PSC x Avaí – comentários on-line

Campeonato Brasileiro da Série B 2016

Paissandu x Avaí-SC – estádio da Curuzu, às 21h

Rádio Clube _ IBOPE_ Segunda a Sexta _ Tabloide

Na Rádio Clube, Guilherme Guerreiro narra; João Cunha comenta. Reportagens – Carlos Gaia, Dinho Menezes, Francisco Urbano e Saulo Zaire. Banco de Informações – Fábio Scerni

Se Cunha foi derrotado na Câmara, Temer também pode ser no Senado: esta a maior lição desta terça

001-600x400

POR PAULO NOGUEIRA, no DCM

As ruas falaram. A pressão popular funcionou. As redes sociais se impuseram: Eduardo Cunha está, enfim, morto.

A decisão da Comissão de Ética da Câmara dos Deputados para que ele seja cassado é um raro momento de luz nas trevas em que o Brasil foi submergido pela plutocracia golpista.

A decisão vai ser chancelada pelo plenário da Câmara, mas as chances de Cunha, com o voto aberto, são equivalentes a zero.

Como isso se reflete no processo de impeachment?

Não há uma ligação imediata, mas o que fica demonstrado é que a pressão popular funciona. Tia Eron ia fatalmente votar a favor de Cunha, bem como o deputado Wladimir Costa, do infame Solidariedade.

No final, ajudaram a levar Cunha para o cadafalso pelo clamor nacional.

Haverá, no Senado, uma votação definitiva em torno do afastamento de Dilma.

Dois votos que mudem são bastantes para corrigir uma terrível injustiça. O Senado aprovou o impeachment num cenário ilusório: o de que Temer iria abafar e Dilma sumiria.

O que aconteceu foi o oposto. Temer é um interino rejeitado desde o primeiro dia. Uma pesquisa Vox Populi publicada hoje mostrou as dimensões do repúdio nacional a ele.

É hora de pressionar fortemente os senadores, sobretudo os que já demonstraram algum remorso pelo passo falso, como Cristovam Buarque.

Se Cunha, com todo o seu poder, pôde ser derrotado na Câmara, está claro que Temer, muito mais fraco, também pode ser batido no Senado.

Para os que lutam pela democracia, a queda de Cunha é um estímulo fortíssimo. Si, si puede, como se diz em espanhol.

Sim, é possível abreviar ao máximo a passagem espúria de Temer pelo Planalto.

Ruas, ruas e ainda ruas, aliadas a uma ação contínua nas redes sociais: esta é a receita.

Neymar pede desculpas pelo desabafo

2e59f01965444ad85511bdd94110cd0e

Depois de ser muito criticado pelo desabafo que fez após a eliminação do Brasil diante do Peru na Copa América Centenário, no domingo, Neymar escreveu novamente em sua conta no Instragram, nesta terça-feira, para se desculpar por ter ofendido a todos, enquanto se referia a apenas algumas pessoas. E citou nominalmente o blogueiro da ESPN, Renato Rodrigues.

O jogador do Barcelona e da seleção brasileira não foi liberado por seu clube para disputar o torneio continental e vai defender o país apenas nos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro, em agosto. Neymar estava de férias nos EUA e desembarcou em silêncio em Guarulhos (SP) nesta manhã.

À tarde, fez novo desabafo pedindo desculpas. O atacante citou que leu o post do blogueiro Renato Rodrigues, da ESPN, “Neymar expôs o “nós contra eles”, que não é bom para ninguém no futebol brasileiro”, que o fez perceber que ele caiu em uma armadilha.

“Acabei de ler um artigo do Renato Rodrigues, da ESPN, com o título ‘Neymar expôs o “nós contra eles”, que não é bom para ninguém no futebol brasileiro’. Concordo com ele. Essa discussão não é boa para o nosso futebol e sem querer caí na armadilha”, escreveu

Em outro trecho, admitiu que passou dos limites. “Admito… Sim, eu me excedi. Pedir desculpas a todos os que se sentiram ofendidos é o mínimo que posso fazer. Fiquei muito chateado com a eliminação e revoltado com as palavras que ouvi e li dirigidas aqueles atletas, afinal sou parte daquele grupo. Há uma minoria que também “se excede” com o microfone ou a caneta em mãos, mas como disse, é uma minoria. Mirei em meia dúzia e acertei em milhares, milhões.”

No domingo, Neymar havia usado palavrões para defender a seleção brasileira que disputou a Copa América. “Ninguém sabe o que vocês sofrem pra estar aí e defender a seleção. Vestir essa camisa é um orgulho e vocês fazer isso com amor. Agora vai aparecer um monte de babaca pra falar merda, f..-se. Faz parte, futebol é isso. SOU BRASILEIRO E TO FECHADO COM VOCÊS (sic)”, postou.

A derrota para o Peru por 1 a 0 veio graças a um gol ilegal, feito com a mão por Ruidíaz, aos 30 minutos do segundo tempo. O Brasil somou apenas 4 pontos e ficou de fora das quartas em um grupo que também contava com Equador e Haiti.

Favorito para a Seleção, Tite assinou manifesto contra CBF e Del Nero

622_d740afc4-cc8e-3ea9-a992-81164c746548

Favorito para assumir como técnico da seleção brasileira, Tite é esperado nesta terça-feira para se reunir com o presidente da CBF, Marco Polo del Nero. Se ele vai aceitar a oferta, a expectativa é de que sim, mas há apenas seis meses o treinador do Corinthians tinha outra postura com relação ao dirigente máximo do futebol nacional.

Em dezembro de 2015, a ONG Atletas pelo Brasil e o Bom Senso FC lançaram o movimento #OcupaCBF, que pedia a saída de Del Nero da presidência da entidade.

“Exigimos a renúncia definitiva de Marco Polo Del Nero e sua diretoria, seguida da convocação de eleições livres e democráticas para o comando da CBF”, dizia parte do documento, assinado por 127 personalidades de dentro e fora do futebol. Tite era um deles. (Da ESPN)

CBF demite Dunga e Tite deve ser anunciado

A CBF demitiu toda a comissão técnica Seleção Brasileira. O comunicado oficial acaba de ser emitido. Gilmar Rinaldi, Dunga e auxiliares estão fora. O corintiano Tite deve ser anunciado ainda hoje e Edu Gaspar, também do Corinthians, deve ser o coordenador de Seleções.

“Gazeta do Povo” ganha o Prêmio ANJ de Liberdade de Imprensa

O jornal Gazeta do Povo, de Curitiba, e a equipe de cinco profissionais que vêm sendo objeto de assédio judicial sob a forma de dezenas de processos movidos por juízes devido a uma série de reportagens sobre a remuneração do Judiciário paranaense e de membros do Ministério Público do Paraná receberão o Prêmio ANJ de Liberdade de Imprensa de 2016.

A escolha, anunciada nesta terça-feira (14/6), representa o apoio da Associação Nacional de Jornais (ANJ) ao jornalismo de qualidade e à coragem da Gazeta do Povo ao abordar os privilégios injustificáveis autoconcedidos pelos magistrados e membros do ministério público paranaense. A despeito do rigor, da objetividade e da sobriedade com que o assunto foi tratado, o jornal, os jornalistas Chico Marés, Euclides Lucas Garcia e Rogerio Waldrigues Galindo, o analista de sistemas Evandro Balmant e o infografista Guilherme Storck respondem a 40 processos.

Conforme as reportagens, a soma das diferentes fontes de remuneração dos juízes e integrantes do Ministério Público, todas completamente legais, resultou em “supersalários”, em média, superiores ao teto salarial constitucional. Para as quatro funções (juízes, desembargadores, promotores e procuradores), o limite é de R$ 30.471,10 por mês, ou R$ 411,3 mil anuais, incluindo férias e 13º salário. Entre os membros do MP-PR, o rendimento anual médio em 2015 foi de R$ 507 mil e para juízes e desembargadores do estado, R$ 527,5 mil. Em ambos os casos, cerca de um terço do ganho total era composto por “penduricalhos”.

A despeito de o jornal ter ouvido representantes das categorias mencionadas e aberto espaço para suas manifestações, inclusive em reunião do Conselho Editorial da empresa, em mensagem de áudio enviada ao grupo de WhatsApp da Associação dos Magistrados do Paraná (Amapar), o presidente da entidade, Frederico Mendes Júnior, incitou os colegas a judicializar o caso utilizando um modelo comum de ação.

Em consequência da reação corporativista, o jornal e seus profissionais já respondem a 40 processos em diferentes cidades do Paraná. Entre abril e maio, tiveram de comparecer a 17 audiências em 10 cidades. Um deslocamento total de 6.254 quilômetros, que os tirou da redação e de suas residências por 19 dias. Para junho e julho, a agenda é de outras 17 audiências, 10 cidades e 17 dias fora de Curitiba. Na primeira sentença, no dia 25 de maio, o juiz Nei Roberto de Barros Guimarães condenou a Gazeta do Povo a pagar R$ 20 mil ao juiz Austregesilo Trevisan.

No dia 4 de maio de 2016, o advogado Alexandre Kruel Jobim protocolou, em nome da Gazeta do Povo, pedido no Supremo Tribunal Federal (STF) para que o caso seja julgado em Brasília. O caso baseia-se no artigo 102 da Constituição Federal. Esse dispositivo determina como competência do STF o julgamento da “ação em que todos os membros da magistratura sejam direta ou indiretamente interessados, e aquela em que mais da metade dos membros do tribunal de origem estejam impedidos ou sejam direta ou indiretamente interessados”. (Da ANJ)

Remo nega demissão de Veiga e apresenta Saci

4bbe1cad-29e5-4a6b-8357-31022c2d49eb

A diretoria do Remo desmentiu hoje à tarde os boatos sobre a demissão do técnico Marcelo Veiga. Em contato com o blog, o presidente André Cavalcante informou que houve uma reunião do departamento de futebol na tarde desta segunda-feira, mas nada ficou decidido. Nesta terça-feira, haverá uma nova reunião, desta vez com o treinador e o elenco de jogadores. Segundo André, somente ele e o vice Fábio Bentes estão autorizados a falar em nome do clube.

No estádio Evandro Almeida, à tarde, durante movimentação do time do Avaí (SC), que joga amanhã contra o Paissandu, foi apresentado oficialmente o meia Wellington Saci (foto superior), novo reforço do Remo para a Série C. (Foto: MÁRIO QUADROS)

2e264dae-31c2-43ba-9338-2361dbffec4b

Neymar é junior

Ck1p54ZVEAQo6XT

POR FERNANDO MOLICA

Ao xingar preventivamente os supostos críticos da seleção, Neymar – aquele jogador acusado de fraudes fiscais no Brasil e na Espanha – demonstra mais uma vez a razão de estampar nas camisas um “Junior” ao lado de seu nome. Ele, como ressalta o complemento, é apenas um menino mimado, cheio de si e que se acha acima de qualquer crítica ou lei. Um menino que sai em defesa dos coleguinhas que deram vexame outra vez.

Em 2014, depois do 7 a 1, o Joaquim Ferreira dos Santos fez um texto espetacular, ‘O fim de Tóis’, em que apontava a infantilidade de nossos jogadores, meninos que brincavam de jogar na seleção, que se julgavam predestinados à vitória:

“Não treinavam. Tinham a força, a espada de Grayskull, o grito de Shazan, o apito do japonês, o licor de jurubeba e o pó de pirlimpimpim. Na hora agá, resolveriam.” Como se sabe, não resolveram.

Quase todos os jogadores da seleção foram muito pobres na infância. Desde que descoberta a intimidade que tinham com a bola passaram a encarnar o sonho de rendenção de suas famílias. Foram adolescentes privados de muitos prazeres – pela falta de grana e pela necessidade de levar uma vida compatível com a de um atleta. O foco na carreira é tamanho que, de um modo geral, a escola acaba sendo tocada apenas para cumprir tabela.

Ao contrário do que ocorre em países mais decentes, e apesar das mudanças ocorridas nos últimos anos, por aqui o esporte ainda é uma das poucas alternativas capazes de fazer com que um jovem de família pobre possa ter uma vida melhor. Muitos dos poucos que conseguem jogar em grandes clubes acabam descontando, na vida adulta, as limitações que passaram na infância e na juventude. Podem, enfim, brincar – têm grana, prestígio, poder, não devem satisfações a ninguém.

Tanta grana, tanto prestígio e tanto poder acabam sendo vividos por uma perspectiva muito egocêntrica, como lhes ensinaram olheiros, empresários e dirigentes – é cada um por si, o que vale é o brilho individual, o “sou eu e mais dez”. E tome necessidade de brilhar, de aparecer, de se destacar para além do uniforme, de ressaltar que, Jesus Cristo, eu estou aqui, veja só minhas chuteiras coloridas, minhas tatuagens, meus cabelos esquisitos, minhas sobrancelhas trabalhadas, meus louvores, minha fé. Uma fé que, de tão grande, dispensa treinamentos, táticas, jogo coletivo – que há de, sozinha, remover cabeças de áreas, zagueiros e goleiros adversários. É nóis, é tóis.

Meu querido e pra lá de saudoso amigo e compadre Sérgio Costa me chamou a atenção para uma entrevista ao ‘Correio’, depois da Copa de 2014, dada pelo zagueiro Dante, então no Bayern de Munique, O repórter perguntou o que seria importante para reformular nosso futebol. Resposta:

A escolaridade é muito importante. O futebol tem tudo a ver com educação. Quando se fala de uma tática de futebol, divisão de espaço em campo… Tem muita coisa que o treinador fala que depende da clareza do jogador. Lá eles investem. Fica a grande dica.

“É fácil entender Guardiola?”, perguntou o repórter. Dante respondeu:

Ele é um professor taticamente. Ele não explica o futebol de uma forma muito fácil, muito clara. Se você não tiver clareza na cabeça, não vai entender nada. Ele explica matemática: dois contra um, três contra dois… Sempre trabalha taticamente para ter superioridade de um lado do campo. Trabalha muito com a cabeça do jogador, com a inteligência. Muito diferenciado.

Nossa tática aqui é outra, é como se o talento – com brasileiro não há quem possa – fosse suficiente para driblar tudo o que se exige de um time de primeira linha. É como se fôssemos capazes até de superar também a roubalheira profissional dos dirigentes amadores.

Cobranças são vistas como indevidas, inadmissíveis, um constrangimento aos meninos do Brasil – adoramos chamá-los de meninos. Meninos carentes precisam de pais fortes, repressores, durões – daí o Felipão, o Dunga, daí a saudade que tantos brasileiros têm dos militares, daí o desejo que muitos têm de entregar suas vidas para o Bolsonaro. Daí que técnicos brasileiros não costumam fazer carreira no exterior (na Copa América do ano passado, três das quatro seleções semifinalistas tinham técnicos argentinos).

Nossos jogadores não são diferentes da maioria de nossos jovens, são filhos de um Brasil individualista, que estuda pouco, que acredita que a fé é capaz de tapar buracos de formação, esforço e treinamento. Um Brasil infantil, que não admite ser responsabilizado por seus próprios erros.

http://www.fernandomolica.com.br