“Ricos com influência são os que mais desmatam a Amazônia”

Transcrito da DW

Para o cientista Paulo Artaxo, que pesquisa a Amazônia desde 1984, não há dúvida: a recente fala do ministro da Economia, Paulo Guedes, de que a pobreza é a maior inimiga do meio ambiente está equivocada.

“A maior parte do desmatamento é feita por empresas e pessoas ricas que detêm o poder na região, têm muita influência no Judiciário e no Poder Executivo. Elas simplesmente fazem invasões de terras públicas, e o Ministério Público e a polícia não vão atrás”, afirma.

Doutor em física atmosférica pela USP, membro do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC) desde 2003 e um dos cientistas mais citados no mundo segundo a Highly Cited Researchers, Artaxo falou com a DW Brasil sobre a gestão do presidente Jair Bolsonaro em relação ao meio ambiente e as ações mais recentes nesse sentido.

Nesta terça-feira (21/01), o presidente anunciou a criação do Conselho da Amazônia e de uma Força Nacional Ambiental, com o intuito, segundo ele, de preservar e combater o desmatamento. A taxa de desmatamento da Floresta Amazônica cresceu, de acordo com dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), 29,54% entre agosto de 2018 e julho de 2019, ante o período imediatamente anterior.

DW Brasil: O presidente Jair Bolsonaro anunciou a criação de um Conselho da Amazônia, que a princípio vai coordenar os trabalhos relativos à floresta em diversos ministérios. Como o senhor vê essa iniciativa?

Paulo Artaxo: Depende de quem vai ser membro deste conselho, que autonomia política esse conselho vai ter para implementar políticas de preservação da Amazônia. Pode ser um conselho que incentive a ocupação de terras indígenas, que incentive o aumento de áreas de mineração em terras indígenas, que são as mais preservadas da Amazônia. É impossível saber se o papel vai ser negativo no desenvolvimento da Amazônia ou positivo, vai depender da autonomia de quem vai participar desse conselho.

Também foi anunciada a criação de uma Força Nacional Ambiental, ressuscitando uma iniciativa que se tentou implantar no governo do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Um efetivo militar seria eficaz no combate à destruição da floresta? Não faria mais sentido fortalecer o trabalho de fiscalização do Ibama, por exemplo?

Já está mais que demonstrado que se você faz um forte trabalho de fiscalização, de monitoramento, coloca a Polícia Federal para combater crimes na Amazônia, já que de 80% a 90% do desmatamento é criminoso, se você coloca o Exército, e dá autonomia para o Exército e para a PF fazer com que a lei seja cumprida na Amazônia, você vai conseguir reduzir o desmatamento em 90%, como na verdade ocorreu quando o Brasil reduziu de 2002, quando desmatava 28 mil quilômetros quadrados, para 2012, quando caiu para 4 mil somente. Hoje tá em 9.750 quilômetros quadrados. É possível reduzir desmatamento? É. Não custa muito dinheiro, na verdade não há maneira mais barata de reduzir a emissão de gases do efeito estufa do que reduzindo desmatamento. E pode ser feito de uma maneira muito rápida. Agora, é preciso que haja interesse político do governo, do Judiciário, do Ministério Público, do Ibama. Tem que fortalecer os órgãos fiscalizadores do Ibama, e com isso o Brasil conseguiria reduzir o desmatamento a praticamente zero.

Como o senhor avalia o que foi feito no último ano na gestão Bolsonaro em relação ao meio ambiente?

Os órgãos que fiscalizam foram todos enfraquecidos, sem orçamento, sem contratação de pessoal – por exemplo, o Prevfogo, que é uma ferramenta fundamental do Ibama na prevenção de queimadas na Amazônia. Foi muito eficiente na redução do desmatamento da Amazônia no governo Lula, e hoje foi totalmente desmantelado. Isso vai ter que ser refeito. Mas, para isso, é preciso que o Ministério [do Meio Ambiente] tenha uma orientação clara, forte e firme, tanto da sociedade quanto do governo, de que nós vamos trabalhar para reduzir o desmatamento a zero na Amazônia. É possível, não custa muito dinheiro, precisa somente de vontade política.

Olhando para nossa história, que políticas foram mais efetivas no combate ao desmatamento na Amazônia e quais foram mais desastrosas?

As políticas mais eficientes já são muito conhecidas hoje no Brasil. O Brasil é o país de maior sucesso na redução de desmatamento no mundo todo, nas décadas de 1990 e 2000. O Brasil sabe como fazer isso, funciona e custa muito pouco. A primeira delas é a implantação completa e fazer valer o chamado cadastro ambiental rural. Então, você vai poder monitorar por satélite e emitir multas para empresas que estão desrespeitando a lei, e para os indivíduos que estão desrespeitando a lei. As demais, que se tratam de invasões de terras públicas, aí é uma questão de polícia, porque é crime ambiental. Então, a Polícia Federal e o Exército têm que coibir esses crimes, porque, afinal, a lei tem que valer alguma coisa no nosso país.

E o que foi mais desastroso em termos de políticas para a Amazônia?

O que deu mais errado foi, na verdade, o incentivo a um processo de ocupação desordenado, sem qualquer planejamento e sem qualquer preocupação com a sustentabilidade ambiental do processo de ocupação da Amazônia. Hoje, o Brasil tem uma ciência muito forte, desenvolvida pela Embrapa, pelos institutos da Amazônia, pelas universidades, sobre como fazer o processo de ocupação da Amazônia ter o mínimo de dano ambiental. Isso é possível, temos exemplos muito fortes, inclusive financiados pelo Fundo Amazônia, de muito sucesso, de várias ONGs, como o ISA (Instituto Socioambiental), o Ipam (Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia), e assim por diante. Então, o Brasil tem o conhecimento científico necessário para implantar políticas públicas para a Amazônia. Agora, é necessário ter vontade política para implementar esse conhecimento científico. 

Quem são os maiores responsáveis pelo desmatamento ilegal na Amazônia? Nesta semana, o ministro da Economia, Paulo Guedes, disse em Davos que as pessoas destroem o meio ambiente porque têm fome.

Obviamente, esse argumento é totalmente falho e errado porque a grande maioria do desmatamento não é feita pela população faminta da Amazônia. A maior parte do desmatamento é feita por empresas e pessoas ricas que detêm o poder na região, têm muita influência no Judiciário e no Poder Executivo e que simplesmente fazem invasões de terras públicas, e o Ministério Público e a polícia não vão atrás. Não são os pobres que desmatam a Amazônia. Na verdade, são empresas muito ricas e que têm uma taxa de lucros imensa. Esse discurso é totalmente falso.

Em dezembro, o presidente Bolsonaro falou em enviar um projeto para autorizar mineração e criação de gado em terras indígenas. Qual sua avaliação sobre uma medida como essa?

Bom, não precisa nem ser cientista para responder. As áreas mais preservadas na Amazônia são as áreas indígenas. Porque os índios, ao longo dos milênios ocupando a Amazônia, sabem como fazer o desenvolvimento sustentável da região. As áreas mais bem preservadas são as áreas indígenas, e são protegidas pela Constituição brasileira – é importante salientar isso. Ao tentar abrir para o garimpo e para a exploração agropecuária territórios que hoje são os mais preservados da Amazônia, primeiro você está fomentando atividades ilegais, segundo, você está indicando que vai aumentar a invasão de terras públicas, de terras indígenas.

No ano passado, alguns líderes, como a chanceler federal alemã, Angela Merkel, se pronunciaram a respeito da Amazônia. Que atores hoje têm poder para pressionar, nacional e internacionalmente, o Brasil a preservar a floresta?

A questão das commodities é muito importante, é uma fração importante do PIB brasileiro, e evidentemente pressões, por exemplo, para que atores internacionais não comprem carne advinda de áreas de desmatamento nos últimos dez ou 20 anos podem ser muito efetivas. Por exemplo, não comprar soja de áreas desmatadas nos últimos 20 anos. Isso faz com que o ganho de novas áreas a serem desmatadas diminua bastante, já que você vai ter limitado o seu poder de exploração econômica sobre aquelas áreas. Então, as sanções econômicas são sim uma ferramenta de combate ao desmatamento.

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A história por trás do Calendário Beatle de 1964

O sucesso do calendário retrô dos Beatles, acessado por mais de 1.100 internautas dede que foi postado aqui no blog, mostra o quanto a maior banda de todos os tempos ainda é reverenciada. O calendário é de 1964 (ano bissexto), mas pode ser utilizado em 2020 pela coincidência dos dias da semana, fases da lua e feriados.

Fotos de John Lennon, George Harrison, Ringo Starr e Paul McCartney em diferentes poses estrelam a folhinha. Além de calendários, a imagem dos Beatles estampava roupas, chaveiros, toalhas, copos e relógios, dentre outros itens.

Em 1964, o grupo de Liverpool dominava a cena musical, com vários hits em primeiro lugar na paradas de sucesso de todo o mundo. Em fevereiro daquele ano, os Beatles desembarcaram no Aeroporto JFK, em Nova York.

Na agenda, uma aparição no programa “The Ed Sullivan Show”, transmitida para uma audiência estimada em 73 milhões de pessoas. Foram realizados shows no Washington Coliseum (no dia 11 de fevereiro) e no Carnegie Hall em Nova York no dia seguinte.

No dia 2 de março, começaram as gravações do filme “A Hard Days Night” (“Os Reis do Iê-Iê-Iê”) . E, em junho, começa a primeira turnê mundial dos Beatles, logo após a excursão pelo Reino Unido.

Papão reforça o ataque

POR GERSON NOGUEIRA

Saiu o nome do sétimo reforço do PSC para o Campeonato Estadual: Uilliam Barros, 25 anos, que brilhou no Sampaio Corrêa na temporada 2018. É o segundo atacante anunciado pelo clube. O primeiro foi Deivid Souza, cuja aquisição geou alguma desconfiança porque o jogado marcou apenas três gols nos últimos 12 meses.

Vem credenciado principalmente pela boa campanha no Sampaio, pois a passagem pelo Operário-PR no ano passado ficou aquém do esperado. Marcou apenas dois gols em 18 partidas na Série B.

Apesar de jogador preferencialmente centralizado, Uilliam também joga pelos lados do campo. Foi aproveitado em funções de aproximação pelo Operário. Na ficha técnica divulgada pelo PSC, o jogador foi titular em 65 partidas das 108 que disputou desde 2017. A minutagem, tão ao gosto dos analistas de desempenho, é satisfatória: jogou 6.595 minutos.

Pode ser aproveitado pelos lados do campo, caso Hélio dos Anjos resolva experimentar uma opção de força pela direita. Chega para brigar pelo comando do ataque, posição na qual o PSC apresenta carência desde que Cassiano deixou o clube em 2018. Nicolas tem atuado como centroavante por absoluta falta de alternativas no elenco.

Nas atuações do time em 2020 – amistoso diante da seleção de Barcarena (4 a 0) e contra o Itupiranga (3 a 1) na rodada de abertura do Parazão –, a dificuldade de funcionamento do ataque ficou evidenciada na baixa produção dos homens do setor: dos sete gols, apenas um foi marcado por atacante de ofício (Nicolas).

Tem sido assim desde a campanha na Série C do ano passado, fato que certamente deve incomodar Hélio dos Anjos. São poucas as opções para variações ofensivas. Além de Nicolas, o elenco conta com Elielton, Vinícius Leite, Deivid Souza, Bruce e agora Uilliam.

Para disputar o Parazão, o clube deve contratar mais um jogador de criação, um volante e um lateral-direito. O ataque, ao que parece, está fechado para as competições iniciais da temporada.

Com dinheiro curto, clubes ficam mais responsáveis

Com a honrosa exceção do Flamengo, que nada em dinheiro e anuncia todo dia uma nova contratação, os demais clubes brasileiros amargam uma séria crise financeira deste começo de temporada no mercado da bola. Depois de maus passos, gastanças absurdas e projetos fracassados (como o do Cruzeiro), prevalece a da austeridade forçada pelas circunstâncias.

Nem mesmo o Palmeiras, que foi o clube mais perdulário de 2018 contratando a rodo, respaldado pelo suporte do patrocinador (uma empresa da área financeira), tem sido tão ousado neste ano.

É cada vez menos frequente o anúncio bombástico de contratações, como o Flamengo fez com Arrascaeta, Rafinha e Gabigol no ano passado. Ou quando o Palmeiras repatriou Ricardo Goulart e o São Paulo fez uma grande festa para apresentar Daniel Alves.

Os erros seguidos com nomes tidos como apostas certeiras parecem ter mudado o foco. O próprio Ricardo Goulart foi um tiro no pé, com alta perda financeira para o Palmeiras. Lucas Lima já havia sido um projeto fracassado.

Levantamento da CBF mostra que os clube da Primeira Divisão contrataram até agora 173 jogadores, 70 a menos que no alvorecer de 2019. Se a pesquisa for mais filtrada, descobre-se que os 12 grandes clubes só anunciaram 42 reforços, contra 106 no ano passado.

O processo de retração tem a ver com a própria movimentação financeira dos clubes, quase sem alternativas extras de faturamento e com receitas de TV comprometidas, salvo exceções como Grêmio, Palmeiras e Flamengo. Não há no horizonte nenhum cenário que faça crer numa reviravolta a essa altura, o que deixa claro que o Brasileiro deste ano será bem menos recheado de atrações.

Curiosamente, vem do rebaixado Cruzeiro a alternativa para suprir carências de outros clubes. O Grêmio – que negociou Luan com o Corinthians –, está prestes a anunciar o problemático Thiago Neves, a pedido do técnico Renato Gaúcho.

A estiagem é tão acentuada que a principal badalação de momento é a possível transferência de Rony para o Palmeiras. As negociações avançam e o Athletico-PR já não parece contar com o atacante paraense.

O fato óbvio é que não há dinheiro para investimento de risco, como no passado recente. Só quem arrisca neste momento é o Flamengo, capaz de montar um time B tão ou mais competitivo que a melhor formação dos principais adversários.

Por outro lado, a falta de recursos faz com que os dirigentes sejam mais responsáveis na hora de fechar negócios. Impensável imaginar, por exemplo, que o Palmeiras volte a abrir o cofre como fez para contratar Lucas Lima ou o São Paulo se meta a torrar dinheiro como quando resgatou Alexandre Pato.

O peso da depressão no competitivo mundo do futebol

A notícia repercutiu no final da tarde de ontem. O atacante Paquetá foi submetido a exames cardiológicos depois do jogo do Milan contra a Udinese, vencido pelo time de Milão por 3×2. O jogador sentiu dores no peito e foi imediatamente conduzido a uma clínica. Os resultados não mostraram problemas de natureza cardiológica, mas um quadro de muita ansiedade, beirando a depressão, segundo os médicos do clube.

Paquetá vem muito pressionado com a falta de gols e a recente chegada de Ibrahimovic, um ídolo da torcida do Milan que foi recontratado para resolver justamente o problema do ataque. Há quem relativize a depressão, no futebol e fora dele, mas é um problema que aflige muitos atletas e já destruiu inúmeras carreiras.

Pedrinho, do Vasco, e Adriano Imperado são exemplos conhecidos e que não podem ser negligenciados.

(Coluna publicada na edição do Bola desta quinta-feira, 23)

Lula publica artigo em defesa de Glenn no ‘Washington Post’

O Washington Post, periódico estadunidense que é considerado um dos mais importantes jornais do mundo, publicou em seu site com destaque, no início da noite desta quarta-feira (22), um artigo do ex-presidente Lula em que ele denuncia a perseguição contra o jornalista Glenn Greenwald, alvo de uma denúncia do Ministério Público Federal na última terça-feira (21).

O jornal em que o artigo foi publicado não poderia ser mais apropriado: foi o Washington Post que publicou, na década de 70, a famosa série de reportagens que ficou conhecida como “Caso Watergate”.

Assim como na série capitaneada por Greenwald, a Vaza Jato, as matérias do Post, assinadas pelos repórteres Bob Woodward e Carl Bernstein, se baseavam em documentos e mensagens secretas, obtidas através de uma fonte anônima, o “garganta profunda”, que revelavam que o presidente à época, Richard Nixon, utilizou dinheiro não declarado para espionar os adversários e obter vantagens em sua campanha. O escândalo levou Nixon à renúncia, em 1974.

Lula, inclusive, começa seu artigo no jornal fazendo referência ao Caso Watergate. “Imagine como a história americana se desenrolaria se, na década de 1970, se membros da sociedade civil e autoridades estivessem mais preocupados em atacar e investigar Carl Bernstein e Bob Woodward do que em procurar a verdade sobre o escândalo de Watergate. Se o Congresso e o FBI decidissem investigar os repórteres do Post e suas fontes, e não as irregularidades do Partido Republicano”, escreve o ex-presidente na introdução do texto.

“Isso é análogo ao que está acontecendo hoje no Brasil, onde o jornalista Glenn Greenwald está sendo perseguido por suas atividades jornalísticas”, completa Lula.

Ao decorrer do artigo, Lula fala sobre a denúncia do MP contra Greenwald e chama a atenção para o fato de que o jornalista começou a ser perseguido desde que começou a publicar as primeiras reportagens da Vaza Jato, que mostram a atuação ilegal de procuradores e do ex-juiz Sérgio Moro na condução da operação Lava Jato. “As ações de Moro e dos promotores serviram para preparar o terreno para o meu julgamento injusto. A investigação de Greenwald foi fundamental para demonstrar como a Operação Lava Jato violou meus direitos legais e humanos”, pontua o petista.

Lula ainda contextualiza o histórico político do Brasil, lembrando do golpe que levou ao impeachment da ex-presidenta Dilma Rousseff, antes de avançar na denúncia da perseguição contra Glenn e destacar o papel desempenhado pela mídia tradicional na cobertura do caso da Vaza Jato.

O ex-presidente citou até mesmo o caso do discurso nazista do ex-secretário de Cultura de Bolsonaro. “Com poucas exceções, a mídia brasileira tocou junto. A cobertura da poderosa da TV Globo concentra-se no inquérito da Polícia Federal para criminalizar as fontes e o próprio jornalista. Esse comportamento ridículo da mídia mudou o curso da história e contribuiu para a eleição de Bolsonaro, um líder de direita que, até recentemente, tinha um promotor do nazismo como secretário de cultura”, escreve.

Ao final, Lula sacramenta: “Greenwald é testemunha, repórter e agora também a mais recente vítima de um processo que está enfraquecendo a democracia brasileira”.