STF autoriza prisão de senador e banqueiro

O STF (Supremo Tribunal Federal) autorizou a prisão do senador Delcídio do Amaral (PT-MS) pela Polícia Federal após pedido do Ministério Público Federal, com evidências de que ele teria tentado atrapalhar as investigações da Operação Lava Jato. Trata-se da primeira vez que um senador é preso no exercício do mandato.

O senador petista foi acusado pelo ex-diretor da Petrobras Nestor Cerveró de participar de um esquema de desvio de recursos envolvendo a compra da refinaria de Pasadena, nos EUA. Ele também foi mencionado em delação de Fernando Baiano.

Segundo investigadores, ele teria tentado dificultar a delação de Cerveró. Também foram realizadas buscas e apreensões no gabinete de Delcídio, no Congresso.

Também foram presos pela PF o banqueiro André Esteves, do banco BTG Pactual, o chefe de gabinete de Delcídio, Diogo Ferreira e o advogado Édson Ribeiro, que defendeu o ex-diretor da área internacional da Petrobras Nestor Cerveró.

À noite, o Senado votou – 59 a 13 – favoravelmente à manutenção da prisão de Delcídio, com base nas informações surgidas sobre gravações telefônicas que o incriminam. Antes de ingressar no PT, Delcídio foi ministro das Minas e Energia no governo Fernando Henrique Cardoso. (Do Brasil247)

Chamusca exige mais e Remo recua do acordo

As negociações entre Remo e Marcelo Chamusca, que estavam praticamente concluídas, sofreram um impasse durante a tarde desta quarta-feira. O técnico teria exigido um valor acima do que estava acertado e a diretoria azulina avalia se aceita ou não. A tendência majoritária é pela não aceitação do valor proposto por Chamusca. Um diretor, em contato telefônico com o blog, observou que se o Remo fechar negócio pode estar dando um tiro no pé. A situação deve ser resolvida até sexta-feira.

Papão renova com Capanema e Cearense

Os jogadores Leandro Cearense e Ricardo Capanema renovaram contrato com o Paissandu até novembro de 2016. A informação foi dada pelo empresário dos atletas. A diretoria do clube não se manifestou.

Por outro lado, deixou o Papão nesta quarta-feira o executivo Sérgio Papelin, que trabalhou no clube nos últimos dois anos. Cearense, Papelin também teve boa passagem pelo Remo há alguns anos.

O problema do Capitalismo é o Capital

O problema do Capitalismo é o Capital

POR ANDRÉ FORASTIERI

Pode ser que um dia, lá no futuro, daqui a cem anos, nossos bisnetos olhem para 2015 e fiquem estupefatos da gente ainda não ter inventado um sistema mais justo e bacana do que o capitalismo. Por enquanto isso é o melhor que nós, engenhosos primatas, conseguimos construir. E com todos os seus cruéis defeitos, o mundo de 2015 é bem menos pior do que o de cem anos atrás.

O problema são os super ricos e as estruturas que existem para servi-los. Hoje temos todas as áreas da economia global à mercê de meia dúzia de instituições financeiras. Umas 30, na verdade, concentradas principalmente em Nova York e Londres. São comandadas por gente muito inteligente, que é estimulada a buscar retornos gigantescos, via bônus igualmente gigantescos. Mandam no planeta e quem tem juízo obedece. Segue mais válida que nunca a provocação do dramaturgo Bertold Brecht: “o que é roubar um banco, comparado com fundar um?”

Zoeira à parte, a balança de poder vem se desequilibrando muito. Não foi sempre assim. Na época de Brecht o sistema financeiro tinha muito menos poder de fogo que hoje. Claro que vivemos num mundo capitalista. Claro que sem estrutura financeira robusta não há economia que se sustente. Claro que o mundo precisa de bancos.

Mas cada vez parece que valem menos trabalho, produção, iniciativa. Só o que vale de verdade é o capital. Quem tem multiplica, quem não tem que se vire. Aliás o capital de Wall Street responde por boa parte das valorizações desses gigantes instantâneos da Internet, que têm pouca relação com geração de valor genuíno.

O problema do capitalismo, para resumir em uma palavra, é o Capital. Ou, para ser mais preciso, o valor excessivo que estamos dando ao Capital.
Tanto que a economia global não pára em pé desde, pelo menos, 1997. Em vez das famosas crises cíclicas do capitalismo, agora temos uma crise permanente, que muda periodicamente de continente e não pára de dar a volta ao mundo. Esse estado de coisas está na raiz de uma parte enorme dos problemas que afligem as pessoas e países. Alguns de maneira mais dramática. Como o Brasil.
Fernando Nogueira da Costa manja do assunto. Um de seus livros é “Brasil dos Bancos”.

Cita revela um número espantoso em um artigo publicado no jornal Valor Econômico. Em junho de 2015, o Brasil tinha 85 milhões de cadernetas de poupança com até R$ 5 mil aplicados. O saldo médio dessas poupanças era R$ 482. No mesmo mês, o Brasil tinha 57.505 clientes de private banking. O saldo médio dessas aplicações era uma fortuna: R$ 12 milhões. A diferença é uma loucura e faz toda a diferença. Cada cliente de private banking “vale” quase 25.000 brasileiros comuns!

(Essa é a primeira metade do meu texto. A segunda parte tem números mais embasbacantes ainda! Que revelam qual a média de aplicação financeira dos 5% mais ricos, 1% mais rico e 0,1% mais ricos do Brasil. E aproveito para propôr uma maneira de mudar essa situação, e de quebra ativar nossa economia…).

(*) ANDRÉ FORASTIERI – Business Development Director at R7.com / Diretor de Novos Negócios no R7.com

Chamusca confirmado para dirigir o Remo

Fonte ligada à Diretoria do Remo confirmou no começo da tarde desta quarta-feira que Marcelo Chamusca, ex-Fortaleza, é o novo técnico do Remo para 2016. Ele vem com auxiliar técnico, mas o restante da comissão deve ser a que já está no Baenão. A notícia veio logo depois da assinatura de renovação de contrato com o gerente de Futebol, Fred Gomes, amigo pessoal de Chamusca.

Entre a crise e a esperança

POR GERSON NOGUEIRA

Enquanto tenta contratar um novo técnico e formar elenco para a próxima temporada, a diretoria do Remo convive com outros problemas, igualmente sérios e urgentes. Alguns relacionados à própria dinâmica política de um clube de massa. É o chamado fogo amigo, que pouco contribui e muito convulsiona, como a recente entrevista do ex-diretor Sérgio Dias, tornando públicas diversas situações de ordem interna.

Segundo Dias, apesar de ter quatro competições a disputar em 2016, a realidade azulina é menos risonha do que parece. Além da falta de técnico e time, o Leão pode ficar sem estádio (o Baenão deve entrar em obras) e é provável que fique também sem presidente, diante das dúvidas quanto ao novo pleito, ainda não marcado.

Dias, colaborador da gestão atual atuando no departamento de futebol, expôs problemas crônicos existentes no clube. Afiançou que existem hoje cinco grupos disputando espaço político. O que poderia ser um sinal de vitalidade democrática é também um tremendo empecilho para o diálogo e o esforço conjunto.

Até prova em contrário, as afirmações de Dias são verdadeiras. A dúvida é quanto ao objetivo e à oportunidade de exibir tanta roupa suja. Quando um dirigente há anos ligado às engrenagens internas do Remo revela tantas mazelas é porque o clube continua dividido, à mercê de interesses individuais e pouco comprometidos com a instituição.

O fato é que, a dois meses do início das competições oficiais – o Campeonato Paraense começa no dia 31 de janeiro -, o Remo está longe do que seria a preparação ideal para começar bem a temporada. Ao mesmo tempo, não pode se entregar ao açodamento de empresários e seus intermediários, ávidos em vender gato por lebre, encarecendo mais as negociações.

Ao contrário dos últimos anos, o Campeonato Paraense não é determinante para o calendário do clube em 2016. Isso permitirá que a primeira fase do torneio seja aproveitada como laboratório para a montagem do time para a disputa da Série C. Até lá, o departamento de Futebol terá que se empenhar em fazer contratações pontuais.

Como pondera um experiente benemérito azulino, a farra de contratações deve ser definitivamente banida da agenda do clube. Deve-se a ela o grande débito trabalhista que o Remo contraiu nos últimos sete anos.

Quanto ao estádio Evandro Almeida, dirigentes, conselheiros e torcedores devem descartar sua utilização. A maioria dos camarotes e parte das cadeiras foi vendida durante a gestão de Zeca Pirão e não haverá dinheiro suficiente para ressarcir seus compradores.

Em 2016, o Baenão deve funcionar como CT improvisado e o clube terá que apostar tudo na fidelidade de sua torcida, única capaz de tirá-lo da precária situação financeira atual. Para isso, obviamente, o time de futebol não pode decepcionar em campo.

É em busca deste delicado equilíbrio, entre eficiência técnica e bilheteria lucrativa, que os gestores do Remo devem empregar toda a sua capacidade criativa.

————————————–

Apagão elétrico e de ideias

Ao mesmo tempo em que avançavam as negociações com o técnico Marcelo Chamusca (ex-Fortaleza/FOTO), o corte de energia elétrica no Baenão, ontem à tarde, por falta de pagamento, é desses episódios que desnudam as fragilidades administrativas do Remo.

Depois de quitada a fatura, a energia voltou à noite, mas não em intensidade suficiente para apagar os estragos causados à imagem pública do clube, com repercussão negativa perante patrocinadores, credores e possíveis reforços.

Vale dizer que o ginásio Serra Freire continua com a energia suspensa há mais de três semanas.

————————————-

Pikachu a caminho de São Januário?

O futebol ainda tem lá suas surpresas, principalmente quando envolve acertos financeiros entre clubes e jogadores. Veja-se o caso de Yago Pikachu. Enquanto muita gente ainda crê que o melhor lateral direito da Série B vá para o Flamengo, eis que o Vasco surge como possível destino do atleta.

O alerta foi ligado quando, na quinta-feira passada, o pai do jogador foi visto em São Januário ao lado de Eurico Miranda, por ocasião do jogo Vasco x Corinthians. O próprio Pikachu, mantendo o tom discreto de sempre, evitou comentar o fato, mas o canal Esporte Interativo informou ontem que o clube cruzmaltino está perto de anunciar a contratação.

Como tudo a essa altura ainda é especulação, deve-se esperar mais um pouco. Mas, caso a opção de Pikachu pelo Almirante se confirme, Eurico terá motivos para se vangloriar de mais um traço aplicado na diretoria rubro-negra.

————————————-

Acordo pode revitalizar a Águia Guerreira 

Um projeto que será celebrado hoje, às 16h, no QG do Comando Militar do Norte (CMN) pode representar o começo da ressurreição da Tuna como formadora de atletas. O clube firmará acordo de cooperação com o Exército, através do CMN, para implantação do Colégio Militar de Belém (CMBel), a ser inaugurado no dia 12 de janeiro de 2016, data do 400º aniversário da capital paraense.

A parceria deve beneficiar inicialmente alunos do 6º ano do Ensino Fundamental, mas, quando o CMBel estiver funcionando plenamente, cerca de 1000 jovens serão atendidos com a utilização das piscinas, quadras, ginásio e campos de futebol da Tuna.

O Colégio Militar de Belém será o 13º estabelecimento de ensino do Sistema Colégio Militar do Brasil, que atende 15 mil jovens em todo o país. Com suas tradições esportivas, a Tuna une-se, portanto, a uma instituição de ensino respeitada e com histórico altamente positivo de formação de atletas nas mais diversas modalidades.

(Coluna publicada no Bola desta quarta-feira, 25)

Tapajós anuncia goleiros para o Parazão

O Tapajós já tem seus dois “paredões” para o Campeonato Paraense de 2016. Nesta terça-feira, 24 de novembro, a diretoria confirmou os nomes de Ruan e Jó como goleiros do Boto na próxima temporada. Enquanto um é um velho conhecido da torcida, o outro é um jogador mais experiente que vestirá a camisa da equipe pela primeira vez.

Ruan Vinicius Silveira Carneiro tem 23 anos e é natural da Bahia. O jogador foi revelado nas categorias de base do Vitória e acumula passagens pelos times profissionais do Santa Rita e do Corinthians de Alagoas, e do Caiçara do Piauí.

Já Joedson do Nascimento Silva, o Jó, tem 20 anos e vai para a sua terceira temporada pelo profissional do Boto. Ele foi revelado na base do São Francisco e depois contratado pelo Tapajós para disputar a Segundinha em 2014. Ele foi reserva na segunda divisão e na Primeira fase do Parazão, no ano passado, e na etapa principal do estadual nesta temporada. No segundo semestre de 2015, Jó ainda disputou o Campeonato Santareno sub-20 e foi campeão da categoria.

Os dois jogadores se unem aos outros sete nomes já confirmados pela diretoria: o zagueiro Adielson, o lateral-direito Raian, os meias Wendell, Denner e Jeová e os atacantes Jânio e Jair. O Tapajós segue montando seu elenco e aguarda a chegada do técnico Marcelo Rocha e do preparador físico Fernando Lima, que devem ser apresentados em Santarém no dia 4 de janeiro.

O Parazão começa no dia 31 de janeiro. O Boto está no grupo A2 (ou grupo B) junto a Paysandu, Independente, Paragominas e São Raimundo. (Ascom/Tapajós) 

Pelo ranking da CBF, Papão está quase na Copa BR

Pela classificação atual das séries A e B, 10 clubes teriam vagas garantidas na Copa do Brasil 2016, segundo o Ranking da CBF – incluindo o Papão. Abaixo, a lista dos dez garantidos na competição, caso os campeonatos terminassem hoje:

1-Atletico-PR
2-Vitória-BA
3-Avaí
4-Criciúma
5-Náutico
6-Atlético-GO
7-Paissandu
8- Portuguesa
9-Bragantino
10-Paraná

(Por CLÁUDIO COLUMBIA)

O neo-futebol

Pela pertinência do assunto e a qualidade do texto, tomei a liberdade de transcrever aqui mais um artigo afiado de Flavio Gomes. Alguns pontos abordados têm ligação direta com o que ocorre hoje no futebol paraense também. Atentem:

POR FLAVIO GOMES, no blog Grande Prêmio/UOL

SÃO PAULO (vou me arrepender) – Eu não devia, mas tudo bem — é que falar de futebol para quem acha que o mundo começou quarta-feira passada tem se tornado um estorvo, muitas vezes.

Mas vamos lá.

Travo um embate diário com meus colegas na TV que, com seus argumentos, todos muito válidos, mas dos quais discordo e discordarei até a morte, defendem este modelo de futebol que em pouco tempo transformou, por exemplo, um clube popular como o Corinthians num reduto elitizado em que alguns neo-torcedores comemoram rendas e verbas de TV.

Eu era editor de Esportes da “Folha” quando o Corinthians ganhou seu primeiro título brasileiro. Foi em 1990. A foto que escolhi para a capa do caderno foi essa aí embaixo, de autoria de Luiz Carlos Murauskas.

murauskas

Não escolhi nenhum jogador, técnico, ex-atleta ou dirigente. O negão com camisa pirata atravessando o gramado do Morumbi de joelhos, para mim, era a imagem que mais se aproximava do que era o Corinthians.

Ontem, no luxuoso estádio de Itaquera, que tem banheiros de mármore com monitores de TV para quem está mijando, ninguém atravessou o campo de joelhos. Na hora de receber o troféu, os jogadores contaram com a igualmente luxuosa presença de Ronaldo Fenômeno, que se converteu num símbolo vivo dessa transformação pela qual o futebol está passando.

Ronaldo jogou pouco tempo no Corinthians. Sua fama e tino empresarial, no entanto, ajudaram o clube a conseguir diversos patrocinadores de peso e elevaram o Corinthians a “case” de marketing, a ponto de seus torcedores terem de usar pulseirinhas de balada VIP para frequentar as cadeiras do Pacaembu. Os ingressos passaram a custar mais, bem mais, e a arquibancada clareou.

E Ronaldo, que é flamenguista e apenas encerrou a carreira no Parque São Jorge, sem nunca ter feito uma verdadeira história no “time do povo”, ganhou “identificação” com o clube e “virou” corintiano, “mais um louco no bando”. Quando, na verdade, sua única identificação com qualquer coisa que diga respeito ao Corinthians são os negócios que gerou. Mas foi ele, e não Rivellino, Marcelinho ou Tupãzinho, heróis do passado verdadeiramente identificados com suas cores, que foi ao pódio beijar a taça.

Claro que o Corinthians continua sendo um clube de enorme apelo popular. Tem mais torcedores do que qualquer outro, como tinha durante os anos de jejum e sofrimento, entre 1954 e 1977. Quem torcia nos tempos das vacas magras continua a torcer e está feliz da vida. E os títulos empilhados graças ao poder financeiro que o clube ganhou só farão essa legião de seguidores aumentar.

Mas não foram, e não são, os títulos que forjaram a imensa massa de torcedores do Corinthians. O clube foi fundado por operários no início do século passado, firmou-se como uma alternativa a clubes de colônia como Palmeiras e Portuguesa e à elite da cidade representada pelo São Paulo, e ganhou adeptos especialmente entre os pobres e migrantes nordestinos que não se identificavam com os outros times grandes da cidade — de novo, cujas torcidas eram formadas basicamente por descendentes de italianos e portugueses, ou paulistanos da gema.

A torcida cresceu, e a seca de títulos, por incrível que pareça, ajudou naquele momento histórico, porque o sofrimento do time em campo combinava com a vida sofrida de quem torcia por ele. Foram os corintianos que deram a maior demonstração de fé e amor numa semifinal de Brasileiro em 1976, dividindo o Maracanã com a torcida do Fluminense. Foram os corintianos que pintaram esta cidade de preto e branco quando Basílio fez o gol redentor do fim do jejum em 1977 contra a Ponte. Foi no Parque São Jorge que, nos anos 80, aconteceu o movimento mais importante da história do futebol brasileiro, a Democracia Corinthiana comandada por Sócrates, Casagrande e Wladimir.

Esse Corinthians de hoje é o mesmo?

Não creio. É perceptível um neo-corintianismo em São Paulo e no resto do Brasil, turbinado pela TV, especialmente, e por conta disso surgiram os neo-corintianos, seduzidos pelas pulserinhas VIP, pelos camarotes de Itaquera, pelas cadeiras brancas almofadadas e pelo mármore dos banheiros. Esse cara da foto de 1990 não frequenta mais as arquibancadas — cadeiras, melhor dizendo. A nenhum cara como esse da foto será franqueado, jamais, em tempo algum, o direito de atravessar um gramado de joelhos com uma camisa pirata num jogo do Corinthians.

Pode-se defender estes novos tempos argumentando que o mundo evoluiu, que os negócios aumentaram, que os patrocinadores exigem, que a Nike é importante, que não pega bem mais chamar estádio de estádio, tem de ser arena, e que é importante, sim, ganhar títulos, ganhar dinheiro, festejar a renda que aparece no telão, comemorar verba da TV. Há quem pregue a elitização definitiva, os ingressos caros, franquias, lugar cativo na primeira divisão para uma dúzia de clubes eleitos, cadeirinhas, público sentado, um modelo europeu ou norte-americano de ver esporte — ainda que, na Europa, vários países resistam a isso que chamo de “coxinhização” do futebol.

Eu acho isso um porre. Acho que esse tipo de evento pode ser qualquer coisa, menos futebol. Ver o público que lota os lugares do Santiago Bernabeu ou do Camp Nou me dá azia. Futebol não é teatro. É uma experiência sensorial, é a coisa mais importante do mundo. Não dá pra ver sentado.

Hoje, quem tem menos de 30 anos e frequenta os estádios de São Paulo não sabe o que é empunhar uma bandeira, fazer calo no bambu, estender uma faixa no alambrado. Na Arena Corinthians, todas as faixas, exceto as das organizadas atrás de um dos gols, são “fake”. Elas são novinhas, lavadas e passadas, e colocadas no peitoril das tribunas por funcionários do clube. Dizem coisas como “Tu és religião” e “Bando de loucos”, “Festa na favela”, coisas que torcedor algum, de verdade, escreveria numa faixa. Funcionam como decoração do estádio. Desculpem, da arena. Clichês ridículos que não se aplicam mais ao que é o Corinthians. Favela, aquele estádio com gente que paga 500 reais para ficar perto do campo? Façam-me o favor…

As pessoas tiram selfies, se olham no telão e convivem com esse ambiente artificial e pouco democrático — os ingressos são muito caros e é bem evidente a “troca de público” nos jogos do Corinthians, quando se olha para quem frequentava suas arquibancadas alguns anos atrás.

Ah, mas você não vai lá e não sabe o que está falando, tem rico e pobre, branco e preto, velho e criança. Pode ser, pode ser. Posso estar sendo antiquado e nostálgico, posso estar me baseando naquilo que vi na primeira — e única — vez que fui ao estádio novo do Corinthians, desculpe, arena, num jogo do Campeonato Paulista deste ano. Fiquei no reservado aos visitantes, com a torcida da Portuguesa. Achei o estádio lindo, de verdade. Gostei da arquitetura, da iluminação, do placar, é realmente sensacional. O Corinthians e os corintianos mereciam algo assim, grandioso, afinal foram décadas, um século, sem ter uma casa para chamar de sua — a arena ainda não foi paga, mas acredito que será, um dia, e não há ironia alguma aqui.

Ocorre que o que vi no Itaquerão naquele dia, em carne e osso, e o que vejo pela TV toda semana não me parece mais o Corinthians, aquele Corinthians do negão atravessando o campo de joelhos. Soube que há setores, inclusive, em que as pessoas gritam “senta” para quem quer ficar de pé. É o Corinthians dos neo-corintianos.

Não há sofrimento, dor, dificuldade. Se tem algo que me irrita profundamente nos neo-corintianos, é esse discurso resgatado do passado, de que “para o Timão tudo é difícil, suado, sofrido”. Não é mais. É tudo bem fácil, na realidade. O clube ganhou um estádio, tem todos seus jogos transmitidos pela TV, a Globo paga a ele dez vezes o que dá, sei lá, à Chapecoense, os juízes ajudam, o dinheiro flui com enorme facilidade. Na verdade verdadeira, hoje para o Corinthians é tudo muito, muito fácil.

Há méritos, claro, em transformar tais facilidades em conquistas. Gente competente na comissão técnica, no grupo de atletas, no marketing, na administração — embora o Corinthians atrase salários e deixe de pagar impostos de vez em quando, como confessou o ex-presidente e atual deputado Andres Sanchez. Mais de cem anos depois de sua fundação, finalmente o Corinthians deixou de ser um clube bagunçado, risível, às vezes, para ingressar numa elite econômica à qual, no fundo, nunca pertenceu.

É disso que se trata: de mudança de classe social. O Corinthians continuará sendo o clube com mais torcedores em São Paulo e possivelmente no Brasil, a tendência é de que isso aumente ainda mais, porque brasileiro gosta de ganhar, sobe no barco cujas velas se inflam mais, é muito mais fácil exercer seu sentimento de superioridade quando se torce para um time que conquista títulos, que tem estádio bonito, que usa camisa Nike, que é chique como este Corinthians de 2015 em que nem trabalho para colocar uma faixa no alambrado o torcedor tem.

Eu preferia aquele do negão com camisa pirata cruzando o campo de joelhos, mais autêntico e castigado, aquele que sabia transformar pequenas alegrias em felicidade plena, aquele do povo.

Como a torcida do Santa Cruz, essa do vídeo aí embaixo. Duvido que ontem, no Itaquerão, houvesse alguém mais genuinamente feliz do que a gente coral que foi às ruas comemorar a volta do Santinha à Série A — sem estádio de mármore, sem telão, sem selfies, sem camarotes, sem pulseirinha VIP.

Gente que fica feliz quando vai a um jogo de futebol ver seu time, e não a um evento corporativo em que parte da curtição é apontar para o telão quando aparece a renda, cheio de orgulho por cifrões.