Remo negocia Roni com o Cruzeiro

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O atacante Roni está sendo negociado pelo Remo com o Cruzeiro. Um pré-contrato já teria sido assinado. Valor da transação estaria em torno de R$ 1,2 milhão. A pedido da diretoria remista, o jogador ficará até o final do Parazão. Roni foi revelado nas divisões de base do clube. Segundo informações surgidas agora à tarde, o valor da transferência gira em torno de R$ 650 mil, mas a diretoria do Remo estaria sendo pressionada a fechar o acordo. Há dirigente interessado no negócio para recuperar dinheiro aplicado no clube.

Enquanto isso, o técnico Cacaio praticamente definiu o time para o jogo desta quarta-feira com o Atlético-PR pela Copa do Brasil. A equipe titular treinou na manhã desta terça-feira com a seguinte formação: Cézar Luz; Allax, Ciro Sena, Rafael Andrade (Yan) e Alex Ruan; Ameixa, Felipe Macena, Fabrício e Mateus Carioca; Bismark e Val Barreto. Levy, Ratinho e Rafael Paty, titulares contra o Paragominas, devem compor o banco de reservas. Dadá, Eduardo Ramos, Roni e Jadilson não viajam. (Foto: MÁRIO QUADROS/Bola)

Veias abertas da América

POR GERSON NOGUEIRA

O Uruguai venceu o Brasil limpamente em 50. E cercou-se de algo que nenhuma droga pode dar: o entusiasmo. Em duas frases, o diagnóstico da Copa mais trágica de todas. Pertencem a um homem sábio, talvez um dos últimos sábios que passaram por esta nossa América Latina. Eduardo Galeano. Afirmou isso em entrevista ao repórter Elvídio Matos, da ESPN, ao analisar, 60 anos depois, a tragédia do Maracanazo.

unnamedSorridente e emocionado, disse mais: “Depois da final, Obdúlio saiu do hotel e foi a um boteco beber uma cervejinha, passear. Ficou então impressionado com as pessoas chorando nas ruas do Rio. O que fiz a eles? Uma gente tão boa e eu fiz com que elas sofressem tanto. O pior é que ele ouvia as pessoas falando ‘Foi Obdúlio, foi Obdúlio…’. Então, a fúria que tinha reservado para o jogo contra o Brasil se transformou em constrangimento, desolação e tristeza”.

Avaliações sensíveis de um poeta-jornalista preocupado com sentimentos, amoroso com as pessoas. Galeano foi um mestre das palavras. Esgrimia verbos com invulgar carinho. Ouvi-lo era prazeroso, pelo tom de voz sereno e grave. Falava um português quase perfeito, emoldurado pelo forte sotaque espanhol. Ler seus escritos era puro deleite, pela clareza das ideias e a profundidade do conteúdo.

Uruguaio de nascimento, Galeano era cidadão do mundo. É claro um homem tão preocupado com os outros só poderia sólida formação esquerdista. Fui apresentado a Galeano quando já era um repórter e tentava diariamente melhorar meu texto, lendo o que de fato valia a pena.

Li alguns artigos dele n’O Pasquim e, a partir daí, aprendi a cultivar o hábito de ler seus livros, começando pelo seminal “As Veias Abertas da América Latina” (editora Codecri), lançado em 1971 e que me fez abrir os olhos para a subserviência política do nosso maltratado rincão. Anos depois, Hugo Chávez daria o livro de presente a Barack Obama, instigando-o a entender as históricas mazelas que castigam o povo das Américas.

Emendei depois com “Futebol ao Sol e à Sombra”, insuperável tratado crítico sobre esse esporte que tanto amamos. Apesar da modulação às vezes sombria, o livro desnuda a paixão que Galeano nutria pelo futebol e que fui aprendendo a confirmar em artigos e entrevistas.

Como fã de futebol, ele era apaixonado pelo Brasil. Histórias sobre as escaramuças, lendas e rivalidades (como a de Flamengo e Vasco) mereceram sua atenção. Como na incrível história de Arubinha, o homem que teria enterrado um sapo no estádio de S. Januário e lançado uma praga de 12 anos sobre o time da Colina. Coincidência ou não, o Vasco só venceria de novo depois de 11 anos.

Perseguido e censurado por várias ditaduras ao longo da vida, Galeano trabalhou como redator chefe do jornal “Marcha”, dirigiu o jornal “Época” e publicações da Universidade do Uruguai, de 1964 a 1973. Exilado em Buenos Aires, onde criou a revista “Crise”. Em 1976, continuou o exílio em Barcelona. Só retornou ao Uruguai em 1985, depois de restaurada a democracia.

Seus escritos eram fragmentados, assemelhando-se em economia a haicais, quase sempre no formato da crônica livre. Como jornalista, fazia da realidade sua fonte maior de inspiração, com talento suficiente para fazer disso grande literatura, como em “Memória do Fogo” e “Os Filhos dos Dias”, seu último lançamento no Brasil, de 2012.

Modestamente, dedico a ele a coluna de hoje pelo respeito e admiração, e acima de tudo pela fonte de inspiração que representou para a minha carreira. Ter Galeano como modelo é quase pavulagem de um escriba nascido no interior do mato.

Pela paixão inarredável pelo futebol e as claras convicções esquerdistas, de preocupação com os mais pobres e oposição às injustiças do mundo, sempre me senti próximo desse grande uruguaio, que morreu ontem, aos 74 anos.

Para fechar, uma frase inesquecível dele: “Há um só lugar onde ontem e hoje se encontram e se reconhecem e se abraçam. Esse lugar é amanhã”. Cabra bom. Vai fazer falta.

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Escaramuças políticas ameaçam o Remo

Em campo, o Remo fez sua parte. Na cara e na coragem, conquistou a classificação jogando em Paragominas, local onde quase sempre fracassou nos últimos anos. Determinados, os jogadores superaram eventuais deficiências e garantiram a vitória.

Todo esse esforço pode ser sabotado pelas escaramuças políticas que movimentam os bastidores do clube. O presidente Pedro Minowa, que está no cargo há três meses, corre o risco de ser apeado do poder por força de denúncias encaminhadas ao Conselho Deliberativo.

É acusado de irregularidades administrativas, por ter supostamente assinado contratos lesivos ao clube sem a anuência de seus pares, nem a autorização do Condel. Minowa, em entrevista ao Bola de domingo, nega qualquer ilícito. Na matéria, voltou a falar da situação em que encontrou as finanças do clube – com apenas R$ 6,50 em caixa, segundo ele.

Entre as acusações e a defesa existem vários passos a serem dados, mas seria sensato que as muvucas políticas ficassem para mais tarde. O futebol, que determina o que é céu e o que é inferno no Remo, viverá uma semana decisiva.

Amanhã, o time vai a Curitiba brigar a classificação à próxima fase da Copa do Brasil contra o Atlético. Parada difícil, mas não impossível. No sábado, aí sim, um confronto de vida ou morte com o Papão pela semifinal da Copa Verde. Para ir à final, o Remo precisa vencer por 3 a 0 ou fazer 2 a 0 e disputar nos penais. Pedreira total.

Os dirigentes e grandes azulinos precisam entender que aualquer coisa que desvie o foco dessas missões em campo será extremamente negativa para o futuro do clube.

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Uma tradição que não se altera

A recorrente hegemonia do Flamengo no mundo das arbitragens voltou a se manifestar domingo no clássico com o Vasco. Pelo menos dois jogadores rubro-negros deveriam ter sido expulsos por agressão a vascaínos. O lance mais escandaloso foi o pontapé no rosto de um meio-campista cruzmaltino ainda no primeiro tempo do jogo. Árbitro, a muito custo, deu amarelo.

Não esquecendo que, no ano passado, o Fla conquistou o título carioca com um gol em claro impedimento na final contra o Vasco. Nem Eurico Miranda, do alto de toda sua alegada matreirice, foi capaz de impedir que seu time fosse novamente garfado diante do maior rival.

(Coluna publicada na edição do Bola/DIÁRIO desta terça-feira, 14)

Legendas do mundo da bola

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Pelé festeja mais um gol do Santos, observado por Edu (11), em jogo no final dos anos 60. Campeão das Américas no século passado, segundo a Fifa, o Santos comemora hoje 103 anos de fundação.

A direita brasileira e seus analfabetos políticos

POR PAULO NOGUEIRA, NO DCM

É simplesmente inacreditável a quantidade de pseudoluminares de direita que o Brasil vem produzindo nos últimos anos.

A qualidade é desprezível. Onde alguém como Nelson Rodrigues, ou Roberto Campos, ou Mario Henrique Simonsen?

Em nenhum lugar, lamentavelmente.

Em compensação, a tropa não para de ganhar novos soldados rasos. Rasos nos debates, rasos nas formulações, rasos nos textos. Rasos em tudo, em suma, verdadeiros recrutas zeros do reacionarismo.

O mais novo deles é Kim Kataguiri, de 19 anos, líder de um certo Brasil Livre. Em sua louca cavalgada para encontrar um herói do 1%, a imprensa tenta transformá-lo em algo além da definição precisa de Jean Wyllys, um analfabeto político. Eu acrescentaria apenas: mirim.

No final de semana, do alto do fracasso do protesto que ele supostamente organizou em São Paulo, KK pronunciou uma frase que simboliza a obtusidade agressiva da endoidecida direita brasileira. Para ele, o PT tem que levar um tiro na cabeça.

Num mundo menos imperfeito e menos selvagem, alguém como ele diria que o PT tem que ser batido nas urnas, democraticamente.

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Mas não: KK carrega uma arma na mente tumultuada, e quer usá-la a todo custo.

A tragédia de KK começa na escolha errada do mentor. Oriental, ele tinha mestres formidáveis à mão.

Confúcio, por exemplo. Os Analetos de Confúcio são um livro curto e simples de ler, e dão a você elementos para tocar com sabedoria sua vida.

Mas a Confúcio KK preferiu a ignorância enciclopédica de Olavo de Carvalho. Se você examinar os pupilos de OC terá uma ideia do que acontece com quem leva a sério suas palavras.

Cito alguns ao acaso: Danilo Gentili, Lobão, Pastor Everaldo, Roger do Ultraje, Rodrigo Constantino e Rachel Sheherazade.

Todos eles somados, você chega a zero. Ou, se for menos condescendente, a menos um. Você espreme um por um, como laranjas, e tudo que obterá se resumirá em duas palavras: estado mínimo.

Não é à toa que a direita não ganha eleições no Brasil: seus propagandistas são terrivelmente ruins.

KK não leu nada, mas pontifica sobre tudo. Numa entrevista para a IstoÉ, admitiu jamais ter lido sequer Friedman, um dos maiores nomes do conservadorismo econômico.

Se não leu Friedman, sendo um “liberal”, é porque não leu coisa nenhuma.

Mesmo assim, carrega uma placa em que revoga Marx. Na mesma entrevista, ele disse ter lido de Marx O Capital.

Chamo meu querido Wellington mais uma vez: quem acredita naquilo acredita em tudo.

Marx não é para principiantes. Estudiosos do Capital sugerem até uma ordem de leitura de capítulos que não foi a adotada pelo próprio Marx.

Por ler Marx, e interpretá-lo à luz destes tempos, Piketty virou Piketty, com seu livro que explica a brutal desigualdade do mundo moderno e sugere maneiras de combatê-la.

Por ter lido as apostilas mastigadas de Olavo de Carvalho, KK virou KK – um garoto de maus instintos e má índole que sonha dar tiros nos outros como se estivesse jogando videogame.

Só no Brasil ele viraria uma estrela da imprensa.

Mas todos os confetes que a mídia está lhe jogando não equivalem, juntos, ao curto diagnóstico de Jean Wyllys.

Eis um analfabeto político.

Mirim.

Com 50 anos de casa, Carsughi é demitido

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VAGNER MAGALHÃES – DO UOL, EM SÃO PAULO

O comentarista esportivo Claudio Carsughi, 82, foi demitido nesta segunda-feira da rádio Jovem Pan de São Paulo, após mais de 50 anos de casa. Carsughi trabalhou na rádio em dois períodos: entre 1957 e 1960 e entre 1963 até hoje. Entre 1960 e 1963 esteve na rádio Bandeirantes.

“A rádio está passando por uma mudança de perfil. Ela assumiu uma postura de direita, que nunca tinha tido. Sempre se ouvia os dois lados. Hoje tem uma posição frontalmente contrária ao PT, à Dilma, ao Lula. Talvez com isso espere o retorno publicitário com empresas do mesmo perfil”, disse o comentarista.

Segundo Carsughi, a demissão foi anunciada por Wanderley Nogueira, diretor de esportes da rádio. “Foi uma conversa franca. Ele me disse que estava muito chateado, sem jeito para dar a notícia, mas que o Tutinha (neto de Paulo Machado de Carvalho) tinha decidido demitir-me. São contingências da vida. Falam em redução de custos. Mas isso é relativo. Eu não tinha um ordenado nababesco. Para o orçamento da rádio não deve fazer muita diferença”, diz ele.

Carsughi admite que nos últimos anos, a equipe esportiva, base da rádio ao lado do noticiário geral, vinha perdendo espaço. “Deixamos de fazer a Fórmula 1. As nossas equipes raramente se fazem presentes nos estádios. Quando estão, só aqui em São Paulo. Mesmo assim, muitas vezes vai só um repórter, para não pagar o técnico (de som)”, diz.

Ele afirma que a rádio passa por uma mudança de conceito e que Tuta, filho de Paulo Machado de Carvalho, largou a emissora na mão dos filhos. “É um ambiente diferente. O caminho é outro. Com o Tuta, nosso acordo era selado em um aperto de mão. Hoje é um processo muito mais burocrático. Jamais teria sido mandado embora se ele estivesse no comando da rádio”.

Carsughi lembra que quando deixou a Jovem Pan para ir para a Bandeirantes, em 1960, voltou um profissional bem mais completo. “Fui chamado de volta para ganhar o triplo”, diz ele. Pela Jovem Pan, cobriu cinco Copas do Mundo consecutivas, entre 1970 e 1986. Em 1990, lembra que foi por sua conta, já que o Mundial foi disputado na Itália, sua terra natal.