Jornalista critica “má vontade” com o governo

sidneyrezende

POR MAURÍCIO STYCER

Um dia antes de ser demitido da GloboNews, onde estava desde 1997, Sidney Rezende publicou um texto em seu perfil no Facebook e em seu blog pessoal fazendo duras críticas ao jornalismo praticado no Brasil.

Intitulado “Chega de notícias ruins”, o texto defende que notícias positivas também merecem espaço na mídia e lamenta: “Se pesquisarmos a quantidade de boçalidades escritas por jornalistas e ‘soluções’ que quando adotadas deram errado daria para construir um monumento maior do que as pirâmides do Egito. Nós erramos. E não é pouco. Erramos muito.”

Sem citar nomes, nem veículos, Rezende escreveu: “Há uma má vontade dos colegas que se especializaram em política e economia. A obsessão em ver no Governo o demônio, a materialização do mal, ou o porto da incompetência, está sufocando a sociedade e engessando o setor produtivo”.

Como noticiou o colunista Flavio Ricco, no UOL, a demissão de Rezende foi anunciada na sexta-feira (13). “Relações profissionais podem ser interrompidas, sem que isso signifique que não possam ser retomadas mais adiante. A Globo só tem elogios à conduta profissional de Sidney, um jornalista completo”, informou a emissora em nota.

No texto que publicou no dia 12, o jornalista observou: “Uma trupe de jornalistas parece tão certa de que o impedimento da presidente Dilma Rousseff é o único caminho possível para a redenção nacional que se esquece do nosso dever principal, que é noticiar o fato, perseguir a verdade, ser fiel ao ocorrido e refletir sobre o real e não sobre o que pode vir a ser o nosso desejo interior. Essa turma tem suas neuroses loucas e querem nos enlouquecer também”.

Rezende escreveu ainda: “O Governo acumula trapalhadas e elas precisam ser noticiadas na dimensão precisa. Da mesma forma que os acertos também devem ser publicados. E não são. Eles são escondidos. Para nós, jornalistas, não nos cabe juízo de valor do que seria o certo no cumprimento do dever.”

5 comentários em “Jornalista critica “má vontade” com o governo

  1. Se impedimento de presidente fosse solução, ou a única solução, para melhorar o país, o Brasil teria se convertido num país melhor depois que o C o l l o r foi posto pra fora.

    Mas, a questão não é essa. Ou melhor, a questão não está sendo corretamente colocada.

    A questão é que, conforme a Constutuição e a Lei, o impedimento é a única solução para os presidentes que cometem crime de responsabilidade.

    Demais disso, notícia boa, ou tornada boa, também não é solução para o país. E o Brasil, com a midia chapa branca, também provam esta verdade. Afinal de contas, a notícia é publicada, lida, ouvida, assistida, e, depois, a realidade permanece aí, difícil como sempre, ou mais difícil ainda.

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  2. “Nao nos cabe juízo de valor” desculpe, jornalista de verdade tem que ter aquilo roxo, nao pode ser refem dos intereses expurios dos patroes, levar a noticia como ela e, discutir, analisar e nao somente informar por informar, gosto de ver a CNN aqui, os caras dao a noticia, mostram e analisam, discutem, criam forum ao vivo, debatem e entrevistam os seus convidades, fazendo juizo de valor e dando suas opinioes, conforme a verdade da noticia.

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  3. A autocrítica é necessária, ao jornalista e ao leitor, ao vendedor e ao cliente. A autocrítica é fundamental para o crescimento. O exercício da autocrítica é mais que um direito, é um dever. Serve à ética. Aristóteles afirmou que somos seres políticos e que, por isso mesmo, precisamos de ética. A isenção jornalística, algo um tanto fictício, poderia ser observada na condução ética da informação. Não acho que as notícias não devam ser acompanhadas de críticas, debates, diálogos, mas é preciso criticar a crítica. E o crítico deve ter a autocrítica como habitual.

    Como comunista, e apoiador da democracia, às vezes me questionam com o seguinte argumento: como é que você, sozinho, pode esperar ter a razão sobre a maioria? Respondo habitualmente que é uma falsa lógica pensar que a maioria sempre tem razão. A maioria votou em Collor em 1989. O nazismo convenceu a maioria na Alemanha, assim como o fascismo, na Itália. A concordância da maioria legitima politicamente, e só politicamente, um certo ponto de vista, uma ideia, uma conduta, uma ideologia… Constituir maioria não é sinônimo de verdade, é sinônimo de política. Não é necessário que a maioria tenha razão para ter consolidada uma opinião. Os da maioria, entre si, já concordam com isso ou aquilo, e a maioria quase sempre entende que se basta, que não é necessário convencer as minorias e busca esmagar essas minorias porque a aniquilação do contrário é a erradicação do contraponto inconveniente. A maioria esquece a autocrítica e a ética.

    Há pontos sobre a ciência que merecem muita reflexão. Um deles é sobre o peso político que a ciência e os cientistas possuem. O debate de especialistas tem uma estética incrível. É o tipo de coisa que “paramos para ver”. Muitas das vezes partimos do pressuposto de que especialistas sabem tudo a respeito de certo assunto e de que não sabemos nada. Temos a tendência de aceitar a palavra do especialista como inquestionável. Como se o especialista não fosse um ser político e que também precisa de ética. Os especialistas adotam posturas e pontos de vista políticos mesmo enquanto no exercício profissional e essa isenção e mais rara que se imagina. Independente de ser socialista ou capitalista, a autocrítica é parte do dever de cada um, pena que o patrão não entenda dessa forma.

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