Leão muda para acertar o passo

POR GERSON NOGUEIRA

O desempenho insatisfatório contra o Tapajós na abertura do Campeonato Estadual obrigou o técnico Rafael Jaques a mexer na formação do Remo para o compromisso deste domingo (26) contra o Carajás, no estádio Jornalista Edgar Proença. Em elação ao jogo da esteia, o time deve apresentar quatro modificações posicionais e duas de ordem tática.

Além de demonstrar respeito pelo mandante, que levou uma peia na estreia (5 a 0 diante do Paragominas, na Arena Verde), o Remo busca resgatar a confiança do torcedor, que não aprovou a atuação inicial.

A mais significativa alteração deve ocorrer no meio-de-campo, onde Robinho assume o papel de organizador, substituindo a Eduardo Ramos, que vai como opção no banco. Peça importante no elenco, mas muito criticado pelo torcida, a mudança visa preservar o camisa 10.

O canhoto Robinho jogou por apenas 12 minutos contra o Tapajós, mas teve desempenho bastante elogiado. Movimentou-se bem, sempre verticalizando o jogo e buscando triangulações com Rafael Jansen e Gustavo Ermel no lado direito do ataque.

Outra alteração importante está prevista para o comando do ataque, onde Jackson deve ser efetivado ao lado de Gustavo Ermel, entrando no lugar de Geovane Gomez, que foi improdutivo no domingo passado.

Jackson mostrou mais desprendimento e disposição para entrar na área, travando alguns bons duelos com a zaga santarena, que não havia sido incomodada por Geovane até a metade do 2º tempo.

Outra mudança esboçada pelo técnico Rafael Jaques na sexta-feira é a entrada de Djalma na lateral direita, o que força o deslocamento de Jansen para o interior da área, provavelmente ao lado de Fredson.

O meia-atacante Lukinha (foto), o mais efetivo na estreia, deve ganhar funções mais ofensivas diante do Carajás. Sua escalação na frente faz crer em dois movimentos táticos: será um extrema-esquerda quando o Remo atacar, mas terá a tarefa de reposição quando o time estiver sem a bola. De sua movimentação dependerá a autonomia dos volantes Lailson e Xaves.

Joia do Itupiranga vira objeto de desejo da dupla Re-Pa

O abusado Cuadrado, camisa 11 do Itupiranga, que entortou o experiente Perema e quase estragou a festa de estreia do PSC na Curuzu, virou alvo da cobiça dos grandes da capital, a ponto de ser o jogado mais badalado da semana esportiva e pivô de muitas especulações. A vitória foi bicolor, mais no dia seguinte todo mundo só falou no veloz atacante interioano. andidato destacado à condição de revelação do Parazão, o atacante tem 24 anos, idade de jogador maduro.

Como tantos outros talentos do futebol paraense, ele começou a jogar pelo Águia de Marabá e teve que interromper a carreira por falta de horizontes. Diretores do Itupiranga atentos à súbita valorização do habilidoso Cuadrado já falam em pedir R$ 1 milhão pela sua liberação. Calma. O futebol tem pressa, mas não pode ser afobado.

O povo (do futebol) unido jamais será vencido

Foi preciso quase uma nova Revolução Farroupilha para que a emissora que detém os direitos de transmissão se dispusesse a transmitir para todo o país a inédita final gaúcha da Copa São Paulo de Futebol Junior neste sábado (25), entre Grêmio x Internacional.

Através das redes sociais, o público se mobilizou em todo o país para forçar a Globo a alterar sua grade de programação, que não previa a exibição do Gre-Nal na TV aberta pelo singelo motivo de que os grandes clubes de São Paulo e Rio não disputam o título.

Bola na Torre

Guilherme Guerreiro comanda o programa, a partir das 22h30, logo depois da transmissão da NBA, na RBATV. Participações de Giuseppe Tommaso e deste escriba de Baião.

Série C segue com Dazn e clubes só terão custeio

Por razões de sobrevivência financeira, a dupla Re-Pa precisa conseguir o acesso à Série B, se possível já em 2020. Enquanto permanecer na Série C ficará submetida a um regime de pão e água. O contrato de transmissão da competição junto à Dazn vale por quatro edições – de 2019 a 2022. Neste ano, será mantido o formato com 86 jogos transmitidos, o que corresponde a 44% das 194 partidas prevista.

No acerto com a CBF, cuja receita é direcionada apenas ao custeio do campeonato (viagens, hospedagens e arbitragem), o serviço de streaming exibe quatro dos 10 jogos de cada rodada, além de transmitir o mata-mata a partir da fase final. A Dazn deve manter ao menos um jogo no Youtube, com acesso liberado. Em 2019, foram 29 jogos neste formato, com média de 243 mil visualizações.

De cota efetiva, em dinheiro substancial, os clubes só recebem na Série B, cujo repasse é de R$ 6 milhões, e na Série A, a partir de R$ 37 milhões. Na C, os clubes continuam a se contentar com a receita das 36 placas publicitárias espalhadas em torno do gramado. É muito pouco.

Despedida de um craque do texto esportivo

Sergio Noronha foi um comentarista destacado nas principais emissoras de rádio do país, foi também um respeitado homem de televisão, mas gostava de dizer que sua praia era o texto. E de praia, diga-se, Seu Nonô – apelido que os amigos lhe deram – entendia bem, de tanto frequentar Ipanema, Leblon, Copa e outros paraísos da Cidade Maravilhosa.

O Alzheimer prostrou o grande profissional e apressou sua aposentadoria. Ganhou a solidariedade de Arnaldo Cézar Coelho, que o adotou e garantiu dignidade a seus últimos e solitários anos de vida. Que descanse em paz.

(Coluna publicada na edição do Bola deste domingo, 26)

Nos pênaltis, Inter conquista Copinha pela 5ª vez

Depois de um empate em 1 a 1 no tempo normal com muita intensidade, dois gols, inúmeras chances perdidas e até uma expulsão contestada no segundo tempo, o Internacional superou o Grêmio nos pênaltis por 3 a 1 e foi campeão da Copa São Paulo de Futebol Júnior de 2020, hoje (25), no Pacaembu. É o quinto título da história do Colorado logo no primeiro Gre-Nal decisivo do maior torneio nacional de base. O Colorado também faturou a taça em 1974, 78, 80 e 98.

Nas cobranças de pênalti em São Paulo, Vitor, Wesley e Gonçalves erraram pelo Grêmio, só Gazão converteu. Já pelo Inter, Matheus Monteiro parou no goleiro Adriel, mas Cesinha, Tiago Barbosa e Carlos Eduardo marcaram os gols do título colorado.

Outro mundo

Por Edyr Augusto Proença

Não a conheço. A moça. Talvez 25, 30 anos, classe média, certamente com Ensino Superior. Bonita. Passa ao lado um rapaz também bonito, músculos trabalhados. Ela pergunta animada se ele já comprou ingresso para assistir Wesley Safadão, ao que ele responde que sim, claro que sim. Me deixaram pensativo sobre um país que provavelmente acabou, apesar de tanto otimismo. Afundamos. Se o Brasil der certo economicamente, voltarem as indústrias a receber encomendas, não haverá mão de obra qualificada para trabalhar.

A crise da Educação e Cultura explodiu de vez. Muitos analfabetos funcionais. Não há compreensão daquilo que é escrito, e talvez, apenas, do que é ouvido, nesse dialeto que as pessoas passaram a usar. Não se trata do desenvolvimento da Língua, que é algo dinâmico e sim a inversão das regras, invenção de palavras, ignorando tudo.

Meu amiguinho, chegando à quarta ou quinta série, não sabe nada de nenhuma matéria. Vai passando. A professora me perguntou se era melhor reprová-lo e com isso, fazer com que ele nunca mais frequentasse escola. Os do Ensino Médio estudam para passar. Há trabalhos, uma série de pacotes que visam melhorar a nota. E vão passando.

Ando pelas ruas. Me relaciono com pessoas. Ouço o que dizem. Às vezes pergunto sabendo a resposta. Estou vivendo em uma dimensão paralela. Essas pessoas felizes, não gostam de ler, ouvem músicas tipo “atirei o pau no gato”, lotam cinemas para assistir filmes de super heróis que a minha geração assistia aos doze anos de idade. Nada para pensar, nada para analisar, nada para responder, nenhuma opinião. E estão felizes. Envelheci.

Trabalhei com música pop a vida inteira e agora não consigo ouvir nada. Ouço no carro o cd de Oleg Tumanov, com músicas cantadas por Joyce, Jane Duboc, Paulinho Moska e outros, arranjos e instrumental de primeira qualidade e concordo que é música do passado. Não se faz mais música assim. Procuro quem possa debater comigo o último livro de Leonardo Padura e só encontro meus amigos de sempre.

Ao Teatro comparecem as mesmas pessoas de sempre. Na Casa Cuíra, muitas vezes, dizem, encantados, que nunca haviam assistido a uma peça de teatro. Assisti a um programa da Globo, de humor, satirizando os telejornais. Duvido que o grande público entenda 10% das ironias contidas no texto. Entre em qualquer casa de Belém de menor poder aquisitivo e na televisão permanentemente ligada estará SBT ou Record. Uma questão de estética. Concordo com o arquiteto Flávio Nassar, na entrevista a Tito Barata em “Papo no Tucupi”. “Belém não tem jeito”. Pensem bem. Não tem. Nossa culpa.

Nós, que apesar de gostar de ouvir boa música, assistir bons filmes, boas peças de teatro, não saímos de casa por pura preguiça. Não vamos. Não enchemos as cadeiras. Eu gosto, mas dá uma preguiça… As raras atrações de qualidade agora passam longe da cidade. E somos todos nós que votamos em políticos que até hoje provaram nosso grande poder de auto destruição. Como é possível um Estado do tamanho do Pará, potencialmente o mais rico do Brasil, continuar pobre, tendo suas riquezas extraídas em grande velocidade, deixando para nós, que aqui moramos, nada. Nada, comparado ao que devíamos receber.

Passo ao largo de casas de shows para jovens e vejo carros importados, lindos, estacionados. Lá dentro, show de sertanojos. Ligo no Serginho Groissman e lá está uma dupla de homens feios, barrigudos, com chapéus e botas ridículas, entoando uma choradeira devastadora, acompanhados pela plateia de jovens! Onde está a estética dessas gerações? Não, as letras bonitas não são essas. As melodias bonitas não são essas. Os filmes bons não são esses. De livros nem falo.

Perdemos umas três gerações que agora assumem postos de comando no país, carregando dentro de si a ignorância e a cretinice. Onde foi parar o bom gosto? O equilíbrio? O desafio, na direção do novo? Você já parou para pensar em quem você é? No que acredita? Quais suas opiniões? Tem algum pensamento na direção do coletivo da cidade? Pretende contribuir com alguma coisa? E pior do que tudo, há algum porvir para os jovens nesta cidade em escombros?
(Edyr Augusto – 24.01.20)