Há 45 anos, o triunfo de Harrison, ‘the quiet one’

George Harrison lança o single "My Sweet Lord" nos EUA

POR FERNANDO FIGUEIREDO MELLO

Quando “My Sweet Lord” chegou às lojas dos Estados Unidos, os Beatles caminhavam a toda velocidade para o terrível e inevitável fim. Não havia clima nenhum para a banda se manter junta. Tanto que os projetos solo estavam a pleno vapor, com três discos na praça.

Ringo puxara a fila, em março, com Sentimental Journey. Em setembro, sairia aindaBeaucoups of Blues. Paul também já lançara o seu McCartney em abril. E John havia gravado e finalizado seu projeto solo com Yoko, o John Lennon/Plastic Ono Band, que seria apresentado em 11 de dezembro.

Mas foi George Harrison, o “quiet one”, o primeiro beatle a experimentar o topo. E logo em seu primeiro single lançado! Um prêmio para quem fora o pioneiro em projetos individuais fora dos Fab Four (vide Wonderwall Music e Eletronic Sounds).

“My Sweet Lord” chegou ao primeiro lugar em quase todas as paradas do planeta e foi o single mais vendido no Reino Unido em 1971, ano em que chegou às lojas lá na Ilha do Norte. É, disparado, o maior hit da carreira solo de George.

“Toda vez que eu ligo o rádio, é ‘oh, my lord’! Estou começando a acreditar que deve mesmo existir um Deus!”, brincou John, na época.

Realmente, “My Sweet Lord” é quase a prova da materialização divina em forma de letra e melodia. O slide de guitarra – “o equivalente musical da assinatura do Zorro”, como escreveu Alan Clayson, em biografia de George -, o coral transcendental, um mantra bonito e sereno, a levada rítmica ascendente, o piano elétrico de fundo… Tudo, enfim, nos transporta ao espiritual.

Para tanto, George Harrison contou com uma boa “little help from his friends”! Um time com nada mais nada menos que Eric Clapton, Ringo Starr, Klaus Voorman, Billy Preston, além do pessoal do Badfinger. Na produção, Phil Spector. Aliás, o grande responsável pelo lançamento do single, ao convencer George de que seria importante jogar algum petisco para o público, antes de All Things Must Pass chegar às lojas.

Nem a polêmica sobre um suposto plágio, que chegou aos tribunais e se arrastou até meados dos anos 1980 (ver links abaixo), apaga o brilho e a beleza de uma canção com a marca do generoso George Harrison.

Seu primeiro álbum solo, um disco triplo, seria lançado quatro dias depois. “Foi como ir ao banheiro depois de uma prisão de ventre”, disse George, à época, definindo com extrema exatidão o descarrego sentimental e musical na produção do trabalho, após anos de inibição imposta pela dupla Lennon/McCartney.

Mas essa história fica pra outro dia… Porque todo dia é histórico.

George Harrison lança o single “My Sweet Lord” nos EUA

Piqué tenta explicar a polêmica foto com Ibra

A foto é antiga e a polêmica também, mas Gerard Piqué relembrou a foto tirada ao lado de Ibrahimovic em 2010, no estacionamento do centro de treinamento do Barcelona. Em entrevista à revista Four Four Two, o jogador explicou a situação flagrada naquele momento e que bombou nas redes sociais na época. A foto mostra Piqué e Ibra de mãos dadas, muito próximos e o atual jogador do PSG encostado em seu carro. A pose gerou estranhamento na época.

“Eu tinha lançado a minha biografia e ele veio me parabenizar. Eu sou uma pessoa de tocar nas outras (de pele), muito carinhoso, e o fotógrafo tirou a foto (quando os jogadores estavam de mãos dadas)”, explicou Piqué.

“Estávamos dentro do centro de treinamento, então não dá para ter sido um fotógrafo de alguma revista de fofoca. Eu não acreditei que isso viraria algo tão grande, com uma repercussão enorme. Eu não posso dizer que a reação das pessoas me surpreendeu. Nós estávamos na frente do Real Madrid faltando apenas alguns jogos, então a imprensa jogaria qualquer coisa para nos desestabilizar. No entanto, ganhamos a liga mesmo assim”, completou o zagueiro do Barcelona. (Do UOL) 

Hum hum…

Só uma combinação inédita salva o Vasco

POR RODRIGO MATOS, do UOL

É inegável a vontade dos jogadores do Vasco em lutar contra o rebaixamento até suas últimas forças. Mas, apesar da vitória no final de semana sobre o Joinville, o time necessita de um feito e de uma combinação de resultados inéditos para escapar da degola nestas duas rodadas finais.

Vamos as contas. Na 18ª posição, o Vasco (37) está a três pontos do primeiro time fora da zona da Série B, o Figueirense (40). Há ainda o Coritiba com os mesmos 40 pontos após a vitória sobre o Santos. O time carioca pega o paranaense no último jogo.

Na atual circunstância da tabela, tirar três pontos desses dois não é suficiente. Com isso, o time carioca se igualaria em pontos e em número de vitórias, mas tem saldo bem pior, 14 ou 13 gols a menos do que cada um dos dois. Como é quase impossível mudar isso em duas rodadas, terá que ganhar quatro pontos a mais do que um deles.

Pois bem, desde que o Brasileiro tem 20 clubes, nenhuma equipe conseguiu tirar quatro pontos em duas rodadas na briga contra Série B. O Fluminense de 2009, maior caso de arrancada, conseguiu recuperar três pontos do Coritiba em dois jogos: tinha dois a menos e acabou um na frente. Mas, além do Coritiba, havia outros dois times com dois pontos de vantagem sobre o tricolor, o que aumentava suas chances.

Não há outro caso. Em 2008, o Vasco também estava com três pontos a menos do que o primeiro fora da zona de rebaixamento, e caiu. Na maioria dos Brasileiros, quem estava entre os quatro últimos na 36ª rodada continuou por ali até o final. Isso aconteceu em cinco edições.

Resta ao Vasco ganhar suas duas partidas (Santos e Coritiba) e torcer para que ou Figueirense ou Coritiba não vençam mais neste Brasileiro. Assim, o time paranaense, por exemplo, poderia no máximo empatar diante do Palmeiras, na 37ª rodada, e depois ser derrotado pelos vascaínos no jogo derradeiro.

Com uma vitória e um empate, os vascaínos só se salvam se uma das duas equipes não ganhar mais nenhum ponto. Lembrança: o time ainda tem que torcer para o Avaí (17º) não ter desempenho igual ou melhor do que o seu neste final, pois tem um ponto a mais. Um cenário bem complicado para o time carioca.

Leão continua à procura de um técnico

A busca por um novo técnico continua na ordem do dia no Remo. Com negociações encaminhadas pelo gerente Fred Gomes, o nome mais cotado até agora é o de Marcelo Chamusca, ex-técnico do Fortaleza, que já enviou até minuta de contrato para o clube analisar. Há resistências a ele na Diretoria pelo fato de Péricles Chamusca, irmão do treinador, trabalhar como empresário de jogadores.

Josué Teixeira (Macaé) continua bem avaliado, mas outro técnico que entrou na mira dos azulinos foi Tarcísio Pugliese, mais jovem e com resultados mais interessantes na carreira. Sidney Morais, defendido também por Fred Gomes, já está descartado.

A frase do dia

“Entramos numa competição onde toda crônica esportiva cravava que o Paysandu iria cair, mas tivemos muito mais êxitos.  Nós atingimos um objetivo com 11 rodadas de antecedência. Nos livramos do rebaixamento. A partir daí procurávamos outro objetivo, que era o acesso. Embora tenhamos perdido alguns jogos cruciais, lembro que isso faz parte e da mesma forma conseguimos pontos fora da previsão. Vencemos o Botafogo no Engenhão, o Santa Cruz, no Arruda, o Vitória. Isso tudo faz parte da competição”.

Dado Cavalcanti, técnico do Paissandu

O primeiro bom reforço

POR GERSON NOGUEIRA

Em meio às despedidas de Pikachu do público de Belém e do fim das chances de acesso, a melhor notícia do fim de semana para o torcedor do Papão foi o anúncio da renovação de contrato do goleiro Emerson. Titular em 95% dos jogos do time na Série B, brilhou pela regularidade e a agilidade embaixo das traves.

Pode-se dizer que Emerson representou um verdadeiro esteio defensivo da equipe, principalmente nas jornadas infelizes da linha de zagueiros e do setor de marcação – que não foram poucas.

O desempenho sempre impecável transformou o goleiro em símbolo de segurança e tranquilidade para a torcida. Suas raras ausências, embora muito bem supridas pelo reserva Ivan, sempre vinham acompanhadas de certa inquietação nas arquibancadas. Prova maior do prestígio que passou a usufruir junto à massa torcedora, normalmente pouco paciente com goleiros na Curuzu.

A bem da verdade, tirando Marcão, titular na Copa dos Campeões em 2002, e Ronaldo, que disputou a Libertadores no ano seguinte, poucos arqueiros encheram os olhos da Fiel nos últimos 15 anos. Bem abaixo deles, podem ser lembrados ainda João Ricardo (2012) e Paulo Rafael, de passagem mais recente.

Emerson se consagrou na Série B pelo grau de dificuldade da disputa e principalmente pelos recursos demonstrados. Goleiro de reflexos rápidos, ele sai muito bem nos cruzamentos pelo alto e sabe também se antecipar para fechar o ângulo em jogadas pelo chão. Além disso, como cabe a todo e qualquer goleiro, demonstrou ter muita sorte.

Chegou ao clube sem grande cartaz, eclipsado por nomes mais conhecidos, como Fahel e Souza, mas aos poucos foi ocupando com competência o espaço que lhe cabia. Pela excelente participação ao longo dos dois turnos da Segundona, pertence a ele o título de principal jogador do Papão na competição, sem direito a contestações.

Fiel à máxima de que todo grande time começa por um bom goleiro, ao renovar com Emerson o Papão sinaliza para escolhas sensatas e meritórias para a próxima temporada. Que o mesmo ocorra em relação a Ivan, Gualberto, Tiago Martins, João Lucas, Augusto Recife, Fahel, Jonathan, Welinton Jr., Betinho, Aylon e Leandro Cearense, jogadores que fazem por merecer a permanência no elenco em 2016.

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Em clima de fim de festa

O Papão entrou em campo de maneira tão desplugada que não conseguiu quebrar o baixo astral em torno da última partida pelo campeonato em Belém. Além das parcas probabilidades de acesso, alimentadas somente pelos mais fanáticos, o time sentia também o peso do adeus de Pikachu do público paraense – pequeno, é verdade, para os padrões da galera alviceleste.

Como o Papão não agredia com constância, contundência e golpes alternados, insistindo sempre nos cruzamentos perigosos para a área, o Criciúma não fazia maior esforço para sair lá de trás, arriscando pouquíssimas vezes ao longo do primeiro tempo. Embora, quando agiu assim, tenha levado algum perigo ao gol de Emerson.

Betinho era sempre o mais valoroso e aguerrido atacante do Papão, buscando de todas as maneiras deixar sua marca, mas não conseguia receber bolas em condição de arrematar. Acabava tendo que disputar no jogo aéreo, levando desvantagem com os altos defensores do time catarinense.

No meio-de-campo, repetiam-se os erros vistos à exaustão ao longo das 36 rodadas anteriores. Nenhuma conexão entre armação e ataque, frustrando qualquer tentativa pelo meio, onde Roni era peça improdutiva. Com isso, todas as esperanças se concentravam nos laterais Pikachu e João Lucas, ambos em jornadas discretas.

O placar em branco do primeiro tempo fez jus também ao pouco entusiasmo do torcedor, influenciado pela pouca vibração no gramado. Dado Cavalcanti mexeu no intervalo, lançando Marquinho. Depois, colocou Edinho e aí a movimentação melhorou, principalmente pelos avanços de Pikachu e as tentativas de Welinton Jr. pela direita.

O gol quase ao final veio premiar a presença dos mais de 5 mil pagantes e mostrar novamente a importância de Pikachu para a equipe. Em lance que parecia quase perdido, ele recuperou a bola e tocou sob medida para Edinho entrar pelo meio e finalizar.

Se o jogo não foi um primor de técnica e aplicação, ficou pelo menos a certeza de que o Papão tende a evoluir muito no ano que vem, se mantiver as diretrizes que nortearam as ações de sua diretoria nesta temporada. A permanência na Série B, longe de ser um passo atrás, é na verdade uma evolução, o que só dignifica o trabalho de todos no campeonato.

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Ensaio de projeto no Glorioso

O Botafogo, que levantou a taça da Série B na sexta-feira, começa a projetar a nova temporada. De pés no chão, a nova diretoria parece bem atenta à realidade de mercado. Com as verbas de TV já comprometidas pelo ex-presidente de triste memória, resta ao clube investir em captação de patrocínio e se socorrer do programa Sócio Torcedor.

De todo modo, a intenção de manter o capitão e ídolo Jefferson já atesta que os gestores estão no rumo certo, enxergando o desafio da Primeira Divisão com olhos pragmáticos. Confirmarão isso de vez se desistirem da infeliz ideia de manter Ricardo Gomes como técnico. A conferir.

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Nas entrelinhas

A ausência de dirigentes ou representantes do Papão na festa pelo aniversário do coronel Antonio Carlos Nunes, ontem, no Ceju, pode significar que o clube de fato pretende trilhar um caminho independente em relação à Federação Paraense de Futebol.

Para observadores da cena, o real motivo do gesto ainda está por ser desvendado. Nunes é conselheiro e benemérito do Papão há décadas.

Em tempo: o Remo esteve formalmente representado pelo dirigente Magnata.

(Coluna publicada no Bola desta segunda-feira, 23)