50 ideias para os que são donos de meios de comunicação, trabalham com eles, para eles ou contra

POR JULIAN GALLO

Faz 20 anos que trabalho em meios de comunicação e conversando com jornalistas, empresários, organizações de notícias, jornais, agências de publicidade, especialistas em internet, consultoras… E através desses intercâmbios pouco a pouco fui construindo uma série de conceitos e reflexões que observo, confirmo e ponho em prática sempre que posso na minha vida profissional, mas que nunca publiquei de maneira ordenada até agora. São ideias que em muitos casos podem coincidir com as doutrinas mais aceitas pela indústria e, em outros, se mostram exatamente o contrário das tendências, como é o caso da maldita ideia de unificar as redações.

Os postulados a seguir não pretendem ser verdades. Estão dirigidos a um público impreciso composto por jornalistas, especialistas em Internet e diretores de meios de comunicação. São uma espécie de mantra solitário cheios de arbitrariedades que orientam a mim e, às vezes, também às equipes com as quais trabalho. Não há maneira científica de demostrar que é melhor contratar mulheres que homens, ou que realmente os jornais de papel serão irrelevantes na próxima década, como afirmo. Mas tenho quase certeza de que é assim.

50 ideias:

  1. Você não está no negócio das notícias, você está no negócio da atenção.
  2. A maior parte das notícias não é muito interessante. Você vai ter que trabalhar muito mais pra captar a atenção da sua audiência.
  3. Registrar imediatamente tudo o que acontece pode ser um dos papéis de um meio de notícias online, mas definitivamente não é o único, sequer o mais importante.
  4. Uma de suas tarefas é dar aos seus leitores algo que queiram compartilhar em suas próprias redes. Eles procuram suas ideias para conversar, se expresar, querem expandir sua identidade.
  5. Seja honesto. Se errar, não esconda, reconheça o erro.
  6. Lembre que 50% da população mundial não é do seu sexo. Pense nisso na hora de escolher suas histórias (e seus colaboradores).
  7. Não faça só o que a audiência quer, mas nunca dê as costas para o que ela quer.
  8. O único poder que um meio de comunicação tem está em sua audiência. A audiência é sua alavanca de Arquimedes. Quão grande é a sua audiência? Sua alavanca será tão poderosa quanto.
  9. A tecnologia é parte do conteúdo.
  10. A publicidade é parte do conteúdo.
  11. O design é parte do conteúdo.
  12. Mantenha sua redação tão enxuta quanto você conseguir. Perceba que os talentos podem estar em qualquer lugar. Você não é obrigado a trabalhar com compatriotas.
  13. Quando as pessoas não leem é porque se entediam com o que você escreve. Eles são exatamente iguais a você, sabia? Publique somente coisas interessantes em formatos interessantes. Persiga a atenção como se você estivesse viciado nela.
  14. As palavras e as imagens que você publica moldam mentes. O que você faz afeta as crenças das pessoas. Tudo aquilo que acreditamos se constrói na linguagem. É a isso que você se dedica, não a informar. Seja responsável.
  15. Se você for diretor de um meio de comunicação e tiver duas redações, e os jornalistas da redação online ganham menos que os da redação do impresso, você está fazendo a coisa errada.
  16. Assuma de uma vez que daqui a dez anos os jornais impressos serão menos do que uma curiosidade.
  17. Assuma que você está em uma corrida contra sua própria desaparição, não perca nem um minuto. Você vai ter que destruir para construir. Sua herança é um lastro. Não basta caminhar em direção ao lugar correto, tem que correr o mais rápido que puder.
  18. Se você tem uma redação para o impresso, comece a procurar os talentos para a redação online nela. Mas não force os que não se interessarem. Não há antídoto contra a apatia.
  19. Se você fizer as coisas do jeito certo, assuma que você será menor e menos influente durante um tempo, para então ser maior e mais influente.
  20. Assuma que você pode perder tudo, é estimulante (além de ser verdade).
  21. O paradigma da velocidade de atualização dos meios online não são os outros meios online, sequer o Twitter: é a rádio. Até agora, nada é mais rápido do que a rádio para distribuir uma informação e transformá-las em notícia.
  22. Para o sucesso: bom conteúdo, original, significativo, imediato e diferente do sua concorrência.
  23. Esses números do Facebook não são “likes”, comentários, compartilhamentos e alcance. São esquemas das emoções humanas mais recônditas. Você não poderá vê-las assim em nenhum outro lugar.
  24. Quanto você aprendeu de seus leitores hoje? Nada? Você está fazendo coisa errada.
  25. Por que você acha que a audiência vai se interessar pela publicidade que não interessa a você? Não faça com que seus leitores te repudiem, procure modos de fazer com que a publicidade seja boa, interessante e venda.
  26. Sua edição coincide em mais de 70% com a da sua concorrência e você ainda quer ganhar deles? Tem algo errado na sua forma de pensar. Seja original, não tem outro jeito.
  27. Caso você ainda não tenha percebido, as redes sociais não são um apêndice do seu meio na internet. É exatamente ao contrário.
  28. Como é o nome da capacidade de ler a mente do mundo inteiro em tempo real? Twitter. Comece a acreditar em telepatia. Escute a voz que surge dos tweets.
  29. Você passa pouco tempo refletindo sobre o comportamento da audiência? Você não está fazendo seu trabalho direito. Dedique tempo a pensar nos motivos pelos quais a audiência prefere o que prefere.
  30. Não espere que velhas redações evoluam para novas redações. Isso não vai acontecer nunca jamais.
  31. Estatísticas indicam aspectos importantes sobre o comportamento dos seres humanos, mas as pessoas não devem ser reduzidas a esquemas. As pessoas não são números, as pessoas não são dados.
  32. Pode acontecer que o futuro das notícias seja predizer os fatos. Acertar o que ainda não aconteceu. Invista nisso. Não há ninguém que já compreenda quais serão os resultados disso.
  33. Você tem vários meios de comunicação? Tem jornais impressos e sites de notícias na internet? Então invista mais dinheiro na internet do que em qualquer outra coisa. Esqueça do impresso, essa perseverança será a ruína da sua marca.
  34. Em um contexto de mudança contínua só é necessário existir com inovação constante. Essas ondas que chegam incessantes nunca mais vão parar. A propósito… você tem um laboratório de ideias dedicado à inovação? Não? Você está fazendo errado.
  35. Seja ambicioso. Aceite o desafio de ganhar de todo mundo ou vão ganhar de você.
  36. Se tiver que escolher entre um homem e uma mulher com as mesmas capacidades para ocupar um cargo, escolha a mulher.
  37. Mobile não significa que será lido em movimento ou na rua. Mobile quer dizer que estão segurando seu conteúdo na mão. Mobile quer dizer que seu meio depende de um polegar.
  38. No fim das contas, o bom conteúdo é a única diferença. Não o subestime nunca. É difícil de produzir, é caro, não pode ser feito por qualquer um; mas também é difícil de copiar e, no fim, é o único que importa. O conteúdo é tudo. O talento da sua redação é seu ouro.
  39. No topo da pirâmide das vantagens competitivas está a criatividade. Se você tiver e sua concorrência não, será uma arma mortal. Promova-a e cuide dela(ela é frágil). A rotina acaba com ela. A cultura corporativa acaba com ela. O medo de arriscar acaba com ela. As doutrinas do passado acabam com ela. A idade acaba com ela.
  40. Se você vai a encontros, congressos, simpósios ou qualquer coisa sobre novos meios, duvide das afirmações. Desenvolva suas próprias ideias olhando ao seu redor. Reflita.
  41. Sua marca precisa renascer. Que a sua verdade seja mais verdadeira que a dos outros depende do que a audiência pense dela. Esse é seu único patrimônio. O resto são máquinas, software, contratos, alvenaria. Sua marca, sua reputação e sua redação são seu tesouro.
  42. Contrate pessoas bem jovens e dê poder verdadeiro a elas (isso quer dizer, principalmente, pagar bem).
  43. Um “louco” influente a cada quatro “sensatos” é uma boa proporção para suas equipes em tempos de mudança.
  44. Enganar — que é organizar a mentira —, mentir, ocultar, omitir, exagerar, dissimular, não é jornalismo. Persiga qualquer uma dessas práticas como se fosse a peste, podem acabar com seu negócio em um instante (leia de novo o item 41).
  45. Você quer cobrar pelo seu conteúdo? Você está bêbado ou chapado? É bom que você saiba que seu conteúdo não é tão interessante a ponto que alguém querer pagar por ele.
  46. Muitos membros de organizações de jornais se justificam mutamente para tomar decisões erradas citando a experiência de outros. Cuidado com essa sincronicidade. Quando todo mundo morre junto, é morte do mesmo jeito.
  47. Suspeite do Facebook, do Twitter, do Google e de qualquer outro. Podem mudar suas regras e te deixar de fora com duas linhas de código. Você deve brincar com eles, mas com a confiança que você daria a um trambiqueiro.
  48. Afaste da sua equipe a qualquer um que não se interesse por tecnologia. É tóxico.
  49. Juntar a redação online com a de papel é uma ideia completamente infeliz. É como voltar à casa dos pais depois de um divórcio. Não vai sair nada bom de aí, será deprimente e doentio. Crie redações online com poderes de dominar e saquear o conteúdo da velha redação. São eles que têm que reinventar a ideia de seu conteúdo para te salvar. Separe-os dos rituais da velha redação. Isole-os dos prestígios que já caducaram. Proteja-os do rancor dos que se atrasam. Dê-lhes poder absoluto. Esse é o caminho.
  50. A velocidade da rádio, a eloquência da televisão, a profundidade do texto, a ubiquidade do mobile, a expressividade das redes sociais. A criatividade no comando, a inovação perpétua. Consiga isso e você terá tudo.

Julián Gallo– 082014

Torcedoras protestam na sede do Remo

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Um protesto pacífico, reunindo mais de 200 torcedores do Remo, foi realizado na tarde desta terça-feira em frente ao estádio Evandro Almeida e depois finalizado na sede social da avenida Nazaré. Impedidas de entrar no prédio, as torcedoras protestaram, cantaram o hino do clube e abriram uma faixa com os dizeres: “Diretores passam, o Remo fica”. A manifestação visou cobrar dos dirigentes – principalmente do presidente, Pedro Minowa – mais comprometimento e apoio aos jogadores. O time, que sofreu a segunda derrota consecutiva para o Paissandu, enfrenta dificuldades no Campeonato Paraense, ainda sem presença garantida na semifinal do returno. (Foto: Gil Mattos)

É preciso impedir que a farsa se torne tragédia

POR DANIEL MALCHER

Farsa, tragédia… fica a cargo e ao gosto do analista. O governo Dilma é claudicante e vacilante, porém ao mesmo tempo malabarista. Se por um lado também defende os interesses dos setores que jamais estiveram apeados do poder, num pacto firmado há 12 anos com a “Carta aos Brasileiros”, conseguiu, de certo modo, preservar algumas reminiscências dos tempos de genuína defesa dos mais fragilizados, das históricas bandeiras por inclusão social e pleno emprego e pela valorização do salário mínimo e políticas anti-arrocho. Contudo, como malabarista que é, os beneficiados de sempre e “signatários da carta” apresentaram-lhe a conta: o velho receituário e prescrição de apertos que só atingem a ponta do chicote, o trabalhador. Foi se o equilíbrio mantido por um esforço de engenharia política que denunciava a sua precariedade.
O que é mais curioso é que mesmo seguindo uma agenda claramente defendida pelos opositores derrotados nas urnas em outubro, os seguimentos oposicionistas obtusos – cada vez mais eivados de radicalismo e ignorância – seguem com a cantilena: “impeachment!”, “comunismo!”, “intervenção militar já!” – pasmem!

Lembram da opção pela farsa ou pela tragédia citadas acima? Pois é. Guardadas as devidas proporções, as tentativas de equilíbrio do atual governo – marca dos últimos 8 anos de Lula e dos primeiros 4 anos de Dilma, diga-se de passagem – lembram muito as mesmas tentativas de se manter com os pés na corda do governo João Goulart. A direita e o fascismo, como há 51 anos, estão vociferando ódio, lembrando em alguns momentos a insanidade nazista que pôs fim à República de Weimar em 1933 e que conduziu Hitler ao poder e ao golpe militar que depôs o governo eleito do trabalhista herdeiro de Vargas. Mas as esquerdas, movimentos sociais do campo e das cidades e os partidários da defesa dos interesses da classe trabalhadora não podem cometer os mesmos erros de 1964: o imobilismo, a hesitação e a neutralidade de ar proto-cientificista e pseudo-acadêmica. Que se faça a crítica, se aponte as contradições, e que se denuncie as distorções é claro, mas que se faça o que se deve fazer: costurar uma frente de esquerda para além da mera defesa da democracia. Que vise transformá-la, radicalizá-la. Pois as fileiras estão cerradas e não podemos permitir que esta espiral fascista e anti-democrática tome o país de assalto como em 1964.

Recorde do Rei Dadá completa hoje 39 anos

DO UOL

Dadá Maravilha entrou para o álbum de grandes figuras do futebol brasileiro por seu faro de artilheiro e suas frases hilárias. Mas um fato histórico da carreira do ex-centroavante é pouco lembrado e completa 39 anos hoje.
No dia 7 de abril de 1976, pelo Campeonato Pernambucano, Dadá Peito de Aço, como ficou conhecido na Ilha do Retiro, marcou uma dezena de vezes na goleada do Sport contra o Santo Amaro. Placar do jogo: 14 x 0! E Dadá fez gols de tudo que era jeito.
images“Tem uma história interessante nesse jogo. O nosso treinador era o Mario Travaglini. O Santo Amaro tinha alguns jogadores que eu conhecia. Eles trabalhavam o dia todo para jogar à noite. E eles comiam um sanduíche para jogar. Eu cheguei, o Mario Travaglini, cheio de tática, faz isso, faz aquilo, eu digo: ‘Seu Mario, por favor, como é que um time que trabalha o dia todo e come um sanduíche pode jogar contra a gente?’ Marcamos sobre pressão, deu câimbra neles, aí eu fiz dez gols. Porque os caras ficaram com fome, cansados, tadinhos”, revelou Dadá com o bom humor de sempre no Roda Viva em 1987.
Até hoje, a marca de Dadá Maravilha é um recorde do futebol nacional. Ninguém balançou as redes mais que ele num mesmo jogo. Nem mesmo Pelé – cujo recorde é de 8 gols contra o Botafogo-SP em 1964.
Apenas dois jogadores haviam atingido esta marca: Mascote, do Sampaio Corrêa-MA, na vitória por 20 x 0 sobre o Santos Dumont, pelo Campeonato Maranhense de 1934. E Caio Mário, do CSA na vitória sobre o Esporte Clube Maceió, pelo Campeonato Alagoano de 1945.
Em 1975, um ano antes do feito histórico, o Sport vivia jejum de 12 anos sem título estadual. Via Santa Cruz e Náutico, os maiores rivais, alternarem-se como campeões pernambucanos. Mas Dadá Maravilha aterrissou na Ilha do Retiro para mudar os rumos do rubro-negro naquela década.
Contratado pelo Leão da Ilha, Dadá foi campeão pernambucano pelo Sport em seu primeiro ano e ainda sagrou-se artilheiro da competição com 32 gols.
Em 1976, Dadá não conquistou o título estadual. Foi vendido para o Inter antes mesmo do pernambucano acabar. Nem por isso, deixou de ser artilheiro. Foram 30 gols pelo Sport – 10 só contra o Santo Amaro.
“Na minha época, os pequenos eram só para a gente fazer artilharia. Naquele ano, joguei apenas os dois primeiros turnos, pois tive meu passe negociado com o Internacional. O Campeonato Pernambucano era disputado em quatro turnos e, mesmo longe, consegui ser artilheiro da competição”, lembrou Dadá Maravilha em entrevista ao Jornal do Commercio em 2000.
No Inter, em 1976, Dadá ganhou o Campeonato Gaúcho e o bicampeonato brasileiro, com direito a gol na final contra o Corinthians.
Antes, havia passado por Flamengo e Atlético-MG, onde também foi campeão nacional. Além de ter sido campeão do mundo pela seleção brasileira em 1970.
Depois, vestiu a camisa de outros grandes clubes brasileiros. Mas nunca conseguiu repetir a façanha de 7 de abril de 1976 com a camisa do Sport.
Como ele mesmo costuma dizer, Dadá Maravilha podia até não saber jogar futebol. Mas gols, ele fazia como poucos na história do futebol.

Ficha Técnica
Sport 14 x 0 Santo Amaro
Data: 7/Abr/1976
Local: Ilha do Retiro (Recife)
Renda: CR$ 34.527,00
Público: 2.921
Cartões amarelos: Luciano Veloso e Cláudio (Sport); Odair, Hilton e Lula Barbosa.
Gols: Miltão, aos 12; e Dario, aos 25 e 27 do 1º tempo. Dario, aos 4; Peres, aos 9; Dario aos 11, 13,15,18 (pênalti), 24 e 31; Miltão aos 33; Lino aos 35; e Dario aos 44 do 2º tempo.
Sport: Tião; Aranha, Silveira, Djalma e Cláudio; Luciano Veloso ( Assis), Peres e Amilton Rocha; Miltão, Dario, Lima ( Lino).
Santo Amaro: Odair; Hilton, Edílson e Ramos ( Lula Barbosa); Bicuda, Saguim e Sabará e Lula Queiroz; Ferreira, Oliveira e Eraldo ( Banana).

Brown, Aécio e a arte de escapar de uma blitz

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POR KIKO NOGUEIRA, NO DCM

Mano Brown foi preso depois de ter seu carro parado numa blitz numa avenida na região de Campo Limpo, em São Paulo.

Brown teria cometido “desobediência, desacato e resistência”, segundo a PM. A carteira e o IPVA estavam vencidos desde 2012 e o carro estava no nome de sua mãe.

Seu advogado diz que ele foi “levemente agredido”. “Pediram para ele colocar as mãos sobre o capô. Ele colocou e os policiais puxaram seus braços para pôr as algemas. Ele pediu calma e eles o jogaram no chão”, afirma.

O defensor do músico garante que há um vídeo provando os maus tratos.

Os soldados podem pedir os documentos de qualquer cidadão e a obrigação do cidadão é tê-los em dia, evidentemente.

Agora: se esse cidadão é o mesmo que escreveu “não confio na polícia, raça do caralho”, a chance de que ele terá problemas cresce exponencialmente. Ele precisava ter sido detido? As circunstâncias ainda precisam ser esclarecidas.

Mas vejamos o caso do nobre senador Aécio Neves.

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Em 2011, Aécio caiu num comando da Lei Seca no Leblon. Foi de madrugada. Estava com a habilitação vencida — ele “não sabia” — e recusou-se a fazer o teste do bafômetro, considerado uma infração gravíssima (7 pontos e multa de 1 000 reais).

Os policiais, como no caso de Mano Brown, reconheceram o motorista. Só que, nesse caso, ele foi liberado e voltou para o aconchego do lar, após providenciar um estafeta sóbrio para pilotar o veículo.

Aécio, de acordo com sua assessoria, “cumprimentou a equipe policial responsável pelo profissionalismo e correção na abordagem”.

A história de Mano Brown foi matéria do Jornal Nacional, acabo de ver. A de Aécio passou batido. Claro que por descuido do pessoal, certo, mano?

Imagine, apenas imagine, se Brown tivesse tomado uma latinha de Skol.

Agora: não é verdade que, com a detenção de Mano Brown, quem entra em seu lugar nos Racionais MC’s é Aécio Neves. Ali não tem terceiro turno.

Momentos decisivos

POR GERSON NOGUEIRA 

Um jogo isolado, correspondente ainda à 4ª rodada do returno, pode ter sérias consequências para a rodada final desta fase do campeonato. O Cametá recebe o São Francisco, hoje à noite, no Parque do Bacurau, precisando da vitória para manter as chances de classificação no grupo A2. O mesmo vale para o time santareno, que tem 7 pontos e pode se classificar por antecipação no A1 em caso de triunfo.

O confronto interessa diretamente à dupla Re-Pa. Um tropeço do Cametá – que perdeu o técnico Cacaio para o Remo – deixará o Papão mais sossegado no grupo A2. Já um revés do São Francisco seria o resultado ideal para o Remo no grupo A1.

unnamed (8)Cabe lembrar que os bicolores enfrentarão o São Francisco na rodada final, na Curuzu, com chances de complicar a vida do Leão tapajônico. Em fase ascendente, com duas vitórias seguidas sobre o maior rival, o Papão é mais do que nunca favorito em seus domínios. Vai daí que o São Francisco, ciente dessa condição, tentará de todas as formas garantir em Cametá o resultado que lhe convém.

Amanhã, haverá outro jogo atrasado (este ainda da segunda rodada), entre Papão e Parauapebas. O raciocínio quanto ao apetite bicolor em relação ao São Francisco vale também para o Parauapebas, que estacionou em dois pontos no returno, depois de excelente caminhada no primeiro turno, quando chegou à decisão diante do Independente.

Com dois jogos por fazer ainda, o Pebas tem remotas chances de ir à semifinal. Para continuar sonhando, tem que vencer na Curuzu. No turno inicial, o time chegou a aprontar jogando como visitante em Belém, batendo o Remo logo na estreia. Na segunda fase do campeonato, porém, perdeu o ímpeto e vem acumulando maus resultados.

São dois bons aperitivos para a super rodada de domingo, quando os dez times estarão em campo, sendo que provavelmente apenas seis ainda brigando para chegar à semifinal: São Francisco, Remo e Independente de um lado e Paragominas, Papão e Cametá de outro.

Dependendo do que acontecer hoje e amanhã, o Papão pode chegar à última rodada apenas para cumprir tabela, podendo até poupar alguns titulares contra os santarenos.

O Remo, atormentado pela obrigação de vencer em Paragominas, poderá desfrutar de relativo alívio caso o Cametá derrote o São Francisco. Relativo porque o Independente também representa ameaça. O Galo receberá em Tucuruí o lanterna Gavião, com grandes possibilidades de contabilizar 3 pontos e chegar a 9 na classificação.

Ingredientes que permitem esperar desde já fortes emoções para a tarde de domingo.

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Vivendo e aprendendo a jogar

Com base em informações colhidas ainda durante o jogo – e com o prazo de fechamento da coluna indo até 22h –, informei erradamente que a torcida do Remo estava em maior número no Mangueirão, no clássico de domingo à noite. Foi justamente o contrário: a do Papão foi superior nas arquibancadas e cadeiras (10.786 contra 7.964), embora no borderô oficial da FPF o Remo apareça com maior renda, devido aos descontos do Sócio Torcedor bicolor.

Um lapso lamentável, pelo qual peço desculpas, contando com a compreensão dos 27 fiéis baluartes da coluna e a todo o povo que acompanha o Círio.

Aos gatos pingados que não conseguem atinar para o fato de que falhas acontecem, declaro o meu perdão incondicional. Já vai longe o tempo em que insultos obtusos e cretinices em geral tiravam minutos do meu sono. Enfim, vida que segue.

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As voltas que o mundo dá

O futebol não cansa de nos surpreender. Tiago Galhardo, que andou por aqui jogando pelo Remo e depois pelo Cametá, sem deixar muita saudade, ressurgiu no Campeonato Carioca arrumando a meiúca do Madureira. Tem feito jogos bem interessantes, esbanjando habilidade nos passes e lançamentos. Destacou-se tanto que o Botafogo chegou a cogitar sua recontratação, mas acabou superado pelo Coritiba, que já sacramentou o acerto com o meia-armador.

Prova irrefutável de que a bola sempre dá novas oportunidades.

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Brincando com coisa séria

A coleção de notícias ruins daria para elaborar um alentado roteiro dramático – se estivéssemos falando de ficção. Acontece que esta é a dura realidade atravessada pelo Remo neste começo de temporada. Ontem, outro abalo: divulgou-se que a sede social teve a energia elétrica cortada.

Ameaçado de dupla eliminação, na Copa Verde e no Parazão, os problemas que afetam o time têm estreita relação com os desmandos administrativos. Em dívida com o elenco, que ainda espera a complementação salarial de fevereiro, a diretoria não tem forças para exigir ou impor nada.

Na verdade, a ausência tem sido a principal marca da cúpula diretiva do clube. O problema vinha se manifestando desde os tempos de Zé Teodoro, que reclamou disso inúmeras vezes. A reiterada distância entre dirigentes e jogadores gerou até princípios de motim no elenco.

Desta vez, porém, a situação desenha-se mais dramática. O Remo terá que vencer em Paragominas para ir à semifinal do returno. Dificilmente obterá êxito nessa empreitada se os salários continuarem atrasados. A cota do Re-Pa ficou de ser usada para o pagamento dos atletas.

Até ontem não havia confirmação de quitação do débito.

(Coluna publicada no Bola/DIÁRIO desta terça-feira, 07)