Todos ao ataque

POR GERSON NOGUEIRA

Com o retorno de Douglas Packer, apresentado oficialmente na quarta-feira, o Leão parece ter fechado o leque de opções para o meio-campo. O trabalho de criação ficará inicialmente a cargo de Eduardo Ramos, Robinho, Lukinha e Packer, mas há também a possibilidade de que Carlos Alberto volte a jogar ainda durante o Campeonato Estadual.

Pela movimentação exigida pelo técnico Rafael Jaques para as jogadas de meio e aproximação com o ataque, envolvendo quatro e até cinco jogadores, o papel dos homens mais criativos terá muita relevância no sistema que o Remo irá utilizar no Parazão.

Nos amistosos com o Castanhal e em Salinópolis, o ponto alto foi a afinação nas situações ofensivas, utilizando muito os lados do ataque, com Ermel e Robinho. A troca de passes em velocidade pode ser a principal arma do time.

Com base no que se observou nas últimas partidas, o Remo deve estrear domingo contra o Tapajós com a seguinte formação: Vinícius; Rafael Jansen, Mimica, Fredson e Ronaell; Xaves (Charles), Laílson (Robinho) e Eduardo Ramos; Jackson, Geovane e Gustavo Ermel.

No Papão, as carências do setor mais estratégico do time incomodam o técnico Hélio dos Anjos. A rigor, ele só pode contar com Alex Maranhão, recentemente contratado. Em função disso, a diretoria se movimenta para contratar mais dois armadores.

Sem criatividade na meia-cancha, o time tende a depender exclusivamente das jogadas aéreas, explorando as subidas dos zagueiros Perema e Micael e a presença de Nicolas, definitivamente ocupando o papel de atacante centralizado.

Caso não surjam problemas de última hora, o Papão deve iniciar o campeonato com: Gabriel Leite; Toni, Perema, Micael e Bruno Collaço; Caíque, Serginho e Alex Maranhão; Vinícius Leite, Nicolas e Elielton.

De maneira geral, os dois principais concorrentes ao título entram no campeonato com times de vocação ofensiva e optando por três atacantes. Sem dúvida, um bom sinal.

Falas infelizes podem comprometer carreiras

A torcida do Flamengo não perdoou uma visita social de Léo Moura ao Ninho do Urubu, anteontem. O eterno lateral foi chamado de traíra e hipócrita pelos rubro-negros. Semana passada, quando o Cruzeiro entrou em processo de desmanche, a torcida do Botafogo também reagiu furiosamente a um aceno de Sassá para voltar ao clube que o revelou.

Cada um à sua maneira, Léo e Sassá debocharam dos ex-clubes. No Grêmio campeão continental de 2017, o lateral deu entrevista dizendo que tinha passado 10 anos no Flamengo sem ter tido oportunidade de conquistar títulos importantes.

Sassá falou, quando chegou ao Cruzeiro há dois anos, que estava em busca de novos desafios e tinha escolhido um grande clube para isso. Óbvio que a declaração não agradou aos botafoguenses.

Frases de extrema infelicidade, que se repetem no dia a dia dos clubes e são impulsionadas pela facilidade com que os torcedores registram (e arquivam) as declarações precipitadas. Por aqui, Leandro Cearense andou falando mal do Remo e, com isso, comprou briga eterna com a torcida.

O fato é que a maioria dos atletas não toma cuidado ao dar declarações sobre outros clubes. Isso é recorrente até mesmo no comportamento de atletas que jogam em times de ponta e contam com assessores para tudo.

Neymar, por exemplo, no afã de voltar para o Barcelona, evidenciou em palavras e gestos seu desamor pelo PSG. Naturalmente, Magoou para sempre a torcida do clube francês. Por mais que se esforce não mudará a imagem deixada pela desfeita.  

Negociação de Rony é bom negócio para o Leão

Além do Corinthians, que já fez até proposta (em torno de R$ 34 milhões) para fechar a contratação, o ex-azulino Rony passa a ser cobiçado pelo Palmeiras, que anda discreto quanto a gastanças neste começo de temporada.

O alvinegro paulista parece mais próximo de um acordo com o clube paranaense, visto que Rony tem interesse em refazer a parceria com o técnico Tiago Nunes, hoje no Corinthians.

Aos 24 anos, o atacante paraense de 24 anos colhe os benefícios de uma temporada primorosa pelo Athlético em 2019. Destaque da equipe campeã da Copa do Brasil, Rony nem está participando do giro que o clube faz pela Argentina, cumprindo amistosos de preparação.

O maior problema para fechamento de negócio é o valor da multa contratual, estipulada em 12 milhões de euros (cerca de R$ 55 milhões), mas a imprensa de Curitiba informa que o Athlético está disposto a negociar um percentual menor dos direitos econômicos.

Como os rivais paulistas já travaram (e perderam) um duelo por Michael, revelação do Goiás que acabou negociado com o Flamengo, o esforço de ambos agora é redobrado para ter Rony, um atacante bem mais talentoso, pronto e qualificado que o novo reforço rubro-negro.

Caso Rony se transfira para um dos grandes de São Paulo, por quantia em torno de R$ 50 milhões, será o maior valor já pago por um atleta paraense em todos os tempos. De quebra, garante o repasse de 3% aos cofres do Remo, clube formador.

E, em tese, Rony ficará mais próximo de uma eventual convocação para a Seleção, principalmente se for jogar no Corinthians, que é notoriamente uma espécie de almoxarifado de Tite.

(Coluna publicada na edição do Bola desta sexta-feira, 17)

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