Parece que aveludaram as panelas

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“Nada mais indigna ninguém, talvez também por constrangimento de quem foi às ruas para protestar contra um governo que nomeou Dias Toffoli para o STF e vê o que o sucedeu nomear Alexandre de Moraes. Ou não dá vergonha ter batido panelas contra a tentativa de um governo nomear Lula ministro e ver o episódio se repetir com o outro ao dar foro privilegiado a Moreira Franco?”, escreve o colunista Juca Kfouri, em texto que critica a política de Michel Temer e o fracasso do legado da Copa e da Olimpíada. “Parece que aveludaram as panelas”, resume em seu artigo na Folha de S.Paulo.

“Alguém já disse que o futebol imita a vida e vice-versa.

Eis que o Corinthians vive dias como os vividos em Brasília antes do impeachment, mas, pasme, a Comissão de Ética do clube deu uma lição ao Congresso Nacional.

Diante da gestão pífia do presidente alvinegro Roberto de Andrade, conselheiros querem transformar pecados veniais (assinaturas em documentos antes de assumir a presidência) em crimes para impedi-lo de seguir adiante no posto para o qual foi eleito legitimamente. Você já viu isso?

Porque agora é assim: as coisas não estão indo bem na economia, na política, nos gramados, nem o eleitorado e nem a torcida estão felizes, anule-se a eleição.

Pois eis que a Comissão de Ética do Corinthians deu parecer contra o impeachment e de maneira que até os ministros do STF, e nossos parlamentares, deveriam aprender, ao partir do seguinte pressuposto: ‘Esta Comissão fugiu ao máximo da armadilha de avaliar a administração do presidente. Estamos convictos de que não nos cabe discutir se a gestão é boa ou ruim; se as opções contratuais foram corretas ou não; se o futebol vai bem ou vai mal; se as finanças estão em ordem ou não. Não se debateu a qualidade do governo e é possível que, neste particular, haja divergências entre os signatários. A unanimidade acima citada refere-se apenas à detecção de infrações estatutárias e suas respectivas gravidades, únicos temas aqui analisados. Se a gestão é boa ou ruim, que o eleitor manifeste-se nas urnas, nas próximas eleições'”. 

6 comentários em “Parece que aveludaram as panelas

  1. A postagem transcreve apenas a segunda parte do artigo do Juca. Sobre a primeira há apenas uma paráfrase seletiva.

    Peço licença para transcrever a primeira parte.

    É que nesta primeira parte o Juca declara que eu sou um daqueles que tinha razão, que acertei no alvo, nas críticas que fiz no que respeita à Copa e à Olimpíada!!!

    A propósito, há um ponto em que eu acho que o Juca se confunde um pouco n’alguns assertos que profere. Mas, para não alongar muito e cair na moderação, deixo para falar a respeito num comentário à parte.

    Pois bem, aí vai a transcrição da referida primeira parte:

    “OS CRÍTICOS À COPA DO MUNDO E À OLIMPÍADA ACERTARAM NO ALVO

    “Na era do tucanato, os críticos eram chamados de “fracassomaníacos”, neologismo da lavra de FHC.

    “Na era do petismo adotou-se a criação de Nelson Rodrigues e os críticos padeceriam do famoso “complexo de vira-latas”.

    “Lula não chegou a inventar uma palavra, limitou-se a falar dos que têm “desejo de fracasso”, mas Aldo Rebelo, o polivalente ministro do PCdoB, hoje sumido provavelmente para não ser cobrado, gostava de citar Rodrigues para responder a quem previa exatamente o que está acontecendo com os escandalosos legados da Copa do Mundo e da Olimpíada no Brasil.

    “Não fosse o fato de o povo parecer outra vez anestesiado -em baixo calão, de saco cheio-, ondas de indignação varreriam o país com o que se sabe a cada dia do estado dos equipamentos dos dois megaeventos e do abandono completo do esporte, a atividade que seria premiada pós-Olimpíada do Brasil poliesportivo.

    “Nada mais indigna ninguém, talvez também por constrangimento de quem foi às ruas para protestar contra um governo que nomeou Dias Toffoli para o STF e vê o que o sucedeu nomear Alexandre de Moraes.

    “Ou não dá vergonha ter batido panelas contra a tentativa de um governo nomear Lula ministro e ver o episódio se repetir com o outro ao dar foro privilegiado a Moreira Franco?

    “Parece que aveludaram as panelas.

    “Os críticos acertaram no alvo.”

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  2. Se essa é a primeira parte, a análise da segunda deve remeter a ela. Vejamos como se pode obter isso, caro Oliveira.

    Não veio de Lula a insistência em candidatar o país às olimpíadas, mas de Nuzman. Perdeu algumas vezes (quantas?) as eleições para país-sede das olimpíadas, mas sempre com torcida. Isso aqui é significativo, sempre foi aspiração brasileira sediar eventos como estes. Ganhou na insistência. Era uma aspiração do povo, desejoso de evidenciar o país ao mundo e de receber a honra de sediar o grandioso espetáculo. Pelo que queria sediar os eventos,podemos encontrar inúmeras motivações pessoais, embora as políticas sejam evidentes, o reconhecimento mundial e histórico pelo feito. A escolha mesma do Rio como cidade-sede dos jogos foi muito festejada em todo o país. Inclusive pelos opositores políticos, como a Globo. Pela Copa do Mundo então nem se fala. Então, como se vê, há algo esquecido nessa análise…

    Entendo que os recursos empregados nos eventos não fariam tanta falta ao país, afinal é preciso investir em atração de estrangeiros, para morar ou visitar, trabalhar e investir no país. Era preciso dar ao mundo o símbolo da pujança econômica brasileira. À Lula deu-se o maior simbolismo que jamais um presidente brasileiro teve o prazer de alcançar, de ser aquele que conseguiu superar vários óbices, sendo a maioria históricos, e não só refiro-me ao esporte, claro está. Disso tudo, lembro bem porque eu também estive aí nesse passado recente. O mesmo se pode dizer sobre a escolha do Brasil para a Copa de 2014. São emblemas da gestão petista, destruídas pela falácia da direita ressentida. Lula deixou o governo com mais de 80% de aprovação. Um fenômeno! Fôssemos ainda apenas candidatos a sediar os eventos, estaríamos como dantes, nos queixando de sermos preteridos, repetindo o de sempre, que o país não tem jeito, sofismando que a escolha de Lula não tinha mesmo como dar certo, esse operário sem dedo e analfabeto. E, absolutamente, não vejo nada que aponte para o contrário em termos históricos e políticos. A reflexão sobre a dura realidade dos estádios abandonados mostra apenas como a política brasileira é pueril, inconsequente como os eleitores.

    Nisto é que a primeira parte junta-se à segunda. Para delinear não o porquê de se ter gasto, mas o porquê de gastar e de não continuar investindo. O aporte financeiro no esporte é um sinal claro de que o esporte tem potencial de gerar muita oportunidade sobre a geração de emprego e riqueza, mas não se insiste por aí, como com o turismo. Nisto é que os críticos acertaram, na mais previsível forma da política caudilha tão nossa característica, juntamente à sabujice popular. Agora diz-se que Copa e Olimpíadas foram erros. Não, não foram. É como se o Brasil se estivesse candidatando a potência espacial e desconfiasse de ter de construir uma base própria de lançamentos, dominar a tecnologia aerospacial e construir e lançar o próprio foguete! A estrutura está posta para o futuro e exige continuidade dos investimentos. Mas, cadê? Onde estão as políticas públicas estaduais para o esporte? Como há de negar que os investimentos descontinuados pelos governos locais deram errado exatamente por causa desse abandono? Ou, por outra, como se poderia esperar que dessem certo sem apoio governamental? É disso que se trata! E é bem disso que se reclama, desse porquê de as panelas estarem silenciosas, e certamente vazias. Do porquê dessa aceitação ruminante da crítica vazia e sem objetivo prático que faz da mediocridade de um Sardenberg uma “autoridade” em matéria de política, e de Miriam Leitão, referência em economia… Por aí só, já vê-se que o mercado não está interessado em investir no esporte bretão e em nenhum outro. Medalha de ouro é para os gringos!

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  3. De minha parte, não foi “agora” que foi dito. Eu disse antes, bem antes. Eu disse durante. E estou dizendo depois. Boas mesmo, a Copa e a Olimpíada só foram mesmo para quem íntegra o COB, o COI, a FIFA, a CBF, e os políticos que a estas entidades e seus dirigentes e às empreiteiras se aliaram, para inverter a propriedade do patrimônio público.

    Quanto às panelas, o silêncio e o veludo, se devem à 54 milhões de brasileiros que antes também estavam em silêncio uns por uma espécie de acriticismo, outros pelas vantagens que lhes calava a boca, e que hoje silenciam sem explicação. Aliás, até existe uma explicação: o temerário repete o governo rubro, de onde é oriundo, não só na nomeação de ministro para garantir-lhe foro, ou na escolha de um ministro do Supremo sem credenciais para o tamanho da missão. Ele também distribui dinheiro como anunciou fazer com o fgts e vai fazer com o minha casa minha vida

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  4. Discordo, mais uma vez, caro Oliveira. As panelas que bateram contra Dilma não foram as dos mais pobres, foram as da classe média recém promovida. Talvez buscassem a aceitação do comum dos profissionais liberais típicos, contrários ao socialismo. Equiparar-se aos vizinhos, ser aceito no meio dos ricos de antes… é o desejo do novo rico. Marx disse isso, sem ter dito exatamente desse modo ou com essas palavras. Os mais pobres, os que fazem bom uso dos programas sociais, estes sim é que são responsáveis pelo sucesso dos programas sociais e pelo crescimento econômico. Estes sim são a parcela beneficiada pelos programas sociais. Não foram comprados pelo PT, foram promovidos de classe social.

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  5. Amigo Lopes, eu não disse que as panelas que bateram contra a impedida pertenciam aos mais pobres.

    O que eu disse foi que as panelas que estão em silêncio contra o temerário são exatamente aquelas pertencentes aos 54 milhões que votaram nela.

    Que os que bateram contra ela não batam agora contra o temerário não de se estranhar. Estranho é os 54 milhões que votaram nela silenciarem. Que silenciassem antes, como silenciaram, até era compreensível, pelos motivos que já falei. Mas, que silenciem agora… Por que?

    Agora, Lopes, me perdoe, mas promovidos de classe… Só se você estiver falando do ex e seus familiares.

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