O que esperar dos novos jornalistas?

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POR NATHALIA CARVALHO, no Comunique-se

Lide. Palavra aportuguesada do inglês lead, termo usado no jornalismo para resumir o propósito do primeiro parágrafo de um texto. Há dois tipos: o básico, que responde às questões principais em torno do fato (o quê, quem, quando, como, onde, por quê); e o não-factual, que usa outros recursos para atrair o leitor. Em tempos de guerra pela atenção das pessoas, o lide geralmente é conciso, vai direto ao ponto e corre deste modelo que você lê agora – que, por exemplo, já usou 500 caracteres até aqui. O lide é aquela palavra que o estudante ouve logo no início do curso de jornalismo e, às vezes, preocupa quanto ao seu poder de sedução.

Ter bom texto é um dos pontos citados por executivos e diretores de redação entrevistados pela reportagem do Portal Comunique-se, mas não é tudo. Neste 7 de abril, quando se comemora mais um Dia do Jornalista, nos questionamos por aqui sobre o que eles esperam dos novos profissionais. A pauta traz a visão de Diego Iraheta (editor-chefe do HuffPost Brasil), Denis Burgierman (diretor de redação da revista Superinteressante), Fábio Gusmão (editor digital no jornal Extra), Franz Vacek (superintendente de jornalismo e esporte da Rede TV), Leonardo Mendes Junior (diretor de redação da Gazeta do Povo) e Rogerio Mauricio (editor-chefe do Super Notícia). As mudanças na área, a resistência dos profissionais e o perigo para quem quer se aventurar na imprensa também fazem parte desta conversa.

Pontos básicos para estar na área, como respeitar a ética da profissão e sempre trabalhar de maneira isenta, dando voz a todos os lados, impera como desejo entre os gestores de redação. E não é para menos. Por incrível que pareça, não raro alguns erros aparecem na mídia pela quebra de regras que deveriam ser seguidas, mas, por motivos diversos, acabam sendo deixadas de lado. Além disso, o envolvimento com as novas tecnologias para construir e distribuir conteúdo aparecem na lista.

Para o editor-chefe do HuffPost Brasil, o DNA digital precisa aparecer. “Tem que ter curiosidade e dedicação para apurar histórias. Espero que os novos jornalistas saibam usar as redes sociais para cavar pauta, calibrem o radar para detectar na internet conversas pertinentes, que possam alcançar o status de notícia”. Gusmão, do Extra, acredita que ter visão ampla sobre formas inovadoras de financiar o jornalismo também precisa ser percebida pelos novatos.

Na Superinteressante, Burgierman quer que os profissionais saibam o que ele não sabe, além de ter aquela bagagem de curiosidade com as coisas. Com experiência em quase todas as funções em uma redação de televisão, Vacek espera que os profissionais entendam que a área é um sacerdócio. “Quem quer trabalhar olhando para o relógio é melhor ser bancário. Espero que os novos jornalistas continuem respeitando a ética na profissão. Sempre ouvir os dois lados, ter isenção e saber que trabalhamos para a população. A nossa matéria-prima é a informação de qualidade”.

Ser jornalista em sua acepção. É esse tipo de colega que o editor-chefe do Super Notícia, em Minas Gerais, quer encontrar no mercado de trabalho. “Tem que amar a busca pela notícia. Tem que ter foco, determinação e paixão. Não basta saber tudo de redes sociais, web, mobile. Tem que aliar a tecnologia à paixão de informar com qualidade”, aconselha Rogerio Mauricio. Quem tiver ideias novas para fazer jornalismo tem chances de trabalhar ao lado de Leonardo Mendes Junior na redação da Gazeta do Povo, em Curitiba. “A forma como o público consome informação está mudando a todo o momento e você precisa de gente capaz de detectar essa movimentação e, principalmente, disposta a experimentar formatos. Isso exige um discernimento grande para deixar para trás formas consagradas de se comunicar. E desapego para deixar de lado uma ideia nova que na teoria era genial, mas que na prática não emplacou”.

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Impacto tecnológico, redações enxutas e perigo para o trabalho do jornalista: e agora?
O cenário é claro: o jornalista precisa se atualizar cada vez mais, lidar com o fato de ter menos colegas de trabalho na mesa da redação e driblar a violência que assola a imprensa no Brasil. Sobre o impacto tecnológico, os diretores afirmam que é preciso estar preparado para analisar o cenário e aprender. O momento é de oportunidade, de acordo com eles, que falam sobre as novas chances com as câmeras 4G, a ajuda das redes sociais e as diversas plataformas de distribuição. O papel de curador da informação, já discutido em outras matérias aqui no Portal Comunique-se, também aparece como indispensável. Para os entrevistados, embora a internet tenha ampliado o debate e, de certa forma, transformado todos em produtores de conteúdo, cabe ao jornalista tratar do material com eficiência, rapidez e precisão. A apuração e a qualidade da informação continuam sendo os diferenciais.

A resistência em mudar o modelo adotado por tantos anos aparece aqui como um dos maiores problemas na profissão. É unânime entre os executivos que o jornalista tem objeção a novos formatos. Na Superinteressante, o diretor reconhece que o cenário é esse, mas afirma que no impresso da Editora Abril todos estão empolgados com possibilidades. Vacek arrisca dizer que quem resistir não vai sobreviver ao mercado e é com a mesma visão que Iraheta reforça que o jornalista precisa ser 2.0.

“Tem que entender que ele não é mais o gatekeeper, guardião dos portões do que é ou não digno de entrar no jornal, na revista, na TV. O leitor e o jornalista constroem as pautas conjuntamente, por meio do uso das redes sociais e das mídias digitais. Usar todo tipo de rede, app, dominar a gramática das mais diversas mídias para avaliar como cada ferramenta pode ser utilizada pelo jornalismo e em prol dele”, comenta o editor-chefe do HuffPost Brasil, que ainda sinaliza que a postura não é apenas do comunicador. “Há mais resistência nas empresas de mídia que ainda valorizam o impresso em detrimento do digital e na Academia. Acho que muitas universidades ainda não têm uma grade curricular que privilegia o fazer jornalístico contemporâneo”.

Com experiência em implementação de novas tecnologias no jornalismo, Gusmão afirma que, com o tempo, todos acabam aderindo. “Já promovi mudanças em cenários no qual a maioria é refratária. E a fórmula é a mesma: começa com os aderentes, deixa os refratários para o fim do processo. Mas, nem todos terão a mesma desenvoltura com novas tecnologias e novos processos”. O editor ressalta que se trata de uma corrida pela sobrevivência. “Quem não fizer este movimento agora, hoje, está fora de qualquer oportunidade de ser escalado para jogar”.

Sobre a crise na área, todos concordam que as redações estão enxutas, mas isso não é de todo ruim. “O modelo de negócios tradicionais está desmoronando, as oportunidades de emprego convencional estão minguando. Mas tem outro lado: nunca houve tantas possibilidades de construir narrativas mais complexas, mais múltiplas”, ressalta o profissional da Superinteressante. O comandante do Super Notícia tem a mesma opinião e lamenta pela diminuição nos postos de trabalho. Ele vê boas oportunidades em produtoras de conteúdo e espaço para que os profissionais busquem recolocação.

A visão de Leonardo Mendes Junior está alinhada com a dos colegas. “Tem muito campo para se exercer o jornalismo. O que talvez nos falte, principalmente, é a capacidade de criar algo novo, como se vê a rodo em empresas de tecnologia. Enquanto continuarmos a tentar sempre as mesmas soluções (aquelas de 10, 15 anos atrás), continuaremos tendo problema. E, óbvio, há todo um contexto econômico que extrapola o jornalismo que torna tudo mais difícil. Mas podemos nos ajudar um pouco mais”.

7 de abril: há o que comemorar?
Quando questionados sobre as comemorações referentes ao Dia do Jornalista, os executivos não hesitam: há, sim, motivos para celebrar a data. Veja, abaixo, as razões pelas quais a nossa profissão está de parabéns!

Ser jornalista num momento como o atual, em que um governo em crise aguda parece caminhar para o fim, é assistir com lentes privilegiadas à História em curso. Temos que ter muito mais rigor no tipo de notícia veiculada, nas apurações feitas, se estamos ouvindo todas as vozes — ruas, militantes, “esquerda”, “direita”. Nenhum player deve ter mais atenção que outro. Precisamos ouvir a defesa de Dilma, Lula, Cunha, Temer, da mesma maneira que precisamos ouvir os críticos e analisar cada denúncia contra nossos políticos. Neste Dia do Jornalista, assim como em todos os outros, temos que honrar a nossa profissão, fazendo um jornalismo ético e responsável, que contemple a pluralidade e contribua com a reflexão dos cidadãos brasileiros. Buscar isso é que é motivo de realização. Diego Iraheta, editor-chefe do HuffPost Brasil

Tenho que confessar que nunca comemorei muito essa data. Como jornalista, sempre estive muito mais interessado no mundo lá fora do que em celebrar minha própria profissão, mas talvez eu não devesse. Se há motivos para comemorar? Uai, sempre há. Acho importante celebrar as novas possibilidades, as ferramentas cada vez mais sofisticadas de pesquisa, edição e disseminação, que agora cabem no bolso, o surgimento de publicações independentes, a democratização das narrativas. Tem muito a lamentar também, mas não falta o que celebrar. – Denis Burgierman, diretor de redação da revista Superinteressante

Acho que o principal a se comemorar é que ainda é possível fazer bom jornalismo, como está provado com a mega investigação “Panama Papers”, feita com a colaboração de mais de cem jornalistas de vários países. Isso mostra que é possível continuar denunciando, revelando o que os poderosos espalhados pelo mundo querem esconder. Temos técnica, temos faro, temos vontade. Não estamos em crise. O negócio é que está. Temos as pessoas que nos creditam confiança, continuam nos chamando, chancelam credibilidade. Elas continuam nos fazendo de megafone de suas necessidades. Temos a tecnologia a nosso favor. Há alguns anos, seria impossível tratar a quantidade de documentos revelados pelo “Panama Papers”. Hoje, temos jornalismo de dados, extração de dados digitais e novos colaboradores dentro de uma redação, veja o modelo do Whashington Post, que está mais avançado que os demais concorrentes pelo mundo. Só isso já é motivo para comemorar. – Fábio Gusmão, editor digital do jornal Extra

“Sem dúvida! Se eu não achar, quem vai? A profissão é linda. Com ela, vi o melhor e o pior do ser humano. Nas guerras, conflitos e desastres sempre encontrei esperança em uma vida melhor. O jornalismo me proporcionou um dia estar em uma favela e em outro em um jantar no Eliseu com presidentes. Ter vivido a experiência de conhecer junto com o papa emérito Bento 16 seus aposentos e ter visto o palácio do Kadafi em chamas. Qual outra profissão poderia me dar tanto contraste? A minha identidade se mistura com a minha profissão. Eu já vi a morte de perto na Líbia quando o meu carro foi metralhado em Trípoli. Quase morri nessa e em outras ocasiões, mas o jornalismo me fez viver mais e melhor como pessoa e isso não tem preço. – Franz Vacek, superintendente de jornalismo e esporte da Rede TV

Mesmo com todas as dificuldades e desafios, sim, temos o que comemorar. Estamos vivendo um momento verdadeiramente histórico, de investigação a um amplo esquema de corrupção no país, de possibilidade real de um presidente da República ser destituído do cargo. Cobrir isso, poder contar essa história deve ser motivo de orgulho para qualquer jornalista, qualquer um que tenha a informação correndo nas veias.  Leonardo Mendes Junior, diretor de redação da Gazeta do Povo

Claro que há motivos para comemorar. Só é jornalista quem ama a profissão. Comemorar o Dia do Jornalista é uma oportunidade de valorizar o nosso trabalho tão importante para o Brasil e para a população. Um grande motivo é a contribuição da imprensa com a cobertura, investigação e divulgação de escândalos no Brasil e também no mundo (haja vista o Panama Papers). Sem imprensa livre, sem jornalista trabalhando, pouco ou nada teria vindo à tona. Mas ainda há muito o que se fazer pela profissão. O jornalista também tem que se conscientizar mais sobre a importância da valorização da profissão. – Rogerio Mauricio, editor-chefe do Super Notícia

Remo x Nacional – comentários on-line

Copa Verde 2016

Remo x Nacional-AM – estádio Jornalista Edgar Proença, 19h

Rádio Clube _ IBOPE _  Sábado e Domingo _ Tablóide

Na Rádio Clube, Jones Tavares narra; Gerson Nogueira comenta. Reportagens –  Paulo Fernando, Paulo Caxiado, Hailton Silva e Carlos Estácio. Banco de Informações – Jerônimo Bezerra

É golpe, sim!

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POR MINO CARTA

É golpe, é golpe sim. Verdade factual, diria Hannah Arendt, a verdade única, inegável. A despeito das afirmações em contrário de pançudos alquimistas do engano, envoltos em prosopopeia. E dos editorialões dos jornalões e programões, e das colunas e reportagens dos sabujos midiáticos, de lida tão árdua com o vernáculo, mas de fantasia acesa.

E dos rentistas que se dizem empresários de um país que exporta commodities, de juizecos provincianos e advogados mafiosos que em cada lei enxergam a oportunidade de burlá-la. E de agentes ditos da ordem empenhados em semear a desordem e de funcionários do Estado dispostos a financiar no exterior campanhas a favor do golpe, como Furnas a patrocinar tertúlias lisboetas de Gilmar Mendes e José Serra.

Vivemos uma tragédia e desta vez, no País à matroca, quantos cidadãos se dão conta da sua condição de vítimas? Qual é a verdade factual? A presidenta Dilma errou bastante, ninguém, no entanto, poderá acusá-la de desonestidade. Está a ser julgada, porém, por uma corja de corruptos na comparação com os quarenta ladrões de Ali Babá, estes figuram como medíocres aprendizes.

Fato é que os argumentos aduzidos para justificar o impeachment não se prestam ao propósito. Quem diz: golpe não pode ser “algo que existe na Constituição” expõe apenas sua parvoíce. Exatamente por ser previsto pela Carta, o impeachment no caso é impraticável, como aliás confirma o ministro Marco Aurélio Mello, consciente de sua função de magistrado. De todo modo, pedaladas fiscais são práticas comuns dos governos brasileiros.

Quem está sem pecado atire a primeira pedra. Lição de Cristo, aquele que, ao pedir ao Pai Celeste perdão para quem o crucificava sem entender seus próprios atos, não se referia apenas aos soldados romanos.

Cabem, na exposição da verdade factual, comparações entre o presidencialismo à brasileira e o americano, ou o francês. Bush Júnior foi calamitoso como presidente ao ponto de levar seu país a uma guerra precipitada pela mentira e pela hipocrisia, enfim, inexoravelmente provadas.

Nem por isso deixou de governar até o fim. Barack Obama governou por boa parte do seu segundo mandato sem contar com maioria parlamentar, e nem por isso foi impedido.

François Hollande há dois anos não alcança nas pesquisas 20% de aprovação popular, e nem por isso deixa de governar. Será que o nosso presidencialismo está habilitado a dispensar o peso constitucional de uma eleição ganha em proveito dos números de um ibope qualquer?

A verdade factual oferece largo espaço à raiva que hoje medra na chamada classe média, ódio desvairado insuflado pela ofensiva midiática. Vale acrescentar um adjetivo: irracional. Fruto de ventos malignos e, de certa forma inexplicáveis, a soprar entre o fígado e a alma.

Aparentado com a raiva da pequena burguesia que gerou, por caminhos distintos, o fascismo e o nazismo, lembrança esta despida da pretensão de confrontar o estágio cultural das nossas classes A e B com a pequena burguesia de Alemanha e Itália dos começos do século passado.

Quem no Brasil se considera burguês, quando não aristocrata, não se expandiu muito além dos tempos da Pedra de Roseta. O ódio, entretanto, é parecido, eivado de recalques e preconceito. De todo modo, não será fascista ou nazista o desfecho da tragédia.

Nesta mesma edição, um suplemento especial evoca o golpe de 1964 para exibir as similitudes e as diferenças entre a situação que precipitou aquele e a que vivemos hoje. O fantasma da Revolução Cubana alastrava-se então sobre a América Latina, quintal dos Estados Unidos.

Tio Sam velava para impedir fraturas no seu império, pronto a intervir onde fosse preciso por meio dos serviços da onipresente CIA, e de ajuda financeira e até militar. Patrocínio decisivo a todos os golpes que assolaram o subcontinente. 

Hoje os EUA reatam com Cuba e certamente não enxergam no Brasil o seu quintal, graças à política exterior independente praticada por Lula e seu chanceler Celso Amorim. Sabem, porém, que significaria dar continuidade àquela política, como aconteceria se Lula voltasse ao poder. Resultaria no fortalecimento da aliança dos BRICS, que tende cada vez mais a tomar caminhos conflitantes em relação aos interesses norte-americanos.

Em 64, a casa-grande chamou os soldados para executar o trabalho sujo, desta vez os tanques são substituídos pelas togas de uma Justiça politizada, sequiosa por empolgar o poder em uma república justicialista.

Patética, emoldurada em ouro, a desculpa dirigida ao STF pelo juiz Moro por seus grampos ilegais e ilegalmente divulgados, a revelar uma vocação de humorista quando diz não ter agido com propósitos político-partidários. Pelo contrário, são estes exatamente os propósitos de futuro desta magistratura açodada, intérprete da Justiça desvendada.

O golpe de 64 gerou uma ditadura de 21 anos e de cujas consequências padecemos até hoje. Vale perguntar aos botões se o plano togado tem chances de êxito caso o impeachment premie os conspiradores de sempre. Impossível, respondem, à luz do que chamam de premissas da próxima, eventual, verdade factual.

Desta vez, os conspiradores estão divididos por divergências insanáveis e, se lograrem atingir o alvo comum, entrarão em conflito no dia seguinte. Dia nebuloso, caótico, de tensões espantosas. Chegassem ao governo, os cultores do poder pelo poder cuidariam de acabar de vez, como providência automática e imediata, com a Lava Jato.

O professor Michel Temer, que já organiza uma passeata da vitória, deveria dedicar-se a uma leitura mais atenta de Maquiavel. Antes de se atirar a certezas, é indispensável derrubar todos os obstáculos. Derrubar? Melhor aniquilar.

Que é possível esperar de um governo Temer? Quem sabe José Serra na Fazenda. Que tal Rubens Barbosa chanceler e Miguel Reale Jr. na Justiça? Retorno ao afago norte-americano, leilão dos bens brasileiros a começar pelo pré-sal, distanciamento dos BRICS.

O progressivo galope decadência adentro. Súditos de Hillary ou de Trump? A esta altura, não consigo ver diferenças entre os dois, ao menos deste meu ponto de observação verde-amarelo. A incerteza, esta sim, é própria do momento. Quanto a CartaCapital, não nos permitimos a mais pálida sombra de dúvida quanto à nossa determinação em defender o retorno ao Estado de Direito, destroçado pelo complô antidemocrático.

As falhas do governo atual não se discutem, começam pelo estelionato eleitoral cometido pela presidenta Dilma ao convocar para a Fazenda um bancário neoliberal com o propósito transparente de acender um círio ao deus mercado.

Nada, porém, do que a acusam sustenta a conspirata e justifica o impedimento, assim como nada admite a pretensão de Sergio Moro de prender Lula. Houvesse provas cabais, já estaria preso. E esta é a verdade factual.

Certa agora, no País à deriva, é a falta de liderança. A presidenta Dilma encontrou finalmente o tom certo e a veemência necessária nos seus últimos pronunciamentos, mas perdeu a chance de assumir o comando do País e talvez jamais o tenha perseguido.

Ela parece satisfazer-se com a autoridade que lhe compete nas reuniões do ministério. De resto, o Brasil contou com poucos líderes populares autênticos, sem exclusão de Antônio Conselheiro, e dois se sobressaem, Getúlio Vargas e Luiz Inácio Lula da Silva. Getúlio repousa no panteão da memória, Lula está vivo. 

A frase do dia

“Pedro não é meu filho biológico. Eu apenas o registrei. No papel, eu sou pai; mas, na prática, não. Se ele escolheu esse caminho do crime, é problema dele. Eu só quero cuidar da minha família. Pikachu não tem nada a ver com tudo isso”. 

Carlos Lisboa, pai do jogador Pikachu e pai adotivo de Pedro Lisboa, baleado e preso ao tentar assaltar um PM 

Chance de redenção

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POR GERSON NOGUEIRA

No duelo com o Leão amazonense, o Remo tem hoje à noite a oportunidade de se redimir perante a torcida três dias depois de ter sido alijado da disputa do Campeonato Paraense, desfazendo o sonho do tricampeonato estadual. O vexame de ter feito uma das piores campanhas de sua história no Parazão não será facilmente apagado, mas pode pelo menos ser atenuado com uma boa atuação diante do Nacional.

Mais que isso: garantir classificação à semifinal da Copa Verde, pelo terceiro ano consecutivo, tem grande importância do ponto de vista das finanças do clube, seriamente comprometidas com a eliminação do Estadual.

Caso venha a ter, como é bem provável, o Papão como adversário de semifinal, o Remo poderá em duas partidas compensar os estragos causados pela desastrosa performance no Pará. A estimativa é de que os dois clássicos possam render algo em torno de R$ 1,6 milhão, permitindo a cada clube faturar pelo menos R$ 500 mil.

Com a vantagem de poder até empatar em 0 a 0, o Remo chega ao jogo com o Naça cercado de uma boa expectativa, graças à boa atuação no Re-Pa do último domingo. O empate, cedido a 13 minutos do fim, é encarado pelo técnico Marcelo Veiga como um acidente de percurso – e, de fato, foi.

O fato mais importante a essa altura é buscar alcançar uma estabilidade que o time não mostrou ao longo de todo o certame estadual, ainda sob o comando de Leston Junior. Em apenas 90 minutos, Veiga passou a impressão de que tem um esquema na cabeça e precisa apenas de tempo para executá-lo.

O time, de maneira geral, respondeu bem ao novo comando, apresentando-se de forma mais atenta e solidária diante do Papão. Para hoje, é provável que o meio-campo tenha o jovem Edcléber acompanhando Eduardo Ramos no setor de criação e que o ataque volte a ser formado por Ciro e Luiz Carlos, grata surpresa nas duas últimas partidas.

Outra possibilidade, para o decorrer do confronto, é a utilização de Sílvio, cuja velocidade havia sido esnobada por Leston e de ausência no Re-Pa (para a entrada do contestado Potita) muito lamentada pelos torcedores.

Com ânimo renovado e nervos no lugar, o Leão terá que encarar com bravura e determinação seu irmão de selva, sob pena de sacrificar duas competições em menos de uma semana.

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Coronel segue apanhando por falta de suporte

A ESPN mostrou ontem pela manhã o trecho de uma entrevista do coronel Antonio Carlos Nunes a respeito do atual momento da Seleção Brasileira. Naquele estilo confuso de sempre, Nunes falou muito e disse pouco. Enrolou uma explicação sobre as Eliminatórias sul-americanas, avaliando que na verdade é uma etapa classificatória, no que está certo, mas se perdeu em digressões sobre os projetos que envolvem as seleções nacionais de futebol.

É verdade que não trouxe nada de novo ao debate, muito menos se arriscou a comentar sobre o comando técnico do escrete, mas os analistas da ESPN se esmeraram em nocautear o presidente interino da CBF, atribuindo um tom excessivamente grave às suas palavras.

Nunca vi o presidente licenciado da entidade, Marco Polo Del Nero, conceder entrevistas mais brilhantes que as do coronel paraense, mas o cartola paulista sempre desfrutou de indisfarçada tolerância por parte dos analistas esportivos, sem merecer o tom azedo destinado a Nunes.

Independentemente do preconceito óbvio, sigo acreditando que o cartola nascido em Monte Alegre peca por abrir mão de uma assessoria profissional ou pelo menos se apoiar na equipe de comunicação da CBF. Confunde o cenário nacional com a provinciana aldeia da FPF, onde nada do que dizia ganhava maior repercussão.

Como dirigente máximo do futebol brasileiro, mesmo que em caráter temporário, Nunes tem a obrigação de se preparar melhor para enfrentar as entrevistas coletivas. Não se concebe mais o improviso e as tiradas de caboclo papachibé. Tudo o que diz, de bom ou ruim, ganha ressonância imediata. O jogo é bruto e ele, melhor do que ninguém, deveria saber disso.

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A estrela solitária une o Botafogo ao Pará

Em longo papo com o amigo Paulo André Barata, com direito a comentários sobre o momento golpista que atravessamos e reminiscências do período em que ele morou no Rio confraternizando com gente do porte de Tom Jobim e Vinícius de Morais, fiquei sabendo de algo inteiramente novo sobre o Botafogo.

Confesso que desconhecia vínculos históricos do Botafogo com o Pará. Pois, segundo o genial compositor de “Pauapixuna” e “Foi Assim”, fanático torcedor do Fluminense, a mítica estrela solitária alvinegra tem relação direta com a história do nosso Estado.

Tudo porque os fundadores do Botafogo se inspiraram na estrela que encima a esfera azul da bandeira brasileira, simbolizando o Pará. Tal estrela, Spica (Alfa da Virgem), virou a marca maior do emblema botafoguense por influência direta do paraense Benjamin Sodré, irmão de Lauro Sodré e um dos baluartes da fundação do clube.

Além da necessária atualização histórica sobre tão importante símbolo botafoguense, a conversa permitiu outra descoberta. Paulo André foi jogador de basquete do Remo nos anos 60, sob a batuta do então treinador João Braga de Farias Junior, que depois viria a ser um dos mais elogiados presidentes azulinos.

Apesar de torcedor alviceleste como o pai, o poeta Rui Paranatinga Barata, Paulo envergou a camiseta azulina durante quase dois anos, embora não tenha sido titular naquele quinteto dirigido por Farias. Perdeu o bola-ao-cesto paraense um promissor ala, mas ganhamos em troca um afiado músico e compositor, que segue a nos orgulhar perante o mundo.

(Coluna publicada no Bola desta quarta-feira, 06)