

16 – ESPN Brasil – 0,35 e 0,81%

17 – Space – 0,35 e 0,79%

18 – Fox – 0,33 e 0,76%

19 – Telecine Pipoca – 0,31 e 0,70%

20 – Telecine Action – 0,31 e 0,70%

21 – Warner Channel – 0,31 e 0,70%

22 – Telecine Premium – 0,30 e 0,68%

23 – Disney Channel – 0,25 e 0,58%

24 – NatGeo – 0,24 e 0,56%

25 – Comedy Central – 0,23 e 0,54%

26 – Animal Planet – 0,23 e 0,52%

27 – SporTV2 – 0,22 e 0,51%

28 – Boomerang – 0,22 e 0,49%

29 – FX – 0,22 e 0,49%

30 – ID – 0,21 e 0,49%

Sobre competência e vaidade

POR GERSON NOGUEIRA

A incrível trajetória de Jorge Jesus à frente do Flamengo conquistando de uma só tacada o Brasileiro e a Libertadores, é façanha que continua a repercutir intensamente no clube carioca, com justa razão. O êxito do técnico português se espraia pelo resto do país, com torcedores de outros clubes também encantados com o bem que ele fez ao Rubro-Negro.  

Jesus não venceu sozinho. Teve nas mãos um time reforçado, extremamente aplicado e em altíssimo nível de competição. O mérito maior do técnico foi o de implantar conceitos e executar ideias que andavam em desuso no cenário brasileiro. Impôs um futebol ofensivo, que tinha sido escorraçado pelos sistemas medrosos das últimas décadas.

Chega a ser irônico que um treinador vindo da Europa, que há 50 anos praticava um futebol travado e mecanizado, tenha desembarcado em terras brasileiras para nos restituir a glória do jogo bem jogado e – mais importante – incutir no torcedor a noção de que praticar futebol bonito não significa necessariamente abrir mão do aspecto competitivo.

Gastaria todas as páginas do “Bola” discorrendo sobre os incontáveis méritos de Jesus no Flamengo – e ainda seria insuficiente. Ao mesmo tempo, a vida ensina que o sucesso fulgurante nunca vem sozinho. Traz muitas coisas boas a reboque, mas pode arrastar bagagem indesejável.

Um dos efeitos imediatos do êxito é a superexposição. Jesus é do tipo que não foge a um holofote, muito pelo contrário. Vive buscando o melhor ângulo para ser filmado ou fotografado. Passa um bom tempo ajeitando a cabeleira bem ao estilo do patrício CR7. Vaidade não é um problema, desde que tenha como suportes a competência e o profissionalismo.

Jesus é midiático. Adora uma boa polêmica, dá espetadas em companheiros de profissão e jogadores de outros times. Tenta usualmente extrapolar o papel de técnico de campo. No recente Brasileiro, arranjou arengas com Renato Gaúcho, Alberto Valentim e Argel.

Tudo isso ficou em segundo plano diante do tamanho de suas vitórias. Qualquer excesso é relativizado quando a bola está entrando e as taças se acumulam. Muita gente anotava os pecadilhos de Jesus, mas, até por cautela, evitou expor críticas.

Maluquice sair detonando o técnico campeão brasileiro e continental, idolatrado pela maior torcida do país. Tudo foi aceito até que o tempo, sempre ele, começou a agir. As glórias são rapidamente esquecidas. O prazer efêmero é uma praga do nosso tempo.

A última grande celebração rubro-negra ainda nem completou três meses e o Mister já enfrenta borrascas em sua relação com os dirigentes e ídolos do Fla. Sua insistência em cultivar dúvidas sobre a permanência na Gávea não tem sido bem assimilada. Junior Capacete já reclamou disso, obervando que Jesus vem se colocando acima do clube.

Uma pinimba interna determinou anteontem o expurgo de um dos diretores mais próximos ao treinador e indica que os rasgos de vaidade não se limitam a Jesus. A abundância financeira desperta ambições e explicita o egoísmo em qualquer ramo de atividade. O Flamengo, se já não sofria  com isso, começa a experimentar esse drama.

Interdição do Modelão tem caráter exemplar

Com o veto ao estádio municipal Maximino Porpino Filho (Castanhal), através de medida liminar determinada pelo Ministério Público do Estado, ontem, o Campeonato Estadual começa de fato a se cercar das garantias mínimas para que os jogos tenham segurança e condições necessárias para o bem-estar de atletas e torcedores.

Por mais drástica que pareça, a decisão tem efeitos positivos para a segurança geral do torneio. E é exempla também. Significa que não haverá contemporização em relação a outras praças de esporte, prática que já se fazia necessária há muito tempo.

Com base no relatório da vistoria feita pelo Grupo Técnico Interdisciplinar, que apontou inúmeros problemas estruturais, o MPPA determinou que a Prefeitura de Castanhal, responsável pela praça de esportes, suspenda as atividades do estádio até a regularização necessária.

Foi estabelecida multa de R$ 5 mil em caso de não cumprimento das exigências constantes no relatório do grupo técnico e do Corpo de Bombeiros. Além disso, há multa de R$ 30 mil para a hipótese de desobediência à liminar.

Os muitos problemas do Maximino Porpino já tinham sido observados no amistoso entre Castanhal e Remo no final de 2019. Há possibilidade de que o estádio seja regularizado ainda para a primeira fase do Parazão. Outras praças de esporte correm o mesmo risco.

Laílson: a chance de brigar pela titularidade

Uma das boas novidades do time que o técnico Rafael Jaques tem utilizado em amistosos é o aproveitamento do volante Laílson, 22 anos, revelado na base do clube e que ainda não tinha merecido chances tão claras como agora. Voluntarioso, forte na marcação e dono de bom passe, o jogador vive seu melhor momento no Remo.  

Atuou como titular nos dois amistosos com o Castanhal saindo-se bem. Permaneceu em campo mais tempo que os demais jogadores do setor de marcação. No último, realizado sábado passado, não foi até o final por ter sido expulso após empurrões com o atacante Pecel.

O dado mais importante é que Laílson tem expressado nas entrevistas a consciência de que o atleta nativo precisa trabalhar mais, a fim de conquistar a confiança do treinador.

Posicionado como segundo volante, tem qualidades que o estimulam a ser mais ofensivo. Rafael Jaques tem dado espaço e liberdade para ir ao ataque. É uma oportunidade que não pode ser desperdiçada.   

(Coluna publicada na edição do Bola desta quinta-feira, 09)