Além do horizonte

POR GERSON NOGUEIRA
Cada um à sua maneira, Leão e Papão começam a projetar a próxima temporada. Com olhares em direções diferentes, mas sob o signo do otimismo. Ao contrário do ano passado, quando o Remo a essa altura não tinha sequer divisão a disputar, os dois velhos rivais têm bons motivos para acreditar em avanços.
As providências mais urgentes dizem respeito à situação azulina, que precisa se organizar e sanear contas para adentrar 2016 em condições que lhe permitam se beneficiar das vantagens de ter um calendário completo a cumprir.
Para o Papão, o próximo ano traz no mínimo a esperança de uma participação mais planejada na Série B, caso o acesso à Série A não se confirme neste ano. Com recursos em caixa e dispondo de mais tempo para contratar jogadores, o clube tem tudo para cumprir papel ainda mais destacado na Segunda Divisão.
Os embaraços deste ano para formar um time, causados principalmente pelo pouco tempo para sair em busca de reforços, devem ser eliminados ainda nos próximos dois meses, com a confirmação de permanência do técnico Dado Cavalcanti e de sua comissão técnica. Entendimentos já foram mantidos e Dado demonstrou interesse em continuar o trabalho.
Quanto ao elenco, alguns poucos nomes são apontados como prioritários – Emerson, Augusto Recife, Fahel, Ricardo Capanema, Jonathan, Welinton Jr. e Leandro Cearense. Os demais, que não pertencem ao clube, devem ser liberados, a começar pelos meias Carlinhos, Carlos Alberto, Léo, Roni e Valdívia.
No Evandro Almeida, onde o ano já terminou, resta organizar as contas e definir a situação administrativa para que se iniciem as providências efetivas em relação ao futebol. O que se sabe é que as pendências que exigem ação imediata já estão sendo encaminhadas pelo presidente em exercício, Manoel Ribeiro.
Nesse sentido, a diretoria negocia com Cacaio para que continue no comando, com contrato que se encerrará ao fim do Parazão. É claro que, desta vez, com melhores condições de trabalho, que em boa medida dependerão de jogadores que foram fundamentais na campanha da Série D – casos, principalmente, de Eduardo Ramos, Henrique, Ciro Sena, Ilaílson, Max, Chicão, Léo Paraíba, Levy e Mateus. Todos integram a lista de prioridades para renovação de contrato, embora Ramos tenha recebido proposta para jogar no exterior.
Ao mesmo tempo em que exige das gestões muito mais criatividade e dinheiro em caixa, o futebol propicia aos dois titãs do futebol paraense a estruturação de programas de sócios torcedores até aqui bem sucedidos. O Papão já contabiliza mais de 17 mil cadastrados, com mais de 12 mil adimplentes, o que garante renda mensal em torno de R$ 600 mil.
O ST do Remo, bem mais jovem, só conseguiu levantar voo a partir da gestão de André Cavalcanti, que assumiu o leme no final de junho, quando o clube contava com apenas 2 mil sócios adimplentes. Hoje, em franca ascensão, são 11.016 associados, com 7.241 pagando em dia, o que gera receita de R$ 383 mil mensais ao clube.
O êxito do ST indica que o caminho da redenção para a dupla Re-Pa passa, obrigatoriamente, pela divisão de esforços, o cumprimento de metas e a transparência nas contas. Quando acredita na seriedade da gestão, o torcedor investe e apoia.
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Rodada da Série B pode ter favorecido o Leão  
Os resultados dos jogos de sexta-feira na Série B trouxeram uma boa notícia para o Remo e uma não tão agradável para o Papão. O Luverdense derrotou o Boa Esporte por 2 a 0 e chegou a 51 pontos, entrando na briga pelo acesso. O time de Lucas do Rio Verde é um dos próximos adversários dos bicolores.
Já o Ceará atropelou o ABC por 3 a 0 e saiu pela primeira vez da zona da morte, reforçando a impressão de que escapará do rebaixamento. Se isso ocorrer, será menos um time grande e tradicional do Nordeste a enfrentar o Remo na Série C 2016.
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Da obscena fiança à expectativa pela delação
Quando foi anunciada a extradição de José Maria Marin do cárcere suíço para os braços da Justiça americana, ficou claro que o velho cartola paulista decidiu colaborar com as investigações do FBI sobre o festival de bandalheiras na Fifa e na CBF. A notícia de que pagou a obscena fiança de R$ 57 milhões já soa como confissão inequívoca de culpa. Qualquer dirigente capaz de movimentar tal soma no Brasil deve ser visto como gatuno.
A partir de agora, fica a expectativa sobre o que Marin pode vir a acrescentar ao mar de lama e o natural temor de seus ex-aliados – principalmente uma poderosa rede TV nacional.
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Bola na Torre
Guerreiro comanda a atração, com Tommaso e este escriba na bancada, tendo como convidado o atacante Aylon (PSC). Começa depois do Pânico, por volta de 00h15.
(Coluna publicada no Bola de domingo, 08)

Custódio garante que vai renunciar também

Depois de admitir no sábado à tarde a intenção de assumir a presidência do Remo, vaga com a renúncia de Pedro Minowa, o vice-presidente Henrique Custódio ratificou na manhã deste domingo que irá apresentar sua carta-renúncia amanhã ao Conselho Deliberativo do clube, desistindo de qualquer pretensão em relação ao cargo de presidente do clube. Em papo mantido via whatsapp com Cláudio Santos, Custódio deixou claro que seu foco no momento são suas atividades profissionais. Além disso, acredita que o melhor para o Remo é que se realize uma eleição para a escolha de um novo presidente.

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Dentre os nomes que já são cogitados para eventuais candidaturas à presidência do Remo, aparecem o de Manoel Ribeiro, que ocupa interinamente a função na condição de presidente do Condel; Marcelo Carneiro, cujo nome é defendido pelo grupo Juventude Azulina; e de André Cavalcante, ligado a uma outra ala de jovens associados do clube. Há, ainda, a possibilidade de um quarto nome, na figura do deputado estadual Milton Campos (PSDB).

Marin se declara inocente à Justiça americana

POR RODRIGO MATTOS

Ao contrário de outros dirigentes acusados no caso Fifa, o ex-presidente da CBF José Maria Marin não quis sequer ouvir as acusações da qual é alvo na sessão na corte de Justiça de Brooklyn, Nova York. Preferiu se declarar inocente. É o que está registrado na ata pública do tribunal norte-americano.

Com isso, seu depoimento representa um contraste em relação às confissões de José Hawilla (presidente da Traffic) e de Chuck Blazer (ex-membro do Comitê Executivo da Fifa). Suas sessões tiveram até 35 páginas de relatório judicial.

No caso de Marin, a duração foi curta: apenas 25 minutos. Quem estava presente ao julgamento relatou que mal começou, a sessão já foi encerrada. Estavam presentes três advogados norte-americanos do ex-dirigente e quatro procuradores do Departamento de Justiça, além de um tradutor.

De pouco serviram já que tratou-se mais das garantias para liberação que seriam dadas pelo ex-cartola da CBF à Justiça – seu apartamento em Nova York e US$ 3 milhões – do que do caso.

Marin abriu mão de ouvir que é acusado de cinco crimes: conspiração, lavagem de dinheiro (em dois esquemas) e fraude eletrônica (em dois esquemas). Todos são resultados de supostos subornos recebidos por contratos da Copa do Brasil e da Copa América. Cada crime pode render penas máximas de 20 anos.

A explicação do silêncio dada por pessoas ligadas ao cartola é de que ele já conhecia as acusações e não tinha nenhuma intenção de colaborar com o Departamento de Justiça dos EUA. Sua alegação é de que, como é inocente, não tem o que confessar.

Sua situação, no entanto, não é fácil. O processo foi classificado como complexo, o que não permite um julgamento rápido. E há provas contra o dirigente como a gravação de uma conversa entre ele e Hawilla em que pede propina por contrato da Copa do Brasil.

Sem colaborar com a Justiça, não terá nenhum relaxamento de sua sentença caso seja condenado, o que ocorrerá com Hawilla e Blazer que confessaram culpa. O caso de Marin está suspenso até o meio de dezembro.