Sertanejos levam apoio a Bolsonaro em troca do fim da meia-entrada

Em evento nesta quarta (29), em Brasília, o presidente Jair Bolsonaro prometeu ajudar artistas sertanejos que querem o fim da meia-entrada. Bolsonaro confessou que sempre foi apaixonado por música sertaneja. “Eu sempre fui apaixonado pela música sertaneja, e com toda certeza pelas suas letras em especial”, disse o presidente.

“Eu devo muito a vocês  a minha formação. Quero dizer que sempre tive um carinho muito especial por vocês. Nós chegamos à presidência e em parte devemos a vocês o apoio gratuito no momento em que a política estava bastante desacreditada no Brasil”, agradeceu ele.

“Mais uma vez a vocês, artistas sertanejos, meu muito obrigado por essa homenagem que muito me orgulha e me toca.”

Segundo lista da Secom, estavam presentes artistas como Bruno e Marrone, Gian e Giovani, e César Menotti e Fabiano, e o ator Dedé Santana, dos Trapalhões. O presidente disse que atenderá pedidos dos sertanejos desde que não seja encontrado “óbice jurídico ou constitucional”.

Doreni Caramori, presidente da Abrape (Associação Brasileira dos Promotores de Eventos), pediu em seu discurso o fim da cobrança de meia-entrada, que hoje beneficia estudantes, idosos, pessoas com deficiência e jovens de baixa renda.

“Meio-livro não existe. Não existe meia-bicicleta, meio-caderno. Tem uma série de meios que estimulam a cultura que não são vendidos pela metade do preço. Não pode o Estado brasileiro intervir na economia e tomar 50% da receita de determinados setores sem nenhum tipo de compensação. Precisamos corrigir essa injustiça histórica”, disse ele.

A meia-entrada para espetáculos artístico-culturais e esportivos é garantida por lei federal de 2013. Caramori também defendeu mudanças na cobrança de direitos autorais.

O locutor de rodeios Cuiabano Lima discursou no evento e foi o responsável entregar uma carta para o presidente. “Os artistas sertanejos, que percorrem todos os cantos desse grandioso Brasil e vivenciam todos os dilemas e dificuldades do povo brasileiro, encontraram no governo do presidente Bolsonaro essa postura de um governante que trabalha em prol de seu povo, de seu país”, diz o documento.

Leia a íntegra da carta:

Carta de apoio dos artistas do setor sertanejo ao governo do presidente Bolsonaro

Os artistas do setor sertanejo do Brasil expressam seu apoio ao governo do presidente Jair Messias Bolsonaro e reconhecem seus notáveis feitos no ano de 2019, nos diversos setores produtivos do país.

Diante da difícil situação econômica e social pela qual passava o povo brasileiro, o Brasil precisava de uma atuação forte, decidida, responsável e sem interesses escusos por parte de seus governantes.

A retomada do crescimento econômico e da geração de empregos, o combate à corrupção, o resgate de valores da sociedade, desejos de toda a população brasileira, exigia atuação corajosa e eficiente do Governo Federal.

O país carecia de um ambiente institucional e político estável, com políticas públicas voltadas para o bem-estar da população brasileira, num ambiente econômico saudável e sustentável.

Os artistas sertanejos, que percorrem todos os cantos desse grandioso Brasil e vivenciam todos os dilemas e dificuldades do povo brasileiro, encontraram no governo do presidente Bolsonaro essa postura de um governante que trabalha em prol de seu povo, de seu país.

Assim, expressamos espontaneamente nossos agradecimentos pelas ações e medidas do governo e manifestamos nosso apoio.

Queremos que o Brasil continue trilhando um caminho de prosperidade para seu povo!

Artistas presentes, segundo lista da Secom
​Bia Ferraz
Breno Ferreira
Bruno e Marrone
Cesar Menotti e Fabiano
Cleber e Cauan
Cuiabano Lima
Dedé Santana
Dipaulo e Paulino
Duduca e Dalvan
Durval e Davi
Edu Braga
Gian e Giovani
Gilberto e Gilmar
Henrique e Juliano
Héster e Helena
Hugo e Guilherme
Hungria
Israel Novaes
Jads e Jadson
Jefferson Moraes
João Neto e Frederico
João Reis
Kleo di Bah
Matheus e Kauan
Marcos Brasil
Marcus Paulo e Marcelo
Max e Luan
Paraná
Paulo Pires
Racine e Rafael
Rejane Carminati
Samuel (Os Parazinhos)
Sayonara Power Santana
Teodoro e Sampaio
Tiago (Os Parazinhos)
Zé Henrique e Gabriel

Cena do beijo no tribunal entre mulher e namorado agressor gera polêmica

Por Nathalí Macedo

Um homem tenta matar a namorada com cinco tiros em praça pública em Venâncio Aires, no Rio Grande do Sul. A justiça brasileira, em um raro lapso de lucidez, trata de pronunciá-lo e o homem vai a Júri Popular (até muito rápido para os padrões do nosso moroso judiciário, vez que o crime ocorreu em agosto do ano passado).

No Tribunal, a mulher beija o réu na frente de todos, inclusive dos jurados. A atitude ajuda a defesa, que consegue dois votos pela absolvição.

Na internet, outros milhões de jurados posicionados não hesitam em julgar a mulher (e não o assassino). “Mulher gosta de apanhar, mesmo”; “Amor bandido”; “Por isso que eu não me meto, depois elas voltam”.

Esta é uma história real, e, embora para muitos seja inacreditável, é para mim o nítido retrato da violência estrutural e cíclica que nos é imposta. O que levou essa mulher a acreditar que cinco tiros podem ser uma prova de amor?

O que pode tê-la convencido de que, independente de qualquer coisa, ela tem por obrigação não apenas continuar a relação, mas expôr-se publicamente para tentar livrar seu assassino da cadeia?

Permitam-me dizer o óbvio: nenhuma mulher gosta de apanhar. Nenhuma mulher gosta de levar cinco tiros. Nenhuma mulher gosta de ter que beijar seu assassino no tribunal.

Culpar uma mulher que reatou com o próprio agressor é fácil e conveniente. Nos dá a impressão de que o problema da violência contra a mulher está resolvido, porque as mulheres QUEREM ser violentadas (leia de novo, também não faz sentido pra mim), e, assim, nos presenteia com o conforto de podermos dormir tranquilos no país que mais mata mulheres no mundo, porque “elas querem assim.”

Só que não.

Acontece que a ideia de amor que é culturalmente transmitida às mulheres não é apenas equivocada, é violenta e cruel. Quem nunca ouviu um “homem é assim mesmo” em casa? Da mãe, da avó, da tia cujo casamento é um verdadeiro castigo?

Desde a mais tenra infância, nos é ensinado que a mulher tem que salvar a relação; a mulher tem que perdoar traição, porque a culpa é do instinto masculino – a carne é fraca e coisa e tal; a mulher tem que relevar violência e relativizar agressão, porque “ele só estava nervoso”; foi só um momento, foi só ciúme, ciúme é isso mesmo, é prova e excesso de amor.

Essa mulher não é apenas vítima de cinco tiros e do julgamento cruel dos internautas. Ela é vítima de toda uma estrutura que a convence de que amor e violência podem andar juntos, e isso é natural.

Ela é vítima de uma família que lhe cobra que tenha um homem para “assumí-la”, ainda que, para isso, ele se sinta no direito de podá-la e violentá-la. Ela é vítima de uma sociedade que chama de “amor bandido” o que é, na verdade, um retrato da dependência emocional para a qual somos adestradas.

O machismo tem muitas faces, e a pior delas se mostra quando as próprias vítimas são convencidas a – aparentemente, e só aparentemente por vontade – violentarem a si próprias.

Essa mulher, com toda a certeza do mundo, não é a única.

Quando estagiária da Defensoria Pública do Estado da Bahia, há alguns anos, vi dezenas de casos parecidos: mulheres violentadas, agredidas e humilhadas que procuravam a justiça e tentavam libertar seus agressores. Porque, para elas, nada mais restava: estavam completamente convencidas de que antes mal-acompanhadas do que sozinhas.

Porque, na cultura do macho provedor, toda casa precisa de um homem, por pior que seja. Toda mulher precisa de um homem, por pior que seja – e precisa, para mantê-lo por perto, aceitar toda sorte de violências. Porque a mulher sábia edifica sua casa.

A nossa luta contra a violência doméstica precisa incluir a luta contra a dependência emocional. A luta contra a ideia de que toda mulher precisa de um homem, de que toda mulher precisa carregar seu casamento nas costas, de que tolerar é a lei de nosso útero.

Não existe mulher machista, assim como não existe preto racista. Preto reproduz contra si e contra os seus o racismo que lhe é estruturalmente ensinado. Mulher reproduz contra si e contra suas irmãs o machismo que lhe é colocado como natural.

Todo o resto é desonestidade e tentativa de relativização da violência.

Kobe deve ganhar homenagem na festa do Oscar

A cerimônia do Oscar 2020 prepara uma homenagem para Kobe Bryant, cujo curta-metragem animado “Dear Basketball” ganhou uma estatueta em 2018. A informação sobre este provável tributo foi publicada pelo site “The Hollywood Reporter”. O evento ocorrerá no dia 9 de fevereiro, exatas duas semanas depois da morte do astro do basquete – ele morreu anteontem, vítima de um acidente de helicóptero que também matou sua filha, Gianna Bryant, de 13 anos, e outras sete pessoas.

A tragédia abalou Los Angeles, cidade em que ele fez história com na NBA; no domingo à noite, a cerimônia do Grammy ocorreu no Staples Center, ginásio que os Los Angeles Lakers usam em seus jogos. Torcedores e fãs de Kobe dividiram a região com pessoas com roupas de gala.

Antes de qualquer notícia sobre a homenagem no Oscar, a Academia já havia publicado uma homenagem a Kobe: “Eles duvidavam que uma criança pudesse chegar na NBA, e ele provou que estavam errados. Eles duvidaram que ele pudesse vencer um campeonato, e ele provou que estavam errados. Eles duvidaram que ele pudesse fazer filmes, e ele ganhou um Oscar. Como todos os artistas, Kobe Bryant provou que os que duvidavam estavam errados. Descanse em paz.”