
POR ARTUR DE FIGUEIREDO, em Torcedores.com
O roteiro conhecido por todos como caótico e de extrema sensibilidade na economia do país, a cada dia se acentua. Entretanto, um segmento que tampouco se preocupa ou repensa seu sistema de marketing é o futebol, cuja modalidade em outros tempos era tida como ‘popular’, mas hoje passa por um sério arrocho econômico, tendo com isso, sua marca cada vez mais elitizada, com altos valores de ingressos, camisas a preço de ouro, entre outros produtos licenciados. Uma inflação sem precedentes aos bolsos de cada torcedor, customizando uma nova filosofia de marketing esportivo.
Ao entrar no estádio, o torcedor comum paga de 30 a 200, 300, 600, até mais, de acordo com o seu respectivo nível socioeconômico. A troco disso, o futebol não faz jus ao ingresso pago, e vê o fator violência como outro elemento, que de fato, afugenta muitos torcedores.
Marcas, como: Adidas, Nike, Umbro, Puma, entre várias outras, fazem uma espécie de cartel, cobrando preços abusivos por seus produtos, e quebrando a política de concorrência, o que é saudável para economia e automaticamente para o torcedor (lojas com livre comércio, podendo negociar seus produtos, de forma mais aberta, democrática).
Entretanto, isso não acontece, as camisas custam em média 170 a 250 reais e são encontradas em quase todos os estabelecimentos por esse preço, por haver supostamente, um contrato que inviabilize a mudança de preço, que não seja de acordo com aquela marca preestabelecida. Somente lojas licenciadas das respectivas marcas que carregam seus emblemas tem um papel mais solidificado e livre comercio para negociar seus produtos.
Com o povo brasileiro e a famosa baixa autoestima, não se vê, o mal que faz pra si e de fato, como está alimentando marcas milionárias, que são completamente indiferentes sobre a questão econômica do país. Em contrapartida, os altos salários de jogadores e comissão técnica, além das citadas marcas, cria-se um abismo econômico ainda maior, com clubes que não conseguem pagar seus impostos.
Dessa forma se contextualiza a sonegação fiscal, que de certa forma, ainda não se houve nada de conclusivo e de fato, impactante, para algum fato relevante. Apesar de soar plausível e altruísta, foi criado a uma lei de responsabilidade Fiscal para os clubes brasileiros de futebol, que visa uma maior transparência nas gestões e relações com o torcedor..
No ano passado, a presidente Dilma Roussef sancionou a lei de responsabilidade fiscal no futebol brasileiro. A lei prevê uma fiscalização nas contas públicas dos clubes, visando a transparência e o pagamento de dívidas, ou seja, tributos. O não pagamento consequentemente prevê sérias punições a dirigentes, que serão julgados de forma individual, tendo a cassação de mandatos e a ilegibilidade por até 10 anos. Além disso, o clube pode até cair para 2ª divisão, caso não cumpra.
Outro fator: o clube não poderá antecipar receitas de transmissão de jogos, criando impasses em gestões futuras. “Os clubes que aderirem ao Profut (lei de responsabilidade do futebol brasileiro) poderão parcelar suas dívidas em até 240 vezes, em cotas mínimas de R$ 3 mil, já com a redução de 70% das multas, de 40% dos juros e de 100% dos encargos legais. Os clubes devem se comprometer em reduzir seus déficits para 10% da receita anual a partir de 2017. E para 5% a partir de 2019”, afirmou Rogério Hamam, secretário nacional de Futebol e Defesa dos Direitos do Torcedor, do Ministério do Esporte, em entrevista ao Blog do Planalto, no dia 6 de agosto do ano de 2015.
Apesar de a lei ser uma arma moral para o futebol e o torcedor, amante da modalidade, a reforma esportiva ainda não passou pelos tramites que de fato, aproximem o torcedor dos estádios.
Com o projeto que revolucionou o futebol, os sócios torcedores viraram uma forte tendência de mercado, revitalizando a economia dos clubes. Porém, o que não se pensou ou de forma proposital, um sistema bastante usado pelos clubes, a ‘fidelização’ do torcedor, ou seja, aqueles que paguem os maiores pacotes aderem a um sistema de pontuação, tendo com isso, maiores oportunidade de irem aos jogos.
Apesar de soar como algo legal, interessante. Por outro lado, criam-se condições divergentes, uma espécie de obrigatoriedade, além da exclusão do torcedor comum nos estádios, ou seja, as camadas mais populares do país, sendo pulverizadas por um sistema que só prevê o abastecimento econômico dos clubes.
Sob sanções monopolistas em que marcas e concessões mandam nos clubes e padronizam custos altíssimos, deva merecer mais atenção dos próprios clubes e dirigentes, que esqueceram do seu maior patrimônio, o torcedor.