Hong Kong atrai brasileiros por pagar em dia

POR RAFAEL REIS, do UOL

Os salários não são milionários, os times não costumam ir muito longe nas competições continentais e as contratações muitas vezes são feitas na base da amizade. Mas, assim como a China, Hong Kong também se tornou um eldorado para brasileiros. Só que enquanto o gigante asiático atrai para seu campeonato nomes consagrados como Robinho, Ricardo Goulart e Paulinho, a ex-colônia britânica cravada no território chinês se contenta com jogadores que construíram suas carreiras longe dos grandes clubes.

Gente como o atacante gaúcho Michel Lugo, 28, que defende o Eastern, atual vice-campeão nacional, e está em sua terceira temporada em Hong Kong. “Vim de olhos fechados para cá porque estava muito complicado no Sul. Está muito difícil jogar em time pequeno no Brasil. Você fica sem receber e só tem emprego no primeiro semestre, quando estão acontecendo os Estaduais”, diz o jogador, que passou por Bento Gonçalves e Guarany de Bagé antes de se aventurar no exterior.

Os salários pagos em Hong Kong são baixos para quem está acostumado com os valores da elite do futebol brasileiro. De acordo com Lugo, “os times pequenos pagam no mínimo US$ 3 mil [cerca de R$ 11,6 mil]. Os grandes, a partir de US$ 5 mil [R$ 19,4 mil].”

“O lado bom da crise no Brasil é que o dólar está alto”, diverte-se. Mesmo não pagando tantos, o campeonato se encheu de brasileiros nas últimas temporadas graças à segurança de salários pagos em dia e contratos de longa atuação.

Atualmente, 33 brasileiros jogam por lá. Muito se levarmos em conta que Hong Kong não passa de uma simples cidade. Todos os nove clubes da primeira divisão contam com pé-de-obra do futebol pentacampeão mundial.

Mas como eles vão parar lá? Empresários, olheiros espalhados pelo mundo? O que funciona em Hong Kong é a boa e velha indicação na base da amizade mesmo. “Vim para aqui através de um amigo que jogava aqui e indicou a minha contratação”, relembra Michel.

“Eu tinha um amigo que veio primeiro e, quando ficou sabendo que o time precisava de um atacante, pediu para eu mandar um DVD”, conta o catarinense Giovane, 32, também jogador do Eastern. Veterano em Hong Kong, ele chegou lá em 2007, após passagens por Marcílio Dias, Brusque e Atlético Ibirama, todos de Santa Catarina, e virou um dos principais nomes do futebol local.

Artilheiro da última temporada, Michel chegou a conseguir a tão sonhada transferência para a prima rica China – defendeu o Sunray Cave em 2010. “Não é uma ponte muito viável a transferência daqui para a China porque eles não olham com bons olhos para o futebol de Hong Kong. De 2007 até agora, o que a gente vê são estrangeiros que conseguem cidadania chinesa e aí se mudam para lá. De estrangeiros normais, só fomos eu e um zagueiro.”

Águia e São Raimundo retornam à elite

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Águia e São Raimundo estão de volta à elite do futebol paraense. Classificaram-se na tarde deste domingo, na disputa das semifinais da Segundinha do Parazão 2016. Em Marabá, sob o comando de João Galvão (foto) o Águia superou a Desportiva por 2 a 1. Em Castanhal, após empate em 1 a 1 nos 90 minutos, a decisão foi para as penalidades e o Pantera santareno levou a melhor por 7 a 6.

A final da Segundinha acontecerá domingo, 8, às 16h, em Marabá. Em caso de empate, Águia e São Raimundo decidirão o título do torneio nos penais. O Águia estava há dois anos da divisão principal do certame estadual. Com a classificação de Águia e São Raimundo, a disputa do Parazão ganhou um ingrediente inédito: Santarém terá pela primeira vez três representantes na disputa – Tapajós, São Francisco e São Raimundo.

Conforme o art. 4°, parágrafo único do regulamento do Parazão 2015, que deve valer para 2016, a primeira rodada do Estadual será a seguinte:

Remo x São Raimundo

Independente x Águia

Parauapebas x Tapajós

Paissandu x São Francisco

Cametá x Paragominas 

(Com informações de Cláudio Santos)

Mazola Jr. seria plano B para o lugar de Cacaio

Caso a renovação do contrato do técnico Cacaio não chegue a bom termo com o Remo, a diretoria já estuda nomes para dirigir a equipe na temporada 2016, quando o calendário será completo para os azulinos – Campeonato Estadual, Copa Verde, Copa do Brasil e Série C. Apesar de a cúpula dirigente afirmar que renovar com Cacaio é a prioridade, entre os nomes especulados no Evandro Almeida como “plano B” aparece o de Mazola Jr., ex-treinador do Paissandu, em 2014, que ficou conhecido por alimentar ruidosa polêmica no Parazão daquele ano.

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Aborrecido com o resultado de alguns jogos, ele chegou a afirmar que havia “um sistema” para favorecer o Remo na competição. O então presidente remista, Zeca Pirão, respondeu asperamente e ameaçou processar Mazola. Em nome da diretoria atual, um emissário já teria feito contato com o técnico, que, a princípio, não teria dado resposta. No fim de semana, Mazola esteve em Belém com o CRB para o jogo com o Paissandu. Outro nome na lista dos azulinos é o de Roberval Davino, que comandou a campanha do título da Série C 2005. (Foto: MÁRIO QUADROS/Arquivo do blog)

Canais TNT e Space exigem jogos da Champions

Os canais com a marca Esporte Interativo não serão mais os únicos a exibirem os jogos da Champions League para o público brasileiro da TV por assinatura. A mudança passa a valer a partir da próxima rodada da principal competição de futebol entre clubes da Europa, que será realizada na terça e quarta-feira, 3 e 4 de novembro. A decisão foi anunciada pelo Grupo Turner, empresa responsável pela emissora esportiva, que passará a exibir os confrontos do torneio por outros dois de seus canais: Space e TNT.

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A decisão do grupo de comunicação foi tomada após negociações para a inserção dos canais EI Maxx e EI Maxx 2, criados especialmente para a transmissão da Champions League na TV fechada, nas principais operadoras do país. Até o momento, as duas emissoras, assim como o Esporte Interativo, não são disponibilizadas pelas maiores companhias do país. Sky e Net não oferecem os três veículos em nenhum de seus pacotes. O EI Maxx, por exemplo, está presente na GTV, na Oi TV e nas grades de empresas menores.

Com a mudança de estratégia por parte da direção do Grupo Turner, serão exibidos quatro jogos ao vivo, por dia de Champions, além de todas as demais partidas sendo oferecidas pelo serviço online EI Plus. Dessa forma, os confrontos de terça a serem transmitidos aos assinantes de TV do país serão Sevilla X Manchester City (EI Maxx), Real Madrid X PSG (TNT), Manchester United X CSKA (Space) e Borussia Monchengladbach X Juventus (EI Maxx 2). Bayern X Arsenal (EI Maxx), Barcelona X Bate Borisov (TNT), Chelsea X Dínamo de Kiev (Space) e Roma X Bayer Leverkusen (EI Maxx 2) serão as exibições do dia seguinte. (Do Comunique-se)

O que Taís Araújo diria do livro ‘Não Somos Racistas’?

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POR PAULO NOGUEIRA, no DCM

Publicado em novembro passado, e republicado agora por razões óbvias. O título é novo:
“O que Taís Araújo diria do livro ‘Não Somos Racistas’?” Mas o enredo, infelizmente, é velho.

Não existe racismo no Brasil.

É, pelo menos, o título de um livro de Ali Kamel, diretor de jornalismo da Globo.

Nos últimos tempos, sempre que surgiram notícias que escancaram o racismo no Brasil, o livro de Kamel me vinha a cabeça.

Não exatamente o livro, mas a tese, a frase peremptória do título.

Não existe racismo no Brasil.

Vejo uma estatística: sete em cada dez mortes violentas são de negros.

A Anistia Internacional Brasil acaba de lançar uma campanha: “Jovem Negro Vivo”. “É quase um extermínio em massa”, diz o diretor da Anistia. Segundo a Anistia, 25 000 jovens negros são assassinados por ano no Brasil.

Sob indiferença generalizada, o que é pior.

A Anistia nota uma diferença. Nos Estados Unidos, quando a polícia mata um negro em circunstâncias suspeitas, irrompe uma revolta imediatamente.

No Brasil, não.

Quem não se lembra de Claudia, arrastada num carro de polícia? E de tantos outros?

Mas Kamel conseguiu escrever um livro cujo título é Não Somos Racistas.

Fui lê-lo.

Encontrei no Scribd, um site de livros digitais.

Em nenhum momento ele consegue ser convincente em seu ponto. O máximo a que chega é que é socialmente vergonhoso, no Brasil, ser racista. Bem, como se vê pela postagem abaixo, ou pelo número de torcedores do Grêmio que chamaram o goleiro Aranha de macaco, há quem discorde.

E ainda que fosse “vergonhoso”.

Quando a polícia vai fuzilar você, porque você é negro e está numa favela, você tem alguma chance de escapar se disser a seu carrasco que é uma vergonha o que ele está prestes a fazer?

O livro de Kamel ilumina pouco o tema do racismo. Em compensação, projeta muitas luzes sobre o próprio Kamel.

Já começa nos agradecimentos. Os patrões são entusiasmadamente elogiados. Os três. Por promoverem um “jornalismo plural”.

Não se trata apenas de bajulação. Mas de um aplauso que simplesmente não faz sentido. A não ser que pluralidade, na mente de Kamel, seja Merval, Jabor, Míriam Leitão, Sardenberg, Noblat, Waack, para ficar em alguns. Sem contar ele próprio, é claro.

É uma pluralidade absolutamente singular: todos pensam igual. Igual aos patrões, naturalmente.

O livro também é revelador na raiva que Kamel tem de Lula, e no amor por FHC.

A FHC são dados todos os créditos por ter feito do Brasil um país maravilhoso, aspas. Lula, em compensação, se limitou a copiar – canhestramente – FHC.

Lula, para Kamel, fez mal tudo aquilo que FHC fez bem.

Há também uma coisa que conta muito sobre Kamel – e a cultura livresca das Organizações Globo. A obsessão por ver seu nome na capa de um livro.

Não Somos Racistas é uma compilação preguiçosa de artigos. Merval fez o mesmo com os textos que escreveu sobre o Mensalão, e terminou na Academia Brasileira de Letras.

Não sei se este é o destino sonhado por Kamel.

Tudo aquilo somado, da negação do racismo se chega a uma outra tese: a de que as cotas para negros são um erro – mais um – de Lula.

Acho, particularmente, uma besteira torrencial, mas enxergo isso sob outro ângulo. Os irmãos Marinhos são contrários às cotas. Logo, Kamel também é – e muito.

Em meus dias de Conselho Editorial da Globo, notei nas reuniões o seguinte: Kamel e Merval, os mais falantes do grupo, como que disputavam para ver quem era mais a favor das ideias da família Marinho.

O livro de Kamel não se sustenta, na teoria que defende, nem no próprio Roberto Marinho. Se não fôssemos racistas, Roberto Marinho não passaria pó de arroz para embranquecer a pele morena, conforme conta Pedro Bial na biografia que escreveu sobre o dono da Globo.

Com fúria e entusiasmo

POR GERSON NOGUEIRA

Dois jogos num só. Foi assim Papão x CRB, sábado, no Mangueirão. No primeiro confronto, o placar ficou em 1 a 1, com predomínio alagoano e muita desorganização do lado paraense. Já na segunda refrega, a presença bicolor foi avassaladora, como ainda não se tinha visto nesta Série B. Foram quatro gols em 24 minutos, entre os 23 e 47 do segundo tempo. Um ritmo alucinante, com fúria, raça e coração, na melhor tradição dos grandes triunfos alviceleste.

A pasmaceira da primeira parte foi substituída pela maneira eletrizante adotada no segundo período. Se no primeiro faltou iniciativa e criativida, principalmente nas articulações pelo meio, depois do intervalo a transformação sofrida pelo Papão justificou plenamente a sensacional virada.

O gol de Zé Carlos aos 27 minutos do primeiro tempo foi produto da maior presença ofensiva do CRB, cujo meia Gerson Magrão ganhava praticamente todas as bolas na área central e partia com ela dominada, distribuindo para Gleidson Souza ou Ricardinho, principalmente este. O lance do gol nasceu da pressão sobre a zaga e de um escorregão de Ricardo Capanema na entrada da área. Magrão pegou a bola e tocou para Zé Carlos mandar para o barbante.

Com habilidade na frente, o CRB foi tomando conta do jogo a partir do momento em que percebeu o desequilíbrio do Papão na meia-cancha. Augusto Recife havia entrado com a função de fazer a ligação, revezando-se com Aylon, que teoricamente atuaria mais recuado. Não aconteceu nem uma coisa nem outra. Nem Recife se posicionou como articulador, nem Aylon deixou de correr pela direita do ataque.

O problema é que o Papão não conseguia tocar a bola em velocidade, permitindo sempre que os volantes do CRB se antecipassem e acionassem Magrão. Antes e depois do gol, o time alagoano desfrutou de pelo menos três boas chances para marcar, só não chegando a isso porque Magrão não perde o hábito de prender demais a bola.

Quando a torcida já se exasperava, vaiando e pedindo raça, eis que Welinton Jr., Pikachu e João Lucas resolveram empreender um esforço final para sufocar com bolas cruzadas na área. Isso durou pouco tempo, mais ou menos uns 10 minutos, mas foi o suficiente para tirar o Papão da letargia.

Aos 40, Pikachu cobrou escanteio e a bola quase traiu o goleiro Juliano. No instante seguinte, cruzou na cabeça de Aylon, que se posicionava no primeiro pau e desviou no canto oposto da trave do CRB, empatando o jogo. O Papão não fazia por merecer a igualdade, depois do sofrível primeiro tempo, mas buscou forças onde não tinha e voltou para o jogo.

O capital Fahel, peça destoante na partida até ali, desceu para os vestiários avisando que o time voltaria para conseguir a virada. Isso, de fato, aconteceu. Com gana e muito esforço, o Papão iniciou o segundo tempo no ataque, quase chegando ao segundo gol com Welinton.

Aos poucos, o CRB voltou a levar perigo nas saídas rápidas para o ataque. Isaac, que substituiu a Zé Carlos, perdeu um gol aos 18 minutos ao tentar driblar o goleiro Emerson. Ágil, o guardião pulou para o lado e segurou a bola que já escapava.

Cinco minutos depois, veio a resposta de Capanema, pelo qual os jogadores haviam prometido lutar até o fim. Cearense pressionou o zagueiro Jussani e tocou para o meio, encontrando o volante livre para marcar. Era o desempate e o começo de uma virada empolgante.

Aos 28, Cearense recebeu cruzamento da direita e em dois tempos mandou para as redes. O CRB, abatido com as falhas seguidas e exaurido fisicamente, pareceu se entregar. Magrão sumiu da partida e o Papão era todo entusiasmo nas ações ofensivas, superando até suas limitações e ausência de organização pelo meio.

Aos 40, veio o gol mais bonito. Cearense mandou um chute de curva no ângulo, sem defesa para Juliano. E ainda houve tempo para mais um. Aos 48, a zaga errou um passe no meio da área e Welinton entrou livre para bater na saída do goleiro.

Vitória acachapante, produzida mais pela transpiração do que pela elaboração de jogadas. A goleada deixa o Papão de novo na briga pelo acesso e quebra um jejum de seis jogos na competição.

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Leão parou nos próprios limites

Com um esquema confuso, que hesitava entre o medo de ir com muita afoiteza à frente e a pressa em sair lá de trás, o Remo parou na frieza e no esquema mais organizado do Botafogo-SP. O empate sem gols classificou a equipe de Ribeirão, que veio a Belém posicionada para receber sufoco e conseguiu reduzir a zero os riscos diante de um atrapalhado ataque azulino.

Cacaio optou por Welton como parceiro de Kiros no ataque e a ideia não vingou logo de cara porque a zaga do Botafogo mantinha quatro homens fixos, mais o zagueiro Mirita na sobra. No meio, dois volantes e Vitinho, o cabeça pensante da equipe, livre para correr o campo todo, deixando dois homens bem avançados, com Canela e Diego Pituca.

Welton caía pela esquerda, mas era vigiado sempre por dois marcadores, enquanto os demais cuidavam de Kiros. Diante desse posicionamento, Eduardo Ramos deveria ser o terceiro atacante, chegando pelo meio. Ocorre que ele era ainda mais policiado, chegando a ter até três no seu encalço. Restava então a opção de Levy, jogando como falso atacante, mas que se limitava a cruzar bolas na área.

O melhor momento do Remo em todo o jogo foi ainda no primeiro tempo, quando Ramos cobrou falta e Caio Ruan desviou no travessão. Na sequência, Kiros cabeceou de cima para baixo e a bola passou rente à trave.

A partir daí, a partida se resumiu à insistência do Remo nas jogadas aéreas e a tranquilidade do Botafogo em resistir ao cerco, ora com saídas do goleiro Neneca, ora com saídas pelo meio através do perigoso Vitinho.

Sem se fechar totalmente, o visitante se manteve cauteloso e pronto a dar o bote, intranquilizando sempre o Remo com a possibilidade de um contragolpe fatal. Isso quase ocorreu aos 22 do segundo tempo, quando Fernando Henrique evitou o gol tirando com os pés o arremate de Canela.

Cacaio fez mexidas sem alterar posicionamentos. Colocou Léo Paraíba, Sílvio e Rafael Paty, tirando Welton, Macena e Ciro Sena. Nada mudou porque a equipe seguiu sem contar com o brilho de Eduardo Ramos, marcado em tempo integral, e não teve um outro jogador para dividir com o camisa 10 a tarefa de organizar.

Ao final, os 19 mil torcedores presentes aplaudiram intensamente a equipe que levou o Remo de volta à Série C, reconhecendo o esforço e as limitações. No fundo, uma rápida análise da campanha revela que o time chegou onde era possível chegar. (Fotos: MÁRIO QUADROS)

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Fora de campo, velhos erros ainda atrapalham

A notícia de um assalto à sede azulina durante a noite de domingo, com prejuízo de R$ 423 mil, é reveladora do nível gerencial e administrativo do clube. É incrível, quase inacreditável, como nos dias de hoje alguém ainda guarda dinheiro em casa. Se avança em campo, o Remo precisa crescer – muito – fora dele.

(Coluna publicada na edição do Bola de segunda-feira, 02)