Petrobras patrocina filmes clássicos do Canal 100

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A Petrobras patrocinou a digitalização e a restauração de imagens de grandes lances do futebol brasileiro e outros esportes veiculadas nas maiores salas de cinema do Brasil de 1959 a 1986, no cinejornal Canal 100. As imagens, registradas em película de 18 e 35mm, acrescidas de depoimentos atuais, viraram dez documentários de  22 minutos, que serão exibidos nos canais ESPN de 25 a 29 de abril. Na ESPN Brasil os filmes serão exibidos após o SportsCenter 3ª edição, na ESPN a partir das 19h e no ESPN + a partir das 13h30 no dia seguinte.
Foram mais de dois anos de pesquisas e três de produção que culminaram na captação de depoimentos de 20 ídolos do esporte. Entre eles, Rivellino, Carlos Alberto Torres, Jairzinho, Tostão, Falcão, Zico e muitos outros. Pelé ganhou uma homenagem especial, um filme que conta a espera pelo milésimo gol do jogador com testemunhos que revelam curiosidades sobre esse marco do futebol brasileiro. Os pilotos do automobilismo Wilson e Emerson Fittipaldi também participam dos documentários, em cenas e depoimentos
sobre circuitos de rua realizados no Rio de Janeiro e em São Paulo.
Os documentários são, entre outros, “Reviva a Espera do Milésimo”, sobre toda a expectativa em torno do milésimo gol de Pelé; “Reviva o Fla-Flu Épico”, sobre o famoso jogo entre Flamengo e Fluminense que, em 1963, reuniu o maior público da história do futebol no Brasil (177 mil pagantes), e “Reviva as Feras do Saldanha”, sobre o time de ases montado pelo ex-jogador do Botafogo, técnico da seleção brasileira, escritor e jornalista João Saldanha (foto), para disputar a Copa do Mundo de 1970. O time incluía Carlos Alberto Torres, Djalma Dias, Joel, Rildo, Piazza, Gerson, Jairzinho, Tostão, Pelé e Edu.

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Após a exibição nos canais ESPN, os documentários, idealizados por Alexandre Niemeyer, filho do criador do Canal 100, Carlos Niemeyer, e desenvolvidos pela empresa Ovo em Pé, serão disseminados em outras mídias. A ideia é apresentá-los nos cinemas, antes dos filmes em cartaz, e em monitores dispostos em locais ao ar livre; em pontos de venda, como lojas e shopping centers.
A Petrobras prestou sua contribuição para que essa parte da história do Brasil não se perdesse. “Um acervo cinematográfico de tal relevância para o esporte brasileiro precisa ser acessível à população. A Petrobras tem tudo a ver com esse projeto que resgata uma época de ouro do esporte no Brasil e seus heróis, verdadeiro patrimônio nacional, e o devolve aos brasileiros. Além disso, como patrocinadora da cultura no país, tem a oportunidade de garantir e disseminar o acesso a esses acervos riquíssimos, tão
representativos da identidade do nosso povo”, diz o gerente setorial de Patrocínio Cultural da Petrobras, Luis Fernando Lima de Brito. (Comunicação Petrobras) 

Papão pronto para estreia na Copa do Brasil

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Com algumas novidades no time, o Paissandu estreia nesta quarta-feira na Copa do Brasil enfrentando o Independente às 20h30, no estádio Navegantão, em Tucuruí. Gualberto, Ricardo Capanema e Wanderson devem entrar jogando.

Dado Cavalcanti não confirmou o time, mas a provável escalação para encarar o Galo é: Emerson; Crystian, Gilvan, Gualberto e Lucas; Ilailson, Ricardo Capanema, Bruno Smith e Rafael Luz; Leandro Cearense e Wanderson.

Já o Independente, do técnico Lecheva, terá a seguinte formação: Alencar Baú; Leandrinho, Ezequias, Rubran e Jaquinha; Billy, Cristovão, Alexandre e Ângelo; Monga e Jaime.  (Foto: MÁRIO QUADROS) 

Como Marco Polo não viaja, coronel representa CBF no México e Estados Unidos

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POR RODRIGO MATTOS

Apesar da volta de Marco Polo Del Nero à presidência da CBF, o vice Coronel Nunes vai representar a entidade em congresso da Fifa, no México, e como homem-forte da entidade com a seleção na Copa América nos EUA. Del Nero é acusado de levar propinas por contratos da confederação e tem mandado de prisão decretado na Justiça norte-americana. Ou seja, se for o país, seria detido.

“Eu já estava credenciado pela Fifa (para o congresso) porque eu era o presidente da CBF. Na Fifa, é assim bem antes”, explicou Nunes em conversa com o blog. “Serei o principal dirigente da confederação nos EUA. Isso já estava definido antes de o Marco Polo voltar. Vamos escolher um chefe de delegação.”

O dirigente defendeu o trabalho do técnico Dunga à frente da seleção. “Ele está fazendo um trabalho de soerguimento, de recuperação, a longo prazo.” E ressaltou conquistas do técnico. “Ele ganhou a Copa América, a Copa das Confederações.” Isso foi na campanha para o Mundial de 2010.

Questionado sobre as razões para a má campanha nas eliminatórias, afirmou que os times da América do Sul cresceram muito. “Está brabo.” E lembrou outras vezes em que o Brasil teve dificuldade para se classificar à Copa do Mundo. “Foi assim como o Felipão.”

Em relação à viagem para assembléia da Fifa, o Coronel Nunes disse que não vê necessidade de reunião em separado com o presidente da entidade, Gianni Infantino, para melhorar a relação dele com CBF. O dirigente veio à América do Sul sem visitar o Brasil. “A assembléia é uma coisa bem simples.”

Remo tenta uma façanha em São Januário

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Com o prestígio em alta junto ao torcedor pela boa apresentação contra o Paissandu na semifinal da Copa Verde, o lateral-direito Levy é uma das esperanças do Remo para o embate com o Vasco nesta quarta-feira às 21h45, no estádio de São Januário, no Rio de Janeiro, valendo pela Copa do Brasil. Na primeira partida, em Belém, os vascaínos levaram a melhor por 1 a 0. Para se classificar à próxima etapa da competição, o Remo terá que derrotar os donos da casa, que estão invictos há 23 partidas.

Ainda sobre a Copa Verde, Levy admitiu que o time falhou nos confrontos com o maior rival. “Todo o grupo errou. Conseguimos envolver o adversário na maioria dos jogos, mas não tínhamos o capricho para transformar isso em gol. A equipe é um todo”, avaliou. Para a decisão diante do Vasco, o jogador mostrou confiança. “Precisamos honrar a camisa. Olhar no lado esquerdo do peito e perceber que na camisa do Remo existe tradição, força e torcida”.

O técnico Marcelo Veiga poderá contar com o volante Lucas Garcia e o lateral-esquerdo Fabiano, reforços trazidos para a competição e a Série C. A equipe deve ter a seguinte formação: Fernando Henrique; Levy, Max, Henrique e Fabiano; Chicão, Alisson, Lucas Garcia, Marco Goiano e Eduardo Ramos; Ciro.

O Vasco, do técnico Jorginho, jogará com: Martin Silva; Pikachu, Luan, Rafael Vaz e Henrique; Diguinho, Marcelo Matos, Andrei e Bruno Carlos; Eder Luiz e Thales.

A partida será exibida pelos canais ESPN, Sportv 2 e Globo. (Foto: MÁRIO QUADROS) 

Torcida bicolor prepara mosaico para a final

Depois de ter organizado um grande mosaico na final da Série C 2014, a torcida do Papão já prepara para produzir um novo efeito visual para a primeira partida da decisão da Copa Verde, marcada para 3 de maio, no estádio Jornalista Edgar Proença. “Nos reunimos desde o primeiro mosaico. Esse agora será bem mais trabalhado por ser em 3D e com contribuição da torcida. Nosso objetivo é fazer uma festa bonita, com direito ao aval do Corpo de Bombeiros. Queremos fazer o melhor mosaico de futebol no norte do país”, garante o torcedor Alex Luz, um dos responsáveis pelo projeto. A ideia é promover o Papão e sua torcida para os telespectadores de todo o país. (Com informações do DOL)

Cunha: fenômeno de sobrevivência política ou talento para exercer o poder da chantagem?

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Réu num processo por corrupção e lavagem de dinheiro, alvo de seis inquéritos e de um pedido de afastamento protocolado pela Procuradoria-Geral da República, além de um processo por quebra de decoro no conselho de ética, o presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), tem demonstrando uma espantosa capacidade para se manter agarrado ao cargo – graças a uma mistura de manobras regimentais, solidariedade de aliados e indecisão do Judiciário.

Esse caldo é perceptível particularmente no processo por quebra de decoro que se arrasta no conselho de ética da Câmara. A ação já atingiu uma marca histórica: é a mais demorada desde a criação do colegiado, em 2001, tendo superado 170 dias corridos sem que seja possível prever a data do seu desfecho.

Ajuda de aliados

Há meses as atividades do conselho vêm sendo marcadas por episódios que beneficiam o deputado. Aliados de Cunha no colegiado tumultuaram seguidamente as sessões e apresentaram mais de 30 questões de ordem para retardar o andamento do processo.

Houve até mesmo a suspeita de que um dos membros teve a assinatura falsificada para beneficiar o presidente (o deputado em questão negou a fraude e disse que estava bêbado quando assinou). Entre outros episódios, o primeiro relator foi destituído em dezembro por aliados de Cunha e um novo parecer foi anulado em fevereiro por meio de um recurso.

Cunha não conta só com os aliados dentro do conselho para atrasar o andamento. Muitas das decisões do colegiado sofrem interferência da mesa diretora da Câmara, controlada pelo próprio deputado. O presidente do conselho, José Carlos Araújo (PR-BA), por exemplo, não tem obtido resposta da mesa aos seus pedidos por verbas para custear viagens e ouvir testemunhas.

Mas recentemente, a sensação de que o processo contra o deputado caminha para um desfecho de impunidade (ou pizza, no linguajar coloquial) foi reforçada por uma decisão do vice-presidente da Câmara, Waldir Maranhão (PP-MA). Na semana passada, ele determinou que o conselho deve se limitar a investigar a acusação de que o deputado mentiu à CPI da Petrobras quando declarou não possuir contas na Suíça.

Com isso, devem ficar de fora as acusações envolvendo recebimento de propina e uso do cargo em benefício próprio. Cunha também conta com uma série de aliados da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), que tem o poder de julgar os recursos apresentados pelo deputado. Um deles, que pede a anulação de todo o trabalho já efetuado pelo conselho até agora, deve ser analisado em maio.

Vai ter punição?

Mesmo que os trabalhos do conselho de ética avancem, não há garantia de que o mandato do deputado esteja realmente ameaçado. Mudanças recentes na composição de 21 membros do conselho resultaram na saída de um deputado hostil a Cunha e no ingresso de uma parlamentar que já declarou “admirar” o presidente da Câmara.

Com a nova composição, existe uma tendência de que o placar de 11 a 10 pela continuidade do processo venha a ser alterado a favor de Cunha. Ainda que uma maioria contra o deputado seja formada, também não é certo que o conselho recomende a cassação do mandato. Ao limitar as investigações, surge a possibilidade da aplicação de uma punição mais leve, como uma suspensão ou uma mera censura.

“Cunha escancara as deficiências do sistema brasileiro e a promiscuidade do financiamento eleitoral. Ao usar sua influência com empresários para garantir doações a dezenas de outros deputados, ele montou uma rede formidável de aliados – e eles têm demonstrado sua lealdade”, afirma o analista francês Gaspard Estrada, da Sciences Po. “É muito difícil que ele seja derrotado na Câmara.”

STF como último recurso

Membros do conselho contrários a Cunha já declararam que, diante da forma como o processo (não) tem avançado, a única alternativa viável para que a Câmara consiga se livrar do deputado seria uma intervenção do Supremo Tribunal Federal (STF). O procurador-geral da República, Rodrigo Janot, apresentou um pedido de afastamento em dezembro, com base em acusações de que Cunha tem usado o cargo para intimidar testemunhas da Operação Lava Jato.

Só que quase cinco meses depois, o STF ainda não se manifestou. O relator da Lava Jato, o ministro Teori Zavascki, afirmou na semana passada que ainda está analisando o assunto.

“O STF é mesmo lento. Outros processo da Lava Jato tem avançado com vagarosidade. Mas também prevalece entre os ministros o entendimento de que Cunha já é alvo de um processo na Câmara e que essa questão pode ser resolvida internamente. Só que isso é um equívoco. Cunha tem efetivamente usado o cargo para garantir a sua impunidade”, afirma o professor de direito constitucional Oscar Vilhena Vieira, da Fundação Getúlio Vargas. “Não há nenhum boa razão jurídica para que o STF não se manifeste.”

O analista Estrada concorda. “O STF está se omitindo. E a imagem do Brasil está sendo prejudicada. O público externo se pergunta que seletividade é essa que faz com que o processo contra Dilma avance ao mesmo tempo em que uma figura como Cunha consegue se segurar no cargo”. (Do DCM)

Será que a Câmara examinou acusações contra Dilma?

POR WALTER MAIEROVITCH

O impeachment nasceu na Inglaterra no ano de 1376, cunhado pelo Parlamento e no reinado de Eduardo III. Surgiu como instrumento voltado a resolver o problema da incompetência administrativa dos servidores e para reprimir a corrupção dos ministros e da influente e rica Alice Perrers, amante do rei. Pela previsão da época, o impedimento poderia também ser aplicado aos juízes. Como instituto jurídico, o impeachment, no sentido de imputação, passou a integrar a Common Law.

No século XVIII, o impeachment ingressou nos Estados Unidos pela porta da Constituição da Filadélfia de 1787. No Brasil, temos, para oimpeachment, previsão constitucional, rito por lei de 1950 e pela jurisprudência apoiada na experiência, em 1992, do caso Collor de Mello.

À luz da nossa Constituição, são crimes de responsabilidade, ensejadores deimpeachment, os atos do presidente da República atentatórios à Constituição e, especialmente, os contra a existência da União, o livre exercício dos Poderes Legislativo, Judiciário, do Ministério Público e dos demais poderes das unidades federativas. Também a Constituição lista e tipifica, de forma aberta e a exigir cotejo com as leis suplementares e ordinárias específicas, atos de improbidade administrativa, contra a segurança interna, a lei orçamentária e o cumprimento das leis e das decisões judiciais.

Nos crimes comuns da presidenta da República, por exemplo os previstos no Código Penal, a nossa Lei Maior estabelece como juiz natural o Supremo Tribunal Federal (STF). No entanto, como condicionante, determina dever passar pelo crivo da Câmara dos Deputados a denúncia acusatória formulada pelo Ministério Público. O nihil obstat da Câmara dos Deputados é uma condição de procedibilidade, um sinal verde para se seguir a instrução e o julgamento de crimes comuns no STF.

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Para os crimes de responsabilidade, ao contrário, estabelece-se o Senado como juiz natural do presidente da República: um julgamento político pelo Senado, com anterior autorização da Câmara (condição de procedibilidade), em regular procedimento preparatório, preprocessual.

No domingo 17 de abril, e com relação ao procedimento (não há processo no momento) deimpeachment da presidenta Dilma, a Câmara Federal formada por 513 deputados autorizou, por 367 votos abertos, a remessa do procedimento pré-processual ao Senado. Sob o prisma legal, os deputados apreciaram e julgaram imputações dadas como típicos crimes de responsabilidade em face de “pedaladas” relativas a operações no Banco do Brasil em 2015, acerca da safra agrícola, e decretos de créditos suplementares no mesmo ano e emitidos sem aprovação do Congresso.  Num julgamento político, frise-se sem a motivação exigida para as decisões judiciais, os deputados votantes invocaram, até, a “paz em Jerusalém”. A pergunta que não quer calar: será que examinaram as duas acusações???

Mais uma vez na nossa história constitucional, e o mesmo acontece com o Júri Popular (este juiz natural e soberano para decisão de mérito nos comuns crimes  dolosos contra a vida), temos, por permissão da Constituição e em impeachment do presidente da República, decisões  imotivadas, políticas, na base do “sim” ou “não”. Um absurdo nesta quadra civilizatória.

O caso Dilma, também para julgamento político e soberano, ingressou na esfera de competência do Senado. Pelo rito deverá percorrer três fases distintas: denúncia, pronúncia e julgamento definitivo.

Da mesma maneira que ocorreu na Câmara, e vedadas chapas avulsas consoante decidiu o STF, será constituída uma Comissão Especial de 21 senadores, com poderes exclusivamente opinativos. Desses 21 membros sairá um presidente (PMDB) e um relator (PSDB). Se o Plenário do Senado, após parecer da Comissão, aprovado ou não pelos seus 21 integrantes, ratificar o decidido pela Câmara, ou seja, receber a denúncia que se encontra balizada, delimitada, terá início o processo legislativo de impeachment.

Como consequência, a presidente Dilma será afastada por até 180 dias, conforme expressa previsão constitucional: a decisão será por maioria simples (metade e mais 1 do total dos presentes à sessão: não os 81 senadores, mas os que comparecerem). Uma rejeição à denúncia levará à extinção do processo de impeachment e impossibilidade, pelos mesmos fatos, de instauração de um novo.

Recebida a denúncia e para as demais fases posteriores à instrução, teremos, na Comissão e no procedimento preparatório da pronúncia ou impronúncia, a presidência do ministro Ricardo Lewandowski. Nessa fase encaminha-se parecer da Comissão para votação pelo Plenário de pronúncia ou impronúncia, ou seja, decide-se sobre eventual existência de prova de materialidade e presença de indícios com suficiência de autoria. A pronúncia leva, com balizamento feito por peça chamada libelo crime acusatório, à decisão final, pelo Plenário do Senado. Para se ter o impeachment, será sempre necessária maioria qualificada: dois terços dos 81 senadores.

Quem viver verá.

Em evento internacional, Lula critica mídia brasileira e volta a denunciar golpe contra Dilma

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Ex-presidente do Lula fala durante evento Progressive Alliance. (Foto: Paulo Pinto)

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta segunda-feira (25/04), durante o seminário “Democracia e Justiça Social”, realizado pela Aliança Progressista, que a imprensa internacional está dando uma “lição de moral” na mídia brasileira. Ele agradeceu aos meios de comunicação estrangeiros pela cobertura jornalística do processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff.

“A imprensa estrangeira está dando uma lição de moral na imprensa brasileira. Não queremos que defendam a Dilma ou o PT, apenas que defendam a verdade”, disse.

Lula criticou a atuação da imprensa no Brasil, que, segundo ele, é “ideologicamente definida”.  Segundo ele, a mídia nacional “não é aquela imprensa que faz a crítica e a posição política via editorial, mas que, na informação, é correta e honesta. Não, aqui, eles fazem política da primeira página à última, até nos obituários, tal é a necessidade de criminalizar o PT e os setores progressistas”, disse.

O ex-mandatário afirmou que a mídia brasileira está influenciando o processo de destituição de Dilma, atitude que, de acordo com ele, não pode ser aceita. “Não é possível aceitar que um canal de TV governe o país, que meia dúzia de jornais e revistas diga quem é bom e quem é ruim”, declarou.

O seminário “Democracia e Justiça Social” começou no domingo (24/04) e termina nesta segunda-feira (25/04), em São Paulo, com a participação de representantes de organizações partidárias de vários continentes. O evento é promovido pela Aliança Progressista, uma rede aberta a partidos e redes de partidos progressistas, democráticos, social-democratas, socialistas e trabalhistas.

No domingo (24/04), uma matéria publicada pelo jorrnal espanhol El País classifica como “podre” o Parlamento brasileiro que, em 17 de abril, votou a favor do impeachment da presidente Dilma Rousseff. O artigo cita uma pesquisa da ONG Transparência Brasil, que indica que mais de 50% dos deputados brasileiros possuem contas pendentes na Justiça.

No sábado (23/04), o articulista Franck Nouchi, que assina a coluna Médiateur do jornal Le Monde e que trata da relação entre os leitores e o periódico, semelhante ao posto de ombudsman mos jornais brasileiros, afirmou que a publicação francesa foi parcial ao dizer não haver golpe de Estado no Brasil. Segundo ele, houve erro ao não lembrar que líderes pró-impeachment são acusados de corrupção e ao não registrar a falta de pluralidade da mídia brasileira.

Em 18 de abril, um editorial do jornal britânico The Guardian classificou o impeachment de Dilma como “uma tragédia e um escândalo”. Segundo a publicação, “agora muitos temem que a campanha anticorrupção desaparecerá, com exceção de uma concentração final de fogo em Lula”.
No mesmo  dia, o jornal norte-americano The New York Times afirmou que o impeachment é, em essência, um “referendo sobre PT”. De acordo com o texto, o processo contra Dilma Rousseff envolve mais do investigar supostos crimes que, segundo o NYT, foram cometidos por outros políticos sem tanto “escrutínio”.

‘Cassar o PT’

Para Lula, o significado do impeachment de Dilma vai além da destituição da presidente. “Cassar a Dilma é uma necessidade de cassar o PT, é a possibilidade de dizer que o PT não volta tão cedo a governar esse país. É isso que está em jogo nesse momento”, falou. O ex-mandatário afirmou também que a elite não “suporta” a democracia no Brasil e a possibilidade de um partido progressista estar no governo.

“A elite brasileira não suporta 28 anos de democracia, ela [elite] não suporta a perspectiva de o PT ou um partido progressista continuar governando o Brasil”, disse. Segundo Lula, o impeachment é o maior “ato de ilegalidade” desde o golpe militar de 1964. “Tirar a Dilma é apenas um gesto. Tirar a Dilma, como eles [setores da direita] querem tirar, é o maior ato de ilegalidade feito a partir do golpe militar de 64”, declarou.

Resistência

Lula prometeu, aos participantes, que haverá resistência em defesa da democracia.

“Quero que vocês saibam que nós, do PT, vamos resistir e lutar porque com a democracia não se brinca. Muita gente morreu para a gente conquistar a democracia, jovens, velhos, comunistas, operários, muita gente deu a vida para chegar onde chegamos”, disse o ex-presidente. “Só queremos que respeitem o voto popular. Se querem ganhar as eleições, esperem 2018”, acrescentou. (Do Opera Mundi)

Brasil cai no ranking de liberdade de imprensa e acaba em “situação sensível”

DO COMUNIQUE-SE

O Brasil caiu cinco posições no ranking da liberdade de imprensa e passa a ocupar o 104º lugar na classificação mundial divulgada anualmente pela Repórteres Sem Fronteiras (RSF), ONG com atuação internacional em favor da liberdade de informação sediada em Paris. Apenas em 2015, foram contabilizados os assassinatos de sete jornalistas no Brasil, com relação direta com seu trabalho.

A queda no ranking é atribuída pela ONG a “falta de compromisso político para proteger os brasileiros”. “A ausência de mecanismos nacional de proteção aos jornalistas e a sensação de impunidade pelos crimes cometidos é responsável pela desconsideração do trabalho dos profissionais no Brasil”, declara o chefe de departamento da RSF, Emanuel Colombié, em evento para lançamento da pesquisa realizado nesta quarta-feira, 20.

Panorama global
O ranking retrata a situação da liberdade de informação em 180 países, avaliando indicadores como o pluralismo e independência da mídia, transparência, autocensura e infraestrutura por meio de um questionário online traduzido para 20 línguas e preenchido por especialistas da área. O primeiro lugar é ocupado pela Finlândia, seguida por Holanda e Noruega.

A RSF estabelece um índice mundial, que permite analisar o desempenho geral dos países em termos de liberdade de imprensa. Neste ano, a organização registrou um retrocesso de 3,71% com relação a 2015, puxado principalmente pelo aumento da repressão em nações asiáticas e africanas. “Temos que defender o verdadeiro jornalismo do que chamamos de propaganda e de interesses privados”, opina Colombié.

Situação do Brasil é “sensível”
No ranking, o Brasil está a frente de países vizinhos como Venezuela, Colômbia e Equador, mas ainda apresenta situação classificada como “sensível” pela RSF, sendo o terceiro país mais mortífero das Américas, atrás de México e Honduras. A pesquisa aponta que a recessão econômica e a instabilidade política que o país está passando tornam o trabalhos dos jornalistas mais difícil.

Também participou do evento de lançamento do relatório o diretor da Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji), Fernando Molica. A entidade foi criada em 2002, também com o propósito de garantir a segurança dos profissionais de comunicação. Desde 2013, no auge das manifestações por mudanças políticas, a instituição começou a produzir um levantamento de agressões a jornalistas no exercício da profissão.

“Em menos de três anos foram registrados 249 casos, incluindo episódios de hostilização, e a maioria foi praticada por agentes do estado de forma intencional”, declara Molica. “O número só não é maior após essas recentes ondas de radicalização pois nas últimas manifestações as equipes de TV, que não naturalmente mais visados, têm tomado cuidado de fazer a cobertura do alto de prédios ou de helicópteros”, completa.