O enigma Val Barreto

POR GERSON NOGUEIRA

Paira um imenso ponto de interrogação sobre Val Barreto, atacante que o Remo contratou há três anos e que ao longo do tempo caiu nas graças do torcedor. Infelizmente para ele, apenas do torcedor. Sem padrinho forte no Evandro Almeida, todos os técnicos que passam pelo clube, de Charles a Roberto Fernandes, incluindo o atual, não lhe dão a chance de pelo menos ter sequência no time titular.

unnamed (98)Quando entra é sempre na bacia das almas, ali nos 15 minutos finais ou quando algum titular se contunde. No ano passado, Roberto Fernandes chegou a afirmar publicamente que o jogador estava acima do peso, com percentual de gordura inaceitável para um atleta.

Curiosamente, sempre que entrou no time, Barreto fez bom papel. Não é um estilista da grande área, mas cultiva o estilo trombador, pesado e de chutes fortes de média distância. Sempre se destacou pelas boas atuações diante do Papão, fato que ajuda a explicar o carinho da torcida remista por ele. Ganhou até apelido ilustre, Balotelli do Baenão. Nada disso, porém, comoveu os “professores”.

Com Zé Teodoro, sua situação piorou. O técnico solicita a contratação de outro centroavante, embora o jogador não tenha sido testado de verdade até agora, mesmo com a baixa produção ofensiva do time. A rigor, o titular do ataque tem sido Flávio Caça-Rato, que nem atacante de referência é. Rafael Paty entra no decorrer dos jogos, também com baixo aproveitamento.

Em meio a isso, Barreto, ao lado de Ratinho, amarga a geladeira e parece fora dos planos. Até mesmo sua dispensa ou liberação para outros times do Parazão chegou a ser discutida pela diretoria há algumas semanas.

Sua permanência (e significância) é questionada, mas o tempo pode conspirar em seu favor. Nas três competições que o Remo disputa neste primeiro semestre, certamente chegará o momento em que sua escalação se torne obrigatória.

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De bafo em bafo, CBF leva na flauta

Dona CBF não perde a mania de contar bafo. Reuniu a imprensa ontem para alardear que está fomentando desde 2010 várias novas competições nas categorias profissional, de base e futebol feminino. Há cinco anos, eram seis torneios organizados pela entidade. Atualmente, são 13. Segundo a assessoria, o número de campeonatos foi mais do que dobrado em cinco anos: 117% de aumento. Em 2015, dois torneios de base são estreantes: o Campeonato Brasileiro Sub-20 e a Copa do Nordeste Sub-20.

“Estamos retomando as competições regionais, em locais onde existe a paixão pelo futebol, mas onde não havia competições chanceladas pela CBF. O objetivo é sempre estimular e fortalecer o futebol nessas regiões”, afirmou o diretor de Competições da CBF, Manoel Flores.

Citou as competições regionais, Copa do Nordeste e Copa Verde. No âmbito nacional, são disputadas a Copa do Brasil e o Campeonato Brasileiro Séries A, B, C e D. Ao todo, serão realizados 1.804 jogos. Aumento de 51% em relação aos 1.192 jogos disputados em 2010.

Tudo muito bom, tudo muito bem, mas a CBF devia se envergonhar de não dar aos clubes disputantes, principalmente dos torneios mais modestos, como Copa Verde e séries B, C e D, as condições necessárias para que possam disputar dignamente as competições.

Na prática, apesar dessa enxurrada de números, a situação segue exatamente igual ao cenário de 2010, com ênfase e prioridade absolutas para a Série A. O resto que se vire – ou se dane.

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Beques em alta e brucutu esperançoso

A semana tem sido pródiga em expor os brasileiros que jogam no exterior. Alguns tiveram presença extremamente positiva, reabilitadora até. Casos específicos de Tiago Silva e David Luiz, que garantiram – com gols e bravura – a classificação do Paris Saint Germain às quartas de final da Liga dos Campeões da Europa.

Há, também, o reverso da moeda, como William, Fernandinho, Oscar e Ramires, titulares do Chelsea de José Mourinho, que acabaram ficando pelo caminho na pretensão de brigar por nova conquista europeia. O time lidera o certame inglês, mas tropeçou na empáfia de seu treinador, que chegou a afirmar que seus treinos eram mais intensos e difíceis do que os jogos do campeonato francês. Deu no que deu.

Ressurgem também figuras há algum tempo esquecidas, relegadas ao limbo do futebol pelo menos na visão dos torcedores. Felipe Melo, o verdugo da Copa de 2010, responsável por tesouras voadoras espetaculares e um dos pivôs da eliminação da Seleção contra a Holanda de Robben, em Porto Elizabeth.

Com ar de craque indiscutível (na opinião dele), deu entrevista no Rio dizendo de sua felicidade com a volta de Dunga ao comando de escrete. Sinal de que já projeta retorno triunfal à ribalta, pronto a sair distribuindo pernadas e coices, bem ao seu estilo. Azar o nosso.

Em meio a isso, há o ex-lépido Bernard. Na Copa do Mundo, foi cantado em prosa e verso por Felipão, que acreditava ter o arisco ponta “alegria nas pernas”, seja lá o que isso for. Deu o azar de ser lançado na fatídica partida contra a Alemanha e afundou junto com o time todo.

Agora, sondado pelo Corinthians, surge a informação de que ganha R$ 1 milhão por mês na Ucrânia. Belo salário para pouquíssimo futebol. Nem os cartolas corintianos, famosos pela falta de juízo, arriscaram cobrir a esse fabuloso ordenado.

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Choque-rei: patrimônio imaterial

Com 100 anos e mais de 700 partidas, o Re-Pa, nosso clássico “rei” da Amazônia e o mais disputado do futebol brasileiro, pode ser declarado patrimônio imaterial do Estado. Um projeto de lei nesse sentido foi protocolado ontem na Assembleia Legislativa pelo deputado Soldado Tércio (Pros). Boa iniciativa.

(Coluna publicada na edição do Bola/DIÁRIO desta sexta-feira, 13)

15 comentários em “O enigma Val Barreto

  1. O Zé Teodoro está louquinho pra rebaixar o Remo no Parazão, mas ele mal pode esperar, os RE-PAs servem para separar o joio do trigo ou os enganadores dos técnicos. E ele terá três em sequência para cair na real ou arrumar as malas.

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  2. Grande problema do Val Barreto, é que ele conseguiu o que queria no Remo… Um emprego pra se sustentar….Quando o técnico diz que ele tem um percentual muito alto de gordura, ele não está mentindo..Aliás, foi mais ou menos pelo mesmo motivo que ele foi logo dispensado do Cuiabá, quando saiu do Remo e depois retornou.. Não podemos pensar que o Val de hoje, é aquele Val do Flávio Araújo, que não é… Nos jogos que entrou, nada produziu e, não produziu, por essa taxa alta de gordura… Por isso foi deixado de lado… Hoje, Val Barreto não faz por onde merecer, sequer, ir no banco de reservas. É o que eu penso.

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  3. Concordo parcialmente com você, compatriota Cláudio.
    Val relaxou bas terras tupiniquins e, realmente, estava muito acima do peso -Pelo menos, ano passado, quando vi suas entrevistas. Isso atrapalha o rendimento do atleta, não há como negar.
    Agora também é verdade que o atacante merece maiores chances por parte do técnico, já que Paty não as tem aproveitado.

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  4. Gerson e demais frequentadores do espaço,

    Não compreendo como as autoridades – ou mesmo alguém dedicado ao tema – não vão aos editores, organizadores, do Guiness Book, e procuram incluir o Clássico da Amazônia como o clássico (regional) mais jogado do planeta.

    Creio que o mais difícil seja a pesquisa, verificar entre os clássicos com mais de 100 anos de existência, se existe outro mais editado que o Re-Pa (creio que não). Hoje, com as facilidades de comunicação que há, é apenas questão de se dedicar ao tema.

    É bom lembrar que estamos às vésperas dos 400 anos de Belém e essa festa cairia bem, com ampla divulgação em rede nacional e tudo mais.

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  5. Tenho grande consideração pelo jogador Val Barreto, devido a algumas partidas que fez. Mas, sinceramente, acho que ele não tem apresentado futebol para assumir a titularidade no time azulino. Aliás, com todo o respeito, a ele, e a quem acha o contrário, não ostentava futebol que justificasse contratação por período tão longo. Daí que vejo plenamente explicada a situação em que se encontra sem vaga na onzena titular e no banco.

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  6. Como torcedor bicolor eu acho ótimo que o Val Barreto, seja esquecido pelos técnicos remistas, afinal não tenho boas lembranças deste jogador, pois sempre que ele jogou contra o papão ele fez gol ou deu muito trabalho pra zaga bicolor, creio que haja um preconceito velado contra este atleta que já provou que tem valor, se ele esta acima do peso como diz o amigo Cláudio, caberia aos preparaççao fisica remista lhe deixar em condições de jogo.

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  7. Convenhamos o Val Barreto é um quebrador de bola, um Mendonça piorado. Outra coisa, crucificaram o Fabio Melo pela derrota frente a Holanda quando o único culpado foi o Júlio Cezar, “queridinho” do Galvão Bueno, se tivemos um Fabio Melo contra a Alemanha o Brasil não teria tirado uma de Remo e levado de sete.

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    1. Júlio Chester foi fundamental, sim, Máximo. Mas Felipe Melo deu excepcional contribuição também para o desastre. É um pitbull fora de controle.

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  8. É… E ninguém lembra q o lançamento a lá Paulo Henrique ganso pro gol do Robinho foi do próprio Felipe Mello q é sim um bom jogador, muito melhor do q o cabeça de bagre que o Gerson insiste em tentar o classificar… E não, não quero a volta dele a seleção e duvido também q o Dunga cometerá essa heresia, há não ser por birra.

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    1. Eu estava lá, Jairo, cobrindo o jogo em Porto Elizabeth. Vi o lançamento, perfeito, do Felipe Melo pro Robinho. Mas vi naquela mesma tarde-noite umas 300 entradas desleais dele e o pisão no Robben. Cabeça é fundamental, amigo.

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