O Pará é mesmo brega?

POR TITO BARATA (*)

É uma barbaridade tentar rotular o Pará como “terra do brega”, como vi numa entrevista por esses dias. Viramos a capital de uma música popularesca, amarfanhada, apelativa e sem qualquer rodagem estética. Nada contra a cultura de massa e os lucros dela decorrentes. Mas invocar o mau gosto e o escracho como um sentimento puro da musicalidade paraense já é demais. Isso é um horror que estão vendendo em rede nacional.

O brega foi um som marginal, cafona e sem qualquer estatura musical, que encheu os bolsos de empresários do disco e da noite, principalmente em meados dos anos 1970. Agora está “cult” e bem relacionado com as elites clássicas e modernosas de ocasião. O pior é que essa estética do atraso, do humor grosseiro, da apelação, do descompromisso e da galhofa “folclórica”, chegou aos vídeos e ao cinema.

O Pará que eu conheço tem musicalidade mesmo, embora os nossos ditos compositores de MPB tenham esquecido ou nem tenham sido apresentados à simplicidade de fazer músicas populares. Mas isso é um mal que assola o Brasil inteiro. São ótimos compositores de músicas difíceis e chatas. Investem em letras quilométricas, ritmos chochos e falsa erudição para depois concluírem que fizeram “obras-primas” que não foram reconhecidas.

Com todo respeito ao meu queridíssimo e talentosíssimo amigo Antonio Veloso Dias Veveco, poeta trovador dos bons, gostamos de música popular, mas o “meu coração não é brega”.

(*) Tito Barata é jornalista e publicitário. 

8 comentários em “O Pará é mesmo brega?

  1. Pra mim, a resposta é não! Isso é invenção tilintante das Regina Casés, Fátimas Bernardes, Faustões e cia. A propósito, relativamente à espécie de “brega” referido na crônica, presenciar a proclamação de semelhante atributo me faz experimentar a mesma sensação que experimentava ao assistir um certo senador tucano do Pará se pronunciar da Tribuna em Brasília.

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  2. O Pará é de todos os ritmos, mas vou falar das radios

    Quando não era evangélico gostava muito de brega, e naquele tempo, brega em FM só duas rádios tocavam, Rauland e Guajará.
    A Liberal aqui e ali tocava um sertanejo e as vezes um Marco Monteiro, Nilson Chaves.
    A Radio Cidade era a mais radical, só tocava musica chic

    Tinhamos a radio 100,9 que ia mais nos houses, essa radio por sinal mandava sem cerimonia abraços pra pichadores, como um tal de BOB que emporcalhou a cidade na década de 90.

    Tinha a Cultura que tocava um ritmo nacional, como chorinho por exemplo.

    Aí chegou a Antena 1 que avacalhou geral, começou a tocar tudo, hoje conhecida como 99fm

    Faz tempo que não escuto radio fm, até porque me tornei evangélico e mudei o habito

    Mas fico imaginando as rádios tocando este tal de tecno brega.

    Aqueles moleques tremendo que nem robô, coisa horrenda

    Discordo quando o cidadão critica o bom brega do passado.

    Naquele tempo se fazia musica pra se dançar agarrado, musicas inclusive com boas letras e melodias

    A década de 80 pegando um pouco de 90 não foi só boa pra musica popular brasileira, mas foi o melhor momento da musica popular paraense

    Tempos bons que foram e NUNCA mais voltam.

    Mirian Cunha, Alípio Martins, Mauro Cota, Luiz Guilherme, Ivan Peter e tantos outros.
    Sem falar das bandas, Warilow, Fruta Quente, Populares de Igarapé Mirim

    Resumindo, o Pará já foi brega, hoje o Pará com esse tecno brega tá uma porcaria.

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  3. Amigo Edson, parabéns! Isso é o que se pode chamar de uma breve palhinha de um grande conhecimento de causa. Eu também aprecio “o passado é uma parada”. Aliás, direta e indiretamente, até já deixei isso registrado aqui no Blog.

    Rsrsrs Agora entendo perfeitamente seu aborrecimento quando eu encarnava invocando o Odair José para auxiliar o listrado. Rsrsrs

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  4. Para mim, música popular deve ter um projeto de comunicação, levar uma ideia ou uma emoção, coisas que o tecno-brega não tem. É intuitivo, o tecno-brega não é arte. Se os tecno-bregueiros querem se firmar como músicos e o tecno-brega como música paraense, devem, por obrigação, adotar mensagens e ritmos mais condizentes com a tradição paraense, das guitarradas, dos batuques e sem abandonar a batida característica do tecno-brega. Isso é um desafio aos limitados compositores (sic) desse produto.

    E, de fato, a música feita no Pará tem sido desinteressante. Após um momento promissor no inicio dos anos 90, voltou a decepcionar, nem tanto pelo talento dos músicos, arranjadores e intérpretes, mas pela visão artística predominante, pelo que se convencionou arte musical paraense, que busca, ao meu ver, uma elitização, a desvinculação do popular. Definitivamente, é preciso repensar os rumos da música paraense.

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